A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (30), uma operação de grande porte com o objetivo de desarticular o núcleo financeiro da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA).
A ação concentrou-se na Vila Vintém, na Zona Oeste do Rio, e visa combater um esquema de lavagem de dinheiro que movimenta aproximadamente R$ 500 mil semanalmente. As investigações revelaram que a organização utiliza métodos modernos para disfarçar a origem ilícita dos recursos provenientes do tráfico de drogas.
Agentes da 34ª Delegacia de Polícia (Bangu), com apoio de unidades especializadas como a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), estão atuando em Bangu e Realengo para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão. Até o momento, três pessoas foram detidas. Conforme informação divulgada pela Polícia Civil, o esquema financeiro da ADA foi meticulosamente investigado, revelando uma estrutura sofisticada para a lavagem de dinheiro.
Esquema sofisticado utilizava PIX e máquinas de cartão para movimentar dinheiro do tráfico
As investigações apontaram que a ADA implementou um esquema estruturado para converter os valores obtidos com a venda de drogas em dinheiro vivo. Uma característica marcante desse esquema é o uso intensivo de meios de pagamento digitais, como PIX e transações via máquinas de cartão de crédito e débito.
Essa metodologia moderna permitia que os criminosos recebessem pagamentos de forma rápida e, aparentemente, discreta. O dinheiro circulante na região, segundo a 34ª DP, é em grande parte oriundo dessas transações digitais, dificultando o rastreamento inicial.
“Laranjas” e saques em espécie: os passos da lavagem de dinheiro da ADA
O esquema de lavagem de dinheiro da ADA envolvia a utilização de terceiros, conhecidos como “laranjas”, para receber os valores ilícitos em suas contas bancárias. Esses indivíduos serviam como intermediários, recebendo os depósitos provenientes das atividades criminosas.
Posteriormente, cartões vinculados a essas contas eram repassados a outros membros da facção. A função desses integrantes era realizar o saque dos valores em espécie em caixas eletrônicos ou agências bancárias. Esse processo permitia que o dinheiro, após passar por essas etapas, retornasse à facção já desvinculado de sua origem criminosa, pronto para financiar novas operações do tráfico.
14 membros identificados e bloqueio judicial de contas
A 34ª DP identificou um total de 14 integrantes diretamente envolvidos na prática criminosa. Cada um desses indivíduos movimentava, em média, cerca de R$ 5 mil por dia, evidenciando a alta rotatividade financeira do esquema. O valor total movimentado semanalmente pela facção através dessas operações financeiras ilícitas chega a R$ 500 mil.
Diante da complexidade e do volume financeiro envolvido, a Justiça do Rio determinou o bloqueio das contas bancárias utilizadas no esquema. O objetivo é interromper efetivamente o fluxo financeiro da organização criminosa e enfraquecer sua capacidade operacional.
Objetivo da operação é enfraquecer a estrutura financeira do tráfico
A operação desta terça-feira busca, primordialmente, enfraquecer a estrutura financeira da ADA. Ao interromper a circulação de recursos ilícitos, a polícia visa dificultar a manutenção e expansão das atividades do tráfico de drogas na região.
Além de desarticular o esquema de lavagem de dinheiro, a ação policial tem como meta reunir novos elementos que possam subsidiar o avanço das investigações. O desmantelamento do núcleo financeiro é considerado um passo crucial para desestabilizar a facção e reduzir sua influência





