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Invasão do peixe-leão na Bahia ameaça biodiversidade marinha e coloca Abrolhos em alerta

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Mais de 440 exemplares da espécie invasora foram capturados em Porto Seguro. Ambientalistas, pesquisadores e pescadores intensificam ações para conter a proliferação do predador, que ameaça peixes nativos, recifes de corais e a economia pesqueira.

A rápida expansão do peixe-leão (Pterois volitans) no litoral da Bahia acendeu um alerta entre ambientalistas e autoridades. Em Porto Seguro, no extremo sul do estado, mais de 440 exemplares foram capturados em uma operação que integra o Plano Municipal de Enfrentamento à espécie invasora. A preocupação aumentou após a confirmação de sua presença no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, uma das áreas de maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul.

Originário do Indo-Pacífico, o peixe-leão possui elevada capacidade de reprodução e não encontra predadores naturais capazes de controlar significativamente sua população no Atlântico. Sua expansão representa uma ameaça ao equilíbrio dos ecossistemas marinhos brasileiros.

Predador ameaça espécies nativas

Conhecido pela aparência exótica e pelos espinhos venenosos, o peixe-leão é um predador voraz que se alimenta de pequenos peixes, filhotes de espécies nativas e crustáceos.

Segundo pesquisadores da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), sua presença pode reduzir populações de animais importantes para o equilíbrio dos recifes, além de comprometer a pesca artesanal e o turismo.

A situação preocupa especialmente em Abrolhos, região que abriga extensos recifes de corais e uma grande diversidade de espécies marinhas. Embora os impactos ainda estejam sendo estudados, especialistas alertam para o risco de alterações significativas nas cadeias alimentares.

Plano de emergência mobiliza pescadores

Para conter a invasão, a Prefeitura de Porto Seguro estabeleceu uma parceria com pescadores da Colônia Z-22, oferecendo um incentivo de R$ 10 por exemplar capturado.

Dos 440 animais recolhidos em uma das etapas da operação, 430 foram encaminhados ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da UFSB, onde passam por análises destinadas a compreender os hábitos alimentares e os possíveis impactos ambientais da espécie.

O plano também prevê monitoramento contínuo, capacitação de profissionais e estudos sobre a possibilidade de comercialização do pescado.

Risco também para os seres humanos

Além dos danos ambientais, o peixe-leão representa perigo para pescadores, mergulhadores e banhistas. Seus espinhos possuem veneno capaz de provocar dor intensa, inchaço e outras complicações.

Por isso, especialistas orientam que a captura seja realizada exclusivamente por pessoas capacitadas, utilizando equipamentos adequados.

A Secretaria do Meio Ambiente da Bahia também promove treinamentos para ampliar a identificação, o monitoramento e o manejo seguro da espécie.Sema – Secretaria do Meio Ambiente

Desafio para a conservação marinha

Pesquisadores alertam que a erradicação completa do peixe-leão é extremamente difícil depois que a espécie se estabelece em um ecossistema. Por isso, as estratégias concentram-se no controle populacional e na proteção das áreas mais vulneráveis.

O avanço do predador na Bahia evidencia os riscos provocados pela introdução de espécies exóticas e reforça a necessidade de ações integradas entre governos, universidades, pescadores e comunidades costeiras.

Preservar Abrolhos significa proteger não apenas a biodiversidade brasileira, mas também as atividades econômicas e as famílias que dependem diretamente da saúde dos oceanos.

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