Há notícias que não chegam pelas telas, mas pela pele. O anúncio do inverno é uma delas. Ele se inscreve no ar mais fino, no vapor que escapa de nossas bocas e no desejo de um apertado abraço ou de uma xícara de chá bem quente. Antes de ser um fato, o frio é uma sensação que nos une em nossa fragilidade e mútua necessidade de calor.
Nossa poesia de hoje é uma tentativa de traduzir esse comunicado silencioso da natureza. Uma leitura para aquecer a alma antes que o corpo precise, de fato, de um pesado casaco de lã.
O Abraço do Frio
Chegam junho e suas festas.
Frio intenso envolve os dias.
Manto invisível nos pesa.
O ar corta como lâmina fria.
Cada respiro, pequena batalha.
Sol distante alonga as sombras,
e o calor busca sua muralha.
O inverno enfim se assombra.
É tempo de cuidar dos mais frágeis:
crianças, idosos, debilitados.
Vento e frio trazem presságios
de corpos e almas sendo testados.
Que a força venha em caldos quentes,
no suco de abacaxi, laranja e limão.
Vitaminas para os dias cinzentos, linhaça e mel
blindando nossos corações.
Que o calor se encontre no abrigo
dos agasalhos, meias nos pés.
Fuja da chuva, busque refúgio,
Mantenha o corpo são de uma vez.
Que o cuidado seja compartilhado,
gesto amigo, um simples aviso.
Juntos, enfrentamos o frio,
com mais atenção e compromisso.
O inverno sempre passa,
a primavera nos espera,
com a saúde que nos abraça.
Suas flores e nova era.





