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Távola Redonda: Simplicidade, humildade e trabalho

Foto: Rafael Ribeiro/CBF
Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Rayan Vitor Simplício Rocha. Entre seu nome e seu destino, uma coincidência que parece explicar sua trajetória. Simplício, sobrenome que remete à simplicidade de um garoto que, mesmo cercado por expectativas desde cedo, sempre escolheu ouvir antes de falar e trabalhar antes de aparecer.

Ainda criança, quando a impaciência é uma característica natural da idade, Rayan parou para ouvir conselhos de quem representava a própria história do Vasco da Gama: Roberto Dinamite. O maior ídolo do clube enxergava naquele menino algo que o tempo confirmaria.

Filho de Valkmar, ex-jogador e campeão pelo Vasco, integrante de uma geração que conquistou títulos importantes e fez parte do elenco campeão da Copa Mercosul e do Campeonato Brasileiro de 2000, Rayan cresceu cercado por exemplos dentro e fora de casa.

Mas sua história não começa nas conquistas. Começa na Barreira do Vasco. Cria da comunidade que vive ao lado de São Januário, ele cresceu enfrentando as barreiras que a sociedade impõe a tantos jovens brasileiros. E encontrou justamente no Vasco um caminho. O mesmo Vasco que ajudou a transformar o futebol brasileiro ao abrir espaço para jogadores negros e das classes populares, quando muitos clubes ainda fechavam suas portas. Décadas depois, essa história de inclusão também abriria as portas do futebol e do mundo para Rayan.

Na base vascaína, seu talento chamou atenção rapidamente. Em 2023, estreou profissionalmente com apenas 16 anos. Vestiu uma das camisas mais pesadas do futebol brasileiro e jamais pareceu sentir o peso dela. Pelo contrário. Atuou com personalidade, marcou gols, acumulou experiências e se tornou uma das maiores promessas reveladas pelo clube nos últimos anos.

Não demorou para despertar o interesse de grandes equipes do futebol mundial. Observado por clubes de diferentes países, deu mais um passo em sua carreira ao se transferir para o Bournemouth, da Inglaterra.

A mudança para a Europa trouxe novos desafios, mas também confirmou aquilo que muitos já enxergavam. Seu crescimento constante o colocou no radar da Seleção Brasileira.

A convocação para a Copa do Mundo foi tratada como surpresa por alguns. Para outros, foi apenas a confirmação de um trabalho construído com talento, disciplina e dedicação desde os tempos de base em São Januário.

Antes mesmo do Mundial, veio um momento especial. Em um amistoso contra o Panamá, Rayan marcou seu primeiro gol pela Seleção Brasileira principal. O Maracanã explodiu. E das arquibancadas surgiu um canto conhecido. A música que antes era só da torcida vascaína ecoou pelo estádio, agora o “Oi Boa noite!” era de todos, ligando a origem humilde do menino da barreira ao maior palco do futebol brasileiro.

Pouco depois, contra o Haiti, aos 39 minutos, teve que entrar em campo e sua entrada decisiva. Sua movimentação, intensidade e importância tática mudaram o comportamento da equipe. A partir daquele jogo, não saiu mais do time, mostrou a mesma importância contra a Escócia e posteriormente contra o Japão.

Talvez exista uma resposta simples para tudo isso.

Rayan nunca pareceu sentir o peso das camisas que vestiu.

Nem a do Vasco. Nem a do Brasil.

E que nunca esqueçamos que alguns voos extraordinários começam da forma mais simples possível.

“Oi Boa noite, será que vai ter gol do Rayan hoje?”

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