Embora no calendário de 2026 o dia 25 de julho seja aquele em que se comemora a força e a luta da Mulher Negra, essa data ganhou cores e sentimentos que me servirão de estímulo e de gratidão, já que fui uma das entrevistadas pelo renomado jornalista Chico Regueira.
Sou, entre tantas outras,
uma das pessoas pretas e pardas que formam a população negra,
gerando uma linda paleta com vários matizes pelos quais desfilamos! Chegamos, marcando presença,
Ignorando a sentença
Que insiste em nos desqualificar!
A ousadia é uma de nossas marcas!
Esses versos meus acabaram por falar de um momento muito especial! Sim, meus caros leitores, há momentos que deixam marcas indeléveis, e aquele sábado ensolarado de Paraty jamais será esquecido.
Tudo começou na véspera, no dia 24, escolhido para o lançamento de meu livro, quando cruzei com o jornalista Chico Regueira, conhecido pelo quadro “Cadeirinhas”, que consiste em entrevistas que vão ao ar ao vivo, aos sábados, durante a edição do RJ1. Chico convida pessoas que narram histórias de vida, cujo teor emociona os telespectadores. Não poderia ser diferente comigo, a entrevistada que teve a oportunidade de apresentar o primeiro livro, intitulado As múltiplas faces de Fernanda Lessa. A excelente condução do entrevistador Regueira revelou minha capacidade de pensar rápido e de conseguir dar às respostas um tom de emoção, que gerou uma enxurrada de elogios por minha performance. (Aproveito para agradecer aos amigos que me escreveram elogiando a entrevista!)
Sei que meus amigos têm o hábito de tecer elogios a mim, por vezes, exagerados; todavia não posso negar minha felicidade em ter atingido meu propósito de mostrar minha interação com o incrível repórter. Parecia um jogo de pingue-pongue bem treinado; quando, de fato, nada foi previamente combinado. Das mensagens recebidas, verifiquei uma em que o amigo reproduziu o seguinte trecho: “’Aprender a entender o universo do outro. Aprender a respeitar cada mundo que habita no outro ser, e que é um mundo diferenciado e que por isso deve ser respeitado”. Ele escreveu parte de minha fala, que o deixou extremamente emocionado. Confesso que assistindo à entrevista, também tive o mesmo sentimento de enorme emoção! Sou, para quem não sabe, uma pessoa sensível e capaz de chorar por qualquer situação que me toque. Mais do que isso, naquele bate-papo, explicitei, sem qualquer pudor, minha essência, expondo minha gratidão pela oportunidade de ter sido aluna de três acadêmicos da Academia Brasileira de Letras: Godofredo de Oliveira Neto, meu professor de graduação da UFRJ e o responsável pelo PREFÁCIO de meu livro; Evanildo Bechara, o meu grande mentor, meu professor da pós-graduação do Liceu Literário Português/Uerj, cursada após o término do mestrado na UFRRJ, somente para eu realizar o antigo sonho de ser aluna do mestre Bechara. Passei em primeiro lugar no concurso,mas o melhor mesmo foi ter ganhado o amigo Bechara, com que tive momentos de orientação no decorrer do Doutorado e de alegria por ter fundado o Fã-Clube As Becharetes. Com meu amigo-orientador Bechara, reforcei o amor à língua portuguesa e a postura humilde. Muito obrigada, meu amigo! Nossa sintonia era tamanha que você se foi no dia de meu aniversário, que também é a data de nascimento do imortal Godofredo, transformando o dia 22 de maio em um momento de reflexão e de saudade; e Ricardo Stavola Cavaliere, meu eterno e muito amado orientador do doutorado, cursado na UFF. Na minha humilde opinião, eu merecia música no Fantástico!
Brincadeiras à parte, mostrei que a modalidade falada de nossa língua precisa ser trabalhada por todos os usuários do português, afinal nunca se sabe quando você terá a oportunidade de sentar-se na cadeirinha do Chico Regueira, a quem dedico esta crônica!





