Sindicalista dedicou a vida à defesa dos trabalhadores do campo e tornou-se referência na luta por justiça social no Brasil
A história de Margarida Maria Alves é marcada pela coragem e pelo compromisso com a defesa dos direitos dos trabalhadores rurais. Reconhecida como uma das principais lideranças sindicais do país, ela enfrentou a exploração no campo, denunciou abusos e lutou por melhores condições de trabalho, tornando-se um símbolo da resistência em defesa da justiça social.
Margarida Maria Alves nasceu em 5 de agosto de 1933, no município de Alagoa Grande. Desde cedo conheceu a realidade difícil vivida pelos trabalhadores rurais, marcada por baixos salários, jornadas exaustivas e pouca proteção trabalhista. Essa experiência motivou sua atuação em defesa daqueles que dependiam da agricultura para sobreviver.
Na década de 1970, assumiu a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, tornando-se uma das primeiras mulheres a ocupar esse cargo na região. Durante sua gestão, liderou diversas ações judiciais para garantir direitos previstos na legislação trabalhista, como férias, décimo terceiro salário, carteira assinada e indenizações. Sua atuação firme fez com que enfrentasse constantes ameaças de grandes proprietários rurais.
Mesmo diante das intimidações, Margarida nunca abandonou sua luta. Uma de suas frases mais conhecidas resume sua determinação: “É melhor morrer na luta do que morrer de fome.” A declaração tornou-se um símbolo da resistência dos trabalhadores do campo e continua inspirando movimentos sociais em todo o Brasil.
Em 12 de agosto de 1983, Margarida Maria Alves foi assassinada na porta de sua casa, na presença de familiares, em um crime que teve grande repercussão nacional e internacional. Sua morte evidenciou os conflitos agrários existentes no país e reforçou a necessidade de proteção aos defensores dos direitos humanos.
O legado da sindicalista permanece vivo por meio de iniciativas que homenageiam sua trajetória. A principal delas é a Marcha das Margaridas, considerada a maior mobilização de mulheres da América Latina. Realizada periodicamente em Brasília, a marcha reúne milhares de trabalhadoras rurais para reivindicar igualdade, justiça social, combate à violência e fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres do campo.
Mais de quatro décadas após sua morte, Margarida Maria Alves continua sendo lembrada como um exemplo de coragem, liderança e compromisso com os direitos humanos. Sua história representa a força das mulheres na luta por igualdade e dignidade, consolidando seu nome como uma das mais importantes defensoras dos trabalhadores rurais na história do Brasil.





