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Tragédia no Nepal e Tibete deixa centenas de turistas estrangeiros desaparecidos

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Equipes de resgate enfrentam lama, estradas destruídas e regiões isoladas para procurar sobreviventes; balanços ainda são provisórios e podem sofrer alterações à medida que autoridades cruzam informações

A dimensão da tragédia que atingiu o Nepal e a região do Tibete, na China, continua aumentando à medida que as equipes de resgate conseguem chegar às áreas devastadas. Nesta quinta-feira (27), autoridades informaram que mais de 360 pessoas morreram e mais de 1,4 mil permanecem desaparecidas após o colapso de uma geleira desencadear enchentes repentinas, avalanches de detritos e deslizamentos na região do Himalaia.

Um dos dados que mais chama atenção é a quantidade de estrangeiros entre os desaparecidos. Levantamentos divulgados ao longo do dia apontam para centenas de turistas e peregrinos de diferentes nacionalidades, com estimativas que chegaram a aproximadamente 800 estrangeiros considerando os dois lados da fronteira. Os números, entretanto, estão sendo atualizados constantemente e podem apresentar sobreposição entre listas de autoridades, operadoras de turismo e governos estrangeiros.

Turistas de dezenas de países

No Nepal, os dados mais recentes da agência de desastres apontavam 823 pessoas sem contato, incluindo pelo menos 517 estrangeiros. No lado tibetano, autoridades chinesas informaram 558 desaparecidos, dos quais 260 seriam estrangeiros.

Entre as nacionalidades com maior número de desaparecidos no Nepal estão cidadãos da Índia, Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido e Canadá. Até a manhã desta quinta-feira, não havia registro de brasileiros entre os desaparecidos, segundo informações disponíveis.

A presença expressiva de estrangeiros está relacionada ao perfil da região atingida. O corredor montanhoso entre o Nepal e o Tibete é frequentado por praticantes de trekking e, principalmente, por peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash, considerado sagrado por diferentes tradições religiosas.

Resgate enfrenta cenário de destruição

As operações de busca são realizadas em condições extremamente difíceis. Helicópteros estão sendo utilizados para retirar sobreviventes e levar alimentos, barracas e outros suprimentos às comunidades que ficaram isoladas. Mais de 5 mil integrantes das forças de segurança foram mobilizados e pelo menos 125 pessoas haviam sido resgatadas até esta quinta-feira.

Estradas, pontes, casas e instalações de energia foram destruídas pela força da água, da lama e das rochas. Em alguns pontos, a falta de eletricidade e a interrupção das comunicações dificultam até mesmo confirmar se pessoas inicialmente consideradas desaparecidas conseguiram chegar a locais seguros.

Números ainda podem mudar

As autoridades alertam que qualquer balanço deve ser tratado como provisório. Em grandes desastres, pessoas podem aparecer simultaneamente em diferentes listas, enquanto outras inicialmente consideradas desaparecidas acabam sendo localizadas com vida.

Há também dificuldades para identificar corpos e cruzar informações fornecidas por hotéis, empresas de turismo, familiares, governos e equipes de emergência. Por isso, os totais podem aumentar ou diminuir nas próximas horas.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com a possibilidade de novas ocorrências. Um lago formado pelo bloqueio de um rio na área atingida continua acumulando água, criando risco de rompimento e de uma nova inundação. Moradores e integrantes das equipes de emergência foram orientados a manter distância das margens em áreas vulneráveis.

Enquanto as buscas avançam, famílias espalhadas por diferentes partes do mundo aguardam informações. Para centenas delas, a tragédia no Himalaia deixou de ser apenas uma catástrofe distante. A cada nome localizado entre sobreviventes, renasce a esperança. Mas, diante de uma lista ainda enorme de desaparecidos, a corrida contra o tempo continua.

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