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Kiria Malheiros se divide entre as gravações e as aulas on-line

Aos 16 anos, a atriz e estudante Kiria Malheiros se desdobra para conciliar as duas rotinas. De manhã, ela assiste às aulas on-line do CEL Intercultural School. E, à tarde, interpreta a personagem Zilpa, da novela Gênesis, da Record TV, da qual tem o maior carinho.

Crédito das fotos: Arquivo pessoal

Zilpa ganhou um lugar especial no meu coração. Está sendo uma

experiência totalmente nova trabalhar em uma novela de época e bíblica. O figurino, os cenários, tudo diferente! Uma experiência única e maravilhosa – conta a atriz, que vive a filha de Yarin (Cacau Melo) e Jasper (Thiago Amaral).

Kiria se orgulha ao enumerar as características de sua personagem atual:

Ela é madura e tem um comportamento bem maternal, sabe ser dura quando necessário. Ela é séria e responsável, um tanto quanto brava também. Mas carrega um coração nobre.

A estreia de Kiria em novelas foi em ‘Salve Jorge’, quando conquistou o público como Raíssa, em 2012, na TV Globo. Mesmo ainda tão nova (7 anos) naquela época, a atriz se lembra do sentimento quando fez o teste:

Eu estava muito nervosa e ansiosa. O resultado demorou quase 2 meses pra sair. A ansiedade estava a mil! Mas, no fim, deu tudo certo. Foi muito emocionante para mim, estava muito feliz!!

Até hoje, a filha dos vendedores Carla e Dolsenir Malheiros já contracenou com grandes nomes da dramaturgia brasileira. Entre eles,

Crédito das fotos: Arquivo pessoal

Lilia Cabral e Giovana Antonelli. Como atriz, uma grande inspiração para Kiria é a americana Scarlett Johansson.

E com quem a jovem atriz gostaria de contracenar?

Fernanda Montenegro. Acho ela uma pessoa muito humilde e talentosa, além de vivida! Acredito que poderia aprender bastante com ela.

Na sala de aula, Kiria é aluna do segundo ano do Ensino Médio. E ela é grata ao colégio por ajudá-la a conciliar com as gravações.

Estou há quatro anos no CEL, que sempre foi muito flexível e compreensível com minha rotina de trabalho. Sempre me ajudou e me deu o suporte necessário para que não houvesse problemas nessa conciliação. Quando saio do colégio, vou direto gravar. E nos intervalos consigo arrumar um tempo para realizar as tarefas e estudar.

Filme na Netflix

Em 2020, aliás, Kiria apresentou, ao lado do ator Xande Valois, também aluno da escola, a live dos 50 anos do CEL:

Foi incrível e muito emocionante, me senti honrada e pude aprender um pouco mais da história do CEL.

Atualmente, além de Gênesis, Kiria está nas telinhas na reprise de Império, na Globo. Ainda neste ano, acontece a estreia de seu mais novo filme, original Netflix, chamado ‘Confissões de uma garota’.

E quais os maiores sonhos dessa jovem e talentosa atriz?

Continuar fazendo o que eu amo, participar de projetos marcantes e inesquecíveis e, quem sabe um dia, ganhar um Oscar.

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Fundador e diretor de time amador que revelou Thiago Silva falam de projeto com jovens carentes no RJ

Mudar a realidade de crianças e adolescentes através do futebol. Esse é o propósito do Nacional Sport Club, time amador fundado em 1987 em Santa Cruz, no Rio. Nos quase 34 anos de história, muitos jovens tiveram suas vidas transformadas depois de passarem pela equipe, entre eles nada mais nada menos que Thiago Silva, zagueiro do Chelsea e da Seleção Brasileira. Foi no Nacional que o craque e outros tantos jogadores deram os primeiros passos.

O clube, que trabalha atualmente com cerca de 100 crianças e adolescentes divididos em várias categorias e que já soma mais de 60 títulos, nasceu da paixão por futebol do baiano Valdeck Lima. Natural de Salvador, o atual presidente do Nacional fundou o clube após se mudar para o Rio depois da morte da mãe. Valdeck e o seu braço direito, o carioca Vanilson Branco, ex-atleta e atual diretor do clube, falaram com o Jornal DR1 sobre o trabalho que desenvolvem, as dificuldades para manter o projeto de pé e sobre a felicidade de ver tantas vidas modificadas pelo esporte.

JDR1 – Como surgiu a ideia de formar o clube?

Valdeck – Isso vem de um sonho de criança, lá em Salvador. Depois que me mudei, resolvi fazer o time em Santa Cruz. O primeiro nome do clube foi Replay. Depois, mudei o nome para Ponte Verde. Só que passou um tempo, meu irmão conseguiu um emprego para mim no Banco Nacional, na Presidente Vargas, e os gerentes, sabendo do meu time, me deram um uniforme e, em homenagem a eles, coloquei o nome de Nacional no time.

JDR1 – A camisa eleita a mais bonita da história do clube foi justamente essa cedida pelos gerentes, há 26 anos, não é?

Vanilson – Sim. Ela representa o início de tudo, e o único que tem ela até hoje sou eu. Essa camisa tem história, tem título. A gente, inclusive, tá planejando fazer uma retrô para presentear a galera da velha guarda. Acho que já vesti uns 40 uniformes desse time, mas igual essa aí não tem. Essa eu guardo e pretendo até enquadrar e pendurar na nossa sede.

JDR1 – Como é a realidade das crianças atendidas pelo projeto?

Valdeck – Muitos chegam na beira do campo e dizem que não vão jogar, porque não jantaram ou não tomaram café. Isso me machuca. Muitos não têm casa, vivem em situação precária. Aí entra o meu lado paterno. Inclusive já botei 17 adolescentes para morar na minha casa. Se um dia a gente faltar, vamos estar entregando muitas crianças para a maldade. A realidade delas não é fácil, só quem convive sabe.

JDR1 – Como tem sido as atividades agora na pandemia?

Valdeck – Eu sou treinador também e, toda quarta, quinta e sexta, fico de 6h até 22h com as crianças. Com esse vírus, a gente está trabalhando dividido. A gente evita aglomerações, a gente exige máscara e álcool em gel.

JDR1 – Como o clube se mantém hoje?

Vanilson – A gente consegue captar recursos com os próprios membros da diretoria, com os pais das crianças, familiares, amigos, que ajudam com valor mensal as vezes. Uns podem dar, outros não. A gente pede para que a comunidade possa ajudar, porque a gente quer dar oportunidades para as crianças. Eu sempre falo para eles que não tem como saber se a pessoa será um advogado, um professor, se você não der oportunidades. Eu particularmente estou montando um projeto para a Lei de Incentivo ao Esporte, um projeto favorável de recursos, de despesas, pra ver se a gente consegue alavancar mais um pouco o projeto, ter uma sede maior, ter um campo melhor.

Crianças e adolescentes integram equipes do Nacional. (Foto: Reprodução/Instagram)

JDR1 – Como foi a passagem do Thiago Silva pelo clube?

Valdeck – Tive o privilégio, em 2000, de trabalhar com ele, capitão da Seleção Brasileira. Hoje, está no Chelsea, também já jogou no Milan. Um menino determinado, muito na dele, focado. Um cara que sempre tenho contato e ele sempre está perguntando o que o projeto está precisando: bola, colete, essas coisas. Ele sempre está nos ajudando. Ele sempre está incentivando as crianças, as vezes manda áudio para elas.

JDR1 – O que o Nacional Sport Clube representa hoje para vocês?

Valdeck – Depois dos meus cinco filhos, a coisa que mais amo, tirando meus irmãos também, é o Nacional. É minha pele, minha razão de viver. Vou para a feira vender estrume, faço faxina, pinto casa, o que me chamar, para ter dinheiro para o projeto. A gente empaca em situações financeiras, por falta de ajuda, mas continuamos lutando. Meu sonho é pode formar mais jogadores, porque o esporte tem poder para mudar a realidade dos jovens. Eu falo para todo mundo que, se eu um dia eu faltar, nunca deixem esse time morrer.

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No mês que marca a Abolição da Escravatura artistas do Coletivo Pé na Porta refletem sobre a “falsa abolição no Brasil”

 

 

Atores do Coletivo Pé na Porta refletem sobre o dia 13 de maio, marco da Abolição da Escravatura. Os artistas avaliam a vida da população negra e o que mudou 134 anos após a assinatura da Lei Áurea em 1888.

A data marca oficialmente o fim da escravidão no Brasil, último país a abolir a prática. A população negra foi liberta, mas não recebeu nenhum amparo do Estado e da sociedade. A herança escravagista reflete até hoje na desigualdade entre brancos e negros.

“Invisíveis” espetáculo do Coletivo Pé na Porta aborda essas e outras questões sofridas por trabalhadores pretos da atualidade. Além do espetáculo, exibido de forma online, o grupo prepara um documentário, que estreia em breve, sobre o assunto.

Cridemar Aquino – Crédito: Reprodução

Resposta Cridemar Aquino

13 de maio é um dia de comemoração?

“Não! Definitivamente é um dia para olharmos com muita inteligência e entendermos todo o processo violento a que nossos corpos foram submetidos. Todo esse processo vergonhoso para o Brasil que foi o último a “ abolir “ a escravidão, só denota os reflexos dessa sociedade, baseada na exploração de corpos pretos , na discriminação, e na diminuição do valor da humanidade de nossos corpos.”

Como a pandemia afetou os artistas pretos e o que podemos fazer para diminuir as sequelas da Covid-19 na vida profissional e social da população preta?

“A pandemia mata muito mais pessoas pretas. No caso dos artistas, esse é um fator muito importante, uma vez que artistas pretos são preteridos de um modo geral em trabalhos artísticos. Sendo assim, a vida artística que já sofre sistematicamente, para artistas pretos é uma grande catástrofe. Mesmo nesse processo da Lei Aldir Blanc , em que alguns projetos foram contemplados, artistas pretos foram e estão sendo lesados por contratantes e ganhadores dos fomentos. É uma prática ainda mais cruel , mas que reproduz toda a lógica racista de exploração.”

 

Raphael Rodrigues – Credito: Reprodução

Resposta Raphael Rodrigues

Como avalia a vida da população negra após a abolição ?

“Uma vida cheia de mazelas sociais que não foram dissipadas. E com passos fortes , que apesar de muita luta e grandes representantes , ainda é sufocada e aniquilada no tocante às suas potências e sonhos . Ainda pessoas pretas estão presas, e amordaçadas por um sistema cruel e cínico da sociedade brasileira elitista.”

Milton Filho – Crédito: Reprodução

Resposta Milton Filho

Qual o reflexo da abolição para artistas pretos no teatro, audiovisual e artes em geral?

O mercado áudio visual tem avanços que ainda não nos colocam num patamar equitativo. Ainda somos uma parcela ínfima em produções e com dramaturgias que não nos favorecem. Ainda há muito estigma. E é urgente uma revolução global nesse sistema e em todas as áreas em que o áudio visual emprega. É preciso que tenhamos diretores, cineastas, autores, produtores de elenco, diretores de arte … pretos conscientes do papel da representatividade! Nesse sentido, somente pessoas que já viveram essas situações seriam capazes de realmente provocar uma revolução.

 

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Destaque do surfe brasileiro Andrea Lopes afirma: “Posso ajudar o surfe feminino por ser pioneira”

Por Guilherme Abrahão

Um dos maiores nomes do surfe mundial. A primeira mulher empreendedora da modalidade a gerir uma escola de surfe. Essa é a carioca da gema, Andrea Lopes. Nascida e criada na cidade maravilhosa, aos 47 anos, Andréa tem muita história para contar. E muito título também na sua longa carreira de 32 anos na modalidade.

Em 1988 conquistou seu primeiro título com apenas 14 anos. Em 1991, já competia na Austrália de forma profissional. Em seguida passou por problemas de anorexia nervosa, chegando a pesar 38kg, e superou com muita força de vontade, como em tudo que pautou sua vida no surfe. Voltou às competições em 1999 e se tornou a primeira mulher brasileira a vencer uma etapa do WCT e a primeira wildcard do mundo – sendo até hoje a única – a vencer na primeira divisão mundial. Chegou ao tetracampeonato em 2006 encerrando sua carreira profissional em 2010, com o vice-campeonato sênior (o único ainda não conquistado por ela até hoje)

Andrea é um orgulho para o esporte. Criou projetos e além de sua escola, ministra a Palestra M.A.R. (Meta, Atitude e Resultado) para auxiliar pessoas com conhecimento técnico, oferecer uma abordagem interpessoal e motivacional ao público. 

Jornal DR1: Como é ser considerada um dos maiores nomes do surfe feminino mundial?
Andrea Lopes: É uma honra, afinal de contas mais da metade da minha vida é dedicada ao surfe e competindo. São 27 anos de competição, 32 de surfe e tenho 47. A competição está no sangue e sendo a pioneira no circuito mundial e em títulos no Brasil, acho que ser referência acaba sendo um lugar de muita batalha e uma grande honra. De certa forma hoje posso ajudar o surfe feminino e em geral, com várias ações e tomando lugar de pioneira em vários movimentos que o surfe tem feito. A palavra só pode ser essa: uma honra.

JDR1: Qual a grande saudade dos tempos de competição?
AL: Saudade que tenho é de viajar. Viajava muito mais. Passava oito a nove meses fora do país. Três ou quatro no país só e de forma picotada. Saudades dos amigos que fiz ao redor do mundo. Na Austrália, Japão, Indonésia. A questão de perder ou ganhar é algo que ficou para trás de uma forma bacana na minha história de vida. Então a maior saúde é viajar e os amigos.

JDR1: Que aprendizado você traz da sua vitoriosa carreira?
AL: Trago é que ninguém é melhor ou pior do que ninguém .Cada um tem seu momento de vitórias e derrotas. Isso faz parte da vida da competição. É saber lidar com o lugar mais alto ou que os holofotes não estão virados para você. É um aprendizado de vida. O tempo todo estamos ganhando e perdendo, não pode se sentir melhor ou pior do mundo. Sempre firme, com humildade e caminhando para frente. Esse é o meu grande aprendizado. 


JDR1: Sua escola de surf é uma das principais do Brasil, quais os pilares desse trabalho?
AL: A escola já existe há sete anos. Tudo foi uma construção até hoje. Agora somos referências, principalmente por coisas que acredito muito, que é o respeito pelo aluno, pelas demandas, encarar o medo de uma forma muito tranquila. Trazem muito esse discurso do medo do mar e precisamos respeitar. Além dos clientes, minha equipe também. Criamos uma família, tem professores que estão comigo desde o início. A equipe só cresce, não diminui. Raramente um sai fora. Coragem é um fato, porque tem que ter muita para empreender no Brasil. Estou falando de respeito, coragem e união. Essa é a nossa bandeira.

JDR1: Por que a escolha pela Barra da Tijuca para montar sua escola?
AL: Sou moradora da Barra desde 1979, desde que tenho seis anos. Sou barrense desde criança. Mas as condições do mar são bem bacanas para se ter uma escola de surfe.

JDR1: Quais os pré-requisitos para iniciar a prática do surfe?
AL: Para começar no surfe é preciso vontade. Não é aquela coisa de um dia ou outro que falta porque venta ou está frio. O surfe  é muito único e requer muita vontade. Coragem também, mas isso a gente constrói junto. Vontade não. É algo intrínseco. É algo único da pessoa.

JDR1:  Hoje você enxerga quem como os grandes nomes do surf, tanto masculino como feminino?
AL: Vejo no masculino nossos brasileiros, Ítalo e Medina, são dois que estão em outro patamar de surfe. No feminino, a australiana Sierra Kerr. Uma garota nova, que está vindo com tudo.

JDR1:  Falta atingir alguma meta na sua carreira?
AL: Tenho quase todos os títulos. ùnico que não ganhei fui campeã mundial master,. Sempre fui segunda ou terceira das etapas. É o único que ainda posso participar e se for convidado pela ISA, posso participar. Nesses últimos de carreira e que possa competir, é o único que falta. E quem sabe. Na vontade estou sim.

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Confira a agenda de lives da semana do Jornal DR1

O músico Jairo Carneiro, o especialista em reestruturação corporativa e turnarounds Steve Henri de Araujo Devos e o ator, produtor e diretor cultural Cal Titanero serão os próximos a serem entrevistados nas lives do Jornal DR1.

As lives acontecem sempre as terças, quartas e quintas, às 15h, no Instagram @jornaldr1. Quem perder alguma entrevista pode conferir depois, na íntegra, também no Instagram ou no Youtube do Jornal DR1.

Confira a agenda das nossas próximas lives:

Últimas lives

O engenheiro civil Ronny Menascé, a administradora Rafaella Mello, integrante do projeto Educarte, e a economista Janaína Calvo, que também é coaching finaneiro, foram os entrevistados da última semana nas lives do Jornal DR1.

Ronny Menascé

Ronny (@ronnymenasce) falou sobre sua vida e carreira. Natural de São Paulo, ele fundou a própria empresa, a Menacon Construções (@menaconconstrucoes) ainda na faculdade. Ele falou sobre os desafios enfrentados pelo setor em razão da pandemia e sobre seus dois cães de estimação, que adoram ir com ele para o escritório.

Confira a live completa no Instagram ou Youtube.

Rafaella Mello

A administradora Rafaella Mello (@rafahmello_) falou sobre o Projeto Educarte (@projetoeducarte_), que leva educação através da arte para crianças e adolescentes do bairro de Santa Cruz, no Rio. Ela também falou sobre a exposição virtual das artes feitas pelas crianças, que pode ser conferida no site: www.ecoardasartes.org.

Confira a live completa no Instagram ou Youtube.

Janaína Calvo

Janaína Calvo (@janainacalvo) deu dicas importantes sobre como gerir as finanças, sobretudo em tempos de crise como agora na pandemia. A cada dez brasileiros, oito tiveram as finanças afetadas, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o SPC Brasil. Ela diz que é preciso planejamento e que, com isso, é possível até fazer um pé de meia.

Confira a live completa no Instagram ou Youtube.

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Andrea Avancini fala de novo curso e protocolos contra Covid-19 em Gênesis: “Testes de seis em seis dias”

Por Alan Alves

Atriz, diretora e produtora, com 38 anos de carreira, Andrea Avancini, no ar como Yarin da novela Gênesis, da TV Record, também tem uma trajetória de sucesso de 25 anos como mentora de atores. Ela lançou agora em 2021 seu método de atuação “O Salto do Ator”, em uma plataforma digital on-line.

Uma das profissionais mais respeitadas do mercado e professora da CAL e da Agência Cintra, duas das escolas de atores mais importantes do país, Andrea desenvolveu sua metodologia ao longo de quase quatro décadas de trabalho nas maiores emissoras de televisão do país. E já são mais de 13 mil alunos formados.

Consagrada por performances marcantes e conhecida por sua habilidade técnica na construção de personagens complexas e conflituosas, já soma mais de 30 novelas e minisséries, mais de 100 produções teatrais, curtas-metragens e festivais promovidos e possui ainda no currículo diversos prêmios, entre eles dois Troféus Nelson Rodrigues.

Andrea conversou com o Jornal DR1 esta semana em uma live, e você confere a seguir alguns trechos da entrevista:

JORNAL DR1 – Já são mais de 30 novelas e minisséries. Qual foi o trabalho mais desafiador?

ANDREA – Cada novo trabalho é um desafio. Mas trabalhos que me desafiaram de uma forma potente foram Xica da Silva, do Walcyr, que eu fazia uma mulher selvagem, completamente fora da curva, fora da linha, do normal. Foi um grande presente do Walcyr, porque é uma personagem que surge uma vez na vida. Outro presente do Walcyr foi Delfina, na Padroeira. Era uma portuguesa e eu tive que aprender a falar o sotaque português perfeito, porque quem ia contracenar comigo na primeira cena era o Antônio Marques, grande ator português, nível Fernanda Montenegro lá em Portugal.

JORNAL DR1 – Como tem sido o trabalho na pandemia?

ANDREA – A gente estava gravando Amor Sem Igual e paramos, acho que seis meses, de março a setembro, alguma coisa assim. E voltamos com todos os protocolos. Quarenta e duas páginas de protocolos. Mudou a quantidade de cenas que a gente grava por dia: eram 25 a 30 cenas e passaram para 15, 10, para pode ter todo esse cuidado. Eu gravo nas quintas-feiras e, agora, com o novo protocolo da Record, a gente vai fazer testes de seis em seis dias, um dia antes de gravar, para poder garantir que os atores estão seguros. As cenas são sem muita aproximação, que foi o que a gente fez em Amor Sem Igual também, nada de comida em cena, e cada um leva seu copo.

JORNAL DR1 – Antes da Yarin, você fez a Zenaide em ‘Amor Sem Igual’. Como incorporar personagens assim tão diferentes?

ANDREA – O meu curso está exatamente explicado como buscar as diversas camadas da personagem. Eu vejo atores que estão começando que acham que é só pegar o texto, decorar e foi. O autor traz para a gente no texto, o primeiro nível de informações, e é através da palavra que a personagem diz. Mas ele traz muito mais informações através do subtexto, daquilo que a personagem não diz, mas que a personagem pensa. Não sou eu, a Andrea Avancini, em cena; é sempre a personagem em cena. E, para a gente entender essa personagem, é muito estudo, muitas referências, muita pesquisa. O mundo é visto através do olhar da personagem, sentindo, vendo, se relacionando com o mundo, com os outros personagens. É assim que a gente consegue criar personagens profundas.

JORNAL DR1 – Como concilia o trabalho como atriz e como professora?

ANDREA – Uma coisa complementa a outra. Eu trago tudo que aprendo no set até hoje para a sala de aula. No meu curso, eu consegui colocar dez fundamentos, numa didática mesmo, para o ator poder entender como construir a personagem, como encontrar o DNA da personagem, como trabalhar a emoção, como se comportar no set, como ser um ator dirigível. É um orgulho poder dividir, partilhar essa experiência com tantos alunos, muitos deles fazendo sucesso aí, como Rodrigo Andrade, Marcela Barroso, Ricky Tavares, Juliana Xavier, DJ Amorim, que tá fazendo “Bom Dia Verônica”, Rafael Zulu, Daniel Torres.

JORNAL DR1 – Qualquer um pode se tornar bom ator ou atriz ou é preciso dom também?

ANDREA – Eu tenho visto as duas coisas. Tem atores que nascem com o dom, tem facilidade como ator, várias virtudes, mas não tem aquela força de vontade. E a nossa profissão é 90% esforço, 90% estudo. Claro que quando você tem o dom, tem um talento, junto com o estudo, você consegue se destacar de uma forma extraordinária. Mas eu vejo, por experiência, que tem muitos atores por aí que começam, pezinho por pezinho, e chegam lá, e chegam muito longe, surpreendentemente, por força de vontade, por estudo, por ter o entendimento de que é preciso estudar, por entender o que precisa melhorar.

JORNAL DR1 – Quais os próximos projetos?

ANDREA – Estou ainda gravando a novela e, logo, logo, tem mais um outro projeto vindo, que eu ainda não posso falar. Tem projeto de cinema também, que a gente deu uma parada porque, com a pandemia, não tem como a gente fazer, mas estou lançado um próximo curta, que gravei em Marrocos, quando a gente foi fazer Jezabel. Está em fase de finalização, com a Juliana Xavier, com a Brendha Haddad, Fabinho Scalon e o Victor Sparapane. Devo lançar ano que vem. E estou muito focada nessa preparação de atores, agora mais em internet também, e abrir novas frentes.

Você pode conferir a entrevista completa com a atriz Andrea Avancini no Instagram e no Youtube do Jornal DR1.

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“Antes de amar ao outro, a gente tem que se amar”

 

Nada como focar na carreira para deixar pra trás um amor que não deu certo. Depois de um fim de relacionamento conturbado com o cantor Nego do Borel, que foi parar na delegacia e ganhou  destaque na imprensa, de note a sul, a atriz e influenciadora digital Duda Reis mostra que segue – e muito bem – uma nova vida.  Em live realizada com a atriz e cantora Dulce María, a eterna Roberta, de Rebelde, sobre beleza, a artista brasileira, que é a nova embaixadora da fLash Sérum para cílios, destacou seu foco atual: investir na carreira e na beleza.

A atriz, que em 2019 participou de Malhação – Toda Forma de Amar, planeja fazer teatro e cinema e comemora nova etapa da vida e novo endereço, já que comprou  apartamento, em São Paulo, onde atualmente mora. Em entrevista ao DR1, Duda fala sobre maturidade nesta nova fase e dos cuidados para manter a beleza em dia.

 DR1 – Quais são os seus cuidados de beleza?

Duda  Reis –  Um dos meus cuidados é beber água, isso é a vida! E nunca durmo com maquiagem. Uso água micelar e adoro passar um hidratante em gel no corpo e sempre uso protetor solar, até porque sou uma pessoa diurna. E ainda durmo oito horas por dia porque esse sono da beleza faz muita diferencia. E desde conheci a @olharfLash não parei mais de usar o produto, que já faz parte da minha rotina de beleza. Não é porque sou a embaixadora da marca: mas usá-lo todos os dias faz toda a diferença. Eu percebi quanta falta eu sentia em ter cílios longos, fortes e volumosos. E eu gosto muito da marca porque tem um propósito de vida: o produto é vegano, cluetly free e não testado em animais, acho isso muito importante porque sou vegetariana.

DR1 – Você segue uma rotina de skincare com a pele?

Duda  Reis – Sempre! Uso sabonete em gel e lavo bem o meu rosto; e passo creme na região dos olhos para combater a olheira – não sei se acontece com vocês, mas eu coloco muito creme, adoro deixar o produto penetrar na pele. E uso todos os dias o fLash Sérum para ficar com bastante volume nos cílios. Deixo secar por 2 minutos e pronto!

DR1 – É vaidosa com o quesito maquiagem? Que parte do rosto gosta de destacar?

Duda Reis- Eu sou uma menina muito natural e sempre mostro nos meus vídeos as minhas rotinas de maquiagem – que são coisas básicas, do dia, amo! O olho e a boca são as partes mais importantes, as que eu me preocupo em mostrar uma boa aparência. Minha mãe é dermatologista, então cuidado, beleza, são coisas que fico ligada, até porque a minha mãe sempre esta em cima de mim (risos).

DR1 –  Na bolsa de maquiagem, o que não pode faltar?

Duda Reis – Protetor solar, hidratante de lábios e, claro, o sérum fLash.

DR1 Quais são os cuidados com o corpo para se manter em forma? Dieta e muitos exercícios?

Duda Reis- Eu sou vegetariana! A minha dieta é muito saudável, tenho uma dieta sem excessos. E não diria que faço muitos exercícios, porém me faz feliz iniciar o meu dia bem cedo e com atividade física. Sentir a serotonina batendo no corpo, sabe?

DR1 Qual o seu pecado da gula?

Duda Reis- Eu não diria gula, mas uma furadinha na dieta: adoro pizza e não resisto a um brigadeiro.

DR1 Você é um exemplo de padrão de beleza para muitas meninas. Como se sente com esse rótulo? Incomoda ser cobrada para estar sempre bonita, bem, com o corpo em forma?

Duda Reis- Fico lisonjeada com essa pergunta;  ser um exemplo de padrão de beleza no Brasil… A beleza interior reflete no exterior. Para mim, o mais importante é saber que todas nós somos lindas e maravilhosas. O importante é a gente estar de bem com a gente mesmo! Antes de amar ao outro, a gente tem que se amar! Eu tenho gratidão pelo que tenho e isso me faz ter ao meu lado, na minha vida, pessoas que gostam tanto de mim, como os meus fãs – que não são apenas as mulheres, os homens também me seguem e mostram tanto carinho por mim… Isso é uma energia para a vida.

DR1 – Você disse que o ano de 2020 foi pesado e que amadureceu bastante. Quem é a Duda Reis hoje?

Duda Reis – A Duda é uma menina que tem sonhos muito grandes, é batalhadora e tem um coração gigante, mesmo sendo muito nova… O mais importante é que a Duda sabe aonde quer chegar!  Sou uma menina muito feliz, vivendo a vida que sempre desejou.

Foto: Divulgação

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“É preciso muita coragem para escolher viver de arte”

 

Nascido em Teresópolis e tendo vivido neste município por quase 25 anos, o ator Beto Corrêa é o idealizador do projeto Esqueterê,  primeiro festival competitivo de esquetes da charmosa cidade região serrana do Rio. Seu desafio é movimentar culturalmente um município que está fora do circuito teatral brasileiro.   Mesmo com todas as dificuldades em meio à pandemia, o Esqueterê contou com mais de cem trabalhos inscritos já nessa sua primeira edição, mas Beto, Bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, conta em entrevista ao DR1 que essa história  está só começando.

DR1 – O que fez você decidir investir em um festival, ainda com todas as dificuldades e a pandemia?

Beto Corrêa – Esse projeto foi idealizado muito antes da pandemia. Quando nos demos conta que só seria possível realizar de forma online, confesso que foi um pouco desanimador, porque achávamos que o festival não alcançaria nossos objetivos, mas nunca pensamos em desistir. É claro que o ideal seria o formato presencial, com a aglomeração, a troca de experiências, o encontro entre os artistas. Hoje, com dois meses de produção, percebemos que vamos conseguir alcançar nossos objetivos da mesma forma.

DR1 – Teresópolis é uma localidade pequena da Região Serrana, porque  resolveu expandir as inscrições para grupos de todo Brasil?

Beto Corrêa – Sempre acreditei que um festival desses na cidade poderia trazer muitas vivências e experiências importantes para os artistas locais. A expansão a nível nacional se dá justamente pela troca de experiências, por esse intercâmbio cultural entre os artistas. Isso é maravilhoso e muito enriquecedor para o artista, para o pesquisador que recebe todo esse feedback e que, por conta disso, evolui o seu trabalho.

DR1 – Como vê Teresópolis diante o cenário nacional do teatro? Que dificuldades que enfrentou para ser um ator, fora dos grandes centros?

Beto Corrêa – Quando saí de Teresópolis e fui experimentar outras vivências artísticas, eu percebia, principalmente nos festivais nacionais, que tinha grupos de todo canto do Brasil, mas nunca havia grupos de Teresópolis participando. E  sei do potencial artístico que a cidade tem, não só no teatro.   E as dificuldades que passei não foram diferentes de qualquer artista. É uma profissão que não tem o valor reconhecido e, muitas vezes, o artista trabalha de graça para não ficar parado. As maiores dificuldades acabam sendo sempre financeiras. Já que fui obrigado a largar o Teatro para trabalhar em outras funções. Hoje em dia, é preciso muita coragem para escolher viver de arte. Principalmente no cenário em que nos encontramos atualmente.

DR1 – Conte a história do Esqueterê. Como tudo começou ?

Beto Corrêa – A ideia surgiu quando participei de meu primeiro festival competitivo. Eu fiquei tão impressionado com tudo, que queria muito que meus amigos artistas de Teresópolis experimentassem isso também. Não tinha nome ainda, eu só sabia que um festival assim deveria acontecer na cidade. E acredito que o festival competitivo apura o nosso olhar crítico da cena. Então, depois do desejo surgido, um belo dia resolvi colocá-lo no papel.

O festival teve inscrições de grupos de vários estados brasileiros (Foto: Victor Hugo)

DR1 Os concorrentes te surpreenderam em algum aspecto?

Beto Corrêa – Recebemos muitas inscrições e só isso já foi uma surpresa. Estamos muito felizes com tudo. Foram inscrições de todo Brasil, muita coisa do Rio e São Paulo. Tivemos inscrições do Distrito Federal, Paraná, Ceará, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, enfim, eu fico muito feliz de saber como tem grupos espalhados por esse Brasil e todos produzindo, mesmo diante de uma pandemia.

DR1 – E quanto ao patrocínio. Acha que as empresas ainda estão receosas de investir na arte ou o momento que vivemos agrava tudo?

Beto Corrêa – É um momento muito complicado para as empresas investirem em projetos, já que precisam se reestabelecer pelo prejuízo causado por conta da pandemia. O último evento que produzi em Teresópolis foi em 2013 e não senti dificuldade alguma em conseguir patrocínios e apoiadores. Mas agora, não é muito propício. Graças à aprovação na Lei Aldir Blanc, conseguimos uma verba para realizar a 1ª edição do Esqueterê. Para complementar essa verba, buscamos apoios em estabelecimentos que não sofreram tanto com a pandemia, como supermercados.

DR1 – Como será a programação, será aberta ao público?

Beto Corrêa – Sim. Será o Esqueterê Mostra Convida, que acontecerá no dia 27 de março às 20h. Serão 6 apresentações de artistas de Teresópolis, que terão um espaço de 5 a 10 minutos para mostrarem seus lindos trabalhos. Na programação teremos diversas linguagens como fotografia, dança de rua, cinema, música etc. Toda a programação será transmitida ao vivo pela plataformas digitais, aberta para quem quiser assistir.

DR1 – Como será a dinâmica da apresentação das esquetes selecionadas?

Beto Corrêa – Serão 24 esquetes selecionadas e dividimos as apresentações em 3 dias: 24, 25 e 26 de março, 8 esquetes por dia. Para selecionar as 24 esquetes, a curadoria levou em consideração a diversidade, a relevância dos temas, a pesquisa, entre outros fatores. Dessas 24 esquetes, 8 serão selecionadas pelos nossos jurados para a final, que será realizada no dia 28 de março. Toda a programação será transmitida on-line pelas plataformas digitais com início às 20h.  Os links estarão disponíveis no site www.esquetere.com.br

Foto: Divulgação

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Advogados e estresse: sentença perigosa

 

Por: Claudia Mastrange

Roteiros de filmes e de novelas destacam as performances dos advogados nos tribunais. São cenas emocionantes, impactantes e também glamorosas, porém, na vida real, o cotidiano do profissional de advocacia recebe uma sentença pesada: o estresse. É o que mostra o livro “Estresse em Advogados”, editado pela Chiado Brasil e escrito pela professora universitária mestre em Psicologia Social com formação em gerenciamento do estresse pelo International Stress Management Association, Fátima Antunes.

Lançada recentemente, a obra é  resultado do primeiro estudo realizado no Brasil sobre a saúde física e mental dos advogados, que somam cerca de um milhão, de acordo com pesquisa realizada pela Selem, Bertozzi & Consultores Associados, em 2018. Com o apoio da OAB-RJ, foram entrevistados 702 advogados. A pesquisa revelou o alto nível de exaustão dos que se dedicam a defender os direitos do cliente.

“Mas nem todos conseguem assumir que estão adoecendo. A aceitação do problema ocorre somente quando a fragilidade emocional limita as atividades profissionais”, diz em entrevista ao Jornal DR1 Fátima Antunes, casada há 25 anos com um advogado e também à frente do Projeto Viver Direito. Confira a entrevista.

 

JDR1 – Por que escolher o estresse como foco de estudo em sua área de atuação? 

Fátima Antunes – Porque é um fenômeno cada dia mais presente na vida das pessoas.

 

JDR1 – Como decidiu estudar o tema, relacionando ao exercício da profissão de advogado? 

Fátima Antunes –  Convivendo com diversos advogados, percebi que se tratava de um profissão que gera um elevado nível de ansiedade e frustração e que isso muitas vezes adoecia psicologicamente os profissionais. Eles nem sempre se percebem a gravidade dos sintomas e continuam envolvidos em suas atividades profissionais. Negligenciam a vida pessoal e a saúde em função da carreira.

 

JDR1 –  Que sintomas o advogado pode identificar indicativos de estresse e quando já se torna um estágio ‘perigoso’?

Fátima Antunes – Quando o advogado começar a perder a paciência com os clientes, perder audiências e começar a ter dificuldade de memória e concentração deve ligar o sinal de alerta, mas  especialmente quando começar a precisar beber ou tomar remédios para  dormir. Este pode ser um sintoma muito preocupante.

 

JDR1 –  O que você foi identificando durante a pesquisa com 702 indivíduos e o que mais te surpreendeu? 

Fátima Antunes – O que mais me surpreendeu foi o fato de identificar níveis de estresse mais elevados em advogados mais novos e nas mulheres advogadas. Os mais novos tendem a se estressar mais porque não possuem uma vida financeira estabilizada e a as mulheres em função da dupla jornada de casa e trabalho.

 

JDR1 – Em que esse estresse pode influenciar, tanto na vida profissional, quanto na pessoal? 

Fátima Antunes – Na vida pessoal interfere nas relações pessoais, principalmente. Por isso é muito comum você conhecer advogados que tiveram muitos casamentos. Na vida profissional, interfere nas relações com clientes em geral e nos prazos, pois a ansiedade muitas vezes interfere nos pensamentos e na forma como se adapta às condições do trabalho.

 

JDR1 – Explique um pouco mais que, no geral, a  aceitação do problema ocorre somente quando a fragilidade emocional limita as atividades profissionais?

Fátima Antunes – Um profissional da advocacia aprende que só terá sucesso profissional e financeiro se ganhar a causa que esteja sob sua responsabilidade. Por isso, tem dificuldade de aceitar perdas e frustrações. Esta condição acaba por fazer com que eles se sintam fragilizados. Porém eles têm uma enorme dificuldade de assumir suas vulnerabilidades e fragilidades, o que faz com que muitas vezes deixam de cuidar de problemas emocionais, que se transformam em sintomas psicossomáticos e que se agravam cada dia mais pelo não tratamento. Entramos em um ciclo que não termina, pois a cada dia há mais estresse e mais adoecimento.

 

JDR1 ––  No livro você fala sobre armadilhas imposta pelo temperamento desafiador e competitivo do advogado. temperamento alimenta mais o estresse?

Fátima Antunes – Sim, como disse, o advogado é preparado para ganhar, e assim, todas as suas habilidades e comportamentos são reações para se adequar ao melhor resultado profissional. A autocobrança e a necessidade de ganhar sempre para que possa manter a condição financeira e de status profissional, acaba fazendo com que esses profissionais vivam intensamente a profissão. Não raro, ficam 24h por dia pensando ou envolvidos em trabalho.

 

JDR1 –  Em meio a uma pandemia, a situações de estresse se estendem a todas as áreas. Como gerenciar da melhor forma?

Fátima Antunes – A pandemia veio mostrar que as pessoas precisam se reinventar, que ao invés de olhar para os problemas precisam criar soluções. Os fatores estressores são exacerbados pelas características do mindset. Quanto mais uma pessoa é positiva e busca solução, menor será o impacto do estresse na sua vida. A melhor forma de gerenciar o estresse é buscando o autoconhecimento, reconhecer os pontos positivos e negativos e saber como autogerenciá-los no dia a dia. E aprender também a buscar soluções para alguns problemas em que isso é possível.

 

JDR1 –  Conte um pouco mais sobre o projeto Viver Direito.

Fátima Antunes – O projeto viver direito é um trabalho que tem por objetivo melhorar a saúde mental na advocacia. Atendimento psicológico a advogados e outros profissionais da área jurídica, palestras em escritórios de advocacia são ações que pretendem e ajudá-los a entender e conviver com os aspectos da profissão e aprendendo a gerenciar as emoções.

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JCRÉ Facilitador: transformando vidas

 

Por: Luhan Alves (Com supervisão de Claudia Mastrange) 

Na entrevista desta edição, vamos falar sobre a JCRÉ Facilitador, um projeto social que usa a ferramenta de Moda, Beleza e Empreendedorismo para transformar vidas. Há 19 anos a frente de toda a organização da Produtora, que começou agenciando modelos da comunidade do Jacarezinho, Júlio César de Lima continua movimentando e promovendo o crescimento da microempreendedora.

 

JDR1: Como surgiu a ideia de expandir o projeto?

 

Júlio César: A Jacaré nasce de um desconforto meu quando era adolescente, de ver o Jacarezinho sendo tratado como uma favela de tráfico, periculosidade, falta de saneamento, educação. Só escutava moradores e a mídia falando isso da minha favela. E eu não enxergava a comunidade a partir deste ponto de vista, via a favela como potência, que fazia a diferença, um local com muita diversidade. Sempre achei que o Jacaré tinha como ser falado de outra forma. A partir disso, nasce o projeto e hoje negócio social Jacaré Moda, atualmente JCRÉ Facilitador.

 

JDR1: E quando surgiu essa ideia?

 

Júlio César: Começamos com o intuito de preparar meninas. Quando trabalhava de porteiro dei de cara com umas revistas, no lixo, e vi a beleza daquelas mulheres ricas, modelos internacionais. E Naomi Campbell me trouxe uma luz no fim do túnel: que meninas de periferias negras podem ser modelos em São Paulo, na Europa e em qualquer lugar. Comecei a prepará-las conforme tudo que eu lia nas revistas. E elas chegavam aos grandes mercados da moda, como Europa e São Paulo e grandes revistas como Vogue, que era a que eu mais lia. Diziam que eram do Jacarezinho e que conseguiram chegar ao mercado da moda através de um porteiro que leu revistas do lixo e ensinou tudo que ele lia, além dos flashes de Fashion Rio, São Paulo Fashion Week, semana de moda em Nova York. Desses eventos, via os flashes, nunca vi o desfile inteiro na minha TV.

Foto: Divulgação/JCRÉ Facilitador

 

JDR1: O que significa para você todo esse trabalho e impacto que a JCRÉ Facilitador proporciona para os moradores do Jacarezinho?

 

Júlio César: Eu e toda a equipe da JCRÉ não queríamos meritocracia. Porém, por conta de as modelos conseguirem sucesso no mercado da moda, falarem que são moradoras do Jacarezinho e o nosso projeto aparecer no programa do Luciano Huck, no “Esquenta”, na Vogue, São Paulo Fashion Week….essa meritocracia acabou chegando para a gente. Isso proporcionou, para o Jacarezinho, Zona Norte, para o Rio de Janeiro e para gente uma coisa super bacana. Mostrou que é possível ter projetos financiados pelos próprios moradores, com o governo também tendo a sua responsabilidade. A JCRÉ tem um comércio enorme, quase um shopping, onde favelas adjacentes e moradores da Zona Norte compram lá. Quando aparecemos para o mundo e a JCRÉ se torna essa potência, proporcionamos para os moradores do Jacaré e de outras favelas todo esse impacto social. Na moda, por exemplo, temos modelos de Bangu, Rocinha, Vigário Geral, Leme, entre outros locais. Descobrimos como empreendedores, a necessidade real da nossa e das outras periferias de se representarem.

 

JDR1: Como tem sido o feedback dos moradores em relação aos cursos que vocês  oferecem e como eles funcionam?

 

Júlio César: Quando uma modelo dá certo na periferia, os moradores acabam acreditando em você e geramos impacto para dentro da favela também. Montamos um curso de geração de impacto dentro da favela. E com todo o know-how que a JCRÉ tem, eles acabam adquirindo os cursos e pagando um preço social, que cabe no bolso deles porque acreditam. Uma moradora da minha comunidade deu certo neste projeto. O morador acaba assumindo a posição de fazer o nosso curso porque é um case de sucesso e eles enxergam um potencial.

 

JDR1: Quais as dificuldades que vocês enfrentam à frente da empresa?

 

Júlio César: Falta de recursos é uma delas. Mas a nossa dificuldade real é quando entendemos que a galera que está no curso com a gente não tem dinheiro para pagar ou finalizar o curso, aquilo para ele é algo que ele poderia mudar a situação financeira da sua família. Para todos nós é mais difícil pegar um morador periférico faltando um mês de curso, depois de pleno coronavírus, de uma vacina que está fazendo mais propaganda do que vacinando as pessoas, a pessoa ficar desempregada e não conseguir concluir o curso até o final. Hoje começamos a enfrentar essas dificuldades para poder entender que esse morador não teve uma preocupação do governo e a JCRÉ com todos os discursos dela precisa se preocupar. Estamos buscando recursos para que possamos dar uma bolsa para esse aluno do tempo que falta para a conclusão do curso, para ele se profissionalizar e não ficar mais na mão do sistema.

Foto: Divulgação/JCRÉ Facilitador

 

JDR1: Quais são os projetos para o futuro da JCRÉ Facilitador?

 

Júlio César: Estamos sempre pensando em empreendedorismo, visão de mercado, em fazer que o morador periférico empreenda. Assim que todas essas vacinas saírem, a JCRÉ está montando uma feira na frente do galpão que vamos inaugurar, vamos ter 40 a 50 barracas aonde já funcionam os cursos, as modelos, a capoeira, além de ter todo o evento de empoderamento e visão de mercado. Do lado de fora da nossa Rua Galileu, vai ter uma feira de expositores de moda e beleza, gastronomia também. Acabando todo esse processo da pandemia, estamos com muitos projetos para fazer, queremos dar aula de empoderamento e questões feministas. E um dos maiores projetos da JCRÉ é ter a sua própria sede. O nosso mais novo slogan é “A gente transforma pessoas”. Não queremos levantar bandeira de um lado ou outro. A JCRÉ é do Jacarezinho para transformar o Jacarezinho e todas as periferias que os acessam.