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Presidente do Crea-RJ diz que crise no saneamento pode se torna uma oportnidade para engenharia brasileira

Foto:Divulgação/Miguel Fernández
Foto:Divulgação/Miguel Fernández

A atual precariedade do saneamento básico no Brasil, que trata apenas 51% do esgoto, precisa deixar de ser apenas um diagnóstico trágico e se converter em um horizonte de oportunidades de trabalho e desenvolvimento para a engenharia nacional. A avaliação foi feita por Miguel Fernández, engenheiro especializado em saneamento e presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), durante a sua participação na 81.ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), realizada em Aracaju (SE).

Fernández atuou como moderador do painel “Revolucionando o saneamento no Brasil”, cujos participantes apresentaram um diagnóstico da situação do saneamento às vésperas do prazo para a universalização do sistema, além de casos de sucesso, como o do Lago Paranoá pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB).

Participaram do painel a engenheira civil e presidente do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto; o presidente da CAESB, Luiz Antônio Almeida Reis; o diretor-geral da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), Luciano Góis Paul; e o engenheiro sanitarista Valdinei Mendes da Silva, professor do Instituto Federal do Pará.

“Revolucionar o saneamento brasileiro requer, além de investimentos e infraestrutura, um processo de formação de profissionais, o desenvolvimento e aplicação de soluções tecnológicas adequadas às diferentes realidades e o fortalecimento das organizações profissionais”, afirmou Valdinei.

O presidente do CREA-RJ, Miguel Fernández, chamou a atenção para os dados do índice InfraBR, no qual o saneamento figura com a pior avaliação entre os setores de infraestrutura avaliados no país. Entre as dimensões avaliadas pelo índice (como energia, conectividade e mobilidade), o eixo de saneamento básico registrou a pior média global, refletindo atrasos crónicos em recolha e tratamento de efluentes, perdas na distribuição e destinação inadequada de resíduos sólidos.

Segundo Fernández, a superação desse cenário exige a atuação direta dos profissionais da área.

“Onde há crise, há também oportunidades, porque é serviço de engenharia que precisa de ser realizado para avançar e superar essa situação trágica”, destacou Fernández, sublinhando que o setor representa um vasto campo de atuação, especialmente para os jovens recém-formados.

Para que a universalização dos serviços seja concretizada — meta que o presidente do conselho fluminense considera um dever em pleno século XXI —, ele ressaltou a urgência de aportes consistentes:

“São investimentos pesados que precisam de ser realizados, principalmente por órgãos públicos ou financiados por órgãos públicos, para que eles possam alcançar, avançar e chegar, enfim, à universalização do setor de saneamento”.

Balanço e projeções futuras

Ao analisar a presença do CREA-RJ na 81.ª SOEA, Fernández celebrou a integração e a troca de experiências entre profissionais das mais diversas regiões do país. Ele apontou que a SOEA, consolidada ao longo de mais de oito décadas, vem aprimorando o seu formato técnico para subsidiar tomadores de decisão com estratégias concretas de desenvolvimento.
 

Indagado sobre a próxima edição do evento, prevista para ocorrer no Mato Grosso do Sul, em 2027, Fernández expressou otimismo. Com a transição do perfil litorâneo e semiárido de Sergipe para a vocação marcadamente agrícola do Centro-Oeste, ele reforçou que as demandas estruturais permanecem como desafios comuns em todo o território nacional.

“Tenho certeza de que o Crea do Mato Grosso do Sul, junto com o Confea, vai realizar um encontro à altura do que vem sendo esta semana em Sergipe”, concluiu o presidente, reforçando o compromisso do Rio de Janeiro em manter uma atuação ativa e propositiva nos debates da engenharia brasileira.

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