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Destaque Diário do Rio Notícias do Jornal Sabrina Campos | A vida como ela é

Mãe caridade

Nascida em Belém do Pará, quando se instalou no Rio de Janeiro, ficou
conhecida pela vizinhança como “a mãe dos 10”. Assim conta D. Esther Marques da Cunha, viúva de Álvaro da Cunha – “o Poeta do Amapá”.

Álvaro da Cunha, (1923 – 1995), renomado escritor brasileiro, autor de
grandes obras reconhecidas, inclusive, internacionalmente, também era
administrador, e, desempenhou diversas funções de alta relevância em serviço à nação, como a presidência da Companhia de Eletricidade do Amapá. Embora tenha tido papel fundamental na criação do Estado do Amapá, tornou-se conhecido e marcou a história do Brasil, com a qual a sua própria se confunde, através de sua atuação em benefício da sociedade ao desenvolvimento da cultura, da arte, da literatura e do jornalismo de informação.

Musa inspiradora de suas obras, companheira, amiga, amante, Esther,
árvore frondosa, de raízes profundas, fortes ramificações e frutos doces, domina ainda hoje, aos 97 anos, a família que criou e cultivou. Mulher de pulso firme e gentis afagos aos seus, fala mansa e também palavras duras, ou cânticos que enfeitiçam os bisnetos a dormir, tal qual acalmava seus filhos.

Esther é a típica mãe: pilar de sua casa, que mantém de pé o lar de todos os que lhes corre nas veias, e dá sobrenome, apenas por sua existência: respeito. Fortaleza que mantém a instituição sagrada – família – unida e avante, independente das dificuldades: esperança.

Engravidou 22 vezes, mas só 10 filhos sobreviveram. Perdeu os irmãos, o marido, e, até um filho já adulto e um neto ainda jovem. Enquanto coleciona dores, alegra-se mesmo no sofrimento, é uma sobrevivente salva pela sua sabedoria e fé: luz.

O filho Haroldo, desde menino, trazia animais de rua para casa e, todos
os dias, uma criança que encontrasse ao relento para almoçar na mesa farta. Já idoso, continua o feito, as filhas cresceram com animais resgatados, até apareceu com uma mãe e bebê na porta de casa porque chovia demais e estavam sem abrigo.

Esther é caridade, na sua mesa sempre há lugar para mais um. No seu
coração, os netos se aconchegam como nos seus braços. É a bisa que canta aos pequeninos da nova geração! Acolhedora, é autoridade. Amável, repreende com retidão. Protetora, porém, justa. Sua voz ecoa, seus ensinamentos se repetem pelos que tanto aprenderam com o seu amor ao próximo, o seu doar, entrega, sacrifício: maternidade. Neste Natal, como Esther, cuja voz perdura e se alastra, faça a sua voz ser ouvida!

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As heroínas de farda

Neste final de ano de 2021, a Câmara Municipal de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, pelo Vereador Alex Freitas e Comendador Rodrigo Agostini (AIEB), homenageou os “Heróis do Ano” em agradecimento aos que lutam pela vida dos cidadãos brasileiros, servem à democracia ao custo de suas próprias vidas, defendem a sociedade e protegem o Estado-livre despidos de suas individualidades.

Homens e mulheres que protegem as nossas famílias, preservam o futuro do país, servem ao bem comum e aos direitos dos comuns. Por exemplo, receberam a honraria os policiais militares da Patrulha Maria da Penha, guardiões das vítimas de violência doméstica e contra criminosos abusadores e feminicidas. Homens e mulheres cujas fardas são verdadeiro escudo para o mal que assola aos oprimidos, os mais vulneráveis e indefesos.

Dentre os ilustres prestigiados por suas brilhantes atuações em prol da nação, destacou-se Hildelene Bahia – a primeira mulher Comandante da Marinha Mercante Brasileira.

Recebedora do reconhecimento de sua valorosa trajetória profissional, Hildelene, brava guerreira dos mares, ocupa o mais alto nível hierárquico da Marinha Mercante. Inspiração para meninas, mulheres e senhoras de que não há impossível para quem crê no esforço do trabalho, dedica-se a se aprimorar e valoriza o conhecimento. Num universo majoritariamente masculino, Hildelene é a heroína que domina com graça e sensibilidade, firmeza e razoabilidade, navios e oceanos. É a única mulher no Brasil apta a navegar em águas internacionais. Também homenageada, a admirável 1ª Tenente Mirim Anna Clara.

Lima de Paula, autoridade de Segurança Presente, que já recebeu outras homenagens, como a moção “Fazendo a Diferença”, em Miraí/MG em 2019, como PMERJ, pela Ordem Internacional dos Embaixadores da Paz no Brasil.

Anna Clara é uma menina criada em um lar de valores cristãos, cuja família é a base para sua personalidade transbordante de solidariedade. Espelha-se no pai, o Cabo-PMERJ Adriano de Paula da Silva, que também recebeu a Medalha Tiradentes por coragem e bravuraEmop

Exemplos incontestes de que a educação em escolas militares é primorosa na construção da ética e formação moral, fundamentada em respeito e disciplina, produz resultados de excelência em mérito e caráter digno. Essas heroínas não foram apenas empoderadas, elas são realmente poderosas – pois sabem que tudo podem em Deus que as fortalece!

Elas são voz e dão voz a muitas de nós! Faça a sua voz ser ouvida!

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As mulheres nas eleições da OAB-RJ

Em 16 de novembro, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio de Janeiro, realizará eleições para a nova gestão. Desta vez, desde a sua criação, há nova medida para candidatura das chapas: cotas de gênero.

Assim determina o edital: “(…) as chapas deverão atender ao percentual de 50% para candidaturas de cada gênero e, ao mínimo, de 30% de advogado(a)s negro(a)s, assim considerados os(as) inscritos(as) na OABRJ que se classificam (autodeclaração) como negros(as), ou seja, pretos(as) ou pardos(as) ou definição análoga (critérios subsidiários de heteroidentificação), entre titulares e entre suplentes. O percentual de 50% de candidaturas de cada gênero deverá ser observado na composição das Diretorias do Conselho Federal, do Conselho Seccional, das Subseções e da Caixa de Assistência, e deverá incidir sobre cargos de titulares e suplentes, se houver salvo se o número for ímpar, quando se aplicará o percentual mais próximo a 50% na composição de cada gênero.”

As chapas concorrentes trazem o equilíbrio já na liderança, por exemplo, nos cargos de Presidente e Vice-Presidente. A Chapa 1, composta da atual gestão, e, candidata à reeleição, mantém a Dr.ª Ana Tereza Basílio para o pretenso cargo de Vice-Presidente, ao lado do Dr. Luciano Bandeira, que segue pleiteando a Presidência. A Chapa 2 apresenta a Dr.ª Sylvia Drumond Rhaddour Bravin Greth e a Dr.ª Maria Carolina Martins Mynssen Miranda De Freitas, que ambicionam os cargos de Presidente e Vice-Presidente respectivamente. A Chapa 3 é liderada pela Dr.ª Daniella Martins Carvalho, que ocupa a Vice-Presidência, acompanhada do Dr. Sérgio Antunes Lima Junior, Presidente, candidatos à renovação. A Chapa 4, em contrabalanço à chapa exclusivamente feminina, é composta pelo Dr. Roque Z Roberto Vieira e o Dr. Rodrigo Salgado Martins, aos cargos de Presidente e Vice-Presidente consecutivamente.

Insta esclarecer que em agosto deste mesmo ano, o Presidente da República Federativa do Brasil, Sr. Jair Messias Bolsonaro, sancionou a Lei n.º 14.192/2021 que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher; e altera o Código Eleitoral, a Lei dos Partidos Políticos, e Lei das Eleições, para criminalizar a violência política contra a mulher e para assegurar a participação de mulheres em debates eleitorais proporcionalmente ao número de candidatas às eleições proporcionais.

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DIVA, A GENEROSA

Fonte de inspiração e força feminina, celebremos uma grande dama!
Uma mulher de brio e coragem, sensível às artes, a nobre Diva Gagliardi de
Menezes.
Sua história, bem como a de sua família, resta melhor contada no livro
“GALENBECK, a Saga de uma Família”, que retrata a trajetória da família
prussiana Galenbeck e os italianos Gagliardi no Brasil, escrito por seu neto, S.S.
Conde Thiago Roberto Francisco Galenbeck Gagliardi de Menezes.
Diva comemora, em 25 de outubro deste ano, 96 anos de vitórias e
realizações que mudaram a história, melhoraram vidas e comunidades inteiras.
Incentivada pelo então Ministro da Fazenda Dr. Cyrillo Júnior,
ingressou no funcionalismo público Federal, como Auditora Fiscal do Tesouro
Nacional, nomeada pelo Dr. Ranieri Mazzili, Presidente da República na época.
Mas sua dedicação às letras externou verdadeira vocação, onde seu coração
ainda se aquece.
Membro Benemérita da Academia Itapirense de Letras e Artes, ocupa
a Cadeira número 01, patroneada por Sizi Vieira Cintra. Diva brilha ainda hoje,
bem como por tantos anos iluminou salões com sua figura ímpar, em beleza,
graça e afrontosa generosidade em seu sorriso doce.
Construiu belíssimo caminho como modelo de cidadania e
solidariedade, admirável especialmente na área cultural e assistência social,
colaborando ativamente com o Poder Público nos empreendimentos para bem
estar de seus concidadãos, pelo que tem sido, ao longo de sua vida,
homenageada. Como pela “Société Académique Des Arts Libéraux de Paris”,
agraciando-na com o Título de ‘Menbre D’Honneur’.
Diva é ‘Grande Benemérita’ e Comendadora Grã Cruz da “Ordem do
Mérito Cultural Pero Vaz de Caminha” e Dama Comendadora da Ordem
Imperatriz Leopoldina, concedidas pelo Instituto Cultural da Fraternidade
Universal – ICFU/SP. A Associação de Ex-Combatentes a condecorou com a
Medalha “Sangue dos Heróis”.
Diva realizou doações de extensas glebas de terras no perímetro
urbano e zona rural, que resultaram em rodovias estaduais e municipais abertas
e melhoradas com a sua colaboração. Entre seus atos de benemerência também
o Raio X da Santa Casa de Misericórdia de Itapira, quadros e livros para o Museu
“Casa de Olavo de Alencar Dutra” – Baturité, Ceará e para o S.I.L.O – Salão
Internacional de leitura e Orientação de Campinas; contribuição assídua para
APAE, S.O.S, Lar Gracinda Batista, Asilo São Vicente de Paula, entre outras
entidades. Diva, uma mulher de voz ativa! Faça a sua voz ser ouvida!

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A primeira voz

 

Por: Sabrina Campos (advogada e árbitra) 

São muitas as mulheres que marcaram e continuam fazendo história no Brasil. São referência, esperança, inspiração. Mulheres, mães de nações, que definem, inicialmente, dentro de suas casas, como será o padrão comportamental da sociedade. Pilares e bases concretas de suas famílias, a determinar os princípios morais a guiar a comunidade ao seu redor aos limites da civilização.

Carolina Josefa Leopoldina, ou D. Maria Leopoldina, a Imperatriz Consorte do Império do Brasil, amou este país, que se tornou inteiramente seu, bem como se dedicou plenamente ao povo, inclusive desempenhando papel importante na nossa, tão valiosa, independência. Ela, que, por curto período, foi também Rainha Consorte do Reino de Portugal e Algarves, foi sim, até a sua morte, nossa primeira Imperatriz, e, em razão da Independência do Brasil, que ajudou a articular, como grande estrategista que era, também foi a primeira Imperatriz do Novo Mundo.

Leopoldina foi a primeira mulher Chefe de Estado do Brasil e do continente. A primeira mulher a comandar o país, assim o fez em diversas ocasiões ao substituir o Imperador D. Pedro I, cuja confiança em assuntos políticos era tamanha que Leopoldina exercia enorme influência na gerência do Brasil. Além da Independência, por exemplo, também o “Dia do Fico” comprova o grande poder da Imperatriz em definir os rumos que nos tornou uma nação.

Uma mulher conservadora, de fervorosa fé cristã, valorizava a família como devotada mãe, esposa, que era. Defendeu o país que tornou sua pátria amada, preparou nosso futuro – o mesmo que construiu para os seus filhos. Assim também fazem história as sete mulheres que presidem atualmente Comissões permanentes da Câmara dos Deputados. Entre elas, a coincidente conservadora, cristã, mãe zelosa, Deputada Federal Bia Kicis, natural de Resende/RJ, primeira mulher a comandar a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJ.

Bia Kicis exerceu a advocacia e se aposentou como Procuradora no DF. Junto a Luiz Philippe de Orleans e Bragança, descendente direto da Imperatriz Leopoldina e do Imperador D. Pedro I, bem como de Prudente José de Moraes Barros (terceiro Presidente da República do Brasil), Bia Kicis é coautora do PL 291/2021, que veda a retirada de mensagens de usuários por provedor de aplicação em desacordo com as garantias constitucionais de liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento. Ela luta para que nós,você- faça a sua voz ser ouvida!

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Luiza Alzira Soriano: a pioneira

 

Por: Sabrina Campos (advogada e árbitra)          

Em 24 de fevereiro do corrente ano, comemorou-se a conquista do voto feminino, direito assegurado às mulheres desde 1927, pela Lei Estadual nº 660, que tornava o Rio Grande do Norte o primeiro estado a estabelecer a igualdade de gênero para o exercício do voto.

Posteriormente, todas as mulheres do país conseguiriam exercer a sua cidadania através do voto, pelo Decreto nº 21.076/1932. Antes disto, Luíza Alzira Soriano Teixeira, natural de Jardim de Angicos, mudou os rumos da história e foi a primeira mulher eleita para exercer o cargo de Prefeita, no Brasil e em toda a América Latina.

Luíza disputou as eleições de 1928 pelo Partido Republicano, e, com mais de 60% dos votos, tomou posse para a Prefeitura de Lages (RN) em janeiro/1929. Virou notícia no jornal “The New York Times”, nos EUA, e no mesmo ano de sua posse chamava a atenção pela sua firmeza, inteligência e preparo num assunto dantes exclusivamente masculino.

Mulher, filha, esposa, mãe, comandava as atividades da família e da fazenda em que vivia com autoridade e sabedoria. Tornou-se viúva cedo, ainda grávida de uma das filhas, mas a força de seu caráter a impulsionava ao caminho do que poderiam acreditar ser o impossível. E ela conseguiu.

Na Revolução de 1930, perdeu o mandato, mas, logo após a redemocratização, em 1945, Alzira tornou-se Vereadora do município onde nasceu. Foi eleita por mais duas vezes consecutivas, inclusive presidiu a Câmara de Vereadores também mais de uma vez.

É certo que a representatividade feminina na política vem crescendo, embora ainda seja insuficiente. Algumas se destacam na atualidade, como a Deputada Federal Chris Tonietto (PSL/RJ), que também defende a família, e, em especial, mulheres, crianças e adolescentes, nas proposituras que tem feito durante o seu mandato.

Só este ano, em dois meses, mesmo de licença-maternidade, a referida parlamentar cumpriu por exemplo com o PL 434/2021, que institui o Estatuto do Nascituro; o PL 299/2021, a fim de proibir qualquer forma de manipulação experimental, comercialização e descarte de embriões humanos; e o PL 229/2021 para tornar inafiançáveis os crimes relacionados à prática da pedofilia. Faça a sua voz ser ouvida!

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A rainha da flora

 

Por: Sabrina Campos (Advogada e Árbitra)

Estimulada à serventia da casa, dos filhos, do esposo, Graziela Maciel Barroso encontrou nesta condição o que lhe propiciou a se destacar, inclusive na história do Brasil. O esposo lhe serviu de exemplo, o companheiro a inseriu na botânica, encorajou seu interesse na matéria, incentivou a trabalhar no meio. Com seu apoio e cumplicidade, ela, que não havia sequer terminado o ensino médio antes de se casar, voltou a estudar aos trinta anos. O marido alimentou suas ambições e Graziela conseguiu até estágio na área científica. Junto aos filhos, impulsionou-a a conquistar espaço no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ela prosseguiu segura de que sua capacidade era do tamanho da sua paixão.

A família lhe deu a confiança em si mesma a estudar na faculdade, que iniciou aos quarenta e sete anos, em biologia, na atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro, posteriormente doutora em botânica pela UNICAMP. Graziela se tornou a maior catalogadora de plantas do país. Aproximadamente vinte e cinco espécies vegetais têm o seu nome, rendendo-lhe inclusive o título de “Primeira Grande Dama” da botânica no Brasil.

Seus estudos abrangem as cinco regiões do país. Foi a única brasileira agraciada com o prêmio internacional medalha “Millenium Botany Award”. Os filhos lhe garantiram a autoestima sólida que a motivou a prestar concurso público, aprovada em segundo lugar. Trabalhou no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde se dedicou à ciência mesmo após a aposentadoria, até cerca dos noventa anos. Naturalista da instituição, o prédio da botânica tem o seu nome.

Graziela perdeu o marido e um filho, mas não perdeu a determinação nem a esperança que eles depositaram nela em vida. Foi professora na UERJ, UFPE, UNICAMP E UNB. Recebeu da Prefeitura do Rio de Janeiro o diploma “Orgulho Carioca”, foi laureada com a “Ordem Nacional do Mérito Científico”.

Faleceu pouco antes de ser empossada na Academia Brasileira de Ciências, e, em homenagem póstuma, a Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul passou a conceder o “Prêmio Marco Verde Doutora Graziela Maciel Barroso” a quem se dedica à proteção e recuperação do meio ambiente. Inspiração para todos nós, que, temos no Decreto nº 9.760/2019, sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, a garantia de que nossas espécies nativas serão melhor cuidadas, guardadas e preservadas. Uma mulher que encontrou sua voz, e, nunca mais se calou diante do que amava. Faça a sua voz ser ouvida!

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Quando falta vontade, sobra desculpa

 

Pioneira numa família de analfabetos, frequentou a escola, ainda que por cerca de dois anos. Migrou de sua comunidade rural para uma grande metrópole. Tornou-se uma das primeiras moradoras de uma das “favelas” que começavam a surgir na época, cuja a moradia construiu com as próprias mãos. Carolina Maria de Jesus não permitiu ser encaixotada na premissa vitimista da ausência de oportunidades, e, sim, faltaram-lhe muitas. Tampouco admitiu a imposição de um destino trágico de miserabilidade por nascer na pobreza.

Abdicou de todas as profecias que lhe dedicaram como mulher, pobre, iletrada, que catava lixo para sustentar os filhos. A desigualdade socioeconômica jamais destruiria os planos de Carolina de viver dias melhores, longe da favela que ela chamava “tétrica”. Teve a audácia de descrever a sua vida na favela para o mundo, contar o cotidiano do ambiente em que vivia com os filhos sob o seu olhar particular, revelar sua dor e seu sofrimento e reconhecer o dos outros ao redor, expressar suas ideias como única forma de se libertar.

Assim nasceu “Quarto de Despejo” (publicado em 1960), um diário já traduzido para mais de 14 idiomas, conhecido em cerca de quarenta países. Dentre outras obras, retrata a violência e a fome, temas constantes do seu ambiente. A marginalidade, citando crimes praticados por moradores do que ela descrevia como “recanto dos vencidos”, bem como a discriminação e o descaso do poder público em cuidar da população desfavorecida.

Descaso que se intenta reparar através da Lei 14.118/2021 e do Decreto 10.600/2021, já em vigor, que institui o “Programa Casa Verde e Amarela”, para promover o direito à moradia a famílias residentes em áreas urbanas e em áreas rurais, associado ao desenvolvimento econômico, à geração de trabalho e de renda e à elevação dos padrões de habitabilidade e de qualidade de vida da população urbana e rural.

Há registro de material inédito deixado por Carolina Maria de Jesus em 58 cadernos, que somam cinco mil páginas de textos: são sete romances, 60 textos curtos, 100 poemas, além de quatro peças de teatro e de doze letras para marchas de carnaval. A autora recebeu diversas homenagens de Academias de Letras, além de um título honorífico da “Orden Caballero delTornillo”, na Argentina, em 1961.

De algum modo Carolina Maria de Jesus sabia que seria ouvida, como foi, e é. Se sobra vontade, falta desculpa. Faça a sua voz ser ouvida!

Sabrina Campos

Advogada e árbitra

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Branca Alves Lima: ‘a’ de amor

 

A educação no nosso país tem sido fator de extrema preocupação aos brasileiros há muitos anos. Obviamente sua importância é fundamental para garantir que o Brasil seja de fato uma nação, não apenas um território, uma civilização, não somente uma delimitação.

É possível atestar que a menção à “família”, como elemento essencial ao ensino, é uma constante no texto da legislação pátria acerca das diretrizes e bases que regem a educação nacional (sob a Lei 9.394/1996), tendo em vista a evidente necessidade de este ser o maior pilar a sustentar o mínimo na formação do caráter humano, quanto à moral e à ética do indivíduo, na construção da sua personalidade.

Gerações de famílias inteiras, cerca de mais de quarenta milhões de brasileiros, trilharam pelo “Caminho Suave”, cartilha de autoria da professora Branca Alves de Lima, que criou método de alfabetização próprio para que seus alunos, na época, maioria de área rural, conseguissem melhor compreender e evoluir nas trajetórias de leitura e escrita formal.

Mulher de origem humilde, do interior, Branca era movida a amor. Fosse pelo magistério, por cada um de seus alunos, pela educação em si, por amor, conseguiu transformar um Brasil inteiro na luta pela melhor forma de ajudar pessoas a serem livres e independentes, como só a alfabetização real, jamais a funcional, é capaz de fato permitir. Criou a cartilha referida após mais de duas décadas de atuação nas salas de aula, em 1948, quando percebeu oportunidade de escolher a sua didática ao lecionar. Com cartazes e desenhos, construiu sonhos e destruiu grilhões.

Sua editora a publicou até encerrar as atividades, mas as publicações por terceiros nunca pararam, e, ainda hoje a “Caminho Suave” se encontra facilmente para aquisição, inclusive na internet. Falecida em 2011, aos noventa anos, esta pioneira de coração valente, que buscava, na garantia de melhor prática para a formação intelectual, a chance de cada um de nós exercer a dignidade como pessoa humana, pode contemplar os inúmeros frutos de seu trabalho tão ilustre, sua dedicação tão nobre ao seu próximo.

Branca é eterna, ainda vive através de sua obra, que perdura sendo aplicada por muitos na atualidade para conhecimento e aprendizado, mesmo que outras técnicas tenham surgido e continuem em constante mudança. Esta brasileira, através do amor pelas letras, rasgou vendas e mordaças, deu a incontáveis de nós a sua voz, que fazemos ecoar todos os dias. Faça a sua voz ser ouvida!

Sabrina Campos

Advogada e árbitra

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Nísia Floresta, a educadora

 

São muitas as heroínas que construíram e continuam fazendo história no país. Algumas delas moldando nossas origens, determinando o presente e formando um futuro quase palpável às gerações. Ainda hoje vivemos os resultados da brava luta de uma guerreira do ontem, uma mulher que nunca desistiu de batalhar pela liberdade de nossas meninas, através de sua formação, em mulheres preparadas para dominarem seus próprios caminhos.

Dionísia, ou, Nísia Floresta, escritora a ser lembrada por nossa sociedade igualitária, através do Colégio Augusto, no Rio de Janeiro, contribuiu para que nós, brasileiras, fôssemos valorizadas enquanto cidadãs de direitos desde 1838. Garantiu às meninas a formação em disciplinas antes estudadas apenas pelo gênero masculino, como ciências tais quais a matemática. E, assim, propiciou que mulheres ocupassem espaços limitados somente a homens.

Nísia Floresta Brasileira Augusta, escritora e educadora ( 1810-1885), precursora no Direito das Mulheres, cujos artigos orientavam a valorização do eu-feminino pela inteligência, a preservação da mulher e sua dignidade como pessoa humana, mediante incentivo à moral e ética religiosa, que a protegessem, portanto, da corrupção a destruir a vida honrada que lhe permitiria conquistar posições de poder, antes restritas aos homens.

“Dê-se ao sexo uma educação religiosamente moral, desvie-se dele todos os perniciosos exemplos que tendem a corromper-lhe, desde a infância, o espírito, em vez de formá-lo à virtude, adornem-lhe a inteligência de úteis conhecimentos, e a mulher será não somente o que ela deve ser – o modelo da família – mas ainda saberá conservar dignidade, em qualquer posição em que porventura a sorte a colocar.” (Opúsculo Humanitário; Floresta, Nísia).

Nísia combatia doutrinas e ensinamentos de objetificação da mulher, do tratamento de uso e posse a que muitas sofriam. Conservadora, valorizava o papel da mulher no casamento e na família – em que cobrava às mães o dever de serem modelos às suas filhas, e a se dedicarem  para que elas tivessem a melhor educação, para que fossem livres ao que desejassem ser.

Acreditava que a mulher, mãe de nações que somos, é quem molda a sociedade em que vivemos,  a formadora do caráter do indivíduo que se inicia a personalizar dentro de sua casa: os filhos – cidadãos do amanhã. Dionísia não era uma deusa, mas cria em Deus. E, sua fé tornou um novo mundo possível a todas nós. Aproveite! Faça a sua voz ser ouvida.

Sabrina Campos (Advogada e árbitra)