Categorias
Colunas Destaque Diário do Rio Henrique Bas | Cantinho da Poesia

…E Ouço Pelos Olhos

À porta da sala, entre aberta com vidros e madeiras, um pouco distante, vejo uma rica variante de cores verdes… É a mata. Alguém me pergunta: “você escuta todos estes ruídos/sons?” Sim! E tem mais, escuto os detalhes destes sons, ainda mais límpidos, se fechar os olhos, respondi-lhe.

Fechei os olhos e ouvi a vaca mugir, as gotas da chuva sobre a grama, o voo dos pássaros- suas asas batendo-, cantos variados de pássaros buscando aconchego por entre as folhas ainda úmidas, o barulho do motor da geladeira, o grilo anunciando a chegada da noite.

Neste momento, lentamente os olhos se abrem. Já é noite! A vaca já encontrou o seu bando, a chuva está mais fina e quase imperceptível, não há mais pombos ou outras espécie de pássaros sobrevoando- já encontraram seu aconchego. Mas, a geladeira está lá, firme e forte, com seu motor funcionando e meio barulhento. O coaxar do sapo.

Preciso fechar a porta, antes que mosquitos entrem. Ah! Mesmo fechando-a tem um que amo e entram pelas frestas: são os vaga-lumes: lindas estrelas que piscam, vagueando no escuro do quarto, feito brilhos de paetês solitários. Primeiro fecho a parte de madeira. Mas, isto ocorre mais quando esta calor. Pois, a porta de vidro permanecendo aberta, o ar adentra e renova, mais uma vez, o ambiente; já quando é frio, as duas portas são trancadas, dificultando a entrada do vento e dos vaga-lumes. O dia se despede, arrastando sua cauda em gala, de estrelas e nuvens, findando a luz dourada, mas acendendo toda a mata em prata. A vida noturna que acorda, espíritos que não vagam, mas protegem a grande orquestra da noite misteriosa e em sinfonia aberta às estrelas. Dentro de casa, com janelas e portas fechadas, não vejo mais o verde da montanha. Mas, não tem jeito, os sons continuam lá, basta fechar os olhos.

Categorias
Colunas Cultura Destaque Henrique Bas | Cantinho da Poesia Notícias do Jornal

Gotuzzo

Vermelhas, brancas, amarelas e verdes: flores para Gotuzzo, em todas as cores e formatos. Hoje, quero refletir com os amigos um pouco da história de Leopoldo Gotuzzo. Ele nasceu em Pelotas, Rio Grande do Sul, ao oitavo dia do mês de abril. Sua profissão? Pintor. Suas obras? Sua vida. O artista, através das cerdas de seus instrumentos de trabalho nos presenteou com os retratos capturados por seus olhos, sentimentos e interpretações. De suas pinturas, as naturezas são as que mais me cativam. As flores parecem recém colhidas, recém presenteadas, recém
vivas; sinto seu perfume.

A tinta misturada na palheta, de passagem, pousa sobre a tela e para a posteridade dos olhos admiradores de quem podem senti-lo e ouvi-lo [as rosas, sim, falam]. Cenas que resistem penduradas ou guardadas, até mesmo esquecidas e desconhecidas. Mas, de existência solida em algum lugar…

Dentro de seus 96 anos de idade, a poesia das cores que fora a vida do artista foi a causa de inúmeras exposições e eventos no Brasil e Exterior. Gotuzzo faleceu em 1983, mas sua memória não. Sua Arte, jamais.

Hoje, uma parte de suas obras e história estão expostas em uma amostra permanente que leva, merecidamente, seu nome: “Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo”- (MALG) localizado no Centro de Pelotas no Rio Grande do Sul. Olhando as flores, sinto o perfume de suas rosas desenhadas…

O Pintor

É na pedra…
Na Madeira,
Na tela,
Na superfície,
Na parede.
Na cabeça,
No corpo…
É o Pintor,
Que viu,
Que emergiu,
Que existiu.
É o quadro na casa da vó,
No museu,
Na história dos livros.
É o Pintor.
(Henrique Bas)

Categorias
Colunas Cultura Destaque Diário do Rio Henrique Bas | Cantinho da Poesia Notícias do Jornal

Alguns Segundos de Atenciosidade

Somos eternos peregrinos em busca da luz; em caminhos escuros, salpicados com pontos luminosos de esperança; fé. Nada é mais rápido ou mais lento que a vontade do tempo, nem mesmo os nossos sentimentos. Ninguém começa a amar rápido ou a odiar lento. Tudo tem o seu próprio momento.

Mas, não falemos destes sentimentos e, sim, de todos os que nos fazem e constrói humanos. Daqueles sentimentos que recheiam a vida, as conversas e as afetividades que levamos das impressões e acolhimentos de um simples e curto dialogo. Se olharmos melhor para o lado, observar minunciosamente nossos semelhantes, notaremos o quanto de parecidos somo. Isto é empatia.

O que fica depois da partida? Me parece, Talvez, tudo isso já dito. Gravado de forma vincada, arranhada, onipresente, onisciente e impregnado em todos os cantos- do antes e do depois-, em nós. Uma forma de estar vivo, mesmo que a natureza nos transforme, mesmo que soframos a tal metamorfose. Pois, como sabemos, tudo é transformação. É outra forma de vida. Existindo nas lembranças dos amigos, da família e de quem tivemos oportunidade de encontrar. E, como dizia Vinícius de Moraes, “a vida é arte do encontro embora haja tanto desencontro”.

Vejamos com ternura, paciência e compreensão, é importante ter atenção no “ao lado”, “ao redor” e principalmente com o próximo. Vamos inventar, com as bênçãos da licença poética, outras palavras, outros jeitos e outras possibilidades de praticarmos o amor, caridade e empatia. Se for preciso ser terra, ser fogo, ser o próximo, sejamos! E para lembrar do “sentir” o mundo, as vezes é preciso um beliscão na camada mais sensível de ser e existir; o sutil do espírito.

Desejo para quem aqui passar os olhos, a luz na jornada, a força da fé e a esperança renovada, revigorada e o mais inestimável: amor.