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OG Beer: um projeto de requinte, de sofisticação, de qualidade e dedicação

Por Vitor Chimento

Acredita-se que tenha sido  a cerveja, uma das primeiras bebidas alcoólicas   criada pelo ser humano. Já era conhecida pelos sumérios, egípcios, mesopotâmios e iberos, remontando, por ao menos, 6.000a.C. Tábuas de argila testemunham a presença de uma bebida fermentada, elaborada a base de grãos que eram colocados em recipientes com água para protegê-los dos ratos e parasitas, onde ocorria uma espécie de fermentação, originando o que chamavam de Sikaru (pão líquido para os sumérios), bebida forte, apreciada e objeto de diferentes crenças ao longo de sua historia. Então aqui surgi a cerveja, que cada povo produzia a seu jeito, conforme ingredientes e tecnologias que a época permitia. Uma feliz historia que continuou por incontáveis povos, ao redor do mundo, chegando até nós, hoje, radicalmente, modificada.

A fabricação se torna, então, uma arte, particularmente, sutil, da qual os monges se tornaram experts e muitos nomes de Abadias, com isto, atravessaram os séculos. Durante toda a Idade Média a cerveja se espalhou por todo o continente europeu, principalmente, pelo Norte, região dos povos anglo-saxônicos. A bebida, religiosamente, fermentada é nomeada pelos monges “Beer” – cerveja e conhece inúmeros seguidores. Carlos Magno por uma questão de qualidade conferiu aos monges o monopólio da fabricação. Dos séculos 9 ao 14 a cerveja era produzida pelos monges e os leigos envolvidos nesta prática eram obrigados a pagarem, aos monges, um imposto chamado o Direito de Gruyt.

Para descobrir um pouco mais sobre a cerveja , que depois da água e do café, é a terceira bebida mais popular do mundo e  de seu processo de fabricação o Jornal DR 1 foi recebido pelos empresários Ulysses Sobral e Simone de Carvalho , mestres cervejeiros, na sede  da OG Beer, em Miguel Pereira-RJ.

Empresários Ulysses Sobral e Simone de Carvalho, mestres cervejeiros, na sede da OG Beer, em Miguel Pereira. (Foto: Divulgação)

Jornal DR1 – Como surgiu a ideia de fazer cerveja artesanal, a parceria ate a criação da empresa?

Surgiu, naturalmente, em função do crescimento do mercado da cerveja artesanal. Em 2006 participei do curso patrocinado pela Cerva Carioca (Associação dos   Cervejeiros  Artesanais do Rio) que tinha como objetivo divulgar a cultura da cerveja artesanal. Um movimento que renasceu nos Estados Unidos , nas décadas de 80 e 90 , chegando ao Brasil a pouco menos de 20 anos. Sendo que a partir de 2006/2007 foi que as cervejas artesanais tiveram um crescimento significativo, já que o consumidor nacional adquiriu  o habito de apreciar e descobrir os diferentes tipos e sabores. Frequentei, ainda outros cursos, e, a partir dai, comecei a produzir, como robe, a cerveja do nosso consumo e a promover cursos  para os amigos , sempre dentro da filosofia da Associação de divulgar a cerveja artesanal.

A parceria com a empresaria Simone de Carvalho, surgiu, a pouco mais de 4 anos, a partir da boa aceitação da cerveja entre os amigos. Com um foco mais comercial dentro da cerveja artesanal,  nos  cadastramos, junto a Prefeitura, como cervejeiros artesanais e passamos, então, frequentar feiras e eventos regionais, mas, sempre, com produção limitada e dentro daquilo que a legislação permitia fazer. Foi, então, que percebemos que a cerveja era bem aceita no mercado  do artesanal, que decidimos por investira na montagem de uma estrutura de micro cervejaria e ampliarmos, com isto, o nossos horizontes no universo da cerveja artesanal. OG Beer é uma realidade, construída  dentro das normas e requisitos exigidos pela lei. Hoje, totalmente, legalizada com registro do  Ministério da Agricultura, Alvara de licença Sanitária, Licença Ambiental e com um equipamento de primeira linha que permite a execução de todo o processo cervejeiro, com altíssima qualidade.

Jornal DR1 –  Qual o processo básico para se obter como resultado  final um produto, por excelência, de qualidade?

A cerveja artesanal é desenvolvida visando qualidade e diferenciação, o que requer mais atenção em sua produção minuciosa. Basicamente é um produto fermentado e  carbonificado, cuja base são 4 ingredientes: água, lúpulo, malte de cevada e fermento. Dentro desses ingredientes se faz as variações de tipos de cerveja, p.ex. Uma cerveja mais escura requer um malte mais torrado e mais escuro; uma cerveja mais seca requer uma água com pH específico que propicie uma secura no paladar ,etc…. Cada etapa ( receita, separação de ingredientes, quantidade e moagem do malte, quantidade de água, tipo de fermento, tempo de fermentação, maturação, planejamento de fabricação que varia de acordo com o estilo de cerveja, etc) deve ser observada, para que sua produção e resultado final corresponda as nossas expectativas de mestre cervejeiro. É um processo mais lento, pois o período de fermentação  e maturação da cerveja devem ser respeitados já que não utilizamos produtos químicos para acelerá-los. Elas são produzidas com maior quantidade de malte, que as diferenciam das industrializadas que usam,  muita  das vezes, outros cereais para tornar o custo da produção mais barato.

Jornal DR1 – Quais sãos os tipos de cervejas produzidos pela empresa?

A OG Beer tem  hoje em linha 5 cervejas a Premiun American Lager – uma cerveja  clara e de amargor baixo, Vienna Lager – um contraponto a Premiun , de cor alaranjada, encorpada, teor alcoólico maior e com um toque caramelo do malte, German Pielsen – com parâmetros de estilo mais leve e uma exigência de mercado, Belgian Dubbel – cerveja bastante encorpada, forte teor alcoólico, coloração cobre e pouco lupulada e a American Ipa – cerveja bastante lupulada, ou seja, bastante amarga para os padrões normais de consumo, considerada a queridinha dos consumidores de cervejas artesanais. Estas são a que produzimos, normalmente, e que colocamos no mercado. Temos, também, as sazonais que para este inverno teremos a Boker, a Poter que são cervejas escuras e mais encorpadas e a Irish Red, já para este próximo mês. Para os nossos clientes e admiradores de heavy metal, estaremos, em breve, lançando a cerveja Sangue de Bode, uma parceria que fechamos com a banda de Heave Metal Sangue de Bode. Podemos adiantar que será uma cerveja fora dos padrões do PJCP, para atender as características do heavy metal. Fiquem ligados, pois será um super lançamento.

Jornal DR1 –  Simone Carvalho, empresaria e mestre cervejeira.

Ainda não cheguei a este nível de mestre cervejeira, me considero uma aprendiz do Ulisses, meu sócio, que detém o domínio da arte de se fazer uma boa cerveja. Mas a medida do possível e quando o tempo permite vou adquirindo novos ensinamentos, com certeza irei chegar ao titulo. Pode não parecer, mas ser mestre cervejeiros requer muito estudo, dedicação e trabalho. Produzir uma boa cerveja não basta só cozinhar o malte e esta pronta ,são muitos detalhes, cuidados para  não perder a produção e para que não haja  contaminação. Estamos sempre estudando, nos aprimorando para que ao servimos nossos amigos e clientes, termos a certeza de estarmos oferecendo um produto , por excelência, de qualidade.

OG Beer é projeto empreendedor idealizado pelos empresários Ulisses Sobral e Simone de Carvalho que decidiram driblar a crise do país e vencer a pandemia com sutilidade e arte. Os amantes desta bebida,  podem, mediante um agendamento prévio no WhatsApp (024) 988414554, conhecer as instalações da OG Beer e encontrar  suas inspirações degustando um de seus estilos de cerveja num ambiente  bastante acolhedor.

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CUTELARIA: um patrimônio, uma arte transmitida de geração a geração

 

A cutelaria é uma arte, uma ciência de elegância. Maestria e know-how são os dois elementos indispensáveis à criação de um objeto de arte.  O profissional transforma a matéria para criar um utensílio harmonioso, útil e refinado. Para cada peça, o artista utiliza,  na sua totalidade, a matéria-prima de forma artesanal  e Independente, antes de ser personalizada. O cuteleiro  digno de seu nome faz opção somente por material não industrializado  e selecionado com o maior cuidado para atender as exigências do oficio.

O Jornal Diário do Rio foi ao encontro do profissional da forja, Bruno Zagallo de Amorim, para conhecer um pouco de seu trabalho e desse fantástico universo da arte de transformar, a cutelaria.

 

JDR Em que instante a cutelaria despertou sua atenção e interesse?

Bruno −  Quando comecei na cutelaria não imaginei que se tornaria uma profissão de verdade. Estava no Maranhão, trabalhando em um projeto, pelo Museu Nacional, de Conservação da Ictiofauna do Rio Tocantins, coordenando a parte de campo com os pescadores locais. Eu ficava de duas a três semanas por mês no Estado, muitas vezes sozinho. Por conta desse trabalho e dessa estadia realizei minha primeira obra, uma espada de samurai, feita de forma arcaica, sem nenhuma técnica, desbastando, somente um pedaço de aço cru. Depois fiquei, aproximadamente, 5 anos sem sequer forjar o metal.

 

JDR − Quem te inspirou e te iniciou! verdadeiramente! neste universo?

Bruno − Depois de um certo tempo, após o término do projeto, voltei para morar em Miguel Pereira. Fui, então, apresentado ao Sr. Nelson Furtado, um mestre de oficina, aposentado da Rede Ferroviária Federal S.A., responsável pela minha iniciação no mundo da cutelaria. Foi o senhor Nelson que me ensinou as técnicas da profissão e que me ajudou, através de livros que me emprestou, a buscar conhecimentos que me ajudaram a desvendar e me apaixonar pela arte. Aprendi a forjar com ele. Tornou-se uma grande amigo e mestre, aos 86 anos . Forjando juntos e aprendendo e observando as artimanhas da forjaria e de outras artes.

 

JDR − Você segue um estilo ou uma linha na sua elaboração?

Bruno − Cada cuteleiro desenvolve seu próprio estilo, e, mesmo querendo “imitar” outros, isso não se traduz em sua obra final. Cada artesão tem uma marca própria, o jeito único que martela o aço quente, o jeito que aperta a lâmina contra a lixa, a forma que dá ao cabo, a forma que enxerga sua arte, tudo isso é único. Eu comecei utilizando material reutilizável, capas de rolamento, molas de suspensão de automóveis sucata em geral. Hoje tenho fornecedores sérios, com aço certificado e de vários tipos: inoxidável, aço alto carbono. Cada um bem específico para cada tipo de faca a ser fabricada.

Foto: Divulgação

JDR − Como é feita a escolha do design e o tipo de faca a ser confeccionada?

Bruno − A maioria das facas que produzo são por encomenda e, geralmente, converso com o cliente sobre suas preferências quanto ao uso do material, uso prático, suas vantagens, tamanho da lâmina, do cabo, material do cabo, etc…  Quando faço uma lâmina de criação própria busco inspiração em grandes mestres da cutelaria, geralmente russos, japoneses e americanos. Mas sempre com meu estilo. Procuro, só “copiar” uma lâmina, quando solicitado por um cliente e, mesmo assim, costumo não chamar de cópia e sim se releitura.

 

JDR − São muitos os processos de elaboração da obra até a sua conclusão?

Bruno − A fabricação de uma lâmina requer vários processos minuciosos e o tempo para a execução de uma faca varia muito. Não só pelo tamanho, às vezes fazer uma faca pequena, mas elaborada, demora bem mais do que o tempo que se levaria com uma maior e rústica. Dependendo dos processos envolvidos, se vai ser de recorte ou se vai ser totalmente forjada à mão, tipo de cabo, espiga, integral, materiais utilizados….  Como toda arte, demora, requer tempo humano e por isso são mais valiosas. Bem mais que um simples utensilio de cozinha, a faca é uma verdadeira obra de arte que não para de evoluir através dos tempos. Desde a Idade Média a faca é passada de utensílio a objeto de coleção. Conservando, sempre, seu lugar sobre as mesas e de destaque dos grandes chefes de cozinhas, nacionais e internacionais.

 

 

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Vitor Chimento | Serra

Uana Ete

O jardim Uana – Ete ( multidão de vagalumes, na língua geral indígena) foi idealizado pela harpista Cristina Braga e pelo contrabaixista Ricardo Medeiros, movidos pelo amor pela música e o respeito à natureza . O espaço, em Vassouras, tem cerca de 135.000 m2 , com mais de 30 mil exemplares de árvores da flora nativa, formado por gramados, bosques e com cerca de 5 Km para prática de caminhada.
Em suas construções foram utilizados materiais reciclados, com portas e janelas, ao invés de paredes, e que se abrem para o verde. Seus jardins possuem atrações permanentes e interativas, tais como: o Caminho das Acácias, com placas de exercícios de yoga e meditação. O Bosque dos Sinos, com diversos formatos de sons; a Árvore dos Cristais, que possui a pedra de ametista em seu interior; a Árvore das Infinitas Possibilidades, onde os visitantes enlaçam fitas coloridas para realização de desejos e o recentemente inaugurado o Labirinto Musical.

− O que a motivou criar o jardim Uaná-Etê?
Cristina Braga − Uaná-Etê é um jardim ecológico, um paraíso eco cultural criado com carinho para provocar a reflexão sobre a importância da música e da natureza e proporcionar um espaço de beleza, paz para as pessoas: coisas que se alcançam mais facilmente entre flores,florestas e música. Inauguramos, eu e Ricardo Medeiros, em novembro de 2014, com uma maravilhosa pequena equipe de colaboradores, produtores culturais e jardineiros e temos muito trabalho, com muita animação . Parece que a natureza resolve recompensar o esforço de todos: temos tido os mais inesperados acontecimentos cotidianos por aqui. Já vivemos uma raríssima neve de alecrim (o jardim inteiro estava com os alecrins do campo floridos e o vento causou um fenômeno ímpar que cobriu de branco o chão e os campos). Noites repletas de vaga-lumes na beira das matas, visitantes que voltam porque seus desejos, escritos em fitas de cetim e amarradas na árvore das infinitas possibilidades, se realizaram.
E hoje sediamos o primeiro Labirinto da Música no mundo, um projeto genial da paisagista Maritza Orleans Bragança, que se encantou pelo jardim ( e o jardim por ela ) e condensou em um percurso reflexivo a força e a importância da música como arte e como ciência.


Qual a finalidade e importância do Labirinto Musical?
Cristina Braga – O Labirinto da Música mostra como o som está na base de toda criação. Maritza Orleans e Bragança sintetizou, em pequenos jardins ,câmeras dentro do percurso, o ritmo, a relação do homem primitivo com a música, a sequência de Fibonacci, o teorema musical de Pitágoras, a acústica, o ouvir, o ouvido, as sete notas musicais em canteiros de flores, um anfiteatro para apresentações repleto de contrastes, e, por fim, o Labirinto do monocórdio divino, teoria do filósofo inglês Robert Fludd, de que o homem é um elo de ligação: conecta o espírito absoluto à matéria absoluta.

Quais são os projetos do jardim para o futuro?
Cristina Braga – Muitos, Os mais próximos são agora definir os Dias Prateados, 30 de setembro e 1 de outubro, com um dia de bem estar, caminhadas, sorvetes e o outro com um baile prateado para as pessoas de alma ou cabelos prateados. Neste dia tivemos o cantor e dublador Marcelo Coutinho , que dublou as vozes do Rei Leão, do Príncipe da animação Pocahontas, e muito mais. Um grande artista. E de 12 a 14 de outubro tivemos a semana das crianças, com uma casa de biscoitos e doces gigantes aberta à visitação, além de inúmeras atividades para crianças. Já estamos planejando novas atividades. Fica, então, uma grande uma grande dica para os leitores do Diário do Rio: uma visita ao jardim ecológico Uana Ete.
Tel.: (24) 24681550.

Vitor Chimento
Biólogo e jornalista MTb 38582RJ
vitor.chimento@diariodorio.com.br

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RESERVA BIOLÓGICA DE ARARAS – UM LUGAR MÁGICO E PERFEITO PARA CONEXÅO E INTERAÇÃO COM A NATUREZA

A Reserva era área reconhecida como floresta protetora da União, pelo Império do Brasil. Em seguida, passou a ser considerada horto florestal até, em 1977, se tornar Reserva Biológica. Abrange, principalmente, o Município de Petrópolis e o Município de Miguel Pereira.

É constituída de uma área geográfica delimitada, dotada de atributos naturais excepcionais, inserida no bioma Mata Atlântica e possuindo em seus limites ecossistemas bastantes significativos. Ela tem cobertura vegetal formada, principalmente, por floresta ombrófila densa montanha e submontana (chamada também de floresta tropical pluvial) e vegetação rupícola (vegetação das encostas e regiões íngremes).

As estrelas da região (Foto: Reprodução/Internet)

As matas são compostas por vegetação secundária nos estágios avançados e médio de sucessão e com grande presença de magníficos afloramentos rochosos. A área que era destinada à produção de frutas e madeira, no passado, não chega a 10% de seu tamanho original, sendo o restante de floresta densa em excelente estado de conservação, refúgio seguro para inúmeras espécies típicas da Mata Atlântica fluminense.

Seu relevo fortemente acidentado faz com que ela abrigue, também, rica vegetação rupícola, e nos topos das montanhas graníticas que a compõem encontramos campos de altitude bem preservados e a bela e rara flor conhecida como rabo-de-galo (Worsleya rayneri), espécie endêmica da Serra das Araras. Destacando-se vertentes rochosas íngremes, com declividade de 50% a 70% e com variações de altitude entre 910 a 1766 metros (Pico do Couto).

 

O florescimento do lindo Ipê-Branco, muito típico da região (Foto: Reprodução/Instagram)

A Reserva Biológica de Araras tem como objetivo, desde a sua criação, assegurar a preservação integral dos remanescentes de Mata Atlântica e demais atributos naturais presentes no chamado Corredor da Serra do Mar; ampliar o potencial de conservação da Região Serrana Fluminense, assegurando a perpetuidade dos benefícios ambientais relacionados a diversidade biológica; manter populações de animais e plantas nativas e oferecer refúgio para espécies raras, vulneráveis, endêmicas e ameaçadas de extinção da fauna e flora nativas; preservas montanhas, rios e demais paisagens notáveis contidas em seus limites; e assegurar a continuidade dos serviços ambientais.

O charme e a tranquilidade de Araras (Reprodução/Instagram)

Com seus 3.862 km, a Reserva permite, apenas, visitas com objetivos educacional e a realização de pesquisas científicas mediante prévia autorização. Para chegar até a reserva existem três maneiras: a estrada entre Araras e Vale das Videiras, com 44 km de extensão, liga o Município de Paty do Alferes à localidade de Araras; a estrada Caminho do Ouro, ao sul da reserva, ligando Petrópolis a Miguel Pereira em estrada de chão; e o trecho Rio-Petrópolis da Br-040 que corta o sudoeste da reserva e o acesso se dá na saída do Km 65 para Araras.

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VALENÇA – ANTIGA ALDEIA DOS INDIOS COROADOS

O território da atual sede do município de Valença tem sua história, ligada a seus primeiros habitantes, os índios coroados, descendentes dos Puris e Araris, que dominavam a área compreendida entre os Rios Paraíba do Sul e Preto. Viviam como nômades na região, gerando insegurança entre os proprietários da sesmarias. Eram, especialmente, temidos, pelo comportamento feroz que exibiam em batalhas entre eles e contra os portugueses.

Por motivos dos ataques constantes, dos índios, aos habitantes, que o vice-rei do Brasil D. Luis de Vasconcelos e Souza ordenou que fosse iniciada a catequese dos índios da região. Imcumbiu o fazendeiro José Rodrigues da Cruz, proprietário da Fazenda Pau Grande (localizada no município de Paty do Alferes), iniciar o “processo de civilização” e ao Capitão de Ordenanças Inácio de Souza Werneck encarregado de domesticar e aldear os índios. Isto é, de reuní-los nas matas e conduzí-los para as aldeias onde deveriam se fixar. Assim as terras foram liberadas e divididas em sesmarias, doadas aos primeiros colonizadores.

No ano de 1803 foi nomeado, pelo vice-rei Don Fernando de Portugal, o Padre Manuel Gomes Leal para o cargo de Capelão, tendo-lhe o Bispo Don José Joaquim Justiniano a jurisdição necessária para construir e benzer uma capela e cemitério. Foi, então, construída uma modesta capela dedicada à N. S. da Glória no principal aldeamento dos coroados, originando, assim, a atual cidade de Valença.

Durante esta fase de colonização foram construídas, pelo então Capitão de Ordenanças Inácio de Sousa Werneck, o Caminho da Aldeia, considerada a primeira estrada para o sertão de Valença, Ia desde a cidade de Iguaçu até o norte da Capitania do Rio de Janeiro, na ilha divisória com Minas Gerais, marcada pelo Rio Preto.

As estradas que eram construídas por Inácio ligavam à aldeia de Nossa Senhora da Glória de Valença e a aldeia de Santo Antonio do Rio Preto (atual distrito de Conservatória – Cidade da Seresta) com a Estrada Real para Minas Gerais e os caminhos auxiliares para as Freguesias de Sacra Família do Tinguá (atual Município de Paulo de Frontin), Azevedo e Pilar do Iguaçu, de onde seguiam para a Vila de Iguaçu. Um atalho que permitia seguir rumo a Itaguaí.

A Estrada da Polícia permitiu os viajantes que vinham de Minas Gerais cruzar o rio Paraíba do Sul nas proximidades de Desengano (atual distrito de Juparanã, em Valença), pela povoação de Vassouras até Sacra Família do Tinguá.

A Freguesia foi elevada a Vila de Nossa Senhora da Gloria de Valença em 17 de outubro de 1823. No ano de 1857, a Assembléia Legislativa Provincial, elevou a Vila de Valença à categoria de Cidade.

Os pioneiros povoadores, depois dos índios, do município de Valença eram todos agricultores, na maior parte moradora, das Freguesias de Paty do Alferes e Sacra Família do Tinguá. Também participaram os imigrantes de outras nacionalidades, muitos deles italianos e portugueses.

 

Foto: Reprodução Internet

Grande personalidade de destaque no desenvolvimento de Valença, entre outros, foi Custódio de Guimarães, “Visconde do Rio Preto”. Homem de grande coração, considerado um benfeitor, filantropo e que muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade.

Em 31 de dezembro de 1943 o topônimo foi modificado para Marquês de Valença e dezesseis anos depois, por lei estadual, o nome da cidade voltou a ser, simplesmente, Valença. Um Município com um passado de glórias que passou por ciclos importantes como o Ciclo do Ouro e o Ciclo do Café e, também, por períodos de desenvolvimento industrial e social.

É uma cidade com um potencial voltado para o ecoturismo, tendo a Serra da Concórdia, situada a sudoeste da cidade entre o vale dos rios Preto e Paraíba do Sul, como seu principal ponto. É a única região que possui duas unidades de conservação: Parque Natural Municipal do Açude da Concórdia e Parque Estadual da Serra da Concórdia, o Santuário de vida Silvestre da Serra da Concórdia e a Serra dos Mascates, o Ronco D’Água – balneário com cachoeira natural. Além do contato com a natureza, Valença é, também, uma cidade histórica e de cultura.

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EUFRÁSIA – MULHER DO SÉCULO XIX QUE RENUNCIOU AO PAPEL DE SINHÁ PARA SE TORNAR UMA GRANDE INVESTIDORA FINANCEIRA

Nascida em 15 de abril de 1850, em Vassouras, Estado do Rio de Janeiro, Eufrásia Teixeira Leite filha caçula do Dr. Joaquim José Teixeira Leite e Ana Esméria e Castro neta paterna do Barão de Itambé, neta materna do Barão de Campo Belo, sobrinha do Barão de Vassouras e Sobrinha neta do Barão de Aiuruoca. Tinha uma única irmã Francisca Bernardina Teixeira Leite e um irmão que faleceu na infância.

O pai atuou na política imperial como presidente da Câmara Municipal de Vassouras e deputado da Província do Rio de Janeiro. Contudo sua principal atividade era a Casa Comissária de Café (o equivalente a um banco hoje). Ganhava dinheiro do café sem plantar café, financiando os barões cafeeiros, não tinha fazenda, mas apenas uma chácara (Casa da Hera, até hoje bem preservada) e cinco escravos. Recebia dos fazendeiros o café para ser vendido e exportado.

Eufrásia Teixeira Leite aos 30 anos (Foto: Reprodução)

O dinheiro arrecadado era mantido em crédito em uma conta do fazendeiro, da qual era debitado o valor dos mantimentos e outros pedidos que garantiam novas plantações. Eram as Casas Comissárias que financiavam a lavoura de café. O poder e a fortuna estavam nas mãos dos comissários de café que controlavam o recurso financeiro para poder investir e realizar o processo produtivo.

Os Corrêa e Castro, a família do lado materno eram grandes fazendeiros de café com títulos de nobreza.
A residência da família era um dos principais palcos por onde transitavam homens e mulheres ilustres da época. A Casa da Hera, como ficou conhecida, foi cenário de festas, saraus e onde se fazia comércio e se discutia finanças e política.

 

Casa de Eufrásia Teixeira Leite em Vassouras (Foto: Reprodução)

Com a morte dos pais (a mãe em 1871 e o pai em 1872), Eufrásia e sua irmã herdaram uma fortuna invejável em títulos públicos, apólices do Banco do Brasil e créditos de dívidas a receber. Logo depois, em 1873, morre a avó materna (Baronesa de Campo Belo) e as irmãs veem seu patrimônio aumentado por um soma considerável de dinheiro, na forma de títulos e escravos, herdados da avó.

Jovens e solteiras as irmãs contrariando os costumes da sociedade patriarcal da época, não se casaram e nem deixaram os tios à administração. O pai lhes havia ensinado matematica financeira e as preparado para serem grandes capitalistas. Venderam as ações, títulos e a casa do Rio de janeiro, cobraram créditos, venderam escravos, fecharam à casa da chácara, deixando dois empregados incumbidos de sua conservação e partiram em 1873 para residir em Paris.
Na França, Eufrásia, independente, hábil para os negócios e com um espírito empresarial de família, investiu sua fortuna e da irmã em capital financeiro, sabendo administrá-la e multiplicá-la com maestria no circuito mercantil internacional. Tornou-se acionista de diversas empresas de diferentes países.

Comprou ações, no Brasil, do Banco do Comércio e Indústria de São Paulo, do Banco Mercantil do Rio, do Banco do Brasil, Cia. Docas de Santos, Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, Cia. Paulista de Estradas de Ferro, estrada de Ferro Madeira-Mamoré, etc. Consta ter sido a primeira mulher a entrar no recinto da Bolsa de Valores de Paris. Frequentou a aristocracia francesa, ganhou admiradores e se relacionou durante alguns anos com o político pernambucano e abolicionista Joaquim Nabuco.

Francisca faleceu, na França, em 1899 sem ter se casado. Eufrásia herdou a fortuna da irmã e retornou definitivamente para o Brasil em 1928, permanecendo uma temporada em Vassouras, na Casa da Hera. Viveu seus últimos anos, em um apartamento no Rio de janeiro, cercada de empregados fiéis. Faleceu em 1930, aos 80 anos sem nunca ter se casado e sem herdeiros.

Nos terrenos deixados por Eufrásia, em Vassouras, foram construídos o Instituto Feminino para moças pobres, o Colégio Regina Coeli para moças, o Senai, o Fórum e outros prédios. O hospital Eufrásia Teixeira Leite foi construído com recursos deixados por ela.

 

Uma das clausulas do seu testamento pedia para conservar a chácara da Hera com tudo que nela existia, não podendo ocupar ou ser ocupada por outros. Assim, a residência dos seus pais em Vassouras é hoje o Museu Casa Da Hera.

 

A Sinhazinha Eufrásia fugiu do tradicional papel feminino da época que a sociedade do século XIX impunha as mulheres subjugadas aos pais, aos maridos e a sociedade. A riqueza lhe garantiu emancipação econômica e sentimental. Era uma mulher bonita, inteligente, intelectual, autoritária, refinada, culta, apaixonada e solitária.

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A VILA INCONFIDÊNCIA – SEBOLLAS

É impossível pensar em nossa região sem antes pensar no Caminho Novo. Ele faz parte de uma rede de importantes caminhos do Brasil Colonial dos quais era dado o nome de Estrada Real. Muitos desses caminhos eram antigas trilhas e veredas abertas pelos bandeirantes que se embrenhavam pelo sertão, na direção de Minas Gerais e Goiás, a procura de ouro e pedras preciosas.

O Caminho Novo aberto por Garcia Rodrigues iniciava num porto do Rio Pitar, que desaguava na Baia de Guanabara, subia a Serra do Mar, na altura de Xerém, passava por Marcos da Costa, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, onde havia um registro para a fiscalização colonial e seguia para as Minas Gerais, passando por Juiz de Fora e Barbacena. A subida do paredão da Serra do Mar em Xerém era muito íngrime e muitas vezes pessoas e mulas carregadas rolavam ribanceira abaixo.

Depois de 20 anos de sofrimento, Bernardo Soares Proença, se propôs abrir uma nova subida da Serra, a partir de uma antiga trilha, que encurtava a distância entre Rio de Janeiro e as Minas Gerais, que ficou conhecido como Caminho Novo de Proença.

Igreja Nossa Senhora de Sant’Anna (Foto: Reprodução)

Sebolas é um pequeno distrito do Município de Paraíba do Sul, que surgiu a partir da abertura do Caminho de Proença, em meados de 1724. Esteve relacionada ao Caminho Novo do Ouro e se tornou famosa porque o herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes, tinha o Distrito como moradia temporária e lugar para suas pregações.

Dona Ana Maria Barbosa de Matos foi uma mulher singular, revolucionaria fervorosa partidária das idéias liberais, e como tal, protegia tanto que possível o movimento que fez de Tiradentes um mártir. Hospedou Tiradentes, por várias vezes, em sua fazenda e era admiradora do credo que ele pregava, juntamente, com seu irmão o padre Paulo Manuel Barbosa que foi Cura em Santana de Sebollas por muitos anos.

A historia do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, passa pelas terras fluminenses. Período, no qual, sua insatisfação com a Coroa Portuguesa se intensificou. O mártir da Inconfidência Mineira foi enforcado no Rio de Janeiro e os membros esquartejados e salgados foram mandados para serem expostos ao longo do caminho de Minas para intimidar possíveis futuros conspiradores. Na primeira parada, uma parte destes membros (o quarto superior esquerdo) foi exposta num poste erguido em frente à Capela de Santana de Sebollas, pois a freguesia era citada pelo Alferes e onde ele tinha algumas amizades.

 

Foto: Reprodução

O conjunto histórico Tiradentes que abriga, dentre outras, o único Museu Sacro Histórico contendo restos mortais, atribuídos ao Mártir da Independência e de peças e vestimentas daquele período.

Sebollas, também chamada de Vila Inconfidência esta distante 120 km do Rio de janeiro. Para se chegar a Sebollas o melhor caminho é por Petrópolis. Entrar em Pedro do Rio (viaduto da cervejaria Itaipava) e pegar sentido Secretario e Fagundes. Em Fagundes, fica a divisa com Paraíba do Sul e Sebollas está apenas 8 km.

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VASSOURAS – A”CIDADE DOS BARÕES DO CAFÉ”

A cidade tranquila, de clima agradável está distante 116 km do Rio de Janeiro e propõe ao visitante um grande patrimônio cultural.

Vassouras nasceu de uma sesmaria (as sesmarias tinham, em média, entre 1.5 a 2.0 léguas agrárias de sesmaria; 1 légua de sesmaria é igual a 4.356 hectares) recebida pelos açorianos Francisco Rodrigues Alves e Luiz Homem de Azevedo, em outubro de 1782, denominada ” sertão da serra de Santana, Mato dentro por detrás do Morro Azul e, posteriormente, sesmaria de Vassouras e Rio Bonito “.

A região abundava um arbusto chamado “tupeiçaba” ou ” guaxima” popularmente chamado vassourinha, daí veio o nome de batismo da cidade. A região denominada o Caminho Novo era o elo de escoamento entre Minas Gerais e o porto do Rio de Janeiro, no período do Ciclo do Ouro.

Elevada a Vila em 1833, por sua localização geográfica que a aproximava da Freguesia de Sacra Família, demonstrou, também, um grande impulso com seu desenvolvimento urbano que a diferenciou da Vila de Paty do Alferes. Porém o que a torna mais atrativa no início do século XIX se deve ao grande desenvolvimento econômico da região do Vale do Paraíba do Sul, em contraste com o esgotamento do Ciclo do Ouro e o incremento do Ciclo do Café nesta Região.

Decorrentes destes fatos e da exportação do café pelo Rio de Janeiro, a pequena vila é elevada à categoria de cidade, em setembro de 1857. Na década de 1850 já se proclama a maior produtora de café do mundo, reconhecida, também, como “Princesinha do Café” e mais tarde, ” Cidade dos Barões” pela grande quantidade de fazendeiros nobres ali residentes.

 

Foto: Reprodução

 

Segundo dados registrados de 1825 todo o Estado de São Paulo produzia, comercialmente, apenas, 250 contos de réis de café e Vassouras, em 1828, produzia 3.586 contos de réis, de café, que correspondia apenas 18% do total da exportação brasileira. Vassouras, foi uma consequência da cultura do café e, no seu apogeu, entre 1830 e 1875, produzia 70% de todo o café brasileiro que correspondia 50% de toda a exportação anual do império.

 

Essa extraordinária riqueza gera enorme poder para seus fazendeiros, os verdadeiros Barões do Café que financiaram a guerra do Paraguai de outubro de 1864 a março de 1870. Em 1856, a vila mantinha uma vida de luxo, sem igual no resto do país, permitindo em seus palacetes da cidade     e magníficas sedes de fazenda, que eram verdadeiros palácios rurais, uma vida com hábitos de  requinte  e elegância que eram, ainda, mais estimulados por conta do fácil acesso à Corte Imperial.

 

Graças à linha férrea D. Pedro II, que escoava o café e trazia, vindos da Europa, as roupas, os cristais (Saint Louis ou Bacarat), as porcelanas ( de Sèvres, Limóges ou Vista Alegre) e a prataria portuguesa e francesa que ornavam a casa desses afortunados barões acostumados, aos saraus, às visitas do Imperador, da Princesa Isabel e do Conde d’EU, que eram recebidos em suas casas sem grandes embaraços.

 

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A super exploração e o mau uso do solo levaram o seu enfraquecimento, pelo qual a produção do café declina em toda a região. Com a queda, porém, da cotação internacional, perdem-se muitas fazendas hipotecadas para o Banco do Brasil, entre elas propriedades de uma mesma família por várias gerações.

Os descendentes dos barões do café seguem, então, para a Capital e outros lugares em busca da fortuna e do status perdidos. Os que ficaram e conservaram suas fazendas, abandonaram a agricultura e dedicaram-se a pecuária leiteira. Os antigos cafezais tornaram-se pasto. Além disso, a pecuária não necessitava de grandes mãos-de-obra.
A memória das várias famílias que lá tiveram suas origens e apogeu e, agora, dispersas pelo país, mal sabem quem foram, quais titulares e alianças familiares que tiveram no tempo do império, totalmente esquecidas do seu passado, alheias a sua história de prestígio e requinte.
Nas fachadas de seus casarios, monumentos e palacetes, Vassouras guarda as lembranças desse prospero período da História. Seu conjunto histórico urbanístico e paisagístico está protegido pelo processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional IPHAN-MInc e, por decreto lei, foi declarada, como Estância Turística, em dezembro de 1984.

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Vitor Chimento | Serra

OS CAMINHOS DE FERRO

As estações ferroviárias tiveram um papel preponderante em todo os Estados. No século XIX foram responsáveis pela dinamização das cidades, ou mesmo pela criação de núcleos urbanos, vindo a se tornar referência de locais importantes.

 

A crise do sistema ferroviário na metade do século XX deixou algumas localidades no abandono, principalmente aquelas que dependiam quase que exclusivamente da economia promovida pela linha férrea.

 

Enquanto as antigas linhas e ramais se mantiveram em operação, as edificações foram bem ou mal, conservadas. Hoje poucas foram restauradas para acolher novas atividades como centro cultural ou educacional ou pontos de serviços públicos.
A arquitetura ferroviária a partir da segunda metade do século XIX predominava, em sua totalidade, um gosto pelo neoclássico. No entanto, sua arquitetura pouco se beneficiaria dele – adotou uma linguagem estética que se caracterizava pelo emprego de diversos estilos arquitetônicos ou, até mesmo, a fusão de diversos estilos em uma mesma obra.
Além de ressaltar a importância da ferrovia como elemento de integração e desenvolvimento do país, as diretrizes recomendavam a escolha por uma arquitetura simples, modesta, elegante e apropriada.

As escolhas feitas pelos engenheiros, desse período, deram prioridade a funcionalidade dos edifícios, os interesses das ferrovias ditavam que espécie de equipamento ferroviário seria instalado em determinado local. As construções poderiam variar de um simples abrigo utilizado em paradas breves, às estações de pequeno, médio e grande porte.

 

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As estações terminais se localizaram nos pontos extremos da linha e possuem um programa mais complexo do que as estações de passagem, contudo existiam estações ao longo da linha que por se situarem em localidades estratégicas poderia ter um programa tão complexo quanto de uma estação terminal, exemplo de Desengano, atual Juparanã,  do Município de Valença que causou repercussão pela grandeza e beleza do obra e que contou, na época, com a presença da família real em sua inauguração.
Utilizou-se técnicas de construção, materiais e padrões de arquitetura diferenciados e considerados “novos” para a época, que, em muitos casos foram importados de Outros países, principalmente, do Continente Europeu.
A influência dos profissionais estrangeiros fez com que novos materiais fossem importados. Foram trazidos os barrões de pinho de Riga, vigas e colunas de ferro (que facilitavam a construção de pisos e varandas), chapas para calhas e condutores, papeis de parede, azulejos, telhas e ladrilhos, além de uma gama de materiais de instalações hidrossanitários.
As ferrovias traziam sobre os seus trilhos, novos recursos de construção, mas, sobretudo uma nova maneira de construir. De fato, os edifícios das estações de estrada de ferro, fossem importados ou construídos no local, correspondiam sempre a novos modelos e apresentavam um acabamento mais perfeito, que dependia do emprego de oficiais mecânicos com preparo sistemático. Novas soluções arquitetônicas e construtivas eram assim difundidas pelo interior, influindo sob vários aspectos na arquitetura.
O Estado do Rio, abrigou as primeiras ferrovias brasileiras, que com o passar dos tempos, formou-se uma vasta rede ferroviária que, até meados do século XIX, alcançara grande parte dos Municípios e Distritos do Estado ligando-o a diversos pontos do país.
Este acervo, na grande maioria, ameaçado. Destruição que é uma perda irreparável para a memória fluminense e brasileira. Nas últimas décadas, houve um abandono dessa rede, com a desativação de diversos ramais, a retirada de trilhos, a demolição de exemplares de grande valor da arquitetura ferroviária, bem como de outros elementos. Diversos imóveis encontram-se em precário estado de conservação ou passaram a ter outros usos. Alguns exemplares merecem destaque quanto às metodologias de construção aplicadas.
A preservação deste patrimônio ferroviário é importante para a memória coletiva das cidades e do país. São testemunhos valiosos e silenciosos, de um passado não tão distante, que servem para transmitir as futuras gerações os episódios históricos que neles tiveram lugar.

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Vitor Chimento | Serra

Fazenda Santa Cecília

Toda história da nossa região serrana remonta ao ano de 1700, quando o bandeirante Garcia Rodrigues Paes Leme, filho do ‘Caçador de Esmeraldas’ Fernão dias Paes, partiu do lugarejo de Paraíba do Sul em direção à serra do Tinguá, abrindo pelas montanhas um caminho que reduzisse o tempo de viagem entre as Minas Gerais e a Corte Portuguesa, instalada na cidade do Rio de Janeiro. Acompanhado por mineradores, fazendeiros e escravos, o bandeirante alcançou a Roça do Alferes (hoje Acozelo), seguiu em direção à serra até as localidades de Marco da Costa e Vera Cruz. A partir daí, as tropas de exploração subiram os morros, no sentido da atual Lagoa das Lomtras, de onde desceram para o Porto de Pilar ─ hoje Duque de Caxias ─, seguindo até o porto do Iguaçu, de onde seguiram, via pluvial, para o Rio.

Este caminho ficou conhecido como “Caminho Novo de Minas” e favoreceu, entre outros, dezenas de sesmeiros ─ pessoas que recebiam do magistrado português terras por doação para cultivo ─, que vieram a se estabelecer nas colinas. Dentre os colonizadores da região se destacou Manoel de Azevedo Mattos. Vindo das Minas Gerais, resolveu instalar-se no Morro da Viúva, onde construiu, em 1770, a primeira moradia da Fazenda da Piedade de Vera Cruz (atual Santa Cecília), no estilo colonial, concluída em 1780.

O filho de Manoel, Inácio de Souza Werneck, foi fazendeiro, sargento-mor das milícias do Império e Cavaleiro da Ordem da Rosa, tornando-se um dos personagens mais importantes da região. Ele colonizou Vera Cruz e ampliou as instalações da importante fazenda da Piedade. Da sua união com Francisca das Chagas Werneck teve filhos que se uniram a outras pessoas importantes, deixando assim numerosas famílias de nobres espalhadas pelo Sul Fluminense. Em 1811, ao ficar viúvo, Inácio abraça a carreira eclesiástica, abandonada quando ainda jovem, e no ano de 1813, em cerimônia realizada na própria fazenda, foi ordenado padre. O fazendeiro passou a ser conhecido como padre Werneck de Vera Cruz.

Com a morte de seu pai Inácio, Ana Matilda, casada com o fazendeiro Francisco Peixoto de Lacerda, herda a fazenda da Piedade (atual Santa Cecília). O casal teve somente um filho, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, que recebeu mais tarde, por ordem do Imperador Dom Pedro I, o título de Barão de Paty dos Alferes. O barão, em 1840, realizou, no apogeu do ciclo do café e com a importância histórica da fazenda, uma grande reforma em seu estilo colonial (inicial) para o neoclássico. Foi, sem dúvida, uma grande personagem da história. Homem culto, aristocrata e político, proprietário de grandes plantações de café, de vastas áreas de terras e de um grande número de escravos. Foi de grande importância no desenvolvimento da região, graças ao seu bom relacionamento com a Corte.

A Fazenda Santa Cecília, está localizada no município de Miguel Pereira, distante 15 km do centro da cidade, no Distrito de Vera Cruz. A fazenda possuía uma senzala, um espaço para secagem de café e um moinho de cana. Com as reformas feitas ao longo dos anos, as pedras de secagem do café foram reaproveitadas para fazerem o caminho da piscina. Grande parte de sua arquitetura e mobiliário foram mantidos intactos pelos atuais proprietários. Nos jardins se encontra uma capela dedicada à Santa Cecília, desenhada e projetada pelo arquiteto Oscar Niemayer e presenteada a Maria Cecília, filha de seu grande amigo e proprietária da fazenda, que mantém e preserva com muito zelo este patrimônio histórico de nossa região.

O jornal Diário do Rio agradece as informações cedidas pela Prefeitura e pelos informativos do historiador Sebastião Deister.