Temperaturas elevadas aumentam possibilidade de parto prematuro, complicações gestacionais e morte fetal, colocando grávidas entre os grupos mais vulneráveis às mudanças climáticas
O avanço das ondas de calor pelo mundo está trazendo uma preocupação adicional para a saúde pública: os impactos das temperaturas extremas durante a gravidez. A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que gestantes e bebês estão entre os grupos especialmente vulneráveis ao aumento do calor provocado pelas mudanças climáticas.
Estudos científicos vêm associando a exposição a temperaturas elevadas ao aumento do risco de parto prematuro e morte fetal, além de baixo peso ao nascer e outras complicações maternas. Uma ampla revisão de pesquisas realizadas em dezenas de países identificou aumento de cerca de 4% nas chances de parto prematuro para cada elevação de 1 °C na exposição ao calor. Durante ondas de calor, o risco foi ainda maior.
Gravidez exige atenção redobrada
Durante a gestação, o organismo passa por importantes alterações fisiológicas, incluindo aumento do volume sanguíneo e maior demanda cardiovascular. Em situações de calor intenso, o corpo precisa trabalhar ainda mais para controlar sua temperatura, tornando hidratação e proteção contra exposição excessiva especialmente importantes.
As evidências também apontam associação entre altas temperaturas e problemas como hipertensão gestacional, diabetes gestacional e outras complicações obstétricas.
Mudanças climáticas ampliam preocupação
Com ondas de calor mais frequentes e intensas, organismos internacionais defendem que a proteção de gestantes e recém-nascidos seja incorporada às estratégias de adaptação às mudanças climáticas. A preocupação é maior em regiões onde mulheres têm menor acesso a ambientes climatizados, água potável e atendimento médico adequado.
Em períodos de temperaturas extremas, gestantes devem evitar exposição prolongada ao sol e esforços nos horários mais quentes, manter boa hidratação e seguir as orientações do acompanhamento pré-natal. O alerta reforça que o calor extremo deixou de ser apenas uma questão de desconforto: tornou-se também um desafio crescente para a saúde materna e infantil.





