Um assessor parlamentar que integra o gabinete da deputada federal Talíria Petrone (PSOL) e um policial militar estão entre os presos na Operação NXIVM (Néxium), deflagrada pela Polícia Civil, na manhã desta quarta-feira, dia 28 de outubro, para desarticular uma rede criminosa investigada por estupros, torturas e exploração sexual de adolescentes. A ação ocorreu em Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio.
O assessor parlamentar foi identificado como Carlos Alberto Lucio Bittencourt Filho, 45 anos, e o PM como sendo o sargento Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, 35, lotado no 1º BPM (Venda da Cruz).
A investigação começou há três meses, após a prisão em flagrante de Matheus Rodrigues Gonçalves, 36, então assessor parlamentar do vereador Professor Túlio (PSOL), na Câmara Municipal de Niterói. Ele foi preso no fim de julho, acusado de estuprar uma adolescente de 16 anos.
Na ocasião, o vereador determinou a exoneração de Matheus, enquanto o diretório municipal do PSOL anunciou o encaminhamento de um pedido de expulsão do então filiado.
A operação desta quarta-feira foi coordenada pelo delegado Antonio Silvino Teixeira, titular da 74ª DP (Alcântara), responsável pelas investigações. Cerca de 90 policiais, em 30 viaturas, participaram da ação, que teve como objetivo cumprir dez mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão.
Durante a prisão de Matheus, os policiais apreenderam dois notebooks e dois aparelhos de telefone celular na residência dele, em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. A análise dos aparelhos, associada a imagens de câmeras de segurança da Prefeitura de Niterói e de imóveis particulares, revelou a existência de uma rede de produção de vídeos de violência sexual envolvendo adolescentes.
Segundo as investigações, os criminosos mantinham um esquema de escravidão sexual, no qual se apresentavam como “senhores” e tratavam as vítimas como “escravas”. As adolescentes eram submetidas a estupros coletivos, torturas, ameaças e humilhações, enquanto os abusos eram filmados.
As gravações eram utilizadas como instrumento de chantagem. Sob ameaça de divulgação das imagens íntimas, as vítimas eram obrigadas a continuar se submetendo às exigências e agressões dos envolvidos.
Uma das adolescentes procurou a 74ª DP acompanhada dos pais, após não suportar mais a violência sofrida. De acordo com a Polícia Civil, ela apresentava sinais graves de sofrimento psicológico, havia provocado ferimentos no próprio corpo e chegou a cogitar suicídio.
Diante da gravidade do caso, a vítima foi incluída no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), após atuação do Conselho Tutelar de São Gonçalo, do Ministério Público e do Poder Judiciário de Niterói, acionados pela delegacia responsável.
Além de Carlos Alberto e do sargento Maurício, foram relacionados entre os presos João Lucas Figueiredo Perrenoud, 24; João Pedro Alecrim Soares, 25; Natã Marques Pereira, 28; Miguel Ribeiro Magni, 20; e Carlos Otavio de Oliveira Soares da Silva, 29.
Entre os crimes investigados estão estupro individual e coletivo, estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescente, produção, divulgação e comercialização de vídeos de violência sexual, associação criminosa e tortura.
A Polícia Civil ressaltou que as condutas foram individualizadas e que cada investigado responderá exclusivamente pelos crimes que lhe forem atribuídos.





