Skincare, fragrâncias de nicho e produtos de K-Beauty ganham espaço enquanto público demonstra maior seletividade diante de lançamentos e maquiagens semelhantes
O comportamento do consumidor de beleza está mudando. Depois de um período marcado por lançamentos constantes, coleções virais e compras impulsionadas pelas redes sociais, parte do público começa a olhar com mais atenção para o que realmente precisa antes de colocar um novo produto no carrinho. A tendência agora é comprar menos, pesquisar mais e priorizar itens capazes de oferecer experiências ou benefícios diferentes.
Nesse novo cenário, as rotinas de skincare, as fragrâncias de nicho e os produtos de K-Beauty — segmento de beleza originado na Coreia do Sul — ganham espaço. Ao mesmo tempo, maquiagens muito parecidas com produtos que o consumidor já possui enfrentam uma barreira maior para conquistar vendas.
Menos impulso, mais pesquisa
Durante anos, vídeos de influenciadores, lançamentos de celebridades e produtos virais estimularam uma verdadeira corrida pelo consumo. Paletas de sombras, batons, blushes e iluminadores chegavam ao mercado em diferentes versões, muitas vezes apresentando apenas pequenas mudanças de tonalidade ou embalagem.
Agora, cresce um movimento de consumidores que questionam a necessidade de adquirir mais um item semelhante aos que já estão na nécessaire.
Antes da compra, entram na avaliação fatores como composição, durabilidade, versatilidade, preço e possibilidade de utilização frequente. Resenhas e comparações continuam importantes, mas podem servir também para evitar uma aquisição desnecessária.
Skincare ganha prioridade
O cuidado com a pele tornou-se um dos principais destinos do orçamento dedicado à beleza. Protetores solares, hidratantes, produtos de limpeza e séruns passaram a ocupar posição de destaque nas rotinas.
A mudança também está relacionada à valorização de uma aparência mais natural. Em vez de depender exclusivamente da maquiagem para criar determinados efeitos, consumidores passaram a investir na preparação e manutenção da pele.
O crescimento da K-Beauty acompanha esse movimento. Conhecidos por rotinas que valorizam hidratação, proteção da barreira cutânea e diferentes texturas, os cosméticos sul-coreanos conquistaram consumidores em diversos mercados e ampliaram sua influência sobre tendências ocidentais.
Perfumes viram experiência
As fragrâncias também ocupam um espaço cada vez mais relevante. Além dos perfumes produzidos em grande escala, cresce o interesse pelas chamadas fragrâncias de nicho, associadas a propostas olfativas mais específicas e experiências de consumo diferenciadas.
Para muitos consumidores, encontrar um perfume que expresse personalidade pode ser mais interessante do que adquirir a décima versão de um produto de maquiagem semelhante aos que já possui.
Essa busca por exclusividade ajuda a explicar o interesse por marcas menos conhecidas, perfumaria artesanal e combinações de fragrâncias.
Redes sociais também estimulam consumo consciente
Curiosamente, as mesmas plataformas que ajudaram a acelerar tendências de consumo agora também abrigam movimentos contrários ao excesso. Conteúdos sobre aproveitar produtos até o fim, reduzir coleções e avaliar o custo por uso vêm incentivando uma relação mais racional com as compras.
Expressões como “underconsumption” e “de-influencing” passaram a integrar as discussões sobre beleza, questionando a necessidade de acompanhar todos os lançamentos.
Um novo desafio para as marcas
A mudança representa um desafio para a indústria. Apenas lançar uma nova cor ou alterar a embalagem pode não ser suficiente para convencer um público mais criterioso.
O consumidor continua interessado em beleza, mas começa a exigir mais inovação, qualidade e diferenciação. Skincare, K-Beauty e perfumaria de nicho mostram que o desejo de consumir não desapareceu — ele está sendo redirecionado.
A nécessaire pode até ficar menor, mas a decisão sobre o que entra nela tende a ser cada vez mais cuidadosa.





