Sucessão de ações da PF e do MP contra parlamentares aumenta tensão na Casa; declaração de Gilmar Mendes sobre “mesada” a 32 deputados ganha novo peso após apreensão da contabilidade de Adilsinho
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vive um clima de apreensão com a sucessão de operações da Polícia Federal e do Ministério Público contra seus integrantes. Em apenas oito meses, cinco deputados estaduais (atuais e ex-parlamentares) tornaram-se alvos de investigações, o que tem paralisado articulações políticas e gerado temor de novas medidas.
A tensão ganhou novos contornos após a apreensão, na Operação Unha e Carne, de uma planilha atribuída ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho , com os nomes de 61 políticos fluminenses e registros de movimentações superiores a R$ 20 milhões. O documento é investigado por suspeita de caixa dois e financiamento ilegal de campanhas por meio do jogo do bicho .
As investigações também resgataram uma declaração do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de abril deste ano, durante julgamento sobre a sucessão do governo do estado. Na ocasião, o ministro afirmou que um diretor-geral da PF lhe relatou que entre 32 e 34 deputados da Alerj receberiam uma “mesada” paga pelo jogo do bicho .
A crise na Alerj começou a ganhar força em setembro de 2025, com a Operação Zargun contra o então deputado TH Joias (MDB), apontado como braço político do Comando Vermelho. Em dezembro, a primeira fase da Unha e Carne prendeu o então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União), suspeito de vazar informações da operação.
Em maio de 2026, a quarta fase da operação prendeu o deputado Thiago Rangel (Avante), acusado de desvios de recursos da Secretaria de Educação no Noroeste Fluminense e de negociações com o traficante Junior do Beco, chefe do Terceiro Comando Puro (TCP) em Campos dos Goytacazes.
Em junho, o deputado Val Ceasa (PRD) tornou-se alvo do MP, suspeito de favorecer interesses do traficante Peixão, líder do TCP. Durante as buscas, foram apreendidos cerca de R$ 341 mil em dinheiro vivo.
Somente neste mês, quatro parlamentares ou familiares passaram a integrar investigações. A quinta fase da Unha e Carne, em 2 de julho, prendeu o pastor Márcio Poncio, pai da deputada Sarah Poncio (Solidariedade), investigado por ligação com a máfia dos cigarros atribuída a Adilsinho .
Cinco dias depois, a sexta fase da operação prendeu em flagrante o ex-deputado e ex-prefeito Márcio Canella (União), após encontrar um fuzil em seu veículo durante buscas relacionadas a um esquema de lavagem de dinheiro de R$ 7,6 bilhões. Em 9 de julho, o MP deflagrou operação sobre desvio de mais de R$ 80 milhões do Instituto Rio Metrópole, com a prisão do pai e da cunhada do deputado Alexandre Knoploch (PL).
No episódio mais recente, o deputado Rafael Nobre (União) foi denunciado pelo MP por participação em esquema de fraudes em 45 contratos de licitação de prefeituras da Baixada Fluminense, envolvendo merenda escolar e alimentação hospitalar, totalizando cerca de R$ 357 milhões.





