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Lula rejeita classificação de PCC e CV como grupos terroristas feita pelos Estados Unidos

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Presidente afirma que facções devem ser combatidas como organizações criminosas e relaciona conceito de terrorismo aos atos de 8 de Janeiro e ao plano de assassinato de autoridades; decisão norte-americana amplia debate sobre segurança e soberania

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que não concorda com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, adotada pelo governo dos Estados Unidos. A declaração foi dada durante agenda no Rio de Janeiro, em um evento voltado à apresentação de ações integradas de segurança pública.

Lula defendeu o fortalecimento do combate ao crime organizado, mas fez uma distinção entre as facções criminosas e aquilo que considera terrorismo. Em seu discurso, citou os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 e o plano investigado pelas autoridades brasileiras para assassinar integrantes da cúpula do Estado no contexto da trama golpista.

“Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas”, declarou o presidente. Lula também atribuiu a Jair Bolsonaro responsabilidade política pela tentativa de ruptura institucional e classificou aqueles episódios como “terrorismo de Estado”.

Divergência com os Estados Unidos

A posição brasileira contrasta com a adotada pela administração do presidente norte-americano Donald Trump. Em 2026, os Estados Unidos passaram a tratar PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, inserindo o enfrentamento às duas facções em sua estratégia de segurança nacional e de combate ao narcotráfico internacional.

No Brasil, entretanto, o enquadramento jurídico é diferente. A legislação antiterrorismo brasileira define terrorismo a partir de requisitos específicos, enquanto PCC e CV são tratados pelas autoridades nacionais como organizações criminosas.

A divergência ganhou novo capítulo nesta semana após o governo Trump criticar a atuação brasileira no enfrentamento às duas facções. A administração norte-americana afirmou que o país teria falhado no combate às organizações e apontou o território brasileiro como rota relevante para o tráfico internacional de cocaína.

Soberania entra no debate

Além da questão jurídica, o governo brasileiro demonstra preocupação com os possíveis efeitos internacionais da classificação. Desde que a decisão dos Estados Unidos foi anunciada, integrantes do governo Lula têm discutido impactos econômicos e eventuais consequências para a soberania nacional.

Durante o evento desta sexta-feira, Lula também afirmou que o Brasil precisa ampliar os investimentos em segurança e defesa das fronteiras. Ao mencionar Donald Trump, declarou que os Estados Unidos demonstram interesse em recursos estratégicos brasileiros, entre eles petróleo, minerais críticos e terras raras.

O presidente relacionou essa preocupação à extensão das fronteiras brasileiras e defendeu maior capacidade do Estado para fiscalizar o território e proteger seus recursos.

Combate às facções

Apesar da divergência sobre a classificação de PCC e CV, o governo federal vem ampliando operações contra organizações criminosas. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, uma operação nacional realizada entre 17 e 28 de agosto resultou no cumprimento de 850 mandados de prisão, 494 prisões e pedidos de bloqueio de mais de R$ 409 milhões em bens e valores.

No Rio de Janeiro, o Ministério da Justiça e o governo estadual também avançaram nesta semana na elaboração de planos operacionais integrados para combater o crime organizado em corredores logísticos considerados estratégicos. A iniciativa prevê compartilhamento de informações e atuação coordenada de diferentes forças de segurança.

O episódio evidencia uma diferença de abordagem entre Brasília e Washington: enquanto os Estados Unidos passaram a enquadrar PCC e CV dentro de sua política antiterrorismo, o governo brasileiro sustenta que o enfrentamento deve ocorrer sob as normas nacionais destinadas ao combate às organizações criminosas, ao tráfico de drogas, de armas e à lavagem de dinheiro.

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