Um advogado de 32 anos, diagnosticado com autismo e em tratamento oncológico, foi preso em flagrante em uma academia em Planaltina, no Distrito Federal, após uma discussão por um equipamento de ginástica. Vinicius Colli alega ter sido vítima de abuso de autoridade e violência policial durante a abordagem e sua condução à delegacia, onde chegou a passar mal e convulsionar.
O caso, que ocorreu no dia 13 de junho, ganhou repercussão e agora é investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), que apura a conduta dos policiais civis envolvidos na prisão. O advogado foi autuado por ameaça e injúria, mas foi liberado após o pagamento de fiança de R$ 1 mil.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) confirmou a prisão em flagrante, alegando que o advogado apresentou resistência e continuou proferindo ofensas contra a vítima e os policiais. As circunstâncias da abordagem e a necessidade do uso da força estão sob análise.
O Início da Confusão por um Aparelho de Academia
Segundo o relato do advogado Vinicius Colli, a discussão começou quando ele solicitou a uma colega de academia, identificada como Beatriz, que retirasse um acessório de um aparelho de musculação, prática comum para otimizar o uso dos equipamentos. Diante da recusa, a situação escalou.
Colli afirma que, após remover o objeto, foi insultado pela mulher, que teria dito: “além de não ser cavalheiro, é um puta de um mal educado”. Em resposta, o advogado declarou ter dito, em tom hipotético: “Se eu te chamasse de puta mal educada, você não iria gostar”. Ele nega ter chamado a mulher diretamente de “puta”.
Abordagem Policial e Alegações de Abuso
Poucos minutos após a discussão, o advogado relata que Beatriz retornou acompanhada de seu namorado, que seria agente da Polícia Civil do DF (PCDF), e outros policiais civis. Vinicius Colli alega que sua condição de autista e paciente oncológico foram ignoradas durante a abordagem.
Ele descreve ter sido levado à força, sofrendo torção no braço e sendo imobilizado com um “mata-leão”, o que o fez desmaiar. O advogado afirma ter sofrido lesões e escoriações em diversas partes do corpo. “Quando recobrei a consciência, já estava algemado”, relatou Colli, que também mencionou ter chamado um dos agentes de “policial de merda” em um momento de desespero.
Versão da Polícia Civil e Consequências Médicas
A PCDF, através da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina), informou que a prisão ocorreu em flagrante pelos crimes de injúria, ameaça e resistência. A corporação declarou que o advogado apresentou resistência e que o uso da força foi moderado para contê-lo, além de continuar proferindo ofensas.
Ao ser levado à delegacia, Vinicius Colli apresentou mal-estar, recebendo atendimento de brigadistas e do SAMU, sendo encaminhado ao Hospital Regional de Planaltina. Após avaliação médica e depoimento, ele foi liberado mediante pagamento de fiança de R$ 1 mil.
Denúncias e Investigação em Andamento
Além de registrar uma denúncia na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e na Corregedoria da PCDF, Vinicius Colli pretende acionar a Justiça contra a ação dos policiais. Ele alega que seu depoimento na delegacia pode ter sido fraudado. O MPDF segue com a investigação para apurar possíveis abusos de autoridade.
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A reportagem tentou contato com a aluna envolvida e seu namorado, mas eles não foram localizados para comentar o caso. A investigação busca esclarecer todos os fatos e garantir a aplicação da lei.





