O presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou na mesa uma discussão que o Brasil já não pode mais adiar: qual será o nosso papel na era da inteligência artificial? Em reunião no Palácio do Planalto, Lula defendeu uma estratégia nacional para a IA e afirmou que o país não deve se limitar a consumir tecnologias criadas no exterior.
A preocupação faz sentido. Inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta para ganhar produtividade. Ela começa a influenciar economia, educação, segurança, comunicação, eleições e até a capacidade de um país tomar decisões sem depender integralmente de infraestrutura estrangeira.
Mas existe uma distância importante entre defender a autonomia tecnológica e construí-la.
O próprio debate expõe essa contradição. O governo discute o tema há mais de dois anos, mas ainda faltam medidas concretas, fontes de financiamento, investimentos definidos e prazos claros para transformar intenção em execução.
E talvez esse seja o ponto central. O Brasil não precisa tentar criar uma versão nacional de tudo o que já existe no mundo. Precisa decidir em quais áreas deseja ser protagonista. Temos universidades, pesquisadores, empresas, dados, matriz energética relevante para grandes infraestruturas computacionais e até minerais críticos que serão cada vez mais estratégicos para a indústria tecnológica.
Soberania digital não significa isolamento. Significa capacidade de escolha.
A inteligência artificial está reorganizando a economia mundial enquanto ainda discutimos como entrar nesse jogo. A pergunta, portanto, não é se o Brasil deve ter uma estratégia própria de IA.
É outra: quanto tempo ainda podemos gastar discutindo antes de começar a executá-la?





