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Palavras que saem como se fora furúnculo exprimido

Cem todos os cantos a política é de morte
o sul precisa vencer o norte
mas confesso que eu estou com medo
sim eu estou com muito medo
quarenta e sete agrotóxicos foram aprovados
e todos só falam do jogo do flamengo
e os corpos invisivilizados seguem sendo apagados
pois são corpos morriveis esses corpos matados

os malditos perderam de vez toda modéstia
então estúpidos esculpiram um bezerro de ouro
e pornogrifizam explicitamente o capital
enquanto o povo precisa encarar a fome
não existe mais amor em são paulo
só um padre velho e cansado armado de amor resiste
e segue resoluto qual soldado que nunca desiste
mas confesso que está difícil esperançar

a cibercultura anda adoecida com fake news
o fascismo vem falseado para não ser reconhecido
e a mentira arreganha seus dentes com vontade
onde sobra o ódio escasseia sempre a verdade
mas uma professora sorrindo insiste
que quem é do bem nunca desiste
então me percebo esperançando um sorriso

assim a poesia com dores nasce e
qual histérica insiste
nesta coisa de fazer das palavras revolução
amigos se unem e se aquilombam
armam-se de sonhos e de esperança e de livros
pois acreditam nas flores vencendo o canhão

a educação é nossa arma e a gente vai vencer esses malditos.