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Cultura

Presidente da Funarte que comparou o rock ao satanismo reassume o cargo

O maestro Dante Henrique Mantovani foi nomeado novamente para a presidência da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Ele havia sido demitido pela Secretária de Cultura, Regina Duarte, e foi readmitido nesta terça-feira (5). A decisão foi assinada pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto.

Dante causou polêmica no cargo quando fez um vídeo para o seu canal dizendo que o rock ativa drogas, sexo, aborto e satanismo. Um dia antes de assumir o cargo, Regina anunciou que o tiraria do cargo e cumpriu sua promessa logo no primeiro dia como secretária de Cultura.

Desde então, dois meses depois, a Funarte estava sem um presidente. Isso porque Regina está tendo problemas para escolher uma equipe. Vários nomes indicados para posições importantes da Cultura vêm sendo vetados pela militância bolsonarista. Na semana passada a secretária finalmente conseguiu definir um nome para ser o nº 2 da pasta. A atriz escolheu o advogado Pedro Horta.

Jair Bolsonaro chegou a criticar a secretária. Na semana passada, em conversa com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada, o presidente reclamou da ausência de Regina em Brasília, apesar de dizer, em seguida, que também ama a “namoradinha do Brasil”.

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Cultura Destaque

Morre o compositor e escritor Aldir Blanc

O escritor e compositor Aldir Blanc, de 73 anos, morreu nesta segunda-feira (4) de Covid-19. Ele estava internado no CTI do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, desde o dia 20 de abril. No último dia 10, o compositor deu entrada no CER Leblon com infecção urinária e pneumonia. Ele chegou a ser entubado em uma sala da unidade de saúde por falta de vagas em UTI.

Segundo o jornal Estado de S.Paulo, as primeiras informações descartavam a possibilidade dele estar com Covid-19, mas novos exames mostraram suspeita de coronavírus e o compositor foi submetido ao teste específico, que se revelou positivo.

O exame foi realizado pelo Laboratório Central Noel Nutels, da rede estadual. Apenas no dia 20, a família conseguiu transferi-lo para um leito de terapia intensiva no Pedro Ernesto.

São parcerias dele com João Bosco muitas canções de enormes sucessos na música popular brasileira, como O Bêbado e a Equilibrista, Bala com Bala, O Mestre-Sala dos Mares, De Frente Pro Crime e Caça à Raposa, além de outras quatro centenas de letras e composições, e uma também extensa obra como cronista.

 

Foto: Reprodução

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Cultura Destaque

Cultura Presente nas Redes recebe inscrições de todo o estado do Rio 2020

Anunciado na última semana pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECEC), o “Cultura Presente nas Redes” é um edital que tem como objetivo fomentar a cultura em todas as regiões do estado do Rio durante o período de isolamento social para combater a Covid-19. Para isso, está sendo investido um total de
R$ 3.750 milhões do Fundo Estadual de Cultura para auxiliar os profissionais da área nesse período, com a seleção de 1,5 mil apresentações e premiação de R$ 2,5 mil  para cada produção.
Até a manhã desta segunda-feira (20), a SECEC recebeu 1.500 inscrições, que seguem abertas até o próximo dia 25. A secretária de Estado de Cultura e Economia
Criativa, Danielle Barros, explica que cada uma das dez regiões do estado terá a sua seleção. A quantidade de vagas foi definida pelo número de habitantes.
– Uma das dúvidas que estamos recebendo é sobre a forma de seleção. Por ser um edital para todo o estado, definimos que a concorrência será dentro da região.
Um projeto do Norte Fluminense não vai concorrer com um da capital, por exemplo. O estado do Rio é grande, cada região tem as suas características próprias, por isso o mais certo será esse tipo de seleção – conta Danielle Barros.
Levando em consideração a quantidade de habitantes por região, as vagas do edital foram separadas desta forma: capital (583), Metropolitana II (320), Metropolitana III (180), Noroeste (31), Norte (84), Serrana (85), Baixadas Litorâneas (74), Médio Paraíba (80), Centro – Sul (26) e Costa Verde (37). “Após 22 anos, vamos conseguir
utilizar o Fundo Estadual de Cultura para o seu objetivo principal: fomentar a cultura em todo o estado. Estamos conseguindo isso com muito trabalho da nossa equipe e
com o apoio do governador Wilson Witzel”, completa a secretária.
Para concorrer a uma das vagas do “Cultura Presente nas Redes”, é preciso ter pelo menos um ano de atuação em sua respectiva área. As ações culturais serão
exibidas em plataformas digitais do proponente e estarão divididas em quatro eixos: manifestações artísticas, criação de conteúdos digitais, oficinas culturais à distância e conteúdos audiovisuais.

Poderão se inscrever no edital on-line: pessoas físicas maiores de 18 anos, artistas e produtores residentes no estado do Rio comprovadamente há mais de um ano.

Para participar, basta preencher a ficha de inscrição que está no site (http://cultura.rj.gov.br/fundo-estadual-de-cultura/ ) da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e deverão ser anexados os documentos: RG e CPF, comprovante de residência dos últimos três meses e portfólio de atividades, provando o período de atuação

de pelo menos um ano de atividades na área cultural.

Poderão ser contempladas ações culturais nas áreas de música, literatura, artes visuais, audiovisual, dança, teatro, circo, moda, museus, cultura alimentar e expressões culturais populares inéditas, exclusivamente realizadas no âmbito do Estado do Rio de Janeiro.
Acesse o link do edital:
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Alessandro Monteiro | Circuito Carioca Cultura

Theatro Municipal do Rio de Janeiro lança cartilha virtual durante isolamento

Aprender um pouco da história de um dos mais importantes teatros do país e alguns de seus personagens através de jogos de inteligência. Essa é a proposta da cartilha semanal de atividades que está sendo desenvolvida pelo Theatro Municipal, disponível no site e nas redes sociais do Theatro. Desenvolvida pelo setor educativo, as pessoas conseguem ver de casa um conteúdo que, até então, só quem fazia uma visita guiada teria acesso.

Na primeira cartilha, que já está disponível gratuitamente para a população, o pintor Eliseu Visconti, autor de diversas obras do Municipal, vai acompanhar o visitante numa aventura e guiá-lo a uma viagem no tempo.

– As cartilhas surgiram com o objetivo de manter a magia do Theatro acessível às crianças e a toda a família, mesmo com as atividades suspensas. Todos os personagens que aparecem de forma lúdica fazem parte da história ou da arquitetura do prédio e foram escolhidos para apaziguar um pouco a saudade e também  servem como um estímulo para que nos visitem  em breve – afirma Bruna Leite, coordenadora de projetos especiais do TMRJ.

A cada semana, haverá uma cartilha diferente no site e nas redes sociais, até a abertura dos equipamentos.

Instagram: @theatromunipalrj

Facebook: https://www.facebook.com/theatro.municipal.3/

Site: http://www.theatromunicipal.rj.gov.br/

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Cultura Destaque

Zabelê

Por Alessandro Monteiro

De bem com a vida e fortes influências musicais, Zabelê, é filha de dois grandes gênios da MPB, Baby do Brasil e Pepeu Gomes, formou o grupo SNZ (1997), junto com as irmãs Nãna Shara e Sarah Shiva.

O primeiro álbum do grupo foi lançado em 2000 pela Warner Music Brasil, com o single “Longe do Mundo”, uma trilha sonora do filme “O Trapalhão e a Luz Azul”. Após o fim do grupo, Zabelê foi a única que continuou na música pop, realizando turnês pelo Brasil.

Seu primeiro álbum solo foi lançando em 2015, puxado pela música “Nossas Noites”. Em 2020, a cantora revelou estar produzindo um novo álbum, ainda sem data de lançamento.

 

Como você entende essas relações conservadoras em relação a mulher em pleno século XX?

Acho que devemos evoluir como nação e cidadãos, não podemos repetir o erro de gerações passadas.

Temos que parar com idéias super conservadoras em relação a mulher de hoje em dia, respeitar seus direitos que devem ser iguais ao de todos.

Nascida em uma família de artistas consagrados, você e suas irmãs enveredaram para música, que em determinada época criaram o grupo SNZ não foi?

Sim, criamos o SNZ em 1999 e tivemos uma carreira linda de 10 anos juntas.

Por que acabou?

Cada uma de nós resolveu seguir o seu caminho individual na música. As meninas foram para o Gospel e eu para o secular com uma carreira na MPB.

Já pensaram na possibilidade de retorno?

Não, temos ideologias,pensamentos diferentes e respeitamos o momento de cada uma em suas carreiras.

O SNZ fez história e eu sou muito grata a tudo o que vivi e aprendi com toda nossa experiência musical juntas. Mas chegou um momento de cada uma seguir o seu vôo solo.

 

Zabelê e Baby do Brasil
(Foto: Reprodução Instagram)

Como era sua infância, livre?

Tive a sorte de ter uma infância cheia de liberdade e muita cultura a todo tempo. O fato de ter crescido rodeada de muitos artistas foi uma inspiração para toda a minha vida.

Qual a sua visão da cultura atual?

Vejo a internet como nosso melhor caminho cultural, os artistas que antes não tinham voz, hoje em dia podem divulgar os seus trabalhos independentes e mostrar a sua arte.

Precisamos cada vez mais abrir esse espaço, e dar a atenção necessária para que a nossa cultura seja mais forte e sempre presente no nosso País.

E com suas irmãs? A relação é bacana?

Sim, temos uma relação de irmãs amorosas que se amam e querem o melhor uma para a outra.

O importante é sermos felizes com o que fazemos nessa vida!

 

Como é a sua percepção de vida hoje?

Para mim, temos que nos comprometer com a nossa felicidade e com o nosso crescimento interno, para sermos seres humanos evoluídos, doando amor e demostrando compaixão um com os outros.

Não estamos sozinhos nessa terra. Quanto mais percebemos isso mais damos valor ao próximo.

 

Foto: Reprodução Instagram

Um sonho?

No momento paz e amor no mundo! E que a gente consiga logo superar essa epidemia do Covid-19 e que a ciência consiga achar uma saída, vamos ter fé!

Sua mãe tem uma carreira sólida. Existe uma troca entre vocês duas em relação aos projetos profissionais? E na vida?

Somos muito amigas, trocamos de uma forma sadia as nossas experiências tanto na vida quanto na carreira.

Estou sempre aprendendo com ela e ela comigo! Oh sorte!

 

 

Seu primeiro disco solo foi lançado em 2015, o que marcou?

Foi um disco muito importante para a minha carreira, com ele consegui mostrar um pouco mais do meu lado Brasileiro e das minhas influências musicais como o afoxé e um pouco do samba.

Um disco Brasileiro mais alternativo, tenho muito orgulho de ter feito. Acho que nós artistas temos que ter a liberdade de poder explorar todos os nossos lados musicais. Eu vim de uma família Pop Brasileira que sempre explorou do Rock Roll ao Samba.

 

Apesar do ano ter começado cheio de atribulações, como você faz para manter sua mente equilibrada?

Sou uma pessoa que me foco para manter uma atitude mental constantemente positiva, acho que temos que perceber que por traz de toda essa dificuldade que estamos passando, existe um objetivo de aprendizado para todos nós. Se a gente conseguir ver isso tudo como uma oportunidade de crescimento espiritual e mental, passaremos esse tempo com mais paz e alcançaremos o objetivo maior!

Vamos manter a mente e o coração em paz, ter fé e acreditar no amanhã!

Tem alguma religião? Acredita em Deus?

Eu não sigo nenhuma religião, mas acredito em Deus, acredito na energia da vida e da natureza. Acredito que Deus está ali e tudo é movido por ele.

Além de seus pais, quais artistas você tem referência de boa música?

Ah… são muitas as referências! Costumo dizer que vão de Novos Baianos a Michael Jackson para citar algumas.

 

Uma música?

Acabou Chorare/ Novos Baianos

Se tivesse o poder de transformar as coisas, o que faria agora?

Ajudaria aos mais necessitados e acabaria com esse vírus!

Soube que está em estúdio produzindo novidades. Pode contar?

Surpresa! Estamos preparando coisas lindas para vocês! Em breve vocês saberão as novidades!

O que te inspira?

A arte, a vida, a música, a dança.

Música é?

Vida!

Zabelê por Zabelê?

Complicado eu me definir..rsrs

Mas acho que sou uma pessoa positiva, curiosa e que esta sempre procurando evoluir!

 

Foto de Capa: Denny Silva

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Cultura Destaque

Morre Moraes Moreira, cantor e um dos fundadores do Novos Baianos

Morreu, na manhã desta segunda-feira (13), aos 72 anos, o cantor e compositor Moraes Moreira. O artista estaria em sua casa, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela assessoria de Moraes.

“Foi encontrado em casa morto, no Rio de Janeiro. A gente não sabe direito o que ocorreu. Nem eu, nem as irmãs sabemos. Foi na madrugada. A empregada foi limpar o apartamento e encontrou ele morto. Ele morava só ultimamente. Só sei disso por enquanto”, disse Eduardo Moraes, irmão do cantor, ao portal G1.

Nascido em Ituaçu (BA), cidade tida como porta de entrada da Chapada Diamantina, o cantor e compositor acumulou sucessos nos seus mais de 50 anos de carreira. Foi integrante do grupo Novos Baianos entre 1969 e 1975. Com o grupo lançou, em 1972, ‘Acabou Chorare’, um dos álbuns mais importantes da música popular brasileira.

Além de se destacar na música, Moraes estava cada vez mais envolvido com poesia. Ocupava a cadeira de número 38 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. No início de março, escreveu um cordel inspirado na pandemia do coronavírus.

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Cultura

Para ouvir em casa: álbum resgata o samba-canção com novos intérpretes

A intensa vida noturna de Copacabana fez despontar inúmeros músicos a partir da década de 1930, quando o bairro começou a ganhar prédios. Não se conhece outro local no país que tenha sido palco de tantos intérpretes, compositores e instrumentistas com reconhecido talento durante pelo menos 40 anos.

O bairro foi perdendo força como cena musical nos anos 1960. Mas o samba-canção que fez residência no local permaneceu como um gênero síntese da união da batucada leve e cadenciada com a música dor de cotovelo.

O álbum recém-lançado ‘Copacabana’ (Selo Sesc), com repertório de 14 faixas baseado no livro ‘Copacabana: a trajetória do samba-canção’, de Zuza Homem de Mello, que também concebeu e dirigiu este trabalho, dá um panorama expressivo em forma de música desse período.

O trabalho faz não só um excelente resgate das músicas que referenciam Copacabana ou se tornaram muito conhecidas nas boates e casas de espetáculo nos tempos áureos do bairro, mas também reúne um time pouco badalado, mas representativo de intérpretes da nova geração e da velha-guarda com grande afinidade com o gênero musical.

As faixas

O álbum abre com a clássica ‘Copacabana, princesinha do mar…’ (João de Barro e Alberto Ribeiro), com as vozes tarimbadas de Luciana Alves e Zé Luiz Mazziotti, seguida de outro clássico: a música ‘Acontece’, de Cartola, na interpretação do jovem talento Ayrton Montarroyos.

A terceira do álbum, ‘Linda Flor’ (Henrique Vogeler, Luiz Peixoto, Marques Porto e Cândido Costa), Luciana Alves canta novamente. A ‘Fracassos de Amor’ (Tito Madi e Milton Silva) vem com a nova intérprete Anna Setton.

No’ X do Problema’, da obra conhecida de Noel Rosa, Luciana Alves reaparece em mais uma interpretação bem conduzida. A sexta faixa, ‘Na Madrugada’ (Nilo Sergio), o acordeonista Toninho Ferragutti dita com virtuosismo a única faixa instrumental.

Ayrton Montarroyos coloca voz em ‘Vingança’ (“O remorso talvez seja a causa de seu desespero…” de Lupicínio Rodrigues) e Luciana Alves em ‘Fim de Caso’ (Dolores Duran).

Dóris Monteiro

‘Fecho Meus Olhos… Vejo Você’ (José Maria de Abreu) é regravada de forma emotiva por Dóris Monteiro aos 85 anos, uma das cantoras marcantes do samba-canção.

O trabalho segue com ‘Não Tem Solução’ (Dorival Caymmi e Carlos Guinle) com Zé Luiz Mazziotti, e ‘Você Não Sabe Amar’ (Dorival Caymmi, Hugo Lima e Carlos Guinle) com Luciana Alves, ambas na mesma faixa, e a pouco conhecida ‘Solidão’ (Tom Jobim e Alcides Fernandes) com Ayton Montarroyos.

O antológico cantor performático Edy Star, que fez sucesso nos bares do Rio em meados do século passado, interpreta a música ‘Meu Vício é Você’ (Adelino Moreira). Depois vem ‘Ocultei’ (Ary Barroso) com Anna Setton.

‘Sábado em Copacabana’ (Dorival Caymmi e Carlos Guinle) encerra o álbum com Anna Setton, Ayrton Montarroyos, Luciana Alves e Zé Luiz Mazziotti.

Os arranjos e direção musical do álbum ‘Copacabana’ é de Ronaldo Rayol.

Alguns sambas-canção badalados outros nem tanto, o trabalho comandado por Zuza Homem de Mello é agradável, delicado, sentimental e muito bom de se ouvir em tempos de isolamento domiciliar.

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Cultura Entrevistas

Stênio Garcia: ‘eu nunca vou parar’

Por Alessandro Monteiro

Nascido em 1932, Stênio Garcia Faro é formado pelo Conservatório Nacional de Teatro, ingressando em 1960 no elenco da última fase do Teatro Brasileiro de Comédia, intercalando suas atuações com Cacilda Becker. Década em que já era um ator premiado em montagens inovadoras do teatro brasileiro.

Na carreira, mais de 50 personagens, 20 novelas, minisséries, 23 filmes. Stênio é reconhecido como patrimônio da televisão brasileira. Atualmente casado com a também atriz Marilene Saade, o ator celebra mais de 60 anos de carreira.

Aos 87 anos, qual o segredo para tanta vitalidade?
Tenho uma rotina diária sempre ativa, exercitando o corpo e mente. Cuido rigorosamente da minha alimentação, não fumo, não bebo nada alcoólico. Também pratico várias atividades físicas como yoga, pilotes, musculação funcional e esteira cardiorrespiratória para continuar mantendo um coração e o pulmão bom. A minha memória é treinada diariamente, seja lendo textos, falando monólogos, por exemplo. Talvez seja um hábito desde o início da carreira, feito para mim mesmo. Hoje tenho a Mari [Marilene Saade], que além de excelente esposa e companheira, é minha ouvinte e apreciadora da minha arte, das poesias que leio e declamo. A roda de amigos, a minha casa. Memória é treino: quanto mais treinar, melhor fica.

Num currículo que somam mais de 60 obras, o que marcou?
Interpretar o Aleijadinho no Caso Especial ‘O Poema Barroco’, na TV Globo, em 1977. Um marco na minha vida. Também o Tio Alli na novela ‘O Clone’, de Glória Perez, e muitos outros.

Na cidade de Mimoso do Sul, no interior do Espírito Santo, onde nasceu, existe o Teatro Stênio Garcia, que vem sofrendo pela falta de manutenção e abandono. Existe algum tipo de relação sua e a Secretaria de Cultura de lá para que mais um espaço de cultura não seja fechado?
É muito triste ver mais um espaço de cultura nessas condições, principalmente na minha cidade. A angústia é muito grande, quando vejo espaços assim, quase fechando, sofro bastante. Dias atrás, estava pensando em realizar esse contato, na tentativa de saber como andam as coisas, a conservação e tudo mais. Os meus troféus estão todos lá, no teatro. Inclusive penso em buscá-los e guardar aqui em casa. Durante a carreira ganhei prêmios importantes e conquistados realmente com o suor do trabalho. Um país não vive sem arte, educação e cultura, porque as três coisas são interligadas. Logo, ver um país decaindo, cinemas sendo vendidos e teatros virando templos para nós, que vivemos de arte, não é fácil!

A sua qualidade de vida está diretamente ligada à natureza?
Nós somos a própria natureza. Eu acho que essa qualidade de vida que as pessoas dizem que eu tenho é, de fato, um olhar diferente para a vida. Vivemos tempos de muita poluição, desmatamento, oceanos e mares cheios de lixo. Também existe a responsabilidade de todos nós em colaborar, do poder público, mas a cada dia a situação tende a evoluir infelizmente, pela falta de conscientização e amor respeito à vida. Eu moro num lugar em que planto árvores, piso na grama, medito e me conecto com o melhor que a gente tem, o que é possível. Sou uma pessoa que luto em prol da natureza. Já tirei lixo de rios, quando morava em Xerém e continuarei lutando e atuante em causas assim.

Atuar é um combustível pra você?
Atuar e trabalhar é a minha vida. Só paro quando não estiver mais aqui.

Uma saudade?
Sim, da minha cidade Mimoso, do Sule, do Doutor Roberto… um ser humano incrível a quem tenho eterna gratidão.

No dia 20 de março, a escritora Glória Perez emitiu um comunicado em que estaria escalando você para sua próxima novela, em 2021. Logo, é possível que seja mantida a sua estabilidade na emissora ou de fato o contrato mudará para contratação somente por obras?
Eu primeiro fiz o vídeo para falar com todos os autores e diretores. Entendo ser a única saída, já que estou em quarentena. Olhando o celular vi que tinha o contato da Glória, do Jayme, de outros amigos. Para minha surpresa, ao passar um WhatsApp para Gloria, imediatamente ela respondeu que eu já seria um dos integrantes do elenco da próxima novela dela na Globo. Não foi um comunicado, apenas uma conversa nossa. Daí perguntei se poderia falar na Globo e prontamente ela respondeu sim. Televisão eu não trabalho por obra, afinal,70 anos de carreira é estrada, né? Essa nova modalidade é para quem está começando, jovens atores, não para nós já consagrados na profissão. Cinema e teatro eu faço, converso e sempre chegamos num acordo.

Cinema, teatro ou TV?
Ah, eu comecei no teatro. Ator é palco, atuação, seja no teatro, cinema, televisão e até mesmo no circo.

Após cinco casamentos, qual a lição aprendida?
Realmente eu tive quatro casamentos anteriores. Acho que toda relação é importante para você crescer. Seja boa, triste, não importa. Meu quinto casamento eu posso dizer que farei 22 anos juntos, bem-sucedidos.

Stênio, você como referência para muitos aspirantes à carreira e aplaudido por tantos colegas da classe artística, é sempre elogiado pelo seu jeito simples e acessível. É o seu segredo do sucesso para tantos anos?
Ah, eu não sei, Alessandro. Realmente sou uma pessoa simples, humilde e acho que fazer o trabalho deve ser realizado com excelência em todas as áreas. Não vaidade em relação a isso. Tenho minha consciência como ser humano.

Ainda tem sonhos? O que falta?
Claro, tenho muitos sonhos profissionais e de vida ainda. Desejo viajar muito com minha mulher, fazer muitas coisas com ela. Quem sabe eu chego aos 100 anos [risos]. Ninguém vive sem sonhos. Claro, é importante ter vitalidade, saúde e sanidade mental. Eu trabalho em casa para isso e acredito que se você mantém uma mente trabalhando, vida saudável e paz de espírito, é possível chegar nesta idade lúcido, com boa memória, em plenitude.

 

Podemos te esperar nos palcos?
Claro! Não somente nos palcos, mas nas ruas, no supermercado, na vida. Essa pandemia vai passar. É uma forma de aprendizado para todos nós, seres humanos. Os projetos vão seguir. Tenho muitas coisas ainda para realizar, muitas! Atuar é a minha vida!

Durante a entrevista, você foi comunicado do desligamento da TV Globo. É verdade?
Sim, para minha surpresa. Eu teria uma reunião agendada para o último dia 25 de março. Porém tudo foi suspenso devido à pandemia do coronavírus. Entendi que teríamos uma nova conversa, mas a coisa não foi assim. Para continuar, eu deveria estar escalado para algum trabalho agora e já entrando nas filmagens, o que jamais aconteceria, visto que tudo está suspenso. A Glória foi uma querida, eu agradeço, mas a vida segue. Não adianta falar de ilusão e não vou me calar! Vamos à luta e que aconteça o melhor, para ambas as partes.

Uma mensagem?
Nunca pare. Não é somente o idoso que para. O jovem quando para fica deprimido. Não parem de sonhar, trabalhar, realizar as boas coisas da vida, mesmo que tenham dificuldades. Li há pouco tempo que o Bill Gates não estará mais a frente da Microsoft e se dedicará a trabalhos filantrópicos. Não é genial? Ainda pretendo realizar muitos trabalhos filantrópicos também. Sonhem, sonhem muito! Materializem seus sonhos, escolhem um caminho a seguir, coloca foco e vai, sem medo de sofrer quedas. Na vida, é preciso ousar. Trabalho desde sete anos de idade e só paro quando a vida me parar.

Fotos: Reproduções

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Brasileiro com muito Orgulho Cultura

Áurea Martins celebra 80 anos de vida e música

Por Alessandro Monteiro

Carioca do bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, Áldima Pereira dos Santos, popularmente conhecida como Áurea Martins, em junho deste ano completa 80 anos com novos projetos e uma grande paixão pela música.

Nascida em família de artistas musicais, participou quando criança do coral da Igreja de Nossa Senhora do Desterro. Seu nome artístico foi presente de Paulo Gracindo quando atuava em programas de auditório da Rádio Nacional, na década de 60. Venceu na TV o concurso ‘A Grande Chance’, de Flavio Cavalcanti.

Com o dinheiro do prêmio, ela bancou o primeiro LP, ‘O Amor em Paz’, de 1972, que tem arranjos de Luiz Eça. Também esteve por um longo período atuando apenas no circuito boêmio da capital fluminense.

Com o disco ‘Até Sangrar’, de 2008, voltou à cena musical nacional, ganhando como melhor cantora no Prêmio da Música Brasileira, em 2009. No mesmo ano, o cineasta Zeca Ferreira lançou o curta ‘Áurea’, que mostra um dia de trabalho da artista na noite e já recebeu mais de 20 prêmios desde que foi lançado.

Em 2012, lançou seu primeiro DVD com o registro de um show em estúdio. Na carreira, oito CD’s gravados e Áurea, prestes a completar 80 anos, retorna ao estúdio e grava novo trabalho no formato voz e piano com Cristóvão Bastos.

Além de integrar as comemorações de seus 80 anos, o disco celebrará também o centenário de nascimento de Elizeth Cardoso (1920-1990), sua maior referência, com regravações de duas músicas que fizeram parte do repertório da cantora.

Mais informações sobre esta célebre artista,estão em sua biografia ‘Áurea Martins – A Invisibilidade Visível’ (2017), recém-lançada pela editora Folha Seca.

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Cultura Destaque

O Show da Luna estimula crianças a lavarem as mãos com desenho

Para contribuir nas ações de prevenção ao coronavírus de forma lúdica e divertida, a TV Brasil exibe episódio especial da série O Show da Luna! que destaca a importância de lavar as mãos. A animação que incentiva as crianças a adquirirem esse hábito vai ao ar nesta terça (24), às 11h30 e às 15h30.

Com o título “Uma mão lava a outra”, o desenho de sucesso tem uma versão em interprograma. Esse clipe musical já está no ar desde sábado nos intervalos da TV Brasil Animada, faixa de programação infantil com mais de 10h diárias. A realização é da TV Pinguim, produtora parceria da emissora pública.

O capítulo número 19 da terceira temporada de O Show da Luna! reforça os benefícios de lavar as mãos e mostra que esse costume vai muito além da simples questão de manter o corpo limpo. A historinha revela à garotada que essa iniciativa pode evitar doenças e até mesmo salvar vidas, especialmente diante da pandemia do Covid-19.

A proposta é fomentar a segurança e o bem-estar das crianças e das famílias. Na trama, a protagonista e seus amigos ensinam como lavar as mãos com água e sabão. O clipe musical e o episódio completo especial de O Show da Luna! demonstram de maneira bastante curiosa como fazer esses procedimentos.

Nesse episódio, Luna, uma esperta garota de seis anos, seu irmão mais novo, Júpiter, de quatro anos, e o furão de estimação da família, Cláudio, tiveram se divertiram muito montando a cavalo. O menino não entende o motivo de, após a brincadeira, precisar lavar as mãos com água e sabão.

Para Júpiter, suas mãos parecem perfeitamente limpas. Com uma linguagem acessível, trama bem encadeada e muita música, a protagonista Luna explica que é preciso lavar e esfregar bem as mãos para se livrar dos germes.