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América Latina em 2026: cinco eleições que atraem o olhar dos Estados Unidos

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Costa Rica, Peru, Colômbia, Haiti e Brasil vão às urnas em um ano decisivo para a região, em meio a disputas geopolíticas e ao possível aumento da influência de Donald Trump

O ano de 2026 será marcado por um intenso calendário eleitoral na América Latina. Pelo menos cinco países — Costa Rica, Peru, Colômbia, Haiti e Brasil — realizarão eleições que podem redefinir rumos políticos, econômicos e diplomáticos da região. Esse movimento ocorre em um contexto de crescente disputa global por influência, o que coloca os Estados Unidos, especialmente sob a liderança de Donald Trump, atentos aos resultados desses pleitos.

Colômbia abre o ciclo eleitoral com peso estratégico

A Colômbia será o primeiro grande teste eleitoral da região em 2026, com eleições previstas para o primeiro semestre. O país ocupa posição estratégica para os Estados Unidos por sua histórica parceria em temas como segurança, combate ao narcotráfico e estabilidade regional.

Do ponto de vista geopolítico, Washington vê a Colômbia como um aliado-chave no norte da América do Sul. Um eventual governo menos alinhado aos interesses norte-americanos poderia alterar acordos de cooperação militar, políticas antidrogas e a postura colombiana em fóruns internacionais. Por isso, o discurso e as ações do governo Trump tendem a observar de perto o processo eleitoral colombiano, buscando influenciar o debate público por meio de pressões diplomáticas e narrativas ligadas à segurança e à economia.

O interesse dos EUA nas eleições latino-americanas

As eleições de 2026 ocorrem em meio à disputa de influência entre os Estados Unidos e outras potências globais, especialmente a China. A ampliação da presença chinesa na América Latina, por meio de investimentos em infraestrutura, energia e comércio, tem gerado preocupação em Washington.

Para o governo Trump, manter governos alinhados ideologicamente e estratégicos no continente é uma forma de preservar a influência histórica dos EUA no Hemisfério Ocidental. Isso inclui defender agendas voltadas ao livre mercado, à contenção de governos considerados hostis e ao fortalecimento de parcerias militares e comerciais.

Costa Rica, Peru e Haiti: cenários distintos, atenção constante

Na Costa Rica e no Peru, as eleições devem refletir disputas internas entre forças políticas com visões opostas sobre economia, relações exteriores e papel do Estado. Embora sejam países com contextos diferentes, ambos despertam interesse dos Estados Unidos por questões ligadas à estabilidade institucional, combate ao crime organizado e alinhamento diplomático.

No Haiti, o cenário é ainda mais sensível. A profunda crise política, social e de segurança transforma qualquer processo eleitoral em um desafio para a comunidade internacional. Para os Estados Unidos, a preocupação central é evitar o agravamento da instabilidade, que pode gerar impactos diretos, como o aumento dos fluxos migratórios e riscos à segurança no Caribe.

Brasil, a principal peça do tabuleiro regional

As eleições no Brasil, previstas para outubro de 2026, são consideradas as mais relevantes do ciclo latino-americano. Como maior economia e maior democracia da região, o país exerce influência decisiva sobre o equilíbrio político do continente.

Washington acompanha de perto o cenário brasileiro, especialmente em temas como meio ambiente, comércio, energia e alinhamento internacional. A posição do Brasil em relação aos Estados Unidos, à China e a outros blocos globais pode fortalecer ou enfraquecer a estratégia norte-americana na América Latina.

Como Trump pode influenciar as eleições na região

Donald Trump pode exercer influência de diferentes formas sobre os processos eleitorais latino-americanos. Declarações públicas, sinalizações diplomáticas, decisões comerciais, imposição ou flexibilização de sanções e até mudanças na política migratória podem impactar diretamente o debate político interno desses países.

Além disso, temas como segurança, narcotráfico, crescimento econômico e imigração costumam ser usados como instrumentos de pressão e persuasão, influenciando a opinião pública e o posicionamento de candidatos. Mesmo sem interferência direta, o peso político e econômico dos Estados Unidos faz com que suas ações repercutam fortemente nos processos eleitorais da região.

À medida que 2026 se aproxima, as eleições em Costa Rica, Peru, Colômbia, Haiti e Brasil tendem a se transformar em um verdadeiro xadrez geopolítico, no qual os movimentos de Washington — especialmente sob a liderança de Trump — serão acompanhados de perto por governos, eleitores e analistas internacionais.

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