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Notícias do Jornal Sabrina Campos | A vida como ela é

A primeira voz

 

Por: Sabrina Campos (advogada e árbitra) 

São muitas as mulheres que marcaram e continuam fazendo história no Brasil. São referência, esperança, inspiração. Mulheres, mães de nações, que definem, inicialmente, dentro de suas casas, como será o padrão comportamental da sociedade. Pilares e bases concretas de suas famílias, a determinar os princípios morais a guiar a comunidade ao seu redor aos limites da civilização.

Carolina Josefa Leopoldina, ou D. Maria Leopoldina, a Imperatriz Consorte do Império do Brasil, amou este país, que se tornou inteiramente seu, bem como se dedicou plenamente ao povo, inclusive desempenhando papel importante na nossa, tão valiosa, independência. Ela, que, por curto período, foi também Rainha Consorte do Reino de Portugal e Algarves, foi sim, até a sua morte, nossa primeira Imperatriz, e, em razão da Independência do Brasil, que ajudou a articular, como grande estrategista que era, também foi a primeira Imperatriz do Novo Mundo.

Leopoldina foi a primeira mulher Chefe de Estado do Brasil e do continente. A primeira mulher a comandar o país, assim o fez em diversas ocasiões ao substituir o Imperador D. Pedro I, cuja confiança em assuntos políticos era tamanha que Leopoldina exercia enorme influência na gerência do Brasil. Além da Independência, por exemplo, também o “Dia do Fico” comprova o grande poder da Imperatriz em definir os rumos que nos tornou uma nação.

Uma mulher conservadora, de fervorosa fé cristã, valorizava a família como devotada mãe, esposa, que era. Defendeu o país que tornou sua pátria amada, preparou nosso futuro – o mesmo que construiu para os seus filhos. Assim também fazem história as sete mulheres que presidem atualmente Comissões permanentes da Câmara dos Deputados. Entre elas, a coincidente conservadora, cristã, mãe zelosa, Deputada Federal Bia Kicis, natural de Resende/RJ, primeira mulher a comandar a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJ.

Bia Kicis exerceu a advocacia e se aposentou como Procuradora no DF. Junto a Luiz Philippe de Orleans e Bragança, descendente direto da Imperatriz Leopoldina e do Imperador D. Pedro I, bem como de Prudente José de Moraes Barros (terceiro Presidente da República do Brasil), Bia Kicis é coautora do PL 291/2021, que veda a retirada de mensagens de usuários por provedor de aplicação em desacordo com as garantias constitucionais de liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento. Ela luta para que nós,você- faça a sua voz ser ouvida!

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Luiza Alzira Soriano: a pioneira

 

Por: Sabrina Campos (advogada e árbitra)          

Em 24 de fevereiro do corrente ano, comemorou-se a conquista do voto feminino, direito assegurado às mulheres desde 1927, pela Lei Estadual nº 660, que tornava o Rio Grande do Norte o primeiro estado a estabelecer a igualdade de gênero para o exercício do voto.

Posteriormente, todas as mulheres do país conseguiriam exercer a sua cidadania através do voto, pelo Decreto nº 21.076/1932. Antes disto, Luíza Alzira Soriano Teixeira, natural de Jardim de Angicos, mudou os rumos da história e foi a primeira mulher eleita para exercer o cargo de Prefeita, no Brasil e em toda a América Latina.

Luíza disputou as eleições de 1928 pelo Partido Republicano, e, com mais de 60% dos votos, tomou posse para a Prefeitura de Lages (RN) em janeiro/1929. Virou notícia no jornal “The New York Times”, nos EUA, e no mesmo ano de sua posse chamava a atenção pela sua firmeza, inteligência e preparo num assunto dantes exclusivamente masculino.

Mulher, filha, esposa, mãe, comandava as atividades da família e da fazenda em que vivia com autoridade e sabedoria. Tornou-se viúva cedo, ainda grávida de uma das filhas, mas a força de seu caráter a impulsionava ao caminho do que poderiam acreditar ser o impossível. E ela conseguiu.

Na Revolução de 1930, perdeu o mandato, mas, logo após a redemocratização, em 1945, Alzira tornou-se Vereadora do município onde nasceu. Foi eleita por mais duas vezes consecutivas, inclusive presidiu a Câmara de Vereadores também mais de uma vez.

É certo que a representatividade feminina na política vem crescendo, embora ainda seja insuficiente. Algumas se destacam na atualidade, como a Deputada Federal Chris Tonietto (PSL/RJ), que também defende a família, e, em especial, mulheres, crianças e adolescentes, nas proposituras que tem feito durante o seu mandato.

Só este ano, em dois meses, mesmo de licença-maternidade, a referida parlamentar cumpriu por exemplo com o PL 434/2021, que institui o Estatuto do Nascituro; o PL 299/2021, a fim de proibir qualquer forma de manipulação experimental, comercialização e descarte de embriões humanos; e o PL 229/2021 para tornar inafiançáveis os crimes relacionados à prática da pedofilia. Faça a sua voz ser ouvida!

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A rainha da flora

 

Por: Sabrina Campos (Advogada e Árbitra)

Estimulada à serventia da casa, dos filhos, do esposo, Graziela Maciel Barroso encontrou nesta condição o que lhe propiciou a se destacar, inclusive na história do Brasil. O esposo lhe serviu de exemplo, o companheiro a inseriu na botânica, encorajou seu interesse na matéria, incentivou a trabalhar no meio. Com seu apoio e cumplicidade, ela, que não havia sequer terminado o ensino médio antes de se casar, voltou a estudar aos trinta anos. O marido alimentou suas ambições e Graziela conseguiu até estágio na área científica. Junto aos filhos, impulsionou-a a conquistar espaço no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ela prosseguiu segura de que sua capacidade era do tamanho da sua paixão.

A família lhe deu a confiança em si mesma a estudar na faculdade, que iniciou aos quarenta e sete anos, em biologia, na atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro, posteriormente doutora em botânica pela UNICAMP. Graziela se tornou a maior catalogadora de plantas do país. Aproximadamente vinte e cinco espécies vegetais têm o seu nome, rendendo-lhe inclusive o título de “Primeira Grande Dama” da botânica no Brasil.

Seus estudos abrangem as cinco regiões do país. Foi a única brasileira agraciada com o prêmio internacional medalha “Millenium Botany Award”. Os filhos lhe garantiram a autoestima sólida que a motivou a prestar concurso público, aprovada em segundo lugar. Trabalhou no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde se dedicou à ciência mesmo após a aposentadoria, até cerca dos noventa anos. Naturalista da instituição, o prédio da botânica tem o seu nome.

Graziela perdeu o marido e um filho, mas não perdeu a determinação nem a esperança que eles depositaram nela em vida. Foi professora na UERJ, UFPE, UNICAMP E UNB. Recebeu da Prefeitura do Rio de Janeiro o diploma “Orgulho Carioca”, foi laureada com a “Ordem Nacional do Mérito Científico”.

Faleceu pouco antes de ser empossada na Academia Brasileira de Ciências, e, em homenagem póstuma, a Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul passou a conceder o “Prêmio Marco Verde Doutora Graziela Maciel Barroso” a quem se dedica à proteção e recuperação do meio ambiente. Inspiração para todos nós, que, temos no Decreto nº 9.760/2019, sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, a garantia de que nossas espécies nativas serão melhor cuidadas, guardadas e preservadas. Uma mulher que encontrou sua voz, e, nunca mais se calou diante do que amava. Faça a sua voz ser ouvida!

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Quando falta vontade, sobra desculpa

 

Pioneira numa família de analfabetos, frequentou a escola, ainda que por cerca de dois anos. Migrou de sua comunidade rural para uma grande metrópole. Tornou-se uma das primeiras moradoras de uma das “favelas” que começavam a surgir na época, cuja a moradia construiu com as próprias mãos. Carolina Maria de Jesus não permitiu ser encaixotada na premissa vitimista da ausência de oportunidades, e, sim, faltaram-lhe muitas. Tampouco admitiu a imposição de um destino trágico de miserabilidade por nascer na pobreza.

Abdicou de todas as profecias que lhe dedicaram como mulher, pobre, iletrada, que catava lixo para sustentar os filhos. A desigualdade socioeconômica jamais destruiria os planos de Carolina de viver dias melhores, longe da favela que ela chamava “tétrica”. Teve a audácia de descrever a sua vida na favela para o mundo, contar o cotidiano do ambiente em que vivia com os filhos sob o seu olhar particular, revelar sua dor e seu sofrimento e reconhecer o dos outros ao redor, expressar suas ideias como única forma de se libertar.

Assim nasceu “Quarto de Despejo” (publicado em 1960), um diário já traduzido para mais de 14 idiomas, conhecido em cerca de quarenta países. Dentre outras obras, retrata a violência e a fome, temas constantes do seu ambiente. A marginalidade, citando crimes praticados por moradores do que ela descrevia como “recanto dos vencidos”, bem como a discriminação e o descaso do poder público em cuidar da população desfavorecida.

Descaso que se intenta reparar através da Lei 14.118/2021 e do Decreto 10.600/2021, já em vigor, que institui o “Programa Casa Verde e Amarela”, para promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas e em áreas rurais, associado ao desenvolvimento econômico, à geração de trabalho e de renda e à elevação dos padrões de habitabilidade e de qualidade de vida da população urbana e rural.

Há registro de material inédito deixado por Carolina Maria de Jesus em 58 cadernos, que somam cinco mil páginas de textos: são sete romances, 60 textos curtos, 100 poemas, além de quatro peças de teatro e de doze letras para marchas de carnaval. A autora recebeu diversas homenagens de Academias de Letras, além de um título honorífico da “Orden Caballero delTornillo”, na Argentina, em 1961.

De algum modo Carolina Maria de Jesus sabia que seria ouvida, como foi, e é. Se sobra vontade, falta desculpa. Faça a sua voz ser ouvida!

Sabrina Campos

Advogada e árbitra

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Branca Alves Lima: ‘a’ de amor

 

A educação no nosso país tem sido fator de extrema preocupação aos brasileiros há muitos anos. Obviamente sua importância é fundamental para garantir que o Brasil seja de fato uma nação, não apenas um território, uma civilização, não somente uma delimitação.

É possível atestar que a menção à “família”, como elemento essencial ao ensino, é uma constante no texto da legislação pátria acerca das diretrizes e bases que regem a educação nacional (sob a Lei 9.394/1996), tendo em vista a evidente necessidade de este ser o maior pilar a sustentar o mínimo na formação do caráter humano, quanto à moral e à ética do indivíduo, na construção da sua personalidade.

Gerações de famílias inteiras, cerca de mais de quarenta milhões de brasileiros, trilharam pelo “Caminho Suave”, cartilha de autoria da professora Branca Alves de Lima, que criou método de alfabetização próprio para que seus alunos, na época, maioria de área rural, conseguissem melhor compreender e evoluir nas trajetórias de leitura e escrita formal.

Mulher de origem humilde, do interior, Branca era movida a amor. Fosse pelo magistério, por cada um de seus alunos, pela educação em si, por amor, conseguiu transformar um Brasil inteiro na luta pela melhor forma de ajudar pessoas a serem livres e independentes, como só a alfabetização real, jamais a funcional, é capaz de fato permitir. Criou a cartilha referida após mais de duas décadas de atuação nas salas de aula, em 1948, quando percebeu oportunidade de escolher a sua didática ao lecionar. Com cartazes e desenhos, construiu sonhos e destruiu grilhões.

Sua editora a publicou até encerrar as atividades, mas as publicações por terceiros nunca pararam, e, ainda hoje a “Caminho Suave” se encontra facilmente para aquisição, inclusive na internet. Falecida em 2011, aos noventa anos, esta pioneira de coração valente, que buscava, na garantia de melhor prática para a formação intelectual, a chance de cada um de nós exercer a dignidade como pessoa humana, pode contemplar os inúmeros frutos de seu trabalho tão ilustre, sua dedicação tão nobre ao seu próximo.

Branca é eterna, ainda vive através de sua obra, que perdura sendo aplicada por muitos na atualidade para conhecimento e aprendizado, mesmo que outras técnicas tenham surgido e continuem em constante mudança. Esta brasileira, através do amor pelas letras, rasgou vendas e mordaças, deu a incontáveis de nós a sua voz, que fazemos ecoar todos os dias. Faça a sua voz ser ouvida!

Sabrina Campos

Advogada e árbitra

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Nísia Floresta, a educadora

 

São muitas as heroínas que construíram e continuam fazendo história no país. Algumas delas moldando nossas origens, determinando o presente e formando um futuro quase palpável às gerações. Ainda hoje vivemos os resultados da brava luta de uma guerreira do ontem, uma mulher que nunca desistiu de batalhar pela liberdade de nossas meninas, através de sua formação, em mulheres preparadas para dominarem seus próprios caminhos.

Dionísia, ou, Nísia Floresta, escritora a ser lembrada por nossa sociedade igualitária, através do Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, contribuiu para que nós, brasileiras, fôssemos valorizadas enquanto cidadãs de direitos desde 1838. Garantiu às meninas a formação em disciplinas antes estudadas apenas pelo gênero masculino, como ciências tais quais a matemática. E, assim, propiciou que mulheres ocupassem espaços limitados somente a homens.

Nísia Floresta Brasileira Augusta, escritora e educadora ( 1810-1885), precursora no Direito das Mulheres, cujos artigos orientavam a valorização do eu-feminino pela inteligência, a preservação da mulher e sua dignidade como pessoa humana, mediante incentivo à moral e ética religiosa, que a protegessem, portanto, da corrupção a destruir a vida honrada que lhe permitiria conquistar posições de poder, antes restritas aos homens.

“Dê-se ao sexo uma educação religiosamente moral, desvie-se dele todos os perniciosos exemplos que tendem a corromper-lhe, desde a infância, o espírito, em vez de formá-lo à virtude, adornem-lhe a inteligência de úteis conhecimentos, e a mulher será não somente o que ela deve ser – o modelo da família – mas ainda saberá conservar dignidade, em qualquer posição em que porventura a sorte a colocar.” (Opúsculo Humanitário; Floresta, Nísia).

Nísia combatia doutrinas e ensinamentos de objetificação da mulher, do tratamento de uso e posse a que muitas sofriam. Conservadora, valorizava o papel da mulher no casamento e na família – em que cobrava às mães o dever de serem modelos às suas filhas, e a se dedicarem  para que elas tivessem a melhor educação, para que fossem livres ao que desejassem ser.

Acreditava que a mulher, mãe de nações que somos, é quem molda a sociedade em que vivemos,  a formadora do caráter do indivíduo que se inicia a personalizar dentro de sua casa: os filhos – cidadãos do amanhã. Dionísia não era uma deusa, mas cria em Deus. E, sua fé tornou um novo mundo possível a todas nós. Aproveite! Faça a sua voz ser ouvida.

Sabrina Campos (Advogada e árbitra)

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Anjos existem

 

Natal, época de fé. Quem tem fé, tudo alcança. Motivação que muitos encontram para seguirem em frente, em especial após um ano de pandemia e muitas tristezas.

Fé, esperança e amor. Assim nasceram sonhos, metas de Annie Caroline Praça Arcanjo, de 29 anos, hoje 3º Sargento do Corpo de Bombeiros. Iniciou a carreira na corporação aos dezoito,seguindo o exemplo do pai, Capitão da reserva, fez o juramento de “sacrificar a própria vida” para salvar o seu próximo, uma missão de amor.

Formada em engenharia civil, atualmente trabalha no Centro de Atividades Técnicas, no setor de prevenção de combate a incêndio urbano e pânico. E, neste dia vinte e cinco, foi promovida por “ato de bravura” por seu brilhante heroísmo.

O episódio se passou na folga de Annie Arcanjo, que estava em casa, e,foi ao resgate de vizinhos em meio a uma terrível enchente que transbordou o Ribeirão do Prata, pelos quais se arriscou a morrer no local de cabos e portões energizados.

Annie Caroline Praça Arcanjo é a primeira mulher promovida por “ato de bravura” em 109 anos de história do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, onde mulheres ocupam apenas 10% das vagas (o ato de bravura está descrito no Decreto Estadual 44.557/ 2007, na seção IV, artigo 21).

Recompensada por mérito de sua atitude altruísta, abençoou vários pela sua coragem e determinação, elementos principais no êxito da operação que deu a chance de recomeçar às vítimas da catástrofe natural.

Assim perseveram muitos no avançar de 2021. Aqueles que decidiram reter o que há de bom, sem permitir que dores e sofrimento ocorrido nesta pandemia lhes domine, apenas ensine. Os que diante do caos escolhem agir em benefício da restauração do equilíbrio, não admitem que o medo lhes controle, enfrentam-no em busca de dias melhores.

Se todos somos vulneráveis, nossa postura diante das adversidades é o que define quem sobrevive. A força da autoconfiança em prosseguir e conquistar é maior do que a das correntes impostas pela ausência de oportunidade.  Esta se faz por quem a persegue, aprimora-se e se prepara para ela, e assim a cria.

Annie Arcanjo atribui seu sucesso a Deus, a quem dedica sua missão. Ao arriscar a própria vida se viu fraca, e aí é que se tornou forte, e tudo pôde naquele que a fortalece. Para alguns, como ela, não há limites que cerceiem sua gana em evoluir, ninguém calará a voz que ecoa em si para continuarem a lutar em serem melhores a cada dia. Faça a sua voz ser ouvida!

Foto: Corpo de Bombeiros / MG

Sabrina Campos

Advogada e árbitra

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As lágrimas da vitoriosa

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, neste dezembro, proposta a destinar verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) para ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Aprovou nove propostas para marcar os “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher”, como a criminalização das violências política e institucional contra mulheres e a determinação de políticas integradas de combate à violência (PL 5091/20, PL 349/15, PL 4287/20*).

Mulheres se recusam cada vez mais a se calarem diante da violência. Não aceitam que continuemos vítimas da perspectiva de quem enxerga a “fragilidade” do gênero feminino como “fraqueza” suscetível a abusos. Esta postura tem se generalizado nas mais diversas gerações. Ela ousou sonhar. Ela não aceitou o “não” como resposta. Ninguém a pode impedir de ser quem desejou ser, o que quis ser.

Raquel não permitiu que lhe dissessem que não chegaria a lugar algum, que não teria oportunidades, que não conseguiria alcançar seus objetivos.  Provou para todos, para si, que com esforço, trabalho, estudo, dedicação, determinação, é possível realizar qualquer sonho. Raquel Silva Rosa, jovem mulher de 19 anos, moça guerreira e bravia, depois de lutar, colheu a imensa vitória de se formar na Escola de Sargentos de Logística em primeiro lugar, dentre mais de 400 graduados.

Raquel, a menina sonhadora, a mulher empoderada, virtuosamente alcançou a glória de receber a “Medalha Caxias Distinção Militar”, e, ainda, a grande honra de receber a “Medalha Marechal Hermes – Aplicação e Estudo” por todo o seu mérito e brilhantismo. Não à toa, debulhou-se em lágrimas, coroando o momento do reconhecimento inegável do seu alto valor e capacidade com o sabor salgado no rosto iluminado.

Raquel, filha de mãe orgulhosa, defensora de sua pátria amada, sensibilidade e força feminina de farda. Ela fez acontecer. Personalidades femininas que marcaram nossa história têm agora seus nomes em espaços da Câmara dos Deputados, como a aviadora Anésia Pinheiro Machado, proclamada decana mundial da aviação feminina pela Federação Aeronáutica Internacional em 1954, e, Marília Chaves Peixoto, matemática e engenheira, primeira mulher brasileira a ingressar na Academia Brasileira de Ciências, em 1951. Raquel Silva Rosa também fez história, é exemplo e esperança. Todos os dias: faça a sua voz ser ouvida!

 (*Fonte legislação: Agência Câmara de Notícias em

https://www.camara.leg.br/ )

Sabrina Campos

Advogada e árbitra

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Foto: Ministério do Exército

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Lugar de mulher é na política

 

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos criou o projeto “Mais  Mulheres No Poder”, de grande relevância para as eleições municipais de 2020. Sendo o número de eleitoras superior ao de homens  e havendo pouquíssima representatividade feminina nos cargos públicos eletivos no país, o referido tem o objetivo de assegurar a igualdade de gênero entre as candidaturas e cargos a serem ocupados.

A plataforma “Mais Mulheres Na Política”, gerada pelo projeto, inclusive pretende aumentar o número de mulheres afiliadas a partidos políticos, candidatas à vereança e prefeituras em todo o país, e, claro, para que, eleitas, possam ocupar os cargos públicos para equilíbrio da Casa Legislativa e do Executivo.

No entanto, o mais importante de toda esta iniciativa do governo federal é o combate à violência política contra a mulher, denunciada como prática comum de muitos partidos políticos contra as suas afiliadas candidatas em todo o território nacional. Esclarece-se que uma das ações de combate a esta modalidade de violência de gênero consiste em “Assinatura de Acordo (pacto) entre o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e presidentes de partidos políticos para empreender esforços no sentido de eleger pelo menos, uma mulher em cada Câmara Municipal” (fonte: https://www.gov.br/mdh/).

Ressalta-se que o número de vagas de cada partido deve ser preenchido com o mínimo de 30% (trinta por cento) e o máximo de 70% (setenta por cento) para candidaturas de cada gênero (§3º do artigo 10 da Lei 9.504/1997), e, o mínimo legal de candidaturas femininas deve se equiparar ao mínimo de recursos do Fundo Partidário por cada partido (Ac.-STF, de 15.3.2018, na ADI nº 5.617 e Ac.-TSE, de 22.5.2018, na Cta nº 060025218).

Isto é, além de obedecer ao limite mínimo de número de candidatas, a elas deve ser reservado o valor proporcional de recurso do Fundo Partidário a viabilizar suas respectivas candidaturas e, claro, garantir equidade no processo. Certo é que o desvio na aplicação destes recursos destinados à campanha feminina pode ser apurado em representação à Justiça Eleitoral, mediante investigação, vedado o emprego dessas verbas para beneficiar exclusivamente campanhas masculinas (artigo 30-A da Lei de Eleições c/c artigo 17 e parágrafos, da Resolução 23.607/2019 c/c Ac.-TSE, de 15.8.2019, no AI nº 33986). Se você é ou foi vítima de violência política, ou conhece alguém nesta situação, faça a sua voz ser ouvida!

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#somostodosamalia

Por Sabrina Campos
Advogada e Árbitra

A pessoa com deficiência no Brasil ganhou mais um obstáculo a impedir sua cidadania plena. Desta vez a discriminação a limitar direitos destes cidadãos ataca os monoculares, a excluí-los ainda mais da sociedade.

Inicialmente, esclarece-se que a pessoa com deficiência monocular possui impedimento que pode obstruir a sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas – Lei 13.146/2015.

A visão monocular afeta o indivíduo em diversas maneiras, como ocupações que requerem o trabalho a uma curta distância do olho, operação de veículos e o trabalho que exige vigilância visual prolongada. Afeta inclusive as atividades da vida diária, como mobilidade em geral, andar, correr, dançar, subir e descer escadas, tarefas domésticas como cozinhar, limpar a casa, lavar e passar roupa, ainda, hábitos como leitura, trabalho em computador, higiene própria, etc. Seja em consequência da percepção de profundidade, que afeta o equilíbrio, ou da diminuição do campo de visão periférico, que causa o aumento do risco de colidir em objetos, isto é, quando a tarefa requer níveis de habilidade do olho para coordenação e estereopsia.

O PL 1615/2019 busca a alteração do citado Estatuto da Pessoa Com Deficiência, a fim de conceder ao monocular os mesmos direitos e benefícios que qualquer deficiente visual, bastando a comprovação da deficiência sensorial monocular por meio de laudo médico especializado em oftalmologia, que atestará a cegueira ou a cegueira funcional.

Inspirado em Amália Barros, ilustre jornalista que dá nome à alteração ao citado estatuto, neste momento segue em tramitação, porém, com a ressalva de um substitutivo, na forma do parecer do Relator, Deputado Federal Luiz Lima (PSL-RJ), da Comissão de Seguridade Social e Família, que, exclui o referido laudo médico especializado e impõe avaliação biopsicossocial por equipe multiprofissional e interdisciplinar, a burocratizar o processo na concessão dos benefícios pretendidos.

A luta desta mulher de fibra e garra para que todos os monoculares, como ela, tenham a chance de obter próteses pelo SUS, por exemplo, enfrenta agora mais esta dificuldade: a presunção de descredibilidade aos médicos do Brasil quanto à sua capacidade na emissão de laudos técnicos especializados, bem como, a desconfiança ao caráter das pessoas com deficiência que buscam exercer seus direitos. Ou seja, uma afronta à cidadania e à igualdade. Faça a sua voz ser ouvida!