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O Cantador de Histórias: Agradecendo com os olhos: serenata para um guerreiro

Gerada por IA
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Em abril de 2016, numa tarde tranquila de sábado, recebemos um pedido diferente. A família de Roberto, um jovem empresário de apenas 29 anos, queria lhe dar uma serenata de aniversário. Seguimos para a Chácara Santo Antônio, em São Paulo, sem imaginar que voltaríamos de lá carregando uma lição sobre a força que existe quando quase tudo parece ter sido levado.

Roberto havia construído uma vida intensa. Participava dos negócios da família, comandava empresas no Brasil e no exterior e vivia com a pressa de quem acredita que ainda há muito por fazer. Então veio a esclerose lateral amiotrófica. Aos poucos, a doença silenciou seus movimentos, depois sua voz, até deixá-lo tetraplégico.

Naquele dia, bastava um músico. Um violão. Algumas canções. O resto seria preenchido pelas pessoas que o amavam.

O salão de festas havia sido transformado para acolhê-lo. Havia uma cama reclinável, monitores ligados a um computador capaz de transformar o movimento dos seus olhos em palavras. Era ali que Roberto conversava com o mundo.

As músicas se misturavam às mensagens da família e dos amigos. Entre uma canção e outra, surgiam lembranças, risadas antigas, agradecimentos, promessas de afeto. Aos poucos, ninguém cantava apenas para Roberto. Todos cantavam com ele.

O mais bonito era perceber que, quando as palavras já não alcançavam sua boca, ainda encontravam caminho pelos olhos. Cada olhar parecia responder a quem se aproximava. Era um obrigado silencioso, mas tão inteiro que dispensava tradução. Algumas pessoas choravam. Outras sorriam entre as lágrimas. Pela primeira vez, parecia que o silêncio tinha voz.

Quando a serenata terminou, imaginamos que a despedida seria feita apenas com um último acorde.

Mas não.

Com paciência, letra por letra, Roberto escreveu no computador uma frase que fez o salão inteiro prender a respiração“Muito obrigado por você estar aqui e me proporcionar esse momento inesquecível. Isso, para mim, não tem preço.”

Naquele instante entendemos que existem pessoas que agradecem com palavras. Outras, com gestos. Roberto nos ensinou que há quem consiga agradecer apenas com os olhos — e, ainda assim, dizer mais do que muitos de nós conseguimos durante uma vida inteira

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