A Casa da Tia Ciata ganhou reconhecimento como patrimônio imaterial carioca após promulgação da Câmara do Rio publicada no Diário Oficial do Legislativo desta quarta-feira (17). O espaço preserva a memória de Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata, uma das personagens mais importantes da história do samba.
A norma é de autoria da vereadora Thais Ferreira e reconhece o trabalho da Organização Cultural Remanescentes de Tia Ciata na valorização da herança afro-brasileira. A instituição fica na região da Pequena África, no Centro do Rio.
Nascida em Salvador, em 1854, Tia Ciata chegou jovem ao Rio de Janeiro e se tornou referência da cultura afro-brasileira. Quituteira, ialorixá, sambista e liderança comunitária, ela ajudou a transformar a região da Praça Onze em um importante polo cultural.
Sua casa ficou conhecida por reunir músicos, sambistas, capoeiristas, trabalhadores, imigrantes e praticantes de religiões de matriz africana em um período de perseguição às manifestações culturais negras.
Entre os frequentadores estavam nomes como Pixinguinha, Hilário Jovino, Sinhô e João da Baiana. Pesquisadores apontam o espaço como um dos berços do samba carioca e como cenário ligado à criação de “Pelo Telefone”, registrado por Donga e Mauro de Almeida em 1916.
A trajetória de Tia Ciata também será tema do carnaval de 2027 da Paraíso do Tuiuti. A escola levará para a Sapucaí o enredo “Ciata: a mãe preta do samba”, desenvolvido por Renato Lage, Luiz Antônio Simas e Cláudio Russo.
Guardiã da memória na Pequena África
Mantida por descendentes de Hilária Batista, a Casa da Tia Ciata funciona como centro cultural dedicado à preservação da história e da herança negra. O local abriga exposição permanente sobre a matriarca do samba e promove oficinas, palestras, rodas culturais, pesquisas e visitas guiadas.
A programação inclui rodas de conversa, vivências de jongo, capoeira, maculelê, canto e percussão, além de caminhadas guiadas pela Pequena África. As atividades passam por pontos históricos ligados à vida de Tia Ciata e à formação cultural da região central do Rio.
Na justificativa do texto, Thais Ferreira destacou a importância da instituição para a preservação da memória e valorização das tradições culturais negras. “A Casa da Tia Ciata hoje é um ponto de referência de salvaguarda sobre a história da matriarca do samba e sobre a história e cultura afro-brasileira. Ela representa a persistência da tradição, da cultura e da oralidade das matrizes africanas na sociedade carioca, reforçando os laços de pertencimento ao universo macro da cidade”, afirma a parlamentar.





