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MESMO RIO, romane de Elisama Santos, chega ao Sesc Copacabana e chega com uma investigação as Complexidade dos vinculos

Foto: Divulgação/ Renato Mangolin
Foto: Divulgação/ Renato Mangolin

Com dramaturgia de Rafael Souza-Ribeiro e encenação de Renata Tavares, espetáculo reúne mãe e duas filhas para confrontar memórias, afetos e ressentimentos

Na noite de Natal, mãe e filhas interrompem a ceia para uma conversa adiada por anos. Pela primeira vez, Maria Lúcia, Marília e Rita, as mulheres da família Soares, encontram tempo para confrontar suas memórias e dizer o que nunca conseguiram dizer umas às outras. Entre afetos, traumas, ausências e formas de amar e ferir, Mesmo Rio, primeiro romance de Elisama Santos, chega ao palco do Teatro de Arena do Sesc Copacabana com uma história sensível sobre os vínculos familiares, suas heranças e aquilo que podemos interromper. Escrito por Rafael Souza-Ribeiro, com encenação de Renata Tavares, o espetáculo fica em cartaz de 17 de setembro a 18 de outubro, com sessões de quinta a sexta, às 20h, e sábados e domingos, às 18h. A temporada é contemplada pelo edital de Cultura Sesc RJ Pulsar.

A dramaturgia de Rafael Souza-Ribeiro parte dessa matéria íntima sem tentar simplesmente transportar o romance para o palco. A partir dele, cria um dispositivo próprio para a cena: reúne Maria Lúcia, Marília e Rita numa mesma noite e faz desse encontro a ação da peça. A estrutura literária se reorganiza, tempos se sobrepõem, diferentes versões entram em conflito e aquilo que habita a intimidade das personagens passa a nutrir o jogo entre elas. “O tempo deixa de ser cronológico e a memória invade o presente”, explica.

Para Rafael, o contato com Mesmo Rio permitiu aprofundar uma pesquisa dramatúrgica que já desenvolve em torno do melodrama e das relações familiares. Aqui, ela passa pela experiência de uma família negra e, especialmente, dessas três mulheres. “Me interessa trabalhar com personagens em toda a sua riqueza e complexidade, escapando de lugares previsíveis e rasos. Elas amam, ferem, cuidam, erram e recomeçam. Nenhuma delas cabe numa definição simples”, defende.

Segundo Renata Tavares, esse é um dos aspectos centrais da montagem. “A ideia sempre foi fazer com que essas mulheres não fossem julgadas a partir de uma lógica de bem e mal. São seres humanos. E cada pessoa carrega em si a sua bondade e a sua maldade”, afirma a encenadora, primeira mulher negra a receber os prêmios Shell e APTR de Melhor Direção por “Nem todo filho vinga”.

A ausência de uma verdade definitiva também desloca o espectador. Em vez de acompanhar a história à procura de quem tem razão, o público é colocado diante de diferentes maneiras de lembrar e interpretar uma mesma vivência. É uma operação particularmente próxima da experiência de Elisama Santos, autora dos best-sellers Educação Não Violenta, Por que Gritamos e Conversas Corajosas, que diz receber relatos de leitores que se reconheceram no romance e chegaram a levá-lo para a terapia. “Espero que as pessoas consigam olhar para as famílias de forma tridimensional. Que consigam perceber que somos mais que os papéis sociais de mãe, filha, irmã”, destaca Santos.

Nas palavras da Elisama, a peça também mantém uma dimensão importante do livro: a representação de uma família negra que não precisa existir exclusivamente em torno da dor ou da resistência. “É tão importante nos vermos vivendo, casando, namorando, simplesmente existindo, para além da resistência e das histórias de dor”, afirma,.

Segundo Renata Tavares, a montagem é uma possibilidade de reunir mulheres negras contando histórias complexas e contraditórias, sem abrir mão das experiências raciais que atravessam suas trajetórias. “Existe uma luta diária para existir, para ser escutada e para ocupar determinados espaços”, reforça. Ao mesmo tempo, a encenadora rejeita a ideia de personagens exemplares e sem contradições. “Não me interessa uma construção idealizada dessas personagens. Essa é uma família que existe e que pode ser reconhecida em muitas casas brasileiras.”

É também nesse cotidiano, entre falas interrompidas, lembranças divergentes e aquilo que permanece sem resposta, que a encenadora constrói a linguagem da montagem. Renata define seu teatro a partir da escuta dos sons e dos ritmos da cena, dos momentos de suspensão aos crescentes. Em Mesmo Rio, essa musicalidade convive com humor, emoção e drama. “Também gosto do caos da cena. Talvez porque eu esteja falando da nossa gente. De pessoas que fazem festa, que riem alto, que se divertem e que encontram alegria mesmo em meio a um momento nublado”, conta.

No palco, Graciana Valladares (Prêmio APTR de Melhor Atriz Coadjuvante por Salina – a última vértebra) e Mila Moura interpretam as filhas Marília e Rita, enquanto Sirléa Aleixo, (Prêmio Shell de Melhor Atriz por Furacão), vive Maria Lúcia. A direção musical é de Ifátókí Maíra Freitas.

O resultado é um espetáculo que busca manter o público ativo dentro da narrativa, não apenas acompanhando a história, mas também se reconhecendo, refletindo e se movimentando emocionalmente com as personagens. “A peça é uma grande provocadora de conversas, de estímulos e de sensações. E também de uma certa liberdade para sentir”, observa Renata.

Do livro para o palco: a idealização do projeto     

Com 16 anos de trajetória na produção teatral, Fernanda Pascoal, Bárbara Galvão e Carolina Bellardi, sócias da Pagu Produções Culturais, assinam pela primeira vez a concepção artística de um projeto próprio. As três, que também são mães, já acompanhavam o trabalho de Elisama Santos quando, em 2024, Fernanda começou a ler Mesmo Rio e, antes mesmo de terminar o livro, escreveu às sócias: “Vocês precisam ler esse livro. Só consigo pensar em como essa história poderia estar no palco.”

A identificação veio, sobretudo, da maneira como o romance questiona a idealização dos vínculos familiares. “Um dos pontos que nos interessou muito foi a coragem de questionar essa ideia de que os vínculos familiares, por si só, bastam. A história nos lembra que o amor precisa ser nutrido”, afirma Fernanda. “Não queríamos contar uma história sobre famílias perfeitas, mas sobre famílias reais, complexas e cheias de contradições”, completa.

O primeiro contato com Elisama aconteceu pelo Instagram e, para a surpresa e felicidade das produtoras, a autora aceitou prontamente o convite para levar Mesmo Rio ao teatro.

Sinopse

Durante uma ceia de Natal, Maria Lúcia e as filhas Marília e Rita finalmente se permitem uma conversa adiada por anos. Ao revisitar a própria história, descobrem que guardam lembranças muito diferentes dos mesmos acontecimentos e umas das outras. Entre feridas, amor, ressentimentos e afetos, Mesmo Rio, a partir do romance homônimo de Elisama Santos, mergulha nas contradições das relações familiares, sem buscar respostas ou apontar uma única verdade.

Ficha técnica

Da obra Mesmo Rio, de Elisama Santos

Dramaturgia: Rafael Souza-Ribeiro

Encenação: Renata Tavares

Elenco: Graciana Valladares, Mila Moura e Sirléa Aleixo

Direção Musical: Ifátókí Maira Freitas

Iluminação: Ana Luzia de Simoni

Cenário: Jovanna Souza

Figurino: Teresa Abreu

Assistente de direção: Bianka Carrilho

Assistente de figurino: Nayara Pereira

Costureira: Francisca Sabóia

Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues | Aquela Que Divulga

Mídias Sociais: Camila Monteiro e Lore | Camarujo

Designer gráfico: Ludmila Valente

Fotografia: Renato Mangolin

Produção executiva: Maduh Cavalli

Produção: Marina Dib e Ana Flávia Massadas

Direção de produção: Bárbara Galvão e Fernanda Pascoal | Pagu Produções Culturais

Idealização e coordenação de produção: Bárbara Galvão, Carolina Bellardi e Fernanda Pascoal | Pagu Produções Culturais

Serviço

Temporada: 17 de setembro a 18 de outubro de 2026
Não haverá apresentações: de 1º a 4 de outubro
Dias da semana: de quinta a domingo
Horário: quinta e sexta, às 20h; sábado e domingo, às 18h
Local: Teatro de Arena do Sesc Copacabana
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ
Duração: 75 minutos
Classificação: 12 anos
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 36 (conveniados); R$ 31 (conveniados empresário); R$ 28 (credencial plena Sesc); R$ 20 (meia-entrada); gratuito (público PCG)
Capacidade: 260 lugares
Gênero: drama

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