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Bossa One Real: Líbano: um espelho da Terra, instável

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Conhecida pela tradição milenar como a Terra Santa, ou Prometida, o Líbano, que já foi a “Suíça do Oriente”, cheia de vida do símbolo da árvore mais longínqua, Os Cedros.

A influência da imigração libanesa no Brasil é mais que marcante, é legado.

Com contribuições marcantes nas áreas de cultura, comércio e arquitetura. Desde a década de 1930, a chegada dos libaneses transformou o Brasil, ajudando a construir um ambiente comercial vibrante e dinâmico, que ainda persiste. Atualmente, o Brasil abriga a maior comunidade libanesa fora do Líbano, com cerca de 8 milhões de descendentes, e esse legado é visível em diversas áreas, como hospitalidade, empreendedorismo e até no setor de beleza, com tradições que remontam às raízes fenícias.

Apesar da sua importância cultural e histórica, o Líbano enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história. A instabilidade política e os conflitos regionais, especialmente os ataques constantes de Israel, têm devastado o país. A justificativa de Israel é a eliminação de grupos considerados terroristas, frequentemente apoiados por países como o Irã, criando uma atmosfera de violência e incerteza. Enquanto isso, o papel dos Estados Unidos, inicialmente visto como mediador, se revelou insuficiente e até questionável na proteção do Líbano. 

A exploração de gás na bacia do Mediterrâneo, que deveria representar uma oportunidade econômica, se tornou um ponto de tensão. Um tratado mediado pelos EUA em 2022 permitiu a exploração, mas o Líbano, com sua infraestrutura enfraquecida e ataques diários, não consegue tirar proveito dessa riqueza potencial. Prédios são destruídos e vidas são perdidas, e a população enfrenta uma realidade de explosões e a demolição de seu patrimônio histórico.

Diversas nações tentam intervir oferecendo ajuda, mas muitas vezes isso vem atrelado a interesses próprios, agravando a crise. A corrupção política também impede que doações solidárias cheguem a quem realmente precisa. Enquanto isso, Israel continua a explorar a mesma bacia de gás, intensificando as tensões na região. O sul do Líbano está devastado, Beirute lida com apagões constantes e o cotidiano é marcado por uma luta constante pela sobrevivência.

O imperialismo americano, que por anos financiou conflitos armados na região, perpetua os combates e impossibilita a paz. Ao mesmo tempo, a invasão russa na Ucrânia adiciona uma nova camada de complexidade, com implicações no mercado global de combustíveis e aumento das tensões internacionais. O Líbano, que poderia se posicionar como um fornecedor estratégico de gás para a Europa, continua preso em um ciclo de destruição.

As perspectivas para o futuro do Líbano são sombrias, mas não completamente sem esperança. Reformas políticas e econômicas são necessárias com urgência, mas dependem de um governo forte e funcional, algo que o país ainda não conseguiu alcançar. A ajuda internacional é crucial, mas muitas vezes insuficiente. Além disso, o papel da diáspora libanesa, inclusive no Brasil, é vital para pressionar por mudanças e auxiliar na reconstrução.

Essa interseção entre a influência libanesa no Brasil e a realidade atual do Líbano revela não apenas um legado cultural valioso, mas também uma conexão entre dois mundos que, apesar da distância, compartilham histórias de luta e resiliência. A presença libanesa no Brasil é um lembrete da força das comunidades imigrantes e do impacto duradouro que elas têm na formação da identidade nacional.

O que será do Líbano? Essa pergunta ressoa em um contexto global de incerteza, onde o destino de um pequeno, mas estratégico país no Oriente Médio está interligado a interesses internacionais, conflitos regionais e a esperança de um povo que, apesar de tudo, continua a resistir. A Terra Santa libanesa, com seu legado milenar, persiste, e suas influências ecoam pelo Brasil, perpetuando um inestimável patrimônio cultural.

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