Ensino Médio ainda enfrenta desafios
A educação pública brasileira apresentou avanços importantes no nível de aprendizagem ao longo das últimas duas décadas, mas os resultados também revelam que o país ainda convive com grandes desafios. Dados que comparam o desempenho dos estudantes entre 2005 e 2025 indicam uma evolução significativa principalmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. No Ensino Médio, porém, o ritmo de crescimento permanece muito abaixo do necessário, especialmente em matemática.
Um dos números que mais chama a atenção está no 5º ano do Ensino Fundamental. Em português, a proporção de estudantes da rede pública com aprendizado considerado adequado saltou de 22,4% em 2005 para 60,7% em 2025. O resultado representa um crescimento de 38,3 pontos percentuais em 20 anos.
A evolução mostra que políticas educacionais, ampliação do acompanhamento da aprendizagem e ações voltadas à alfabetização e ao desenvolvimento das habilidades de leitura contribuíram para modificar o cenário encontrado no início dos anos 2000.
Avanço maior nos primeiros anos
Os resultados do 5º ano demonstram que é possível produzir mudanças expressivas na educação pública quando os estudantes recebem acompanhamento desde as primeiras etapas da vida escolar.
O domínio da língua portuguesa é fundamental não apenas para o desempenho na própria disciplina. A capacidade de ler, interpretar e compreender textos influencia praticamente todas as áreas do conhecimento.
Apesar do crescimento, o índice de 60,7% também mostra que o desafio está longe de ser superado. Quase quatro em cada dez estudantes ainda não alcançam o patamar considerado adequado em português nessa etapa.
Matemática preocupa no Ensino Médio
Se os anos iniciais apresentam sinais mais positivos, a situação muda consideravelmente quando o olhar se volta para o Ensino Médio. Em matemática, o percentual de estudantes com aprendizagem adequada passou de apenas 5,2% em 2005 para 8,5% em 2025.
Em duas décadas, portanto, o crescimento foi de somente 3,3 pontos percentuais. O dado significa que menos de um em cada dez estudantes da rede pública chega ao fim da Educação Básica apresentando o nível esperado de conhecimento matemático.
O cenário reforça a necessidade de compreender em que momento da trajetória escolar as dificuldades se acumulam. Problemas na aprendizagem de conteúdos básicos podem acompanhar o aluno ao longo dos anos e tornar mais difícil a compreensão de conceitos progressivamente mais complexos.
Desigualdades permanecem
Os números também colocam em evidência as desigualdades existentes dentro do sistema educacional. Condições socioeconômicas, estrutura das escolas, formação e valorização dos professores, acesso à tecnologia e diferenças regionais podem influenciar diretamente o desempenho.
A pandemia de Covid-19, ocorrida no meio desse período de duas décadas, acrescentou ainda um desafio histórico, com interrupções das aulas presenciais e perdas de aprendizagem que atingiram de forma desigual os estudantes.
Próximo desafio é manter o avanço
A comparação entre 2005 e 2025 apresenta duas realidades. De um lado, demonstra que avanços consistentes são possíveis, como ocorreu em português no 5º ano. De outro, revela a urgência de políticas capazes de melhorar o aprendizado nos anos finais e, principalmente, no Ensino Médio.
Mais do que garantir a matrícula e a permanência do aluno na escola, o desafio brasileiro é assegurar que ele realmente aprenda. Depois de 20 anos de evolução, os indicadores mostram que houve progresso, mas também deixam um alerta: fazer com que esse avanço chegue a todas as etapas da educação pública será decisivo para as próximas décadas.





