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Após alagamento em Manguinhos, mesmo com socorro de moradores e parentes idosa morre no local

Foto: Reprodução
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O após alagamento em Manguinhos marcou a noite desta segunda-feira (9) com uma cena de desespero e solidariedade entre moradores da comunidade. Eliete Alexandre dos Santos, de 67 anos, morreu depois de ser socorrida por parentes e vizinhos em um barco improvisado, em meio à água acumulada nas ruas do bairro, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Segundo relatos da família, a casa onde Eliete morava, na localidade conhecida como Beco do Teteu, foi tomada pela água durante a chuva. A idosa tentou se abrigar em residências de parentes próximas, mas os imóveis também começaram a alagar rapidamente, dificultando qualquer deslocamento seguro.

Eliete, que sofria de hipertensão, passou mal durante a tentativa de fuga. As filhas afirmam que ligaram para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, mas foram informadas de que uma equipe não conseguiria acessar a comunidade por causa dos alagamentos.

Sem alternativa, moradores tentaram inicialmente utilizar uma piscina inflável como bote, mas a estrutura não suportou. A família então recorreu a um barco que já auxiliava outros moradores na região. A idosa foi colocada na embarcação e levada pela Avenida dos Democráticos até a UPA Manguinhos.

“Não teve socorro. Só o de moradores e parentes”, disse Simone Alexandre dos Santos Oliveira, filha da vítima, ao relatar os momentos de tensão vividos durante o resgate.

De acordo com a UPA Manguinhos, Eliete deu entrada na unidade já em parada cardiorrespiratória. A equipe médica realizou manobras de reanimação, mas não conseguiu reverter o quadro. No atestado de óbito, consta como causa da morte um choque cardiogênico.

Outra filha, Miriam Alexandre dos Santos, afirmou acreditar que o desfecho poderia ter sido diferente caso o atendimento tivesse ocorrido mais cedo. A família relata que Eliete vivia em condições precárias e enfrentava problemas recorrentes com alagamentos, que já haviam causado a perda de eletrodomésticos e móveis ao longo dos últimos anos.

Moradora de Manguinhos, Eliete trabalhou como auxiliar de serviços gerais e aguardava há cerca de dois anos a concessão do Benefício de Prestação Continuada. A família esperava usar valores retroativos para tentar se mudar para um local mais seguro.

O sepultamento da idosa está previsto para a tarde desta quarta-feira, no Cemitério da Penitência, no Caju. O caso reacende o debate sobre a vulnerabilidade de comunidades durante temporais e a dificuldade de acesso a serviços de emergência em áreas alagadas — uma realidade que, a cada chuva forte, volta a expor falhas e riscos enfrentados por moradores da Zona Norte do Rio.

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