ções realizadas mobilizaram Polícia Civil, Ministério Público e Polícia Federal em investigações distintas em São Paulo e no Rio de Janeiro
Uma série de operações realizadas na última quinta-feira (03/09) colocou no centro das investigações suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, fraudes tributárias e crimes eleitorais. Em São Paulo, a Polícia Civil deflagrou uma megaoperação contra um núcleo apontado como ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto o Ministério Público avançou nas apurações sobre irregularidades envolvendo créditos de ICMS. No Rio de Janeiro, a Polícia Federal cumpriu buscas contra o deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ), em investigação sobre suposta compra de votos.
Núcleo ligado ao PCC teria movimentado R$ 1 bilhão
Batizada de Operação Helmintos, a ação da Polícia Civil paulista busca desarticular uma estrutura suspeita de lavar recursos provenientes do tráfico de drogas e ampliar sua influência econômica e política na Baixada Santista.
Segundo as investigações, o grupo teria movimentado valores próximos de R$ 1 bilhão principalmente por meio da compra de imóveis de alto padrão, empresas e estabelecimentos comerciais. Também são investigados o controle de quiosques em áreas públicas de Praia Grande, possíveis favorecimentos em licitação e apoio financeiro a agentes políticos.
A operação incluiu pedidos de prisão temporária de quatro investigados, bloqueio de contas e investimentos e sequestro de 29 imóveis. As diligências alcançaram endereços em Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba. As apurações continuam sob sigilo.
Ministério Público avança sobre fraudes no ICMS
Outra frente foi aberta pelo Ministério Público de São Paulo, que deflagrou nova etapa da Operação Ícaro. A investigação apura uma suposta organização criminosa que teria atuado dentro e fora da Secretaria da Fazenda e Planejamento paulista para interferir na análise e liberação de créditos tributários.
Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e buscas em 47 endereços em São Paulo, na região metropolitana, no interior e em Mato Grosso do Sul.
De acordo com o MPSP, são investigados possíveis crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. O esquema teria transformado procedimentos legítimos de ressarcimento de ICMS em um mercado clandestino, no qual agentes públicos supostamente recebiam vantagens para acelerar ou favorecer a liberação de créditos.
Ricardo Abrão é alvo da Polícia Federal
No Rio de Janeiro, a Polícia Federal realizou buscas contra o deputado federal Ricardo Abrão, do PSDB. A investigação apura um suposto esquema de compra de votos em Nilópolis, na Baixada Fluminense, durante as eleições municipais de 2024.
Segundo as informações divulgadas, os investigadores apuram a suspeita de que o parlamentar tenha participado do financiamento da captação ilícita de votos em benefício de um grupo político. A apuração começou em outubro de 2024 e já teve outras fases, incluindo prisões e cumprimento de mandados.
As três operações são independentes e não há indicação de ligação entre os casos. Os citados são investigados e as suspeitas ainda dependem do avanço das apurações e de eventual julgamento. As ações, porém, mostram a atuação simultânea das autoridades sobre diferentes mecanismos usados, em tese, para movimentar recursos ilícitos, interferir na administração pública ou influenciar processos políticos.





