Anuário Brasileiro da Educação Básica revela que apenas 14,7% dos ingressantes nas licenciaturas estão entre os estudantes com melhores notas no Enem; avaliação também aponta dificuldades na formação dos futuros docentes
A formação de professores no Brasil enfrenta desafios que podem comprometer a qualidade da educação nos próximos anos. Dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026, divulgado nesta terça-feira (22), revelam que apenas 14,7% dos estudantes que ingressaram em cursos de licenciatura em 2024, com notas disponíveis do Enem do ano anterior, estavam entre os 20% com melhor desempenho no exame. Em 2018, esse percentual era de 23,9%.
O levantamento, elaborado pelo Todos Pela Educação, em parceria com a Editora Moderna e a Fundação Santillana, evidencia dificuldades para atrair estudantes de alto desempenho para a carreira docente e aponta a necessidade de investimentos na formação e valorização dos professores.
Desempenho preocupa especialistas
Os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e da Prova Nacional Docente, realizados em 2025, também chamam a atenção. Entre os concluintes de licenciatura avaliados, 42,2% ficaram abaixo do nível considerado básico, enquanto apenas 20,2% alcançaram o desempenho adequado. Os números levantam questionamentos sobre a preparação dos futuros educadores, especialmente diante das dificuldades de aprendizagem enfrentadas por milhões de estudantes brasileiros.
Ensino a distância apresenta diferenças
O estudo também identificou diferenças expressivas entre as modalidades de ensino. Entre os concluintes de licenciaturas a distância, 53,1% ficaram abaixo do nível básico na avaliação. Nos cursos presenciais, esse percentual foi de 26,1%.
Em contrapartida, 31,9% dos estudantes de cursos presenciais atingiram o nível adequado, contra 12,3% daqueles que estudaram a distância. Os resultados reforçam a importância de avaliar a qualidade da formação oferecida nas diferentes modalidades.
Valorização da carreira docente
A baixa atratividade das licenciaturas também está relacionada às condições de trabalho e à remuneração. Segundo o anuário, professores da rede pública com graduação recebiam, em média, o equivalente a 85% dos rendimentos de outros profissionais com ensino superior.
Apesar dos avanços na escolaridade dos docentes, o levantamento mostra que um em cada três professores com diploma que atuam no Ensino Médio leciona fora de sua área de formação.
O futuro começa na formação
Os dados evidenciam a necessidade de fortalecer as licenciaturas, ampliar a formação prática, melhorar as condições de trabalho e desenvolver políticas capazes de atrair e manter profissionais no magistério.
Embora o Enade não avalie todos os aspectos necessários à atuação docente, seus resultados oferecem informações importantes para orientar melhorias.
Investir na formação de professores significa investir diretamente na aprendizagem das próximas gerações. O desafio brasileiro vai além de ampliar o acesso ao ensino superior: é necessário garantir que os futuros educadores recebam uma preparação consistente para transformar a realidade das salas de aula.





