Mestre em Teoria da Literatura pela UFMG (2010), Glicério do Rosário é ator desde 1989. Sua formação artística é livre e passou por grandes nomes como João das Neves, Cacá Carvalho, Eládio Perez Gonzáles, Babaya e Madalena Bernardes, em São Paulo.
Conceituado ator teatral, dramaturgo e diretor, Glicério também atua em cinema e televisão. Recebeu prêmios de Melhor Ator, Melhor Diretor e Melhor Espetáculo com seu monólogo _São Francisco de Assis à Foz_, e de Melhor Texto Infantil com _Cocoricó-sol: Férias na Fazenda_. Também já foi indicado a diversas outras premiações.
Atualmente está no ar na novela da Globo _“Quem Ama Cuida”_, interpretando Enéas, sob direção geral de Amora Mautner. Paralelamente, Glicério trabalha para relançar seus dois solos: _“São Francisco de Assis à Foz”_ e _“Pai”_. Este último, mais recente, está recebendo atenção especial, pois o artista está reformulando a dramaturgia.
Abordando uma questão urgente nas dinâmicas sociais atuais, a montagem busca contribuir para uma maior consciência dos homens sobre sua masculinidade e sobre a paternidade. Uma das intenções é chamar a atenção para a importância do cuidado e do exercício dos afetos nos homens, para que a paternidade possa ajudar a construir uma sociedade menos violenta, com pais mais presentes e parceiros.
Origens e o encontro com o teatro
Glicério é o 4º de seis irmãos: Gláucia, Glaysson, Gladys, Glicério, Glaucileia e Gladstone. Todos com “G” e “L”, como era comum no interior. Seus pais vieram do Serro, em Minas Gerais. O pai, comerciante, faleceu em março de 2009. A mãe, dona de casa, ainda é viva e tem a saúde frágil.
Glicério é pai de dois meninos, do primeiro casamento: Francisco, de 17 anos, e Téo, de 15 anos.
“Antes de ser atravessado pela potência que é a paternidade, uma outra me atravessou e me transforma até hoje: o teatro”, diz o ator.
O teatro surgiu como uma epifania em 1988, quando ele cursava o 3º ano do Ensino Médio e assistiu a uma apresentação escolar de _O Pagador de Promessas_. A partir dali, entrou para o grupo de teatro da escola e nunca mais parou.
Antes disso, sua inclinação artística já se manifestava na dança. Ainda adolescente, descobriu sua destreza corporal no break e participou de grupos de dança de rua. Depois se aperfeiçoou com aulas de jazz, balé e dança contemporânea, chegando a dar aulas de jazz no bairro. Na mesma época, praticou jiu-jitsu e chegou à faixa azul.
Com a chegada do teatro, todas essas habilidades corporais foram direcionadas para a cena. A mímica foi uma de suas pesquisas. Ele chegou a ministrar oficinas e montou o espetáculo infantil _Bento, Cabeça-de-Vento_ (2001), de mímica e bonecos.
Grupos e espetáculos
Em 1990, fundou com artistas amadores seu primeiro grupo, o _Grupo Reviu a Volta_, no Parque Lagoa do Nado, em BH. O grupo participou de uma formação com João das Neves, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura. Dessa experiência surgiu a montagem de _11 Contos de Primeiras Estórias_ (1991/92), que ocupava vários espaços do parque.
Em 1992, foi convidado para integrar a _Companhia Sonho de Drama_, onde atuou em _Caminho da Roça_, sua primeira montagem profissional. Também fez parte de _O Pastelão e a Torta_ e _Aníbal Machado, Quatro, Oito, Sete_.
Em 1998, junto com Carlos Henrique e Epaminondas Reis, fundou o _Grupo Trama_. Assinou a dramaturgia e direção de _Abracadalivro_ (1998). No grupo também atuou em _O Homem da Cabeça de Papelão_ (2001), _Tabu_ (2004) e na primeira versão de _Três Patéticos_ (2006).
Em 2008, deixou o Grupo Trama e criou a _Cia P’atuá_, lançando seu primeiro monólogo: _São Francisco de Assis à Foz_, com dramaturgia, co-direção e atuação. Em 2012, estreou _Na Comédia de Edgar, Alan Põe o Bico_. Em 2022, lançou seu segundo solo, _Pai_.
Antes disso, em 2016, reencontrou seu mestre João das Neves para atuar em _Lazarillo de Tormes_, pouco antes da partida do diretor.
Do teatro à TV
A partir de 2008, a carreira de Glicério passou a dialogar cada vez mais com o audiovisual. Iniciou com pequenas participações em 2006 e ganhou destaque a partir de 2011 como Setembrino em _Cordel Encantado_.
Na sequência vieram: Etelvino em _Joia Rara_ (2013), Paturi em _A Regra do Jogo_ (2015), Carlão em _A Lei do Amor_ (2016), Elói em _Deus Salve o Rei_ (2018), Caetano em _Órfãos da Terra_ (2019), Turíbio Fonseca em _Amor Perfeito_ (2023) e agora Enéas em _Quem Ama Cuida_ (2026).
Hoje, aos 55 anos e solteiro, Glicério do Rosário segue conciliando palco, TV e a paternidade, que segundo ele, é sua maior escola de cuidado e afeto.





