Caros leitores, outubro chegou e, com ele, o Brasil volta seus olhos e corações para o Pará. Em 11 de outubro, as ruas de Belém se tornam palco de uma das maiores e mais profundas manifestações de fé do planeta: o Círio de Nazaré.
Mais do que uma grandiosa tradição cultural, o Círio é a prova viva da fé inabalável, mística e apaixonada do povo paraense em sua Padroeira, Nossa Senhora de Nazaré. É um amor que transborda, que une o sagrado e o cotidiano, e que se manifesta na totalidade da festa: no suor sagrado dos promesseiros na Corda, no colorido singelo dos brinquedos de miriti e no abraço fraterno que reúne famílias ao redor da maniçoba e do tucupi. Inspirada pela musicalidade dessa terra e pela força desse oceano humano de devoção à nossa querida “Nazinha”, convido cada um de vocês a caminhar comigo e a sintonizar o coração com a energia do Norte através dos versos de “Mar de Fé”.
Boa leitura e um feliz Círio a todos!
Mar de Fé
Vem de longe o som do sino,
fogos explodem no ar,
Belém se veste de prece
pra ver a Nazinha passar!
Filha de Deus, soberana,
lento compasso de passos,
vivas ecoam nos cantos,
unindo promessas e abraços.
O povo saúda a Rainha,
Senhora de Nazaré,
a imagem que passa, bendita,
sustento de nossa fé.
Cultura que o peito replica,
lá vem a Berlinda sagrada!
Num manto que brilha na luz,
em meio a flores ornada.
Olhares se inundam de pranto,
o amor ao sagrado conduz.
Atrás, o milagre da fé,
na Corda, suor e união,
mil braços puxando a história,
pulsando num só coração.
Nas calçadas, festa das cores,
fitinhas dançam ao vento,
brinquedos bailam no ar,
eternizam o abençoado momento.
São barcos, pássaros livres,
rodas-gigantes que giram devagar,
pequenos milagres de miriti,
orgulho de todo o Pará.
Crianças sorriem brincando,
adultos compram pra ornar.
Cheiro emana das ruas,
tempero de tanta fartura,
traz pato no tucupi, maniçoba,
as mais saborosas misturas.
Sabor de um afeto eterno
que cura qualquer amargura.
Das sobremesas, o que falar?
Tortas que trazem desejos,
de cupuaçu, bacuri, taperebá.
Com doce sabor de um beijo,
açaí não pode faltar,
pupunhas decoram a mesa,
frutas da terra nativa,
banquete de pura beleza.
O Círio abraça a todos,
força que a Nazinha nos dá,
onde a prece vira partilha,
e a alma festeja o Pará!
Outubro de luzes chegou.
É Círio! É festa outra vez!
E lá vou eu, novamente,
ao mar que a fé bendita fez.
Rezar, caminhar com o povo,
promessas antigas pagar,
pedir a Paz à Nazinha,
saúde e fartura em meu lar.
Bênçãos pro povo sofrido
do meu querido Pará.





