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Távola Redonda: Mais do mesmo, Seleção Brasileira tropeça na Europa e adia, outra vez, o sonho do hexa

Foto Buda Mendes/Getty Images/Via Fifa
Foto Buda Mendes/Getty Images/Via Fifa

Lá vamos nós de novo. Basta aparecer uma seleção europeia em uma fase eliminatória da Copa do Mundo que o Brasil parece esquecer como se joga futebol. O roteiro já virou um pesadelo repetido: França em 2006, Holanda em 2010, Alemanha em 2014, Bélgica em 2018, Croácia em 2022 e, agora, Noruega em 2026. Mais uma eliminação, mais um adeus precoce e mais quatro anos de espera.

O pior é perceber que isso deixou de ser acidente. Virou padrão. E o símbolo dessa queda atende pelo nome de Noruega, única seleção que o Brasil enfrentou em e nunca conseguiu vencer. Em Copas? Foi assim em 1998 e voltou a acontecer em 2026, justamente no retorno dos noruegueses ao Mundial. Coincidência? Não. Sintoma.

Dentro de campo, as perguntas são inevitáveis. Por que Bruno Guimarães foi o escolhido para cobrar o pênalti? Onde estavam Vinícius Júnior, principal jogador da Seleção, Mateus Cunha, vivendo grande fase, ou nomes experientes como Casemiro e Danilo? Em Copa do Mundo, talento é importante, mas personalidade pesa tanto quanto. Tem hora em que o craque precisa chamar a responsabilidade, bater no peito e decidir.

As dúvidas não param aí. Por que improvisar Martinelli no meio-campo com opções da posição no banco? Se a ideia era fechar espaços contra Haaland, por que não reforçar a marcação com Fabinho? Faltou coerência entre a proposta de jogo e as peças escolhidas.

Carlo Ancelotti também precisa ser cobrado. O respeito à sua carreira não pode servir de escudo para decisões questionáveis. A convocação deixou lacunas, as substituições desmontaram o que funcionava e, quando o time precisou reagir, faltaram respostas. O lado direito, que havia encontrado equilíbrio com Rayan ajudando Danilo, perdeu força justamente quando o treinador desmontou a estrutura. Depois, sem reposição adequada, o Brasil ficou perdido.

Mas seria injusto colocar toda a culpa no treinador e nos jogadores. A crise da Seleção começa muito antes da bola rolar. Trocas constantes de comando, instabilidade política na CBF, planejamento interrompido e decisões pouco transparentes criaram um ambiente onde o futebol virou consequência do caos administrativo.

É por isso que o presidente da CBF precisa aparecer. Não basta deixar treinador e jogadores responderem por tudo enquanto quem toma as decisões permanece em silêncio. Se o discurso era de renovação, chegou a hora de mostrar liderança de verdade.

A imprensa também precisa fazer sua parte. As cobranças feitas a Tite devem valer para Ancelotti. Não existe treinador acima de críticas. Agora ele terá um ciclo completo até 2030. Tempo suficiente para conhecer o futebol brasileiro, corrigir erros e devolver identidade a uma Seleção que, nesta Copa, não convenceu nem contra adversários tecnicamente inferiores.

Em 2030, serão 28 anos sem levantar a taça mais importante do futebol. Uma geração inteira cresceu sem ver o Brasil campeão do mundo. Para muitos jovens, a última grande lembrança de um título é a Copa das Confederações de 2013.

A sexta estrela continua distante. E, enquanto nada mudar dentro e fora de campo, o torcedor seguirá assistindo ao mesmo filme: esperança na estreia, empolgação no caminho e, quando surge um europeu pela frente, o sonho acaba antes da hora. Até 2030. Que, desta vez, o roteiro seja diferente.

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