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Uma pequena história do Rei do Baião em sua passagem por Miguel Pereira

No mês em que se comemora com muita  fé, cor e alegria um dos santos mais queridos do Brasil, São João não poderíamos deixar de falar de Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, Majestade do Baião, Velho Lua, Bico de Aço o Gonzagão. Inventor do Forró (trio Pé de Serra), Baião, Quadrilha, Xaxado, Arrasta Pé e Chamego, seu instrumento era um acordeão de 120 baixos.

Foi uma das mais completas, importantes e inventivas figuras da música popular brasileira. Cantando, acompanhado por sua sanfona, zabumba e triângulo, levou alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o sertão nordestino para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia o baião, o xote e o xaxado. Ganhou notoriedade com as canções “Baião”, “Asa Branca”, “Siridó”, “Juazeiro”, “Qui Nem Jiló” e “Baião de Dois”.

Luiz Gonzaga se referia a Miguel Pereira como a Suíça Brasileira. Era a preferida de todas as serras do Estado do Rio, onde viveu, por um período, e teve uma relação muito particular com os moradores locais e a cidade que foi seu refugio, mais precisamente, na Fazenda Asa Branca.

Nas festas de Sto. Antônio, padroeiro da cidade, era comum ele se apresentar com seus trajes típico, sua sanfona e cantar os seus sucessos.

Em 1957, após a emancipação do município, algumas pessoas passaram a se reunir em torno da ideia de construir um hospital. O artista se juntou ao grupo e passou a promover bailes e forrós beneficentes para arrecadar dinheiro e incentivar os cidadãos participarem da construção. Ele chegava, às vezes, ao largo da igreja com um grande lençol, pedia que as pessoas o sustentassem pelas extremidades e carregassem a sua frente. Atrás, ele vinha trajado tipicamente, tocando sua sanfona, cantando seus sucessos e arrecadando tudo que pudesse ser revertido em dinheiro para a construção. O hospital, único da região, leva o seu nome.

Em 1958 sua esposa Helena Gonzaga foi eleita, pela extinta UDN (União Democrática Nacional), vereadora da cidade. 

Há um grande reconhecimento da população à memória de Luiz Gonzaga, não só, pelo fato de ter contribuído e participado, entre outras coisas, na construção do hospital, mas, também, por ter cantado eternizado Miguel Pereira em uma de suas mais conhecidas canções. Fez da nossa cidade parte de sua história e registrou esse laço de amizade com a nossa terra, nossa gente, compondo em parceria com seu filho Gonzaguinha a canção “Boi Bumbá”. Na musica o Rei do Baião “reparte o boi” aqui em Miguel Pereira com personalidades locais, como o ex-prefeito Zé Nabo, Mario Tiburé, João da Fornemat, Maria Badulatti, Dr. Orlof…

Boi Bumbá

Para onde vai a barrigueira? Vai para Miguel Pereira. E a vassoura do rabo? Vai pro Zé Nabo. De quem é o osso da pá?  De Joãozinho da fornemá. E a carne que tem na nuca? É de seu Manduca. De quem é o quarto trazeiro? Dê seu Joaquim marceneiro. E o osso alicate? Dê para Maria Badulate. Para quem dou a tripa fina? Dê para Sabina. Para quem mando este bofe? Mande para Dr. Orlofe. E a capa do filé? Manda para o Zezé. Para quem vou mandar o pé? Para o Mario Tiburé. Para quem dou o filé mignon? Para o Dr. Calmon. E o osso da suã? Dê para Dr. Borjan, não é belo, nem doutor, mas é bom trabalhador… Ê boi, ê boi, ê boi do mangangá…

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Catetinho – Primeira sede oficial e presidencial de Brasília

Depois da posse de Juscelino Kubitschek como presidente da República, o Senado Federal aprovou em setembro de 1956 a proposta sugerida por JK de mudança da capital para o interior do Brasil. Ato que deu início a um capítulo importante da nossa história escrita no Planalto Central.

Sem antes mesmo da nova capital ganhar forma, o presidente se instalou provisoriamente, na casa sede da Fazenda do Gama /DF. Até que   um grupo de amigos de JK, entre eles Oscar Niemeyer, reunidos, às escondidas no Rio de Janeiro tiveram a ideia da construção de uma residência provisória que fosse apropriada ao presidente para reuniões em suas visitas ao planalto central.

A construção da nova sede presidencial levou apenas 10 dias para ser construída e teve o renomado arquiteto Oscar Niemeyer como autor do primeiro projeto de arquitetura para Brasília. A única edificação feita em madeiras pelo consagrado arquiteto, um espaço simples e funcional. As madeiras e o restante dos materiais escolhidos vieram de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Apesar de ter sido construído em madeiras, não poderia ser considerado um barracão, pois tinha uma arquitetura muito especial que abrigava ideias modernistas, um núcleo de apoio de radiofonia, de radiotelegrafia e um campo de pouso. Uma arquitetura peculiar que reproduziu, em madeira, muitas ideias que mais tarde Oscar Niemeyer concretizou no plano piloto. Ele fez os pilotis num palácio de madeira.

O Museu do Catetinho ou “Palácio de Tábuas, como também é conhecido, foi erguido em um espaço singular, rodeado por uma área de preservação ambiental do cerrado. Seu nome foi dado pelo violinista e seresteiro Dilermando Reis em referência ao Palácio do Catete do Rio de Janeiro, então, sede do governo federal, na época. Foi inaugurado em 10 de novembro de 1956 e serviu como sede oficial do presidente JK até 1959. Um local que servia como residência provisória, como sede para reuniões e de ponto de apoio para os pioneiros que trabalharam na nova capital federal, inaugurada em abril de 1960.

O Catetinho além de servir aos assuntos políticos e oficiais do presidente foi, também, testemunho de muitas serestas e curiosidades.  JK recebeu autoridades internacionais dentre as quais a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra e de figuras nacionais como o engenheiro responsável pela construção de Brasília Bernardo Sayão e de artistas e músicos ilustres, tais como Vinícius de Moraes e Tom Jobim, convidados pelo JK para comporem o hino de exaltação à capital que nascia. E foi às margens da fonte que se encontra ao redor do museu que os músicos Tom e Vinícius encontraram inspiração para compor “É água de Beber Camará” (expressão popular da época que se referia a camarada). É água pura? Pode beber camará?

O Museu do Catetinho é um espaço que guarda um pedaço precioso da nossa história. Uma exposição que trás referências da época, através da preservação do mobiliário original e de vários outros objetos. O Museu está localizado na cidade de Gama-DF, às margens da BR-040, principal rodovia de Brasília. É aberto para visitação pública de terça a domingo, das 9:00 às 17:00 com entrada franca.

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Reserva Biológica de Araras – um lugar mágico e perfeito para conexão e interação com a natureza

A Reserva era área reconhecida como floresta protetora da União, pelo Império do Brasil. Em seguida, passou a ser considerado horto florestal até , em 1977, se tornar Reserva Biológica.  Abrange, principalmente, o Município de Petrópolis e o Município de Miguel Pereira. É constituída de uma área geográfica delimitada, dotada de atributos naturais excepcionais, inserida no bioma Mata Atlântica e possuindo em seus limites ecossistemas bastante significativos. Ela tem cobertura vegetal formada, principalmente, por floresta ombrófila densa montana e submontana ( chamada também de floresta tropical pluvial) e vegetação rupícola (vegetação das encostas e  regiões  íngremes). As matas são compostas por vegetação secundária nos estágios avançados e médios de sucessão e com grande presença de magníficos afloramentos rochosos.

A área que era destinada à produção de frutas e madeira, no passado, não chega a 10% de seu tamanho original, sendo o restante de floresta densa em excelente estado de conservação, refugio seguro para inúmeras espécies típicas da Mata Atlântica fluminense. Seu relevo fortemente acidentado faz com que ela abrigue, também, rica vegetação rupícola, e nos topos das montanhas graníticas que a compõem encontramos campos de altitude bem preservados e a bela e rara flor conhecida como rabo-de-galo (Worsleya rayneri), espécie endêmica da Serra das Araras. Destacando-se vertentes rochosas íngremes, com declividade de 50% a 70% e com variações de altitude entre 910 a 1766 metros (Pico do Couto).

A Reserva Biológica de Araras tem como objetivo, desde a sua criação, assegurar a preservação integral dos remanescentes de Mata Atlântica e demais atributos naturais presentes no chamado Corredor da Serra do Mar; ampliar o potencial de conservação da Região Serrana Fluminense, assegurando a perpetuidade dos benefícios ambientais relacionados a diversidade biológica; manter populações de animais e plantas nativas e oferecer refúgio para espécies raras, vulneráveis, endêmicas e ameaçadas de extinção da fauna e flora nativas; preservas montanhas, rios e demais paisagens notáveis contidas em seus limites; e assegurar a continuidade dos serviços ambientais.

Com seus 3.862 ha, a Reserva permite, apenas, visitas com objetivos educacionais e a realização de pesquisas científicas mediante prévia autorização.

Para chegar até a reserva existem tres maneiras: a estrada entre Araras e Vale das Videiras, com 44 km de extensão, liga o Município  de Paty do Alferes à localidade de Araras; a estrada Caminho do Ouro, ao sul da reserva, ligando Petrópolis a Miguel Pereira em estrada de chão;  e o trecho Rio-Petrópolis da Br-040 que corta o sudoeste da reserva e o acesso se dá na saída do Km 65 para Araras.

No entorno da Reserva possui trilhas que permite contemplar este pedaço do paraiso, de natureza exuberante, ar puro e águas cristalinas.

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São José das Três Ilhas – um legado da imponência do ciclo do café

O roteiro do Caminho Novo que ligava Minas Gerais à Cidade do Rio de Janeiro é um dos mais ricos da Estrada Real. Entre cidades históricas, polos regionais, fazendas e belas paisagens. Esse caminho, também, guarda pequenas cidades de grande valor histórico, como São José das Três Ilhas.

São José está localizado na região Sul do Município de Belmiro Braga, Região da Zona da Mata Mineira, próximo da divisa do Estado do Rio de Janeiro. Seu primeiro morador foi Antônio Bernardino de Barros, Barão de Três Ilhas, que adquiriu duas sesmarias do guarda-mor João Francisco de Souza. O Florescimento do vilarejo se deve a família de Antônio Bernardino, seu fundador, do seu irmão Gabriel José e ao desenvolvimento das fazendas de café.

Devido à beleza de sua paisagem natural e ao aspecto extraordinário de suas fazendas antigas, São José das Três Ilhas guarda reminiscências da época dos barões do café, expressos na arquitetura colonial do seu centro histórico que permanece intacto e na belíssima Matriz de São José.

A Igreja Matriz merece destaque por ter sido uma das grandes obras em cantaria na região. Foi erguida, com mão de obra escrava, entre 1877/1878 e finalizada em 1888, projetada por Quintiliano Nery Ribeiro e executada sob a coordenação do mestre português Manoel Joaquim Rodrigues. Foi a maior edificação envolvendo trabalhos em pedra e cantaria em toda região da Zona da Mata Mineira.

O ofício de cantaria representa uma parte importante do patrimônio artístico e arquitetônico local. A cantaria, arte de talhar a pedra, uma das mais antigas formas de trabalho que teve lugar em todas as etapas da historia de todos os países do mundo. Até meados do século XVIII as casas e capelas eram feitas de em taipa e cobertas por folhas, porém, com a chegada de mestres construtores, vindos de Portugal, com a técnica apurada de talhar a pedra,  modificaram o estilo de construção. Trabalho que pode ser visto nos degraus das escadas, nos pórticos, em pias, lavabos, frontespícios, colunas, janelas, vergas, cunhais, colunas e muitas outras peças que decoram templos, casas e prédios do Brasil Colônia.São  trabalhos repletos de importância  histórica e de valores culturais, refletindo os caminhos da cidade e da região em seus diversos períodos de formação. Do mesmo modo, constituem “lugares de memória” que necessitam ser valorizados e preservados, nos quais é possível perceber habilidades e sabedorias depositadas em remotos ofícios.

São José das Três Ilhas é um distrito pequeno, com pouco mais de mil habitantes, acolhedor, agradável, e, ainda, com pouca estrutura turística. Sua rua principal com seus casarões coloniais preservados forma um bonito conjunto arquitetônico, juntamente, com sua imponente igreja matriz. Para se chegar, partindo do Rio de Janeiro, é só seguir a BR-040, sentido Juiz de Fora até a saída 802 e seguir pela MG-353 até Belmiro Braga.

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Fazenda Santa Cecília – Lugar histórico, de beleza e natureza exuberante

Toda História da nossa região   remonta ao ano de 1700, quando o Bandeirante Garcia Rodrigues Paes Leme, então, filho do “Caçador de Esmeraldas”, Fernão dias Paes,  partiu  do lugarejo de Paraíba do Sul , em direção a serra do Tinguá, abrindo , pelas montanhas, um caminho que reduzisse o tempo de viagem entre as Minas Gerais e a Corte Portuguesa instalada na cidade do Rio de Janeiro.  Acompanhado por mineradores, fazendeiros e escravos o bandeirante alcançou a Roça do Alferes (hoje Arcozelo), seguiu em direção a Serra até as localidades de Marco da Costa e Vera Cruz. A partir daí as tropas de exploração subiram os morros, no sentido da atual, Lagoa das Lontras, de onde, desceram para o Porto de Pilar, hoje Duque de Caxias, seguindo até o porto do Iguaçu, de onde seguiram, via pluvial, para o Rio. Este caminho ficou conhecido como “Caminho Novo de Minas” e favoreceu, entre outros, dezenas de sesmeiros (pessoa que recebia do Magistrado Português, sesmeiro, terras por doação para cultivo) que vieram se estabelecer nas colinas.

Dentre os colonizadores da região se destacou Manoel de Azevedo Mattos, que vindo das Minas Gerais, resolveu instalar-se no Morro da Viúva, onde construiu, em 1770, a primeira moradia da Fazenda da Piedade de Vera Cruz (atual Santa Cecilia), no estilo colonial, concluída no ano 1780.

O filho de Manoel, Inácio de Souza Werneck, foi fazendeiro, Sargento-Mor das Milícias do Império e Cavaleiro da Ordem da Rosa, tornando-se um dos personagens mais importantes da região. Ele, não só colonizou Vera Cruz (Distrito de Miguel Pereira) e ampliou as instalações da importante fazenda da Piedade, mas da união com Francisca das Chagas Werneck tiveram filhos que, se uniram a outras pessoas importantes, deixando, assim, numerosas famílias de nobres espalhadas pelo Sul Fluminense. Em 1811, ao ficar viúvo, Inácio abraça a carreira eclesiástica, abandonada quando ainda jovem, e, no ano de 1813, em cerimônia realizada, na própria fazenda, foi ordenado padre. O fazendeiro, passou a ser conhecido como padre Werneck de Vera Cruz. 

Com a morte de seu Pai Inácio, Ana Matilda, casada com o fazendeiro Francisco Peixoto de Lacerda herda a fazenda da Piedade (atual Santa Cecilia). O casal teve somente um filho que chamava Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, que recebeu mais tarde, por ordem do Imperador Dom Pedro I o título de Barão de Paty dos Alferes.

O Barão, em 1840 realizou na fazenda histórica, no apogeu do Ciclo do Café, uma grande reforma em seu estilo colonial (inicial) para o neoclássico. Foi, sem dúvida, uma grande personagem da história. Homem culto, aristocrata e político, proprietário de grandes plantações de café, de vastas áreas de terras e de um grande número de escravos. Foi de grande importância no desenvolvimento da região, graças ao seu bom relacionamento com a Corte.

A Fazenda Santa Cecilia, está localizada no Município de Miguel Pereira, distante 15 km do centro da cidade, no Distrito de Vera Cruz. A fazenda possuía uma senzala, um espaço para secagem de café e um moinho de cana. Com as reformas feitas, ao longo dos anos, as pedras de secagem do café foram reaproveitadas para fazerem o caminho da piscina. Grande parte de sua arquitetura e mobiliário mantido intacto pelos atuais proprietários. Nos jardins se encontra uma Capela dedicada a Santa Cecilia desenhada e projetada pelo Arquiteto Oscar Niemayer e presenteada a Sra. Maria Cecilia, filha de seu grande amigo, e proprietária da fazenda, que mantem e preserva com muito zelo este patrimônio histórico de nossa região.

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Produtos orgânicos uma forte tendência do mercado alimentício mundial

Considera-se produto orgânico, animal ou vegetal, segundo as leis brasileiras, aquele obtido sem utilização de elementos químicos ou de hormônios sintéticos que favorecem o seu crescimento de forma não natural. No caso do vegetal, o solo é a base fundamental, tornando-se fonte de nutrição, livre de agrotóxicos, pesticidas, adubos químicos ou sementes transgênicas. No caso de animais, sua criação é feita sem uso de hormônios de crescimento, anabolizantes ou outras drogas, como antibióticos. São produtos que passam por um processo 100% sustentável e que não prejudica o ecossistema local. Para que um produto seja considerado orgânico, ele deve ser reconhecido e certificado pelo Ministério da Agricultura, e, dessa maneira, receber um selo que o identifique.

O cultivo de produtos orgânicos requer, além do não uso de agrotóxicos, uma série de exigências legais que vão desde o respeitar dos aspectos culturais, sociais, econômicos e ambientais, até a proteção e uso responsável do solo, da água, do ar e demais recursos naturais.

O consumo desses alimentos é uma realidade, cada vez mais, vista na mesa das pessoas. Observa-se com frequência uma maior conscientização na diversificação do uso desses produtos, tanto de alimentos processados, como sucos, óleos, vinagre, azeite, doces, geleias, pães, biscoitos, frutas desidratadas, temperos, vinhos, molhos, bem como cosméticos, vestimentas, higiene, limpeza da casa entre outras tantas opções.

Várias são as vantagens e benefícios de se adaptar ao consumo desses produtos. Prática que tem atraído um número, cada vez mais significativo, de adeptos espalhados pelo mundo. Ao consumirmos tais produtos, garantimos uma rotina mais sustentável de produção dos alimentos, favorecemos o desenvolvimento de pequenos produtores locais, minimizamos a ingestão de produtos tratados com agrotóxicos e outros produtos químicos. Sem contar que vem se tornando um hábito saudável que ajuda e garante a qualidade do ambiente de trabalho, dos produtos e métodos sustentáveis de distribuição e comercialização.

A região conta com vários produtores, cadastrados, que expõe, todos os sábados, seus produtos em feiras de Miguel Pereira, Paty do Alferes e do Vale das Princesas. São produtos saudáveis, saborosos e bem mais nutritivos.
Contrariando a crise econômica que abalou o mundo em pandemia, alguns agricultores familiares locais, tiveram suas vendas aumentadas nesses meses. Eles se organizaram e implementaram uma nova forma de vendas por entregas. Uma ideia fundamental que eles encontraram para se adaptarem a essa nova logística do setor (delivery) foi as cestas, com os mais variados produtos orgânicos, a escolha dos clientes mais exigentes. Garantindo, assim, o escoamento de suas produções e, também, uma forma de conter, durante a pandemia, a transmissão do vírus.

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Manuel Congo o grande líder quilombola

Manuel Congo era um negro forte, habilidoso e de pouca fala. Exercia a profissão de ferreiro, oficio que lhe dava status superior entre os outros escravos e maior valor econômico perante aos senhores. Pertencia ao Capitão-Mor de Ordenanças Manoel Francisco Xavier, rico proprietário e dono das fazendas, em Paty do Alferes- RJ, Freguesia (atual aldeia de Arcozelo), Maravilha e Sta. Tereza. Era casado com Francisca Elisa Xavier, Baronesa da Soledade. Ele, entrou para a história da região e do Brasil, como sendo o líder que desestruturou e estremeceu os, até então sólidos, alicerces do regime escravocrata fluminense nas terras do café.

Foi em Paty do Alferes-RJ que se desenrolou um dos mais importantes levantes de negros do Estado do Rio de janeiro, motivado, inicialmente, pela revolta contra a morte de um dos escravos de Manoel Francisco Xavier, Camilo Sapateiro, pelo capataz de uma de suas fazendas. A rebelião teve inicio no mês de novembro de 1838, a meia noite, quando as portas das senzalas da Fazenda Freguesia eram arrombadas. Manuel Congo e sua companheira Mariana Crioula iniciavam, naquele instante, a saga que os levariam à história e para ele o caminho da morte. 

Os escravos liderados por ele, resolveram fazer justiça pelas próprias mãos. Invadiram a Fazenda da Maravilha, mataram o feitor, expulsaram todos, destruíram a sede e atearam fogo no engenho. fundaram nas matas de Sta. Catarina (hoje Vale das Videiras) a comunidade Quilombola de Manuel Congo. Tinha, aproximadamente, 300 a 400 escravos em seu comando. conquistaram fama e temor entre os fazendeiros. Toda semana se aventuravam, nas senzalas, no período noturno, para libertar os cativos (o verdadeiro irmão do quilombo). Também eram saqueados viajantes de quem roubavam armas e alimentos.

Não demorou para que os fazendeiros se organizassem e solicitassem providências das autoridades policiais da Guarda de Vassouras e do Comando do Exército do Império, que temendo maiores consequências, determinou que o jovem militar, Luiz Alves de Lima e Silva ( futuro Duque de Caxias)  conhecido pelo sangue frio e falta de piedade nos combates fosse o comandante da tropa. A ordem era clara: massacrar os quilombolas de forma exemplar, sem fazer reféns e sem negociação. No dia 11 de dezembro a tropa do Futuro Duque de Caxias atacou o quilombo. A superioridade da tropa repressora era grande que morreram jovens, mulheres, crianças e velhos desarmados.

Os poucos sobreviventes foram castigados a açoites e depois entregues aos seus donos. Os líderes Justino Benguele, Antônio Magro, Pedro Dias, Belarmino, Miguel Crioulo, Camilo Moçambique e Afonso Angola receberam 650 chibatadas, cada um, distribuídos em 10 dias e depois foram marcados a ferro.

Manuel Congo foi mantido vivo para ser castigado de formar exemplar. Foi julgado e condenado a pena máxima – enforcamento. A sentença foi cumprida em 06 de setembro de 1839, havia ele na época 49 anos, na praça pública de Vila de Vassouras. Exibindo a determinação de antes. Mesmo que não fosse condenado, preferia a morte à escravidão. Sua companheira Mariana Crioula teve sua vida poupada à pedido de sua antiga senhora, mas foi obrigada a assistir a sentença.

À luta pela emancipação do povo negro aconteceu com o protagonismo afro-brasileiro. Muitos foram os personagens tais como Dandara, Chico Rei, Chica da Silva, Zumbi, Ganga Zumba e outros tantos anônimos. Um desses heróis e personagem da História, pouco lembrado, líder quilombola do Estado do Rio de Janeiro é Manuel Congo, que neste 06 de setembro completou 182 da sua morte. 
A fazenda Freguesia, um dos locais da revolta, é atualmente o Centro Cultural da Aldeia de Arcozelo em Paty do Alferes -RJ. O Memorial Manuel Congo, apesar de simples, está a 100 metros do centro histórico da cidade de Vassouras-RJ no Largo da Pedreira, onde o escravo foi enforcado.

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Convento da Rosa Mística – Um convite a oração

A Graça de Deus envolve amor, bondade, sabedoria, misericórdia, perdão e justiça. Deus faz boas obras por meio de nossas vidas para que sigamos o caminho espiritual da verdade. Um dos mandamentos que devemos ter sempre em mente é que cada um de nós veio a Terra para cumprir sua missão, sermos justos e ajudar ao próximo; não escapando, desta forma, ao planejamento de Deus.

O Jornal DR 1 e equipe, de passagem pelo Distrito Federal, foi recebido no Convento de Nossa Senhora da Rosa Mística, Mãe da
Igreja, localizado na zona rural do Distrito de Gama – Brasília. Visita que muito nos alegrou e honrou em ter podido participar do terço, pela forma gentil e atenciosa com que fomos recebidos pelas irmãs missionárias e pela recepção calorosa e amável da Madre Superiora Hildegardis e por seu comovente relato em sua entrevista.

Jornal DR1 – Madre Hildegardis em que ano foi fundado e o que é o convento da rosa mística?

Somos uma instituição filantrópica da Igreja católica, fundada em 31 de março de 2004, cuja direção fica sobre a minha responsabilidade, acompanhada e auxiliada pelas Pequenas Irmãs Missionarás de Maria Rosa Mística. Nossa Igreja e Convento estão localizados na zona rural, Ponte Alta do Gama – DF cerca de 32 km da capital Brasília.

Jornal DR1 – Madre como a senhora obtém os recursos para manter a instituição?

Grande parte dos nossos recursos são provenientes de doações dos benfeitores particulares e uma pequena parte provem da renda de vendas dos produtos artesanais produzidos pelas nossas irmãs. Não recebemos nenhuma subvenção governamental.

Jornal DR1 – Madre, além da missão evangelizadora e o empenho na defesa das famílias carentes da região, como foi o trabalho de reconhecimento do terreno?

Desde que chegamos ao convento, visitamos as famílias para conhecer a realidade local, das famílias e de suas necessidades. Vimos e comprovamos que eram famílias em vulnerabilidade, com necessitadas de auxílio espiritual, material e de várias atividades para o desenvolvimento econômico, financeiro e social. Assim que chegamos solicitamos aos órgãos competentes colocação de parada de ônibus (providenciado), coleta de lixo (providenciado). Já a pavimentação de toda a estrada principal que vai até a cidade do Jardim Serra Dourada e a iluminação pública da estrada principal (pedido feito junto ao conselho de segurança local) estamos, ainda, aguardando a sua concretização. Beneficio que traria dignidade e segurança as famílias locais.

Jornal DR1 – Madre que outros serviços o convento presta a comunidade?

Fazemos desde 2004 distribuição de alimentos perecíveis e não perecíveis às 120 famílias cadastradas e aproximadamente 60 cestas de frutas e hortaliças semanais. Realizamos algumas festas onde familiares
participam, gratuitamente, tais como almoço de Natal, Festa de São João, Festa da Páscoa, Festa do dia das Crianças todas realizadas com doações de benfeitores do convento e com direito a alimentação e presentes. Fizemos parceria com BB Educar do DF para o curso de alfabetização de adultos. Alguns, inclusive, continuaram e completaram
seus estudos. Contamos com a parceria do SENAC MÓVEL do DF e com a EMATER que oferecem cursos de pequena duração. Além de um projeto junto ao Ministério da Cultura e da Secretária de Cultura
do DF para desenvolver cursos gratuitos de desenvolvimento cultural, que serão realizados no convento. Conseguimos a instalação de um Batalhão Rural com vistora rural que presta socorro rápido e específico
a comunidade. Em 2019 terminamos a construção de um ambulatório que terá a parceria com o curso de Medicina da universidade privada UNICEPLAC de Gama – DF

Jornal DR1 – Madre, qual a dificuldade que o convento atravessa com a energia?

Sim, atualmente, enfrentamos um enorme problema com a rede elétrica antiga, bifásica e até mesmo monofásica. Com isto os problemas vividos pelo convento são enormes. Em março tivemos uma queda de energia que durou quase 12 horas, causando, com o retorno uma sobrecarga que danificou parte da rede do convento, gerando com isso, um prejuízo considerável. A região cresceu muito e falta um pouco mais de atenção das autoridades competentes para que melhorem a infraestrutura da rede.

Jornal DR1 – Madre, a questão da pavimentação.

Esta é uma pauta de grande importância para nós, recebemos de um dos nossos benfeitores um protesto pronto que foi entregue ao DER, estamos em trâmite para que haja a liberação, dificultado por questões
ambientais. Contamos com os nossos parlamentares para que colaborem e liberem as verbas necessárias para a execução do
projeto. Além da questão da poeira ser intensa, principalmente,
quando fica muitos dias sem chover existe a questão da periculosidade,
à noite, quando pessoas retornam de seus trabalhos a pé ou em suas bicicletas e a visibilidade prejudicada pela poeira insalubre o que torna a volta à casa um grande risco.

Jornal DR1 – Madre Hildegardis, sua mensagem para nós leitores e amigos.

Aproveitando que estamos na Páscoa pedindo ao Senhor que ressuscita o coração de todos os leitores que seja esta palavra forte de vida para eles e tudo aquilo que vocês transmitem. Aproveitando, também, o dia das mães que todas as mães recebam essa graça de Deus porque eu percebi que é um jornal de família. Que todos recebam essa força esse trabalho maravilhoso que vocês fazem e que vai entrando na vida do outro e iluminando, fazendo união e unidade. Eu agradeço por terem vindo até aqui e agradeço pela vida de vocês e hoje o amor de Deus. Fica a nossa gratidão a Deus, em primeiro lugar, por termos tido a chance de estarmos presente no terço, pela honra de termos sido tão bem recebidos, no convento, pelas irmãs e pela Madre Superiora Hidelgardis que gentilmente nos recebeu e nos emocionou com a sua entrevista.

Aos nosso leitores interessados a Madre Hildegardis estará rezando o terço, no mês de maio, no Rio de Janeiro algumas localidades que poderá ser informado através do site do jornal. No dia 13/07 dia de Nossa Senhora da Rosa Mística, ela estará rezando o terço no Corcovado, os interessados poderão obter informações, também, através

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A vila inconfidência – Sebollas

É impossível pensar em nossa região sem antes pensar no Caminho Novo. Ele faz parte de uma rede de importantes caminhos do Brasil Colonial dos quais era dado o nome de Estrada Real. Muitos desses caminhos eram antigas trilhas e veredas abertas pelos bandeirantes que se embrenhavam pelo sertão, na direção de Minas Gerais e Goiás, a procura de ouro e pedras preciosas.

O Caminho Novo aberto por Garcia Rodrigues iniciava num porto do Rio Pitar, que desaguava na Baia de Guanabara, subia a Serra do Mar, na altura de Xerem, passava por Marcos da Costa, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, onde havia um registro  para a  fiscalização colonial e seguia para as Minas Gerais, passando por Juiz de Fora e Barbacena. A subida do paredão da Serra do Mar em Xerem era muito íngreme e muitas vezes pessoas e mulas carregadas rolavam ribanceira abaixo.

Depois de 20 anos de sofrimento, Bernardo Soares Proença, se propôs abrir uma nova subida da Serra, a partir de uma antiga trilha , que encurtava a distância entre Rio de Janeiro e as Minas Gerais, que ficou conhecido como Caminho Novo de Proença.

Sebollas é um pequeno distrito do Município de Paraíba do Sul, que surgiu a partir da abertura do Caminho de Proença, em meados de 1724. Esteve relacionada ao Caminho Novo do Ouro e se tornou famosa porque o herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes, tinha o Distrito como moradia temporária e lugar para suas pregações.

Dona Ana Maria Barbosa de Matos foi uma mulher singular, revolucionaria fervorosa partidária das ideias liberais, e como tal, protegia tanto que possível o movimento que fez de Tiradentes um mártir. Hospedou Tiradentes, por várias vezes,  em sua  fazenda e era admiradora do credo que ele pregava, juntamente, com seu irmão o padre Paulo Manuel Barbosa que foi Cura em Santana de Sebollas por muitos anos.

A historia do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, passa pelas terras fluminenses. Período, no qual, sua insatisfação com a Coroa Portuguesa se intensificou. O mártir da Inconfidência Mineira foi enforcado no Rio de Janeiro e os membros esquartejados e salgados foram mandados para serem expostos ao longo do caminho de Minas para intimidar possíveis futuros conspiradores. Na primeira parada, uma parte destes membros (o quarto superior esquerdo) foi exposta num poste erguido em frente a Capela de Santana de Sebollas, pois a freguesia era citada pelo Alferes e onde ele tinha algumas amizades.

O conjunto histórico Tiradentes que abriga,  dentre outras , o único Museu Sacro Histórico contendo restos mortais, atribuídos ao Mártir da Independência e de peças e vestimentas daquele período.

Sebollas, também  chamada de Vila Inconfidência esta distante  120 km do Rio de janeiro . Para se chegar a Sebollas o melhor caminho é por Petrópolis. Entrar em Pedro do Rio (viaduto da cervejaria Itaipava) e pegar sentido Secretario e Fagundes. Em Fagundes, fica a divisa com Paraíba do Sul e Sebollas está apenas 8 km.

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Transformar para melhorar a saúde do planeta

A compostagem é uma técnica que a bem mais de 5000 mil anos vem sendo utilizada pelos chineses. É um processo  biológico de decomposição e da reciclagem de matéria orgânica  contida em restos de origem animal ou vegetal que tem como resultado, deste processo, o adubo, usado na fertilização do solo. A  compostagem propicia um destino útil  para os resíduos orgânicos. Ela é realizada por micro-organismos que, na presença de umidade e oxigênio, se alimentam dessa matéria propiciando que elementos químicos, nutrientes voltem a terra.

As sobras e restos de alimentos  representam mais da metade do que  jogamos fora todos os dias, e, hoje, são um verdadeiro desastre ambiental nos aterros e lixões. Acredita ser a compostagem uma poderosa e eficaz ferramenta para resgatar o valor que os nossos resíduos tem, para  que se  feche o ciclo.

Quanto maior a variedade de matérias existentes em uma compostagem, maior será a variedade de micro-organismos que irão atuar no solo. Os materiais mais utilizados na compostagem são resíduos orgânicos em geral, cinzas, lixo doméstico orgânico, aparas de grama, rocha moída, feno ou palha, podas de arbustos e cercas vivas, serragem, ervas daninhas e quaisquer outros resíduos orgânicos. O processo ,de reciclagem orgânica de resíduos urbanos e rurais, da decomposição em compostagem ocorre somente  a formação de CO2, H2O e biomassa (húmus) por ser um processo de fermentação que ocorre na presença de oxigênio (aeróbica).

Os produtos da compostagem são largamente utilizados em jardins, hortas, substratos para plantas e na adubação de solo e produção agrícola em geral , como adubo orgânico , devolvendo à terra os nutrientes de que  necessita; aumentando sua capacidade de retenção de  água , principalmente , em solos arenosos e permitindo o  controle da erosão . Mas as   vantagens da realização  do processo da compostagem são a redução de até 50% do volume total de lixo produzido em ambientes residenciais; produção de fertilizantes naturais e gratuitos (húmus); redução de gases poluentes (como o gás metano, altamente, nocivo ao meio ambiente) ; diminuição do volume  de lixo em aterros sanitários e com isso a não produção de ingredientes poluentes, como o chorume tóxico (considerado, também, um grave problema ambiental presente em abundância nos aterros).

As Prefeituras de Paty do Alferes e de Miguel Pereira preocupadas com a gestão e gerenciamento inadequados dos resíduos sólidos , objeto de grande importância para a manutenção da qualidade de vida e de um meio ambiente saudável, desenvolveram, na  região, em parceria com o Poder Publico, suas esferas e o apoio de empresas privadas, um projeto que desperta a conscientização e a responsabilidade da população em relação ao tema. Este trabalho avalia especificamente o Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos para os municípios e a análise da operacionalidade da Unidade de  Triagem  e Compostagem instaladas no Município de Paty do Alferes.

Ainda é enorme  a deficiência dos municípios brasileiros na gestão e gerenciamento de seus resíduos, demonstrando a necessidade de uma reeducação da população e de grandes investimentos em capacitação e infraestruturas por parte dos poderes públicos e privados.

A consciência criada sobre os danos ocasionados ao nosso planeta é muito importante. É preciso que tenhamos a compreensão de que vivemos em uma  sobrecarga global e uma degradação do meio ambiente. A compostagem é um exemplo prático de como podemos melhorar a nossa relação com os descarte de resíduos orgânicos. Através desta técnica podemos oferecer um destino inteligente ao que iria para o lixo comum ou até mesmo para a rua.