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‘Por que tanto ódio?’

Há pouco mais de dois meses atrás, o congolês Moise Kabamgade, 24 anos, foi morto a pauladas por três homens no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca (RJ), onde trabalhava, após cobrar 200 reais do pagamento atrasado. Imigrante em situação ilegal, vivendo de subemprego e em condições de vulnerabilidade, Moise era mais um refugiado da guerra civil e da fome que aterram intermitentemente seu país no continente africano desde 1997. Ele buscava uma vida mais digna para si e sua família, assim como muitos angolanos e haitianos. Há rumores de que talvez Moise não estivesse cumprindo bem o seu trabalho ou que estivesse bêbado. Nenhuma dessas possibilidades, no entanto, justificam a crueldade do ato. O Brasil era para ele, como para muitos estrangeiros expatriados, sua segunda casa. No entanto, o queria seria acolhimento transformou-se em hospitalidade pervertida. 

A hospitalidade aos estrangeiros é uma tradição que remonta da Grécia antiga, fazendo parte, portanto, de nossa tradição ocidental. Na Ilíada e na Odisseia de Homero, o conceito de hospitalidade tem origem em um vínculo ancestral e geracional que foi gradualmente se ampliando de forma tornar-se uma prática de acolhimento a viajantes e suplicantes, em situação de vulnerabilidade, em busca de alojamento, comida e paz.  Rosa-Araceli Santiago Álvarez, em Faventia (2004), diz ser tal prática o embrião da regulamentação pública do estrangeiro, passando do âmbito estritamente familiar para o institucional. Academicismos `a parte, isso nos faz refletir sobre o estatuto do estrangeiro expatriado não somente no Brasil, mas também em outros países, muitos dos quais carregam a má reputação de alimentarem políticas racistas e xenofóbicas. Como os lestrigoes da Odisséia, gigantes antropófagos, os quais se tornaram sinônimo de incivilidade e de corrupção de valores, os brasileiros talvez também figurem junto a tal estigma, o que é lamentável e preocupante. Com uma comunidade de aproximadamente 4 mil congoleses somente no Rio de Janeiro, muitos dos quais refugiados, não podemos ignorar o que aconteceu com Moise Kabamgade. Tampouco, podemos permitir que um insidioso sentimento de superioridade étnica alimente nossas relações com outros povos. Não podemos permitir que o racismo estrutural, que hoje permeia nossa história, cultura e instituições sociais, avance ainda mais. 

Triste pensar que, antes do ocorrido, muitos congoleses e outros refugiados estrangeiros consideravam o Brasil como sua segunda casa. Hoje, no entanto, eles precisam da assistência da Comissão de Direitos Humanos. Triste perceber que talvez estejamos partilhando de valores eurocêntricos e colonizadores completamente exógenos `as nossas raízes culturais e `as contribuições trazidas do continente africano na formação de nosso povo.

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No Brasil, 14% da população se considera vegetariana

Da Agência Brasil

O Dia Mundial do Vegetarianismo é comemorado em 1º de outubro. Há alguns anos, a negociação para uma alimentação mais baseada em verduras, legumes e frutas era difícil entre nutricionistas e pacientes. Mas esse cenário vem mudando cada vez mais. De acordo com dados da Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), em todas as regiões brasileiras – e independentemente da faixa etária -, 46% dos brasileiros já deixam de comer carne, por vontade própria, pelo menos uma vez na semana.

Uma pesquisa de 2018, encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) ao Ibope, mostrava que 14% dos brasileiros se consideravam vegetarianos e estavam dispostos a escolher mais produtos veganos (entenda a diferença) também. Especialistas e pessoas que adotam esse tipo de dieta reforçam que a alimentação sem carne acaba influenciando diretamente na qualidade de vida.

Segundo a nutricionista Shila Minari , as dietas vegetarianas adequadamente planejadas, incluindo as totalmente vegetarianas ou veganas, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem proporcionar benefícios para a saúde na prevenção e no tratamento de certas doenças. Quando corretamente planejadas, elas podem ser adotadas em todas as etapas da vida, incluindo a gravidez, a lactação, a infância e a adolescência, bem como ser seguida por atletas.

“É preciso entender sua escolha, se informar, aprender a substituir e a se alimentar de forma variada e adequada”, destaca a jornalista Mariana Camargo, de 34 anos, que é vegetariana há nove anos. Antes de adotar a dieta vegetariana, nem tomate ela comia. Hoje, ela conta, rindo, que ama escolher brócolis no mercado e testar receitas novas para variar cada vez mais o cardápio.

Grávida de uma menina, ela diz que encontrou resistência ao manifestar sua decisão de manter o estilo de vida durante a gestação, por julgarem sua escolha. “A orientação era sempre de ter mais cuidado. Cheguei a ser aconselhada a comer carne por um dos médicos. Mas sou vegetariana há muitos anos e, nesse tempo, aprendi a substituir, me cuidar e me alimentar adequadamente”. Mariana explica que faz a mesma suplementação de uma gestante que come carne: “Não tive nenhum problema. Pelo contrário, a alimentação vegetariana nos incentiva a comer menos processados e mais verduras e legumes frescos, o que é muito positivo para a mãe e para o bebê”.

A empresária Maria Cleomana Targino conta que seu primeiro contato com o vegetarianismo aconteceu quando uma amiga vegetariana afirmou que a alimentação baseada em produtos de origem animal, que Cleomana até então adotava, não era saudável. “Depois disso, a vontade de buscar informações sobre a alimentação vegetariana cresceu cada vez mais”, explica. Por trabalhar em casa, Cleomana diz que não enfrenta tantas dificuldades para se alimentar no dia a dia.

“A minha alimentação é à base de grãos, vegetais, sementes. Sempre estou indo à feira e buscando novas especiarias também”, diz a empreendedora, que já é vegetariana há seis anos e planeja uma transição para o veganismo.

A nutricionista Lara Natacci, mestre e doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e integrante da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), explica as diferenças entre a dieta vegana e vegetariana. “A dieta vegetariana é aquela onde a gente não inclui carne, frango e peixe. As pessoas que fazem a dieta vegetariana normalmente consomem leite e derivados e ovos. Existe o vegetariano estrito, que não consome nenhum alimento de origem animal, então ele não consome carne vermelha, carne de frango, carne de peixe, não consome nem ovos e nem leite e derivados. Temos também o vegano, que não consome nenhum alimento de origem animal e nenhum produto de origem animal também”, exemplifica Lara Natacci.

Para Lara Natacci, o maior cuidado que deve ter alguém que queira fazer esse tipo de alimentação é buscar a orientação de um profissional especializado, o que ajuda a alcançar uma alimentação equilibrada e bem planejada, além das informações para fazer as substituições necessárias. “Não adianta nada deixar de consumir carne no nosso prato para consumir, em seu lugar, um alimento muito rico em carboidrato e que não seja rico em proteína”, diz a nutricionista.

Ela lembra que muitos alimentos de origem animal são mais ricos em gordura saturada. Esse tipo de alimentação pode contribuir para o desenvolvimento de alguns tipos de doenças crônicas não transmissíveis, principalmente as cardiovasculares.

Sobre os aspectos nutricionais da dieta, a nutricionista Shila Minari reforça que pessoas vegetarianas também podem ter problemas por fazerem escolhas alimentares erradas. Shila aconselha a inclusão de leguminosas e fontes de proteína não animal na alimentação. “Suplementos de vitamina B12 muitas vezes são necessários para os vegetarianos. Essa é a única vitamina que não se consegue suprir com esse tipo de alimentação”, explica.

Para ter uma dieta balanceada e não compensar a falta de proteína animal com outros alimentos pobres em nutrientes, ela aconselha acompanhamento especializado. “É importante que quem vá começar uma dieta vegetariana faça acompanhamento nutricional”.

O mercado voltado especificamente para esse público também vem sendo mais explorado. Misael Heron e Julyana Pinheiro são de Brasília e criaram o Cozinha Muju em 2019, com produtos artesanais e autorais. “A nossa venda era baseada em molhos e geleias, sem uso de produtos de origem animal. Com o tempo, a gente foi expandindo o cardápio e incluímos pães de fermentação natural e alguns doces. Hoje funcionamos como uma pequena padaria sem nada de origem animal”, destaca Julyana.

“Os cardápios que a gente faz são semanais e respeitam a sazonalidade dos produtos. Além disso, as frutas e as hortaliças usadas nos preparos vêm direto dos pequenos produtores locais e orgânicos da região”, complementa Misael.

Quer começar?

Para Mariana, a relação com o alimento deveria ser a mesma em qualquer tipo de alimentação. Ela explica que, no vegetarianismo, as pessoas tendem a criar uma conexão diferente com a alimentação. “Acho que esse cuidado deveria ser o mesmo para qualquer escolha alimentar. Deveríamos olhar para o que comemos e saber escolher as melhores opções, variar alimentação, explorar combinações e transformar o alimento em cuidado pessoal”, diz.

A “Segunda sem Carne”, iniciativa da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), pode ser uma alternativa para quem quer começar a adotar esse tipo de dieta ou diminuir o consumo de proteínas de origem animal. Outro caminho é a dieta flexitariana: há uma diminuição no consumo de alimentos de origem animal, mas as pessoas não deixam de consumir definitivamente esses alimentos. “Seria realmente um intermediário entre a dieta vegetariana e a dieta onívora, e já traz alguns benefícios tanto para a nossa saúde, quanto para o planeta”, completa Lara Natacci.

“É muito importante que a gente tenha essa opção, porque muitas vezes quando a gente faz mudanças muito bruscas na alimentação ou nos nossos hábitos, não consegue sustentá-las em longo prazo. Por isso, fazer pequenas mudanças já pode gerar bons resultados”.

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Tendências dos anos 2000 que voltaram a fazer sucesso

*Por Giovanna Fraguito

A moda é cíclica e hoje em dia está cada vez mais rápida, algumas tendências dos anos 2000 voltaram a fazer sucesso e estão cada vez mais populares nas redes sociais. Alguns itens pontuais vieram à tona e podem ser encontrados nas passarelas ou no dia a dia do feed do Instagram.

Os looks com a estética da época, mesclados com peças atuais, são muito usados por celebridades do TikTok e supermodelos. Os itens mais usados vão desde bandanas e tops feitos com elas, camisas estampadas, até produtos na maquiagem.

A calça cargo é um dos elementos ressignificados. Ela era super democrática nos anos 2000, de Britney Spears à Avril Lavigne, era item indispensável no closet de todas as celebridades da época. Agora, elas estão menos baggy e um pouco mais discretas, mas a modelagem utilitária e cheia de bolsos voltou.

Nos acessórios, a body chain é mais um item de destaque que retornou. Foi a cantora Shakira quem trouxe as correntes de corpo para o mainstream no início dos anos 2000. Seus looks nessa época incluíam calças de cintura baixa e muita barriga de fora. O retorno dessa tendência apareceu nas passarelas da Fendi com mini bolsas baguette penduradas, e da Givenchy. Na vida real, a estrela do TikTok Addison Rae adora usar.

Ainda nos acessórios, outro muito famoso são as bolsas Baguete, usadas por Carrie Bradshow, personagem de Sarah Jessica Parker em Sex and the City, esse é um modelo de bolsa pequena e com alças curtinhas, normalmente usada em baixo dos braços. O tamanho faz com que ela seja fácil de ser carregada e que combine com os mais variados looks.

Já nas maquiagens, outra tendência dos anos 2000: o gloss. Ele pode ser transparente ou com cor, além de ser utilizado sozinho ou por cima de um batom. Nesse último caso, ele ainda deixa a cor mais intensa.

E aí, usaria essas tendências da moda anos 2000?

 

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Cidades reduzem equivalente a meio maracanã de lixo, revela estudo

Após 11 anos da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, conter a produção desenfreada de lixo ainda é um dos principais desafios do Brasil. Hoje, cada brasileiro gera aproximadamente 343 quilos de resíduos por ano, somando 80 milhões de toneladas em todo o país. No entanto, um estudo inédito realizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana – SELURB aponta uma redução em média de 8% do total de lixo gerado per capita em cidades onde há algum tipo de cobrança pelos serviços de manejo, tratamento e descarte de resíduos, o equivalente a quase metade do estádio do Maracanã ou, ainda, um mês sem geração de lixo no país e um ano de economia a cada 12 anos, levando em consideração os números atuais.

A pesquisa analisou a realidade de 3.712 municípios, em todas as regiões do Brasil, sendo que em apenas 1.662 há arrecadação específica para custear o serviço de manejo de resíduos. Ainda que o total arrecadado cubra totalmente os gastos com coleta, tratamento e descarte adequado do lixo em apenas 109 destas cidades, o estudo mostra que a implementação da cobrança tem reflexo direto no comportamento das pessoas, que passam a ter consciência do quanto de lixo produzem individualmente e dos custos que esse lixo gera, reduzindo assim o total descartado.

“Não existe ‘jogar fora’. Todo o lixo que produzimos vai para algum lugar e, para que isso aconteça de maneira correta, existe um custo. Quando as pessoas compreendem que são responsáveis pelos resíduos que geram individualmente e que devem pagar por isso, há uma mudança de comportamento visível e que tem um impacto extremamente positivo para o meio ambiente, transformando a maneira como cada indivíduo enxerga o seu papel nessa cadeia de produção e descarte”, comenta Márcio Matheus, presidente do Selurb.

Gráfico do gasto de lixo no Brasil (Foto: Reprodução)

Essa é uma das mudanças positivas que o setor espera alcançar com a implementação da cobrança pelos serviços de manejo e tratamento de resíduos em todos os municípios brasileiros, em conformidade com o Novo Marco Legal do Saneamento, sancionado em julho de 2020, a fim de viabilizar a sustentabilidade econômica das atividades. A iniciativa visa, ainda, a erradicação de lixões e a melhoria na eficiência dos serviços realizados em todo o país.

“A mudança de comportamento é gradativa e depende da instituição da cobrança e incentivos para aqueles que geram menos alcançarem resultados cada vez melhores. Este é o mesmo efeito comportamental que acontece com as demais infraestruturas de utilidade econômica domiciliar, como a energia elétrica, água, gás e internet, quando é reconhecido o custo do desperdício pelo usuário. A redução do lixo gerado por habitante é importante e estamos no caminho certo, mas o Brasil ainda tem muito a avançar no que diz respeito à gestão da coleta e do descarte adequados do lixo, com a necessidade de investimentos no setor”, finaliza Matheus.

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Com pandemia, 44% das crianças e adolescentes se sentiram mais tristes, diz pesquisa

Da Agência Brasil

Uma pesquisa feita pela Fundação Lemann em parceria com o Instituto Natura mostrou que 94% das crianças e dos adolescentes tiveram alguma mudança de comportamento durante a pandemia. Segundo os pais e responsáveis, 56% ganharam peso, 44% se sentiram tristes, 38% ficaram com mais medo e 34% perderam o interesse pela escola.

A pesquisa “Onde e como estão as crianças e adolescentes enquanto as escolas estão fechadas?” indicou que entre os que ficam sozinhos em casa são mais altos os índices dos que passaram a dormir mais, ficaram mais quietos ou têm mais dificuldades para dormir.

Quando avaliadas as crianças e adolescentes de famílias com renda menor, até dois salários mínimos, 59% tiveram ganho de peso, 51% passaram a dormir mais, 48% ficaram mais agitados, 46% ficaram mais tristes, e 35% perderam o interesse pela escola.

A pesquisa ouviu 1315 responsáveis por mais de 2,1 mil crianças e adolescentes (4 a 18 anos) matriculados na rede pública ou fora da escola, de todo o Brasil, entre 16 de junho e 7 de julho de 2021. O estudo também entrevistou 218 jovens entre 10 e 15 anos.

Comida

Quando avaliada a segurança alimentar, 34% das famílias afirmaram que a quantidade de comida foi menos que o suficiente, com destaque para as famílias do Nordeste (46%) e do Sul (18%).

Entre os que relataram insuficiência de alimentos, 63% são pretos e pardos, 63% das famílias ganham até um salário mínimo e 66% afirmaram que alguém da casa perdeu o emprego ou renda na pandemia.

A pesquisa também mostrou que as refeições das crianças e adolescentes eram melhores antes da pandemia: 81% dos pais disseram que era ótima ou boa antes do surto de covid-19, índice que caiu para 74%. Entre os que consideram a alimentação regular, a taxa aumentou de 16% para 23%; e o ruim se manteve estável em 2%.

Mais tempo nos eletrônicos

De acordo com a pesquisa, 10% das crianças e dos jovens passam o dia na casa de outras pessoas, metade deles na residência dos avós. Dos 90% que ficam na casa de seus responsáveis (pai, mãe, madrasta e/ou padrasto), 14% permanecem sozinhos no local ou apenas com irmãos, sem adultos responsáveis.

A pesquisa também mostrou que a rotina de atividades em casa mudou: 37% das crianças e adolescentes estão jogando videogame ou celular com mais frequência do que antes da covid-19 e 43% aumentaram as horas de TV.

Outro dado importante mostrou que 6% dos jovens entre 7 e 18 anos estão trabalhando, sendo maior o percentual entre os pretos (10%). Do total de jovens trabalhando, 60% começaram em 2021 e 74% são meninos. A idade média é de 16 anos, sendo que 9% têm entre 11 e 14 anos, 68% entre 15 e 17 anos e 23% têm 18 anos.

Jovens

Entre as crianças e adolescentes entrevistados, 75% disseram que sentem falta das aulas presenciais ou de algum professor e 60% sentem falta do convívio social e dos amigos. Aqueles que acreditam que terão o futuro prejudicado devido à pandemia são 66%. Pelo menos 40% sonhavam com profissões antes da pandemia e agora esse percentual é de 37%. Para 17%, o principal sonho agora é o de que a pandemia acabe.

“Isso mostra o papel da escola e desse ambiente na vida dessas crianças e adolescentes. Claro que é um espaço de ampliação de repertório e aprendizagem, mas também é de convívio e desenvolvimento pessoal, além de ser, para muitos, espaço de alimentação. Isso coloca muita luz no papel da escola e do retorno presencial das aulas”, afirmou a gerente do Instituto Natura, Maria Slemenson, que trata da articulação das agendas prioritárias da educação.

A pesquisa mostrou que 3% das crianças e adolescentes não estão matriculados na escola. Desses, 32% afirmaram não estar na escola por conta da pandemia e outros 32% afirmaram não encontrar vaga na rede pública de ensino. Além disso, 62% das crianças fora da escola têm entre 4 e 6 anos. Os estudantes que estão fazendo as tarefas recebidas são 92%, com 89% dos pais dizendo que acompanham as atividades feitas pelas crianças e adolescentes na escola e nas aulas on-line.

“Nós, da Fundação Lemann, acreditamos que a educação pública de qualidade muda a vida das pessoas e são elas que podem transformar o nosso país. Desde o início da pandemia, estamos trabalhando para apoiar as redes de ensino com estudos, dados, boas práticas e orientações diversas para que cada rede possa retomar as aulas presenciais e garantir que todas e todos possam aprender com qualidade, nas mais variadas realidades do país”, disse a coordenadora de projetos de Educação da Fundação Lemann, Barbara Panseri.

“Sabemos do tamanho das desigualdades de nosso país, sabemos que as crianças e adolescentes de menor renda, do Nordeste e negros e negras, têm menor acesso à internet de qualidade, e que o ensino remoto ampliou as desigualdades dos nossos alunos”, completou Barbara.

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Gestação na adolescência cai 37% em 20 anos, diz estudo

Nos últimos 20 anos, o Brasil registrou queda de 37,2% no número de adolescentes grávidas. Isso é o que apontou um estudo realizado pela ginecologista Denise Leite Maia Monteiro, secretária da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Infanto Puberal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

A pesquisa foi feita considerando o número de nascidos vivos (NV) de mães entre 10 e 19 anos de idade, entre os anos de 2000 e 2019.

Em 2000, segundo a pesquisa, as mães adolescentes foram responsáveis por 23,4% do total de nascidos vivos no país. Já em 2019, esse índice passou para 14,7%.

Apesar da queda, o número ainda é preocupante. Dados do DataSUS/Sinasc apontam que a cada dia ocorrem cerca de 1.150 nascimentos de filhos de adolescentes. “As complicações gestacionais e no parto representam a principal causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos mundialmente, pois existe maior risco de eclâmpsia, endometrite puerperal, infecções sistêmicas e prematuridade, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ainda há consequências sociais e econômicas como rejeição ou violência e interrupção dos estudos, comprometendo o futuro dessas jovens”, disse a médica, no estudo.

A pesquisa também demonstrou que a redução da gravidez na adolescência entre meninas de 10 a 14 anos foi de 26% e teve uma redução menor que entre o grupo de 15 a 19 anos, que registrou 40,7% de queda. Os maiores indicadores de gravidez entre adolescentes foram registrados na região norte do país, que apresentou a menor queda percentual na taxa de fecundidade por idade específica (TIEF) tanto para o grupo de adolescentes entre 10 e 14 anos (-11,9%) quanto para o grupo de adolescentes entre 15 e 19 anos (-32,9%).    

Quais as consequências de uma gravidez na adolescência?

A gravidez pode ter consequências imediatas e duradouras para a saúde, a educação e o potencial de geração de renda de uma adolescente. A gestação na adolescência está associada a maiores riscos de partos prematuros, de recém-nascidos com baixo peso, de eclampsia, de transtornos mentais (como a depressão) e de morte devido a complicações decorrentes de abortos inseguros ou da gravidez e do parto.. Esses riscos dependem da idade da adolescente (maior risco em adolescentes menores de 15 anos), do nível socioeconômico da adolescente (quando mais pobre e com menor rede de suporte, maior o risco), do acesso aos serviços de saúde e da condição de saúde da adolescente. 

Apesar dos riscos à saúde causados por uma gestação na adolescência, os maiores riscos são os sociais e econômicos. As adolescentes que ficam grávidas, especialmente as de forma não intencional, têm maior risco de sofrer violência física e sexual de seus parceiros. Além disso, a gravidez precoce está associada a um maior risco de abandono escolar e perda de oportunidades de empregos, aumentando o risco de perpetuação do ciclo da pobreza.. Segundo dados do IBGE, seis de cada dez adolescentes grávidas nem trabalham e nem estudam. Sem falar no impacto econômico para o país, conforme estudo do Banco Mundial.

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Interesse de mulheres em vagas de TI cresce 22% em 2021

As mulheres estão cada vez mais em busca de vagas na área de tecnologia da informação. É o que aponta uma pesquisa do Banco Nacional de Empregos – BNE, realizada entre janeiro e maio deste ano. Nos primeiros cinco meses deste ano, 12.716 mulheres se candidataram para vagas no setor contra 10.375 no mesmo período do ano passado. Apenas no mês de janeiro, foram 4.316 candidatas contra 1.989, o que representa um crescimento de 116%.

Para Marcelo de Abreu, CEO do BNE, o mercado e os profissionais também estão em transformação, contribuindo para o aumento da presença de mulheres em tecnologia a cada ano. “Vemos mais mulheres se interessando pela área na medida em que se ampliam as contratações de profissionais de TI. De 2019 para 2020, houve 36% de crescimento e esperamos um número ainda maior neste ano”, conta Abreu.

É o caso de Aline Rosa, desenvolvedora de Front End da Nexcore Tecnologia, que está no setor de TI há cerca de três anos. Aline explica que as empresas estão sendo mais receptivas do que alguns anos atrás. “As mulheres estão ganhando cada vez mais espaço no setor de TI, e as empresas estão mais receptivas. Como as mulheres na maioria das vezes são mais detalhistas e atenciosas, essas características auxiliam no desenvolvimento de projetos na área”, afirma.

“Na Nexcore, temos mais homens trabalhando na parte de TI, mas não fazemos distinção no momento da contratação, pois não é um fator relevante. A personalidade da pessoa e suas habilidades contam mais para a execução do trabalho”, explica Aline. Ela acredita que as empresas precisam criar um ambiente de trabalho mais equilibrado, sendo cobrado apenas o desempenho do colaborador e não seu gênero.

A projeção é que a área de TI continue em expansão, principalmente depois da aceleração da transformação digital. “Com a pandemia, muitas profissões foram afetadas negativamente. Porém, outras tiveram grande crescimento de oportunidades, como é o caso da área de TI, que espelha a mudança comportamental do empreendedor e do consumidor após os efeitos da Covid-19 no país”, comenta Abreu.

Durante a pandemia, muitos profissionais se reinventaram e buscaram uma segunda opção para se empregar. “Quem está atento às tendências do mercado, pode buscar cursos de especialização para ocupar este espaço”, ressalta o CEO do BNE.

Apesar das mulheres conquistarem espaço maior a cada ano no mercado de trabalho,  o quadro econômico aponta que houve uma piora no mercado de trabalho brasileiro – e impactou as mulheres com mais força. O percentual de mulheres que estavam trabalhando ficou em 45,8% no terceiro trimestre de 2020, segundo os dados mais recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O nível mais baixo desde 1990, quando a taxa ficou em 44,2%.

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Intenção de consumo das famílias no Brasil recua em maio

Mesmo com a vacinação e com medidas que flexibilizam os comércios por todo o Brasil, a intenção de consumo das famílias brasileiras foi reduzida no mês de maio, segundo Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).O estudo feito na última semana aponta que a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou 1,6% na passagem de abril para maio deste ano e chegou a 67,5 pontos. Essa é a segunda queda consecutiva do indicador, que atingiu o menor patamar desde agosto de 2020 (66,2 pontos). Na maioria dos estados, foi notória a diminuição das vendas em quase todos os ramos.

Em relação a maio de 2020, a queda chegou a 17,3%. Esse é o 14º recuo do indicador neste tipo de comparação e o pior mês de maio da série histórica, iniciada em 2010.

Na passagem de abril para maio, os sete componentes da ICF tiveram redução, com destaque para perspectiva profissional (-4,4%) e momento para a compra de bens duráveis (-3%).

Na comparação com maio, também houve queda nos sete componentes, sendo os maiores deles na renda atual (-23,5%) e no momento para bens duráveis (24,7%).

“De modo geral, ainda há muita desconfiança com relação à capacidade de recuperação econômica até o fim do ano. O mercado de trabalho vem amparando a resiliência do brasileiro, incentivando sua capacidade de consumo, mas mesmo as empresas encontram obstáculos. Até a imunização coletiva, não conseguiremos encerrar essa oscilação completamente”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

VENDAS ONLINES CRESCEM NA PANDEMIA

Mesmo com a queda na intenção de consumo, os empreendedores seguem se utilizando do mercado online para fazer lucros. A venda aumentou nesse setor, simplesmente pelo fato das pessoas evitarem sair de casa e aproveitar a comodidade de suas casas para fazer compras. 

Sete em cada dez micro, pequenas ou médias empresas (73,4%) do país estão fazendo vendas online durante a pandemia do novo coronavírus. Isso é o que revelou uma pesquisa feita pela Serasa Experian com 508 empreendedores, realizada no mês de fevereiro.

Desse total, 83,1% pretendem manter a realização dos negócios pela internet mesmo quando a pandemia acabar.

Dentre os canais mais utilizados para as vendas estão as redes sociais, principalmente o WhatsApp (72%).

Na pesquisa, os entrevistados revelaram ainda que a venda online ajudou a atingir públicos diferentes (51% das respostas mencionaram isso), criou mais exposição para o seu negócio (44,8%) e permitiu atingir novas regiões (34,5%).

A pesquisa também mostrou que 24,8% dos empreendedores têm buscado empréstimos e financiamentos para manter seus negócios. Dentre as empresas que mais requisitaram empréstimos ou financiamentos estão as do setor de comércio (38,1%).

O Brasil é um dos líderes mundiais no mercado de consumo online. Inclusive, em muitos países, as importações vindas para o país – em especial da China – o consumidor brasileiro aparece nas primeiras posições. Importações dos Estados Unidos também estão muito bem ranqueadas, segundo números recentes divulgados.

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Com pandemia vendas online só aumentam e devem virar tendência

Da Redação 

Com ou sem a pandemia, uma tendência cresceu ainda mais por todo Brasil: o serviço de vendas online. Além da necessidade real de continuar trabalhando, os e-commerce entenderam que vender para seus clientes no conforto de suas casas se tornou uma prática mais rentável e barata. O crescimento significativo de aplicativos que entregam comida é um dos maiores.

Uma breve olhada por qualquer janela é possível ver pelos menos 30 a 50 entregadores, sejam de bicicletas ou de motos, entregando comida. Até os supermercados, segundo estudos divulgados recentemente, tiveram uma queda em suas vendas, já que a maioria das pessoas estão apostando na entrega delivery, economizando até o gás de casa, assim como evitando contato com outras pessoas e aglomerações. 

E se esse serviço aumentou, o e-commerce também não ficou para trás. Grandes lojas, inclusive, estão até encerrando expedientes físicos. Sete em cada dez micro, pequenas ou médias empresas (73,4%) do país estão fazendo vendas online durante a pandemia do novo coronavírus. Isso é o que revelou uma pesquisa feita pela Serasa Experian com 508 empreendedores, realizada no mês de fevereiro.

Desse total, 83,1% pretendem manter a realização dos negócios pela internet mesmo quando a pandemia acabar. Dentre os canais mais utilizados para as vendas estão as redes sociais, principalmente o WhatsApp (72%). Na pesquisa, os entrevistados revelaram ainda que a venda online ajudou a atingir públicos diferentes (51% das respostas mencionaram isso), criou mais exposição para o seu negócio (44,8%) e permitiu atingir novas regiões (34,5%).

A pesquisa também mostrou que 24,8% dos empreendedores têm buscado empréstimos e financiamentos para manter seus negócios.  Em muitos casos, empresas pegaram este empréstimo para aumentar seu investimento no comércio online. Empresas e pessoas que trabalham com e-commerce obtiveram um lucro bem maior devido a este crescimento. O que antes seria uma tendência de muitos lugares que vendem online – o frete grátis – tem diminuído drasticamente. 

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Pesquisa aponta que células de pessoas deprimidas envelhecem mais rápido

Da Redação

Uma pesquisa feita pelo periódico científico Translational Psychiatry apontou que células de pessoas que sofrem de depressão podem envelhecer mais rápido. Segundo o estudo,  a depressão pode acelerar o envelhecimento celular e levar a pessoas que tenham esses transtornos a morte prematura. 

Ainda soma-se a outro estudo que já informava que esse tipo de doença, como a depressão, pode levar o indivíduo a desenvolver para doenças cardiovasculares, mal de Alzheimer e osteoporose. Sendo assim, a depressão, considerada a grande doença do século, é um fator de risco que pode levar pessoas a morrerem de forma precoce.

Os cientistas partiram da ideia de que essas doenças, as quais indivíduos com tal quadro apontado como grave possuem grandes chances de desenvolver, estão ligadas à idade avançada e a riscos de mortalidade precoce. Desta maneira, os estudiosos apontaram para um olhar mais clínico do que desenvolve tal envelhecimento celular, chegando assim a forma de compreensão com embasamento para melhor compreender o que pode causar essa correlação de envelhecimento com a depressão.

Como efeito de comparação, os pesquisadores começaram a observar as mudanças químicas no DNA que indicam o envelhecimento e o que pode ocorrer em pessoas que estejam em depressão. O teste comprovou que acontece de forma mais rápida nestes indivíduos, envelhecendo as células de forma precoce.

Mesmo com todo esse estudo, ainda não é possível comprovar tal tese. Os mesmos pesquisadores ainda apontam a possibilidade de existir um terceiro fator. A ideia é manter mais estudos, que possam auxiliar numa forma de desenvolver um combate eficaz à depressão.

Segundo estudos recentes, o Brasil possui 5,8% de sua população sofrendo com depressão. O Brasil também sofre com o problema da ansiedade, que em muitos casos leva à depressão. Números divulgados no último ano, mostram que 9,8% da população brasileira – ou cerca de 19,4 milhões – estão ansiosos, deixando desta vez a nação com a liderança do ranking. De acordo com o Ministério da Saúde, suicídio é a principl causa externa de mortes desde 2017, com cera de 12,5 mil casos.