Estudos foram apresentados neste domingo (13) no congresso da International Association for Study of Lung Cancer (IASLC) na Coreia do Sul.
O câncer de pulmão de pequenas células é um tumor muito agressivo, que se desenvolve de maneira acelerada, espalhando-se por várias partes do corpo. Há mais de 20 anos, não surgiam novos tratamentos para essa doença, que representa 15% dos cânceres de pulmão. Recentemente a imunoterapia passou a fazer parte do arsenal terapêutico. E neste domingo (13), dois estudos fase 3 apresentados no congresso da International Association for Study of Lung Cancer (IASLC), em Seul, na Coreia do Sul, mostraram que uma nova classe de drogas, os anticorpos conjugados a drogas (ADCs) reduziram em 54% o risco de morte e prolongaram a sobrevida de pacientes que tiveram recidiva da enfermidade.
O ADC é um tratamento que combina terapia direcionada e quimioterapia. ”Ele funciona como uma espécie de “entrega direcionada”. O anticorpo reconhece uma proteína presente na célula tumoral e leva até ela uma droga capaz de destruí-la”, explica a oncologista clínica Clarissa Baldotto, da Oncologia D’Or. “s resultados desses estudos representam uma potencial mudança na prática para uma doença que, durante décadas, teve pouquíssimas opções terapêuticas”, complementa.
Estudo TAISHAN-302
O estudo fase 3 TAISHAN-302 envolveu 451 pacientes que tiveram recidiva do câncer de pulmão de pequenas células. Deste total, 225 receberam o ADC tambotatug pelitecan. Outros 226 foram tratados com quimioterapia. Após um acompanhamento de 9,4 meses, a sobrevida global foi de 13,3 meses no grupo tratado com o ADC em comparação com 9,4 meses do grupo que recebeu quimioterapia.
O ADC tambotatug pelitecan reduziu o risco de morte em 54%. A sobrevida livre de progressão foi de 7,4 meses com o ADC, ante 2,8 meses com a quimioterapia, o que representa uma queda de 71% no risco de progressão da doença ou morte.
Estudo ARTEMIS-008
O estudo ARTEMIS-008 avaliou a eficácia do ADC risvutatug rezetecan (HS-20093) em relação à quimioterapia. A pesquisa englobou 461 pacientes chineses, dos quais 230 receberam o ADC e os demais, quimioterapia.
A sobrevida global do grupo tratado com ADC foi de 18,5 meses, ante 10,3 meses do braço que recebeu quimioterapia, o que representou uma redução de 54% no risco de morte. A sobrevida livre de progressão foi de 7,2 meses para os pacientes que receberam ADC, mais que o dobro dos três meses daqueles que receberam quimioterapia.





