A saga de vida do cantor que transformou “Cilada” e “Dança da Vassoura” em hinos do pagode
Anderson Leonardo, nome artístico de Anderson de Oliveira, nasceu no Rio de Janeiro em 18 de agosto de 1972. Filho do produtor musical Bira Haway, ele herdou o amor pela música desde cedo e teve contato com a cena do samba e pagode carioca na infância. Ainda adolescente, já mostrava talento: foi convidado para cantar ao lado do Roberto Carlos no especial de fim de ano na TV Globo, um marco que antecipava sua futura visibilidade.
No final dos anos 1980, Anderson fundou, junto com amigos, o grupo Molejo. O início oficial da discografia do grupo veio em 1994, com o álbum Grupo Molejo, cujo primeiro grande sucesso foi a faixa Caçamba. Esse som irreverente e cheio de ginga destacou-se na cena e logo o Molejo virou sinônimo de alegria, a marca registrada de Anderson.
Nos anos seguintes, vieram hits que se tornaram clássicos do pagode e do carnaval popular: Cilada, Brincadeira de Criança, Dança da Vassoura, Paparico e outras músicas que ecoaram em rádios, festas e festas de anos e anos. Além de vocalista e rosto do grupo, Anderson tocava cavaquinho e contribuía na composição, participando ativamente da criação do som que consagrou o Molejo. Nos palcos, ele era pura energia: sua irreverência, carisma e a alegria da banda atraíam multidões e o Molejo, com ele à frente, consolidou-se como um dos maiores nomes do pagode nos anos 1990 e 2000.
Conquistas, legado e o fim de uma trajetória
Através de mais de trinta anos de carreira, Anderson Leonardo deixou um legado musical intenso. Ele ajudou a definir a identidade de um pagode festivo, alegre, com letras descontraídas e sonoridade dançante marcado pela mistura de samba, pagode e samba-rock que agradava a diferentes gerações.
Mesmo com o sucesso, a vida de Anderson teve desafios: em outubro de 2022 ele foi diagnosticado com um câncer inguinal, doença rara que o afetou profundamente. Por algum tempo, com tratamento e esperança, o cantor chegou a anunciar uma possível recuperação. Contudo, em 2023 precisou retomar o tratamento, enfrentou complicações inclusive uma embolia pulmonar e problemas de saúde graves até ser internado novamente no início de 2024.
No dia 26 de abril de 2024, aos 51 anos, Anderson faleceu no Rio de Janeiro. Sua morte foi confirmada pelo grupo Molejo, gerando comoção no meio artístico e entre fãs. Músicos, colegas de profissão e admiradores lamentaram a perda de quem muitos chamavam de “guerreiro”, por sua luta até o fim e por ter levado alegria a tantos com sua arte.
Anderson deixou esposa e quatro filhos e um legado que sobrevive: suas músicas continuam tocando, sendo lembradas em festas, encontros e playlists de pagode e samba. Sua voz, seu sorriso e o clima de festa que criava com o Molejo continuam vivos na memória do público. A importância dele reside não só nos hits, mas na marca de leveza, ritmo e brasilidade que ajudou a construir para o pagode popular.





