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Andrea Avancini fala de novo curso e protocolos contra Covid-19 em Gênesis: “Testes de seis em seis dias”

Por Alan Alves

Atriz, diretora e produtora, com 38 anos de carreira, Andrea Avancini, no ar como Yarin da novela Gênesis, da TV Record, também tem uma trajetória de sucesso de 25 anos como mentora de atores. Ela lançou agora em 2021 seu método de atuação “O Salto do Ator”, em uma plataforma digital on-line.

Uma das profissionais mais respeitadas do mercado e professora da CAL e da Agência Cintra, duas das escolas de atores mais importantes do país, Andrea desenvolveu sua metodologia ao longo de quase quatro décadas de trabalho nas maiores emissoras de televisão do país. E já são mais de 13 mil alunos formados.

Consagrada por performances marcantes e conhecida por sua habilidade técnica na construção de personagens complexas e conflituosas, já soma mais de 30 novelas e minisséries, mais de 100 produções teatrais, curtas-metragens e festivais promovidos e possui ainda no currículo diversos prêmios, entre eles dois Troféus Nelson Rodrigues.

Andrea conversou com o Jornal DR1 esta semana em uma live, e você confere a seguir alguns trechos da entrevista:

JORNAL DR1 – Já são mais de 30 novelas e minisséries. Qual foi o trabalho mais desafiador?

ANDREA – Cada novo trabalho é um desafio. Mas trabalhos que me desafiaram de uma forma potente foram Xica da Silva, do Walcyr, que eu fazia uma mulher selvagem, completamente fora da curva, fora da linha, do normal. Foi um grande presente do Walcyr, porque é uma personagem que surge uma vez na vida. Outro presente do Walcyr foi Delfina, na Padroeira. Era uma portuguesa e eu tive que aprender a falar o sotaque português perfeito, porque quem ia contracenar comigo na primeira cena era o Antônio Marques, grande ator português, nível Fernanda Montenegro lá em Portugal.

JORNAL DR1 – Como tem sido o trabalho na pandemia?

ANDREA – A gente estava gravando Amor Sem Igual e paramos, acho que seis meses, de março a setembro, alguma coisa assim. E voltamos com todos os protocolos. Quarenta e duas páginas de protocolos. Mudou a quantidade de cenas que a gente grava por dia: eram 25 a 30 cenas e passaram para 15, 10, para pode ter todo esse cuidado. Eu gravo nas quintas-feiras e, agora, com o novo protocolo da Record, a gente vai fazer testes de seis em seis dias, um dia antes de gravar, para poder garantir que os atores estão seguros. As cenas são sem muita aproximação, que foi o que a gente fez em Amor Sem Igual também, nada de comida em cena, e cada um leva seu copo.

JORNAL DR1 – Antes da Yarin, você fez a Zenaide em ‘Amor Sem Igual’. Como incorporar personagens assim tão diferentes?

ANDREA – O meu curso está exatamente explicado como buscar as diversas camadas da personagem. Eu vejo atores que estão começando que acham que é só pegar o texto, decorar e foi. O autor traz para a gente no texto, o primeiro nível de informações, e é através da palavra que a personagem diz. Mas ele traz muito mais informações através do subtexto, daquilo que a personagem não diz, mas que a personagem pensa. Não sou eu, a Andrea Avancini, em cena; é sempre a personagem em cena. E, para a gente entender essa personagem, é muito estudo, muitas referências, muita pesquisa. O mundo é visto através do olhar da personagem, sentindo, vendo, se relacionando com o mundo, com os outros personagens. É assim que a gente consegue criar personagens profundas.

JORNAL DR1 – Como concilia o trabalho como atriz e como professora?

ANDREA – Uma coisa complementa a outra. Eu trago tudo que aprendo no set até hoje para a sala de aula. No meu curso, eu consegui colocar dez fundamentos, numa didática mesmo, para o ator poder entender como construir a personagem, como encontrar o DNA da personagem, como trabalhar a emoção, como se comportar no set, como ser um ator dirigível. É um orgulho poder dividir, partilhar essa experiência com tantos alunos, muitos deles fazendo sucesso aí, como Rodrigo Andrade, Marcela Barroso, Ricky Tavares, Juliana Xavier, DJ Amorim, que tá fazendo “Bom Dia Verônica”, Rafael Zulu, Daniel Torres.

JORNAL DR1 – Qualquer um pode se tornar bom ator ou atriz ou é preciso dom também?

ANDREA – Eu tenho visto as duas coisas. Tem atores que nascem com o dom, tem facilidade como ator, várias virtudes, mas não tem aquela força de vontade. E a nossa profissão é 90% esforço, 90% estudo. Claro que quando você tem o dom, tem um talento, junto com o estudo, você consegue se destacar de uma forma extraordinária. Mas eu vejo, por experiência, que tem muitos atores por aí que começam, pezinho por pezinho, e chegam lá, e chegam muito longe, surpreendentemente, por força de vontade, por estudo, por ter o entendimento de que é preciso estudar, por entender o que precisa melhorar.

JORNAL DR1 – Quais os próximos projetos?

ANDREA – Estou ainda gravando a novela e, logo, logo, tem mais um outro projeto vindo, que eu ainda não posso falar. Tem projeto de cinema também, que a gente deu uma parada porque, com a pandemia, não tem como a gente fazer, mas estou lançado um próximo curta, que gravei em Marrocos, quando a gente foi fazer Jezabel. Está em fase de finalização, com a Juliana Xavier, com a Brendha Haddad, Fabinho Scalon e o Victor Sparapane. Devo lançar ano que vem. E estou muito focada nessa preparação de atores, agora mais em internet também, e abrir novas frentes.

Você pode conferir a entrevista completa com a atriz Andrea Avancini no Instagram e no Youtube do Jornal DR1.

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“Antes de amar ao outro, a gente tem que se amar”

 

Nada como focar na carreira para deixar pra trás um amor que não deu certo. Depois de um fim de relacionamento conturbado com o cantor Nego do Borel, que foi parar na delegacia e ganhou  destaque na imprensa, de note a sul, a atriz e influenciadora digital Duda Reis mostra que segue – e muito bem – uma nova vida.  Em live realizada com a atriz e cantora Dulce María, a eterna Roberta, de Rebelde, sobre beleza, a artista brasileira, que é a nova embaixadora da fLash Sérum para cílios, destacou seu foco atual: investir na carreira e na beleza.

A atriz, que em 2019 participou de Malhação – Toda Forma de Amar, planeja fazer teatro e cinema e comemora nova etapa da vida e novo endereço, já que comprou  apartamento, em São Paulo, onde atualmente mora. Em entrevista ao DR1, Duda fala sobre maturidade nesta nova fase e dos cuidados para manter a beleza em dia.

 DR1 – Quais são os seus cuidados de beleza?

Duda  Reis –  Um dos meus cuidados é beber água, isso é a vida! E nunca durmo com maquiagem. Uso água micelar e adoro passar um hidratante em gel no corpo e sempre uso protetor solar, até porque sou uma pessoa diurna. E ainda durmo oito horas por dia porque esse sono da beleza faz muita diferencia. E desde conheci a @olharfLash não parei mais de usar o produto, que já faz parte da minha rotina de beleza. Não é porque sou a embaixadora da marca: mas usá-lo todos os dias faz toda a diferença. Eu percebi quanta falta eu sentia em ter cílios longos, fortes e volumosos. E eu gosto muito da marca porque tem um propósito de vida: o produto é vegano, cluetly free e não testado em animais, acho isso muito importante porque sou vegetariana.

DR1 – Você segue uma rotina de skincare com a pele?

Duda  Reis – Sempre! Uso sabonete em gel e lavo bem o meu rosto; e passo creme na região dos olhos para combater a olheira – não sei se acontece com vocês, mas eu coloco muito creme, adoro deixar o produto penetrar na pele. E uso todos os dias o fLash Sérum para ficar com bastante volume nos cílios. Deixo secar por 2 minutos e pronto!

DR1 – É vaidosa com o quesito maquiagem? Que parte do rosto gosta de destacar?

Duda Reis- Eu sou uma menina muito natural e sempre mostro nos meus vídeos as minhas rotinas de maquiagem – que são coisas básicas, do dia, amo! O olho e a boca são as partes mais importantes, as que eu me preocupo em mostrar uma boa aparência. Minha mãe é dermatologista, então cuidado, beleza, são coisas que fico ligada, até porque a minha mãe sempre esta em cima de mim (risos).

DR1 –  Na bolsa de maquiagem, o que não pode faltar?

Duda Reis – Protetor solar, hidratante de lábios e, claro, o sérum fLash.

DR1 Quais são os cuidados com o corpo para se manter em forma? Dieta e muitos exercícios?

Duda Reis- Eu sou vegetariana! A minha dieta é muito saudável, tenho uma dieta sem excessos. E não diria que faço muitos exercícios, porém me faz feliz iniciar o meu dia bem cedo e com atividade física. Sentir a serotonina batendo no corpo, sabe?

DR1 Qual o seu pecado da gula?

Duda Reis- Eu não diria gula, mas uma furadinha na dieta: adoro pizza e não resisto a um brigadeiro.

DR1 Você é um exemplo de padrão de beleza para muitas meninas. Como se sente com esse rótulo? Incomoda ser cobrada para estar sempre bonita, bem, com o corpo em forma?

Duda Reis- Fico lisonjeada com essa pergunta;  ser um exemplo de padrão de beleza no Brasil… A beleza interior reflete no exterior. Para mim, o mais importante é saber que todas nós somos lindas e maravilhosas. O importante é a gente estar de bem com a gente mesmo! Antes de amar ao outro, a gente tem que se amar! Eu tenho gratidão pelo que tenho e isso me faz ter ao meu lado, na minha vida, pessoas que gostam tanto de mim, como os meus fãs – que não são apenas as mulheres, os homens também me seguem e mostram tanto carinho por mim… Isso é uma energia para a vida.

DR1 – Você disse que o ano de 2020 foi pesado e que amadureceu bastante. Quem é a Duda Reis hoje?

Duda Reis – A Duda é uma menina que tem sonhos muito grandes, é batalhadora e tem um coração gigante, mesmo sendo muito nova… O mais importante é que a Duda sabe aonde quer chegar!  Sou uma menina muito feliz, vivendo a vida que sempre desejou.

Foto: Divulgação

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“É preciso muita coragem para escolher viver de arte”

 

Nascido em Teresópolis e tendo vivido neste município por quase 25 anos, o ator Beto Corrêa é o idealizador do projeto Esqueterê,  primeiro festival competitivo de esquetes da charmosa cidade região serrana do Rio. Seu desafio é movimentar culturalmente um município que está fora do circuito teatral brasileiro.   Mesmo com todas as dificuldades em meio à pandemia, o Esqueterê contou com mais de cem trabalhos inscritos já nessa sua primeira edição, mas Beto, Bacharel em Artes Cênicas pela UNIRIO, conta em entrevista ao DR1 que essa história  está só começando.

DR1 – O que fez você decidir investir em um festival, ainda com todas as dificuldades e a pandemia?

Beto Corrêa – Esse projeto foi idealizado muito antes da pandemia. Quando nos demos conta que só seria possível realizar de forma online, confesso que foi um pouco desanimador, porque achávamos que o festival não alcançaria nossos objetivos, mas nunca pensamos em desistir. É claro que o ideal seria o formato presencial, com a aglomeração, a troca de experiências, o encontro entre os artistas. Hoje, com dois meses de produção, percebemos que vamos conseguir alcançar nossos objetivos da mesma forma.

DR1 – Teresópolis é uma localidade pequena da Região Serrana, porque  resolveu expandir as inscrições para grupos de todo Brasil?

Beto Corrêa – Sempre acreditei que um festival desses na cidade poderia trazer muitas vivências e experiências importantes para os artistas locais. A expansão a nível nacional se dá justamente pela troca de experiências, por esse intercâmbio cultural entre os artistas. Isso é maravilhoso e muito enriquecedor para o artista, para o pesquisador que recebe todo esse feedback e que, por conta disso, evolui o seu trabalho.

DR1 – Como vê Teresópolis diante o cenário nacional do teatro? Que dificuldades que enfrentou para ser um ator, fora dos grandes centros?

Beto Corrêa – Quando saí de Teresópolis e fui experimentar outras vivências artísticas, eu percebia, principalmente nos festivais nacionais, que tinha grupos de todo canto do Brasil, mas nunca havia grupos de Teresópolis participando. E  sei do potencial artístico que a cidade tem, não só no teatro.   E as dificuldades que passei não foram diferentes de qualquer artista. É uma profissão que não tem o valor reconhecido e, muitas vezes, o artista trabalha de graça para não ficar parado. As maiores dificuldades acabam sendo sempre financeiras. Já que fui obrigado a largar o Teatro para trabalhar em outras funções. Hoje em dia, é preciso muita coragem para escolher viver de arte. Principalmente no cenário em que nos encontramos atualmente.

DR1 – Conte a história do Esqueterê. Como tudo começou ?

Beto Corrêa – A ideia surgiu quando participei de meu primeiro festival competitivo. Eu fiquei tão impressionado com tudo, que queria muito que meus amigos artistas de Teresópolis experimentassem isso também. Não tinha nome ainda, eu só sabia que um festival assim deveria acontecer na cidade. E acredito que o festival competitivo apura o nosso olhar crítico da cena. Então, depois do desejo surgido, um belo dia resolvi colocá-lo no papel.

O festival teve inscrições de grupos de vários estados brasileiros (Foto: Victor Hugo)

DR1 Os concorrentes te surpreenderam em algum aspecto?

Beto Corrêa – Recebemos muitas inscrições e só isso já foi uma surpresa. Estamos muito felizes com tudo. Foram inscrições de todo Brasil, muita coisa do Rio e São Paulo. Tivemos inscrições do Distrito Federal, Paraná, Ceará, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, enfim, eu fico muito feliz de saber como tem grupos espalhados por esse Brasil e todos produzindo, mesmo diante de uma pandemia.

DR1 – E quanto ao patrocínio. Acha que as empresas ainda estão receosas de investir na arte ou o momento que vivemos agrava tudo?

Beto Corrêa – É um momento muito complicado para as empresas investirem em projetos, já que precisam se reestabelecer pelo prejuízo causado por conta da pandemia. O último evento que produzi em Teresópolis foi em 2013 e não senti dificuldade alguma em conseguir patrocínios e apoiadores. Mas agora, não é muito propício. Graças à aprovação na Lei Aldir Blanc, conseguimos uma verba para realizar a 1ª edição do Esqueterê. Para complementar essa verba, buscamos apoios em estabelecimentos que não sofreram tanto com a pandemia, como supermercados.

DR1 – Como será a programação, será aberta ao público?

Beto Corrêa – Sim. Será o Esqueterê Mostra Convida, que acontecerá no dia 27 de março às 20h. Serão 6 apresentações de artistas de Teresópolis, que terão um espaço de 5 a 10 minutos para mostrarem seus lindos trabalhos. Na programação teremos diversas linguagens como fotografia, dança de rua, cinema, música etc. Toda a programação será transmitida ao vivo pela plataformas digitais, aberta para quem quiser assistir.

DR1 – Como será a dinâmica da apresentação das esquetes selecionadas?

Beto Corrêa – Serão 24 esquetes selecionadas e dividimos as apresentações em 3 dias: 24, 25 e 26 de março, 8 esquetes por dia. Para selecionar as 24 esquetes, a curadoria levou em consideração a diversidade, a relevância dos temas, a pesquisa, entre outros fatores. Dessas 24 esquetes, 8 serão selecionadas pelos nossos jurados para a final, que será realizada no dia 28 de março. Toda a programação será transmitida on-line pelas plataformas digitais com início às 20h.  Os links estarão disponíveis no site www.esquetere.com.br

Foto: Divulgação

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Advogados e estresse: sentença perigosa

 

Por: Claudia Mastrange

Roteiros de filmes e de novelas destacam as performances dos advogados nos tribunais. São cenas emocionantes, impactantes e também glamorosas, porém, na vida real, o cotidiano do profissional de advocacia recebe uma sentença pesada: o estresse. É o que mostra o livro “Estresse em Advogados”, editado pela Chiado Brasil e escrito pela professora universitária mestre em Psicologia Social com formação em gerenciamento do estresse pelo International Stress Management Association, Fátima Antunes.

Lançada recentemente, a obra é  resultado do primeiro estudo realizado no Brasil sobre a saúde física e mental dos advogados, que somam cerca de um milhão, de acordo com pesquisa realizada pela Selem, Bertozzi & Consultores Associados, em 2018. Com o apoio da OAB-RJ, foram entrevistados 702 advogados. A pesquisa revelou o alto nível de exaustão dos que se dedicam a defender os direitos do cliente.

“Mas nem todos conseguem assumir que estão adoecendo. A aceitação do problema ocorre somente quando a fragilidade emocional limita as atividades profissionais”, diz em entrevista ao Jornal DR1 Fátima Antunes, casada há 25 anos com um advogado e também à frente do Projeto Viver Direito. Confira a entrevista.

 

JDR1 – Por que escolher o estresse como foco de estudo em sua área de atuação? 

Fátima Antunes – Porque é um fenômeno cada dia mais presente na vida das pessoas.

 

JDR1 – Como decidiu estudar o tema, relacionando ao exercício da profissão de advogado? 

Fátima Antunes –  Convivendo com diversos advogados, percebi que se tratava de um profissão que gera um elevado nível de ansiedade e frustração e que isso muitas vezes adoecia psicologicamente os profissionais. Eles nem sempre se percebem a gravidade dos sintomas e continuam envolvidos em suas atividades profissionais. Negligenciam a vida pessoal e a saúde em função da carreira.

 

JDR1 –  Que sintomas o advogado pode identificar indicativos de estresse e quando já se torna um estágio ‘perigoso’?

Fátima Antunes – Quando o advogado começar a perder a paciência com os clientes, perder audiências e começar a ter dificuldade de memória e concentração deve ligar o sinal de alerta, mas  especialmente quando começar a precisar beber ou tomar remédios para  dormir. Este pode ser um sintoma muito preocupante.

 

JDR1 –  O que você foi identificando durante a pesquisa com 702 indivíduos e o que mais te surpreendeu? 

Fátima Antunes – O que mais me surpreendeu foi o fato de identificar níveis de estresse mais elevados em advogados mais novos e nas mulheres advogadas. Os mais novos tendem a se estressar mais porque não possuem uma vida financeira estabilizada e a as mulheres em função da dupla jornada de casa e trabalho.

 

JDR1 – Em que esse estresse pode influenciar, tanto na vida profissional, quanto na pessoal? 

Fátima Antunes – Na vida pessoal interfere nas relações pessoais, principalmente. Por isso é muito comum você conhecer advogados que tiveram muitos casamentos. Na vida profissional, interfere nas relações com clientes em geral e nos prazos, pois a ansiedade muitas vezes interfere nos pensamentos e na forma como se adapta às condições do trabalho.

 

JDR1 – Explique um pouco mais que, no geral, a  aceitação do problema ocorre somente quando a fragilidade emocional limita as atividades profissionais?

Fátima Antunes – Um profissional da advocacia aprende que só terá sucesso profissional e financeiro se ganhar a causa que esteja sob sua responsabilidade. Por isso, tem dificuldade de aceitar perdas e frustrações. Esta condição acaba por fazer com que eles se sintam fragilizados. Porém eles têm uma enorme dificuldade de assumir suas vulnerabilidades e fragilidades, o que faz com que muitas vezes deixam de cuidar de problemas emocionais, que se transformam em sintomas psicossomáticos e que se agravam cada dia mais pelo não tratamento. Entramos em um ciclo que não termina, pois a cada dia há mais estresse e mais adoecimento.

 

JDR1 ––  No livro você fala sobre armadilhas imposta pelo temperamento desafiador e competitivo do advogado. temperamento alimenta mais o estresse?

Fátima Antunes – Sim, como disse, o advogado é preparado para ganhar, e assim, todas as suas habilidades e comportamentos são reações para se adequar ao melhor resultado profissional. A autocobrança e a necessidade de ganhar sempre para que possa manter a condição financeira e de status profissional, acaba fazendo com que esses profissionais vivam intensamente a profissão. Não raro, ficam 24h por dia pensando ou envolvidos em trabalho.

 

JDR1 –  Em meio a uma pandemia, a situações de estresse se estendem a todas as áreas. Como gerenciar da melhor forma?

Fátima Antunes – A pandemia veio mostrar que as pessoas precisam se reinventar, que ao invés de olhar para os problemas precisam criar soluções. Os fatores estressores são exacerbados pelas características do mindset. Quanto mais uma pessoa é positiva e busca solução, menor será o impacto do estresse na sua vida. A melhor forma de gerenciar o estresse é buscando o autoconhecimento, reconhecer os pontos positivos e negativos e saber como autogerenciá-los no dia a dia. E aprender também a buscar soluções para alguns problemas em que isso é possível.

 

JDR1 –  Conte um pouco mais sobre o projeto Viver Direito.

Fátima Antunes – O projeto viver direito é um trabalho que tem por objetivo melhorar a saúde mental na advocacia. Atendimento psicológico a advogados e outros profissionais da área jurídica, palestras em escritórios de advocacia são ações que pretendem e ajudá-los a entender e conviver com os aspectos da profissão e aprendendo a gerenciar as emoções.

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JCRÉ Facilitador: transformando vidas

 

Por: Luhan Alves (Com supervisão de Claudia Mastrange) 

Na entrevista desta edição, vamos falar sobre a JCRÉ Facilitador, um projeto social que usa a ferramenta de Moda, Beleza e Empreendedorismo para transformar vidas. Há 19 anos a frente de toda a organização da Produtora, que começou agenciando modelos da comunidade do Jacarezinho, Júlio César de Lima continua movimentando e promovendo o crescimento da microempreendedora.

 

JDR1: Como surgiu a ideia de expandir o projeto?

 

Júlio César: A Jacaré nasce de um desconforto meu quando era adolescente, de ver o Jacarezinho sendo tratado como uma favela de tráfico, periculosidade, falta de saneamento, educação. Só escutava moradores e a mídia falando isso da minha favela. E eu não enxergava a comunidade a partir deste ponto de vista, via a favela como potência, que fazia a diferença, um local com muita diversidade. Sempre achei que o Jacaré tinha como ser falado de outra forma. A partir disso, nasce o projeto e hoje negócio social Jacaré Moda, atualmente JCRÉ Facilitador.

 

JDR1: E quando surgiu essa ideia?

 

Júlio César: Começamos com o intuito de preparar meninas. Quando trabalhava de porteiro dei de cara com umas revistas, no lixo, e vi a beleza daquelas mulheres ricas, modelos internacionais. E Naomi Campbell me trouxe uma luz no fim do túnel: que meninas de periferias negras podem ser modelos em São Paulo, na Europa e em qualquer lugar. Comecei a prepará-las conforme tudo que eu lia nas revistas. E elas chegavam aos grandes mercados da moda, como Europa e São Paulo e grandes revistas como Vogue, que era a que eu mais lia. Diziam que eram do Jacarezinho e que conseguiram chegar ao mercado da moda através de um porteiro que leu revistas do lixo e ensinou tudo que ele lia, além dos flashes de Fashion Rio, São Paulo Fashion Week, semana de moda em Nova York. Desses eventos, via os flashes, nunca vi o desfile inteiro na minha TV.

Foto: Divulgação/JCRÉ Facilitador

 

JDR1: O que significa para você todo esse trabalho e impacto que a JCRÉ Facilitador proporciona para os moradores do Jacarezinho?

 

Júlio César: Eu e toda a equipe da JCRÉ não queríamos meritocracia. Porém, por conta de as modelos conseguirem sucesso no mercado da moda, falarem que são moradoras do Jacarezinho e o nosso projeto aparecer no programa do Luciano Huck, no “Esquenta”, na Vogue, São Paulo Fashion Week….essa meritocracia acabou chegando para a gente. Isso proporcionou, para o Jacarezinho, Zona Norte, para o Rio de Janeiro e para gente uma coisa super bacana. Mostrou que é possível ter projetos financiados pelos próprios moradores, com o governo também tendo a sua responsabilidade. A JCRÉ tem um comércio enorme, quase um shopping, onde favelas adjacentes e moradores da Zona Norte compram lá. Quando aparecemos para o mundo e a JCRÉ se torna essa potência, proporcionamos para os moradores do Jacaré e de outras favelas todo esse impacto social. Na moda, por exemplo, temos modelos de Bangu, Rocinha, Vigário Geral, Leme, entre outros locais. Descobrimos como empreendedores, a necessidade real da nossa e das outras periferias de se representarem.

 

JDR1: Como tem sido o feedback dos moradores em relação aos cursos que vocês  oferecem e como eles funcionam?

 

Júlio César: Quando uma modelo dá certo na periferia, os moradores acabam acreditando em você e geramos impacto para dentro da favela também. Montamos um curso de geração de impacto dentro da favela. E com todo o know-how que a JCRÉ tem, eles acabam adquirindo os cursos e pagando um preço social, que cabe no bolso deles porque acreditam. Uma moradora da minha comunidade deu certo neste projeto. O morador acaba assumindo a posição de fazer o nosso curso porque é um case de sucesso e eles enxergam um potencial.

 

JDR1: Quais as dificuldades que vocês enfrentam à frente da empresa?

 

Júlio César: Falta de recursos é uma delas. Mas a nossa dificuldade real é quando entendemos que a galera que está no curso com a gente não tem dinheiro para pagar ou finalizar o curso, aquilo para ele é algo que ele poderia mudar a situação financeira da sua família. Para todos nós é mais difícil pegar um morador periférico faltando um mês de curso, depois de pleno coronavírus, de uma vacina que está fazendo mais propaganda do que vacinando as pessoas, a pessoa ficar desempregada e não conseguir concluir o curso até o final. Hoje começamos a enfrentar essas dificuldades para poder entender que esse morador não teve uma preocupação do governo e a JCRÉ com todos os discursos dela precisa se preocupar. Estamos buscando recursos para que possamos dar uma bolsa para esse aluno do tempo que falta para a conclusão do curso, para ele se profissionalizar e não ficar mais na mão do sistema.

Foto: Divulgação/JCRÉ Facilitador

 

JDR1: Quais são os projetos para o futuro da JCRÉ Facilitador?

 

Júlio César: Estamos sempre pensando em empreendedorismo, visão de mercado, em fazer que o morador periférico empreenda. Assim que todas essas vacinas saírem, a JCRÉ está montando uma feira na frente do galpão que vamos inaugurar, vamos ter 40 a 50 barracas aonde já funcionam os cursos, as modelos, a capoeira, além de ter todo o evento de empoderamento e visão de mercado. Do lado de fora da nossa Rua Galileu, vai ter uma feira de expositores de moda e beleza, gastronomia também. Acabando todo esse processo da pandemia, estamos com muitos projetos para fazer, queremos dar aula de empoderamento e questões feministas. E um dos maiores projetos da JCRÉ é ter a sua própria sede. O nosso mais novo slogan é “A gente transforma pessoas”. Não queremos levantar bandeira de um lado ou outro. A JCRÉ é do Jacarezinho para transformar o Jacarezinho e todas as periferias que os acessam.

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Diretora do Jornal DR1 é entrevistada pelo Canal TV Rio e fala sobre carreira de 40 anos como advogada

A diretora do Jornal DR1, a advogada Dr. Ana Cristina Campelo de Lemos Santos, foi entrevistada nesta quarta-feira (3) no programa Você em Foco, do Canal TV Rio. A entrevista ocorreu nos estudos da emissora, localizado em Nova Iguaçu.

À apresentadora Bellinha di Tena, Ana Cristina falou sobre os seus 40 anos como advogada e sobre o surgimento do jornal, um sonho de infância que se concretizou há cinco anos. Ela destacou ainda o novo formato do veículo, que deixou de ser Jornal Diário do Rio e passou a se chamar Jornal DR1.

“Meu avó tinha uma máquina de datilografia, ele escrevia e pendurava as páginas para secar. Depois, costurava as páginas e mandava os meninos saírem na rua pra entregar para as pessoas. Era um jornal, feito nos moldes da época. E um dia eu falei que também teria um jornal”, destacou.

Ana falou sobre a infância e sobre os 40 anos de carreira como advogada. (Foto: Alan Alves)

“Eu passei a ter esse jornal, que tem distribuição gratuita, como segunda atividade minha e estou curtindo muito. Então, de vez em quando, sai de cena a Ana Cristina advogada e entra em cena a Ana Cristina diretora do jornal. E a coisa vai caminhando e está indo muito bem. Passei a ter contato com muitas pessoas, muitos artistas com o jornal. Por conta da pandemia, a gente não está imprimindo e distribuindo nas ruas, mas todo o conteúdo pode ser acessado no nosso site. Fazemos o jornal e colocamos no site. Mas queremos em breve voltar a imprimir e distribuir. Onde meu avó está, sei que ele estará muito feliz. Eu fiz o jornal para ele, como prometi”, completou.

Na entrevista, Ana falou sobre a familia e relembrou as visitas que fazia quando era criança ao avó Joaquim, a quem chamava de “Pai Quinca”, no estado do Piauí. Citou ainda outra paixão de infância, que era pilotar motos. “Hoje não ando mais de moto, mas sempre renovo a carteira de habilitação de moto”, afirmou.

A paixão pela advocacia também surgiu na infância.

“Meus pais diziam que desde os seis anos que eu já falava em ser advogada para ajudar os outros”, disse.

Ana assistiu a depoimentos de amigos, como o ator Deo Garcez. (Foto: Alan Alves)

Ana também falou sobre os projetos sociais que desenvolve atualmente em comunidades do Rio, como Rocinha, Jacaré, Vila Olímpica da Mangueira, Cidade de Deus, Vigário Geral, Quitumbo e Engenho da Rainha.

Ainda na entrevista, ela foi homenageada e ganhou um buquê de flores da apresentadora Bellinha di Tena. Ainda assistiu a vídeos enviados por colegas de trabalho e amigos que elogiaram sua trajetória, como Zaira Caprara, Vera Gonzalez, Rômulo Lício, Sérgio da Luz, a advogada Sabrina Santos, o ator Deo Garcez e o carnavalesco Milton Cunha.

Advogada ainda assistiu a mensagem em vídeo enviada por Milton Cunha. (Foto: Alan Alves)

Ao fim da entrevista, Ana se emocionou ao assistir a uma apresentação do cantor e compositor Tunai, outro grande amigo, que morreu em 2020.

“Tunai era um grande amigo nosso, tínhamos muito apreço por ele, e ainda temos. Uma grande de estrela que caiu em nossas vidas. Deixou a obra, o encanto dele. Aonde ele estiver vai estar nos guiando, nos protegendo”, disse.

Ana se emocionou ao assistir vídeo de apresentação do amigo Tunai. (Foto: Alan Alves)
Ana recebeu homenagens e ganhou buquê de flores. (Foto: Alan Alves)
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Plataforma gratuita criada por brasileiros ajuda na busca por emprego

Daniela Lana e Gregório Salles desenvolveram a plataforma online. (Foto: Divulgação)

Dois brasileiros que vivem na Austrália criaram uma plataforma digital gratuita que ajuda na busca por emprego e promove inclusão financeira e economia colaborativa, para amenizar os impactos da pandemia. A startup, chamada de “RestartUs – Recomeçando Vidas”, já iniciou sua fase de pré-cadastro no Brasil.

Inspirada em modelos como o do LinkedIn e já presente na Austrália, Portugal, Estados Unidos e Angola, a plataforma promoverá, em sua primeira fase, vagas de emprego, desenvolvimento de pequenos negócios e acesso a conteúdo de capacitação gratuito para a população carente.

Usuários, empresários e parceiros podem fazer o pré-cadastro no site: www.recomecandovidas.com.

Daniela Lana (fundadora e cientista social)

Uma das idealizadoras do projeto é a cientista social Daniela Lana, ex-sargento feminina da polícia militar brasileira. Ela faz questão de enfatizar que a plataforma não tem caráter exclusivo, mas sim inclusivo.

“Qualquer pessoa sabe que ali é um lugar sem julgamentos ou preconceitos, seja um jovem desempregado da periferia, uma pessoa de baixa renda querendo começar um pequeno negócio, uma mãe solteira com problemas financeiros, ou até uma empresa querendo contratar trabalho remoto, por exemplo”.

Para as próximas fases de lançamento da plataforma estão previstas soluções de apoio financeiro baseado no modelo Fintech e Blockchain, além de uma solução de Marketplace que facilitará a empreendedores e autônomos oferecerem seus serviços e produtos a toda a comunidade da plataforma. Para isso, a empresa está buscando atualmente investidores sociais e parcerias estratégicas.

Estudos conduzidos pela própria startup mostram que das cerca de 4,6 bilhões de pessoas atualmente conectadas na internet pelo mundo, mais de 3 bilhões não têm acesso a oportunidades de emprego e educação online.

Para mudar essa realidade, a ideia é usar os recursos de inteligência artificial, Blockchain, realidade virtual e Internet das Coisas (IoT) como facilitadores da transformação, inclusive em áreas que não têm acesso à internet.

A empresa também idealizou um programa de recompensas para o aumentar o engajamento dos participantes.

“Criamos um sistema de pontos que irá recompensar todos os envolvidos, que se ajudam mutuamente como em um videogame da vida real, elemento crucial para engajar os mais jovens também. Pretendemos ampliar a inclusão digital com parceiros de setor Telecom, já que a falta de um pacote de internet suficiente é a reclamação mais recorrente do grupo social que estamos beneficiando na plataforma”.

Gregório Salles (fundador e empreendedor)

Um dos idealizadores do projeto é Gregório Salles, um empreendedor com vasta experiência em startups de inovação social e tecnologia. Ele diz que, assim como sua sócia no projeto, percebeu que as atuais plataformas online não engajam a população de baixa renda.

“Eles se sentem intimidados pela sua classe social, escolaridade e até o local em que residem. Um jovem que mora em uma comunidade do Rio de Janeiro ou na periferia de Fortaleza muitas vezes precisa esconder de seu empregador o bairro onde vive, um fenômeno também recorrente na maioria dos países emergentes. Mesmo na Oceania e América do Norte, por exemplo, trabalhadores são rotulados por raça, sobrenomes estrangeiros ou até condições de saúde. Fora aqueles que tiveram algum problema com a justiça no passado,e acabam marcados e excluídos. São muitas famílias afetadas. Não resta mais lugar para isso no atual cenário global em que a força de trabalho e o empreendedorismo vão formar a matriz determinante para os países superarem a crise e seguirem crescendo com mais igualdade”.

Ainda conforme Salles, um levantamento da empresa apontou que cerca de 45% das empresas sofre com falta de mão de obra, seja qualificada ou não, e que falta entre as grandes empresas de tecnologia uma que seja voltada para o verdadeiro impacto social, com o intuito de mudar essa realidade.

“Nossa plataforma agiliza o caminho que conecta as duas pontas, para que os dois lados saiam ganhando num grande cardápio de recompensas. Ofereceremos também um conteúdo educacional gratuito que ajuda esses candidatos, por exemplo, preparando-os para o momento da entrevista, ou os fazendo conhecer um museu com óculos de realidade virtual. O que queremos é a realização pessoal de cada um que usa a plataforma, nos comprometendo a investir a maior parte do nosso lucro na realimentação desta rede de treinamento e desenvolvimento de capital social”.

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“Os brasileiros perderam o medo da Covid-19’

 

Por Claudia Mastrange

Enquanto o Brasil enfrenta, em várias regiões do país, um aumento de casos de contaminação e morte por Covid-19 e a vacina ainda esta longe de ser uma realidade no país, o coronavírus já se apresenta em uma nova variante, gerando um alerta mundial. O virologista Raphael Rangel, delegado do conselho de Biomedicina no Rio de Janeiro e coordenador do curso de Biomedicina do Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação – IBMR, em entrevista exclusiva ao Diário do Rio, fala sobre a pandemia, seu enfrentamento no Brasil e essa variante, 70% mais contagiosa do coronavírus. Ela já circula na Europa e nos Estados Unidos e, segundo Raphael, já pode ter chegado ao Brasil.

DIÁRIO DO RIO – Como vê a evolução da pandemia no mundo?
RAPHAEL RANGEL – “A pandemia, de uma forma geral, se desenvolveu muito rápido. Países como Estados Unidos e Brasil, por exemplo, demoraram muito para tomarem medidas mais restritivas e tiveram seus governantes negligenciando a Covid-19, com palavras como “É somente um resfriadinho”, “Uma gripezinha” e que logo ia passar. Com isso, acabou enfraquecendo muito o discurso dos cientistas e dos médicos com relação ao coronavírus. As pessoas passaram a não se proteger contra a doença e o resultado disso a gente percebe no número de pessoas infectadas e na infeliz marca de 190 mil mortos”.

DIÁRIO DO RIO – Fale sobre essa variante do vírus. Verdade que é 70% mais contagioso?
No que isso é perigoso para o enfrentamento a pandemia?
RAPHAEL RANGEL – É importante destacar que não é incomum os vírus sofrerem mutações, eles sofrem isso a todo instante. O que nos preocupa nessa variante é que a mutação que ocorreu nela codifica uma região importante do vírus que ele utiliza para entrar na célula hospedeira. Então essa mutação pode deixar o vírus 70% mais contagioso. Não que necessariamente isso já esteja acontecendo, mas ele tem poder para fazer isso.

DIÁRIO DO RIO – Essa variante deve chegar ao Brasil?
RAPHAEL RANGEL – Essa variante já pode estar sim no Brasil, precisamos intensificar o que chamamos de vigilância genômica, que é realizar o sequenciamento do RNA viral dos coronavírus que nós temos aqui no Brasil, identificar para saber se ela já está aqui. Mas, se não tiver, ela pode chegar sem sombra de dúvida.

DIÁRIO DO RIO – O Brasil vive ou uma segunda onda de contágio? Ou não saímos mesmo na primeira ?
RAPHAEL RANGEL – O Brasil vive uma segunda onda, obviamente em regiões específicas como Rio de Janeiro e São Paulo. Uma segunda onda é caracterizada quando tivemos a primeira onda de números de casos e internações, que decaíram. E , de meados de outubro para cá, o número de infectados, internações e mortes também aumentaram, isso caracteriza sim uma segunda onda.

DIÁRIO DO RIO – A que se deve esse aumento significativo na taxa de contágio e mortes?
RAPHAEL RANGEL – “Esse aumento de número de casos vai de encontro com duas questões. A primeira é que os brasileiros perderam o medo da Covid-19, muitas pessoas sem máscara, não praticando o distanciamento social, principalmente os jovens que estão indo para a balada e bares lotados. E a outra questão é que os governantes fizeram medidas de flexibilização e não obedeceram o tempo mínimo para fazer, exemplo do Rio de Janeiro que não esperou de duas em duas semanas que é cada fase de flexibilização. Fizeram até mesmo duas fases em uma semana só. Então essa reabertura que deveria ser gradual. Acontecendo de forma equivocada acaba ajudando também na dispersão da doença.

“O Brasil está
bem longe de conseguir controlar
a pandemia”

DIÁRIO DO RIO – O que achou do Plano Nacional de Vacinação?
RAPHAEL RANGEL – “O plano nacional de vacinação obedece a um script, não é nada surreal. O Brasil, até o momento, não fez nenhum acordo significativo a não ser com a AstraZeneca, e comprou 100 milhões de doses aqui para o nosso país. Mas percebemos que na fila das melhores vacinas, como por exemplo, a da Pfizer, que os Estados Unidos está usando, nem demonstramos interesse de compra. Caso o Brasil vier a demonstrar interesse agora, só conseguiremos algumas doses no final de 2021. Enquanto já passamos da marca de 3 milhões de pessoas vacinadas do mundo, o Brasil segue sem vacina e sem um plano de vacinação fidedigno. Vizinhos como a Argentina já estão vacinando”.

DIÁRIO O RIO – Quando acredita que conseguiremos controlar? Podemos chegar a que número de mortos?
RAPHAEL RANGEL – “Eu diria que o Brasil está bem longe de conseguir controlar a pandemia. Temos uma incapacidade de gerenciá-la no nosso país, muito por conta dos nossos governantes. Estamos passando por uma das piores pandemias que o mundo já viveu, com um ministro da saúde que nem da área da saúde é. Ele é formado em logística. E mesmo assim, tivemos diversos testes estragando, passando da validade em um galpão em São Paulo. Então o Brasil está bem longe de vencer ou controlar a pandemia, essa situação segue no descontrole. Exemplo disso é que todos querem testar vacinas por aqui”.

DIÁRIO O RIO – E quanto ao recontágio? Há como prevenir? Ele acomete algum grupo em especial?
RAPHAEL RANGEL – A reinfecção é possível e tem acontecido. Aas pessoas têm uma falsa ideia de que, uma vez que a pessoa tem a doença, ela nunca mais terá. Isso não é uma verdade. As pessoas que tiveram Covid podem ter novamente, porque os anticorpos, após cinco, seis meses acabam zerando, podendo haver uma nova reinfecção com a doença, e sendo ela suscetível a qualquer um.

Foto: Divulgação

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Na trilha do sucesso: entrevista com o cantor Gustavo Tibí

 

O cantor Gustavo Tibí é um dos grandes sucessos do momento no Brasil. Ele participou da mais recente edição do reality musical da Globo, “The Voice Brasil”, em que o vitorioso na grande final foi Victor Alves. Mas à despeito do programa, Tibí já tem acumulado grandes conquistas. Ele compôs a música “O problema é que você sabe”, sucesso da banda Onze20, que já conta com mais de 1 milhão de visualizações no Youtube, além de ter feito parte da banda Jamz, finalista do programa “Superstar”, da Rede Globo, em 2014.

Agora em carreira solo, Tibí vem lançando músicas autorais. Ele que já conta com seu primeiro álbum solo intitulado “Quase Pop”, um disco pop com influências do R&B, Blues e soul, com nove faixas, sendo sete delas compostas por ele mesmo e duas em parceria com o amigo Cassiano Andrade. Entrevistamos o cantor, que falou um pouco de sua carreira e trajetória na música.

 

DIÁRIO DO RIO A paixão pela música é algo que sempre esteve na sua vida. Qual a sensação de poder viver da música? 

 

GUSTAVO TIBÍ – Desde criança eu digo que gostaria de ser músico. Então eu me sinto muito privilegiado em poder estar vivendo o meu sonho e acima de tudo, amar a minha profissão.

 

DIÁRIO DO RIO Você teve bastante sucesso com a banda Jamz, participando do programa da Globo “Superstar”, indicações ao Grammy Latino, entre outras conquistas. Como foi viver todos esses momentos?

 

GUSTAVO TIBÍ – Eu amo a sensação de ser reconhecido pelo meu trabalho, ganhar prêmios, mas nada se compara ao contato que temos com os fãs. É muito bom ouvir as histórias que eles contam e de como a sua música os ajudaram em algum momento. É uma sensação que não tem preço.

 

DIÁRIO DO RIO  O The Voice é um programa que abre oportunidades para cantores e músicos de todo o Brasil. Você consegue descrever como foi participar dessa temporada do reality musical?

 

GUSTAVO TIBÍ – Me sinto muito honrado de ter chegado até as quartas de final desse programa que eu tanto admiro. Fiquei muito feliz com toda a repercussão que a minha participação gerou e agora estou focado para aproveitar as oportunidades que estão surgindo.

 

DIÁRIO DO RIO Quais são as suas referências na música?

 

GUSTAVO TIBÍ – As minhas maiores referências são: Ray Charles, Stevie Wonder, Djavan, Beatles e Gabriel, O pensador.

 

DIÁRIO DO RIO Além de cantor e músico, você já chegou a atuar algumas vezes. Você pensa em trabalhar como ator também?

 

GUSTAVO TIBÍ – Penso muito! Eu gosto muito de atuar e eu quero muito colocar esse plano para 2021.

 

DIÁRIO DO RIO Sobre o seu primeiro álbum solo, “Quase Pop”, como tem sido o feedback do público? E como foi para você ter seu trabalho solo sendo reconhecido?

 

GUSTAVO TIBÍ – O primeiro álbum na vida de um artista é muito especial, já que é um compilado de tudo que ele compôs até o momento. Não tem nada melhor do que saber que as suas músicas fazem parte da trilha sonora da vida das pessoas. Agora, por conta do The Voice, muita gente tem me enviado mensagens de apoio e perguntar sobre o segundo álbum. Isso me deixa tão feliz e realizado.

 

DIÁRIO DO RIO Quais são os planos e projetos futuros para a sua carreira?

 

GUSTAVO TIBÍ –  O que eu posso revelar no momento é que ano que vem lançarei muitas coisas inéditas e eu estou muito ansioso para conseguir viajar pelo Brasil levando o meu som e conhecendo novas histórias.

Por: Luhan Alves- Com supervisão de Claudia Mastrange 

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“O mundo precisa mudar”

 

Por Claudia Mastrange

Não é à toa que o ator Deo Garcez tem orgulho de sua trajetória. O menino que viveu uma infância pobre em São Luiz do maranhão viu seu sonho virar realidade ao tornar-se um ator nacionalmente reconhecido.  Nada foi fácil: ele fez acontecer. Começou a fazer teatro ainda menino e lá se vão mais de 40 anos e muita história para contar. Representatividade também o define, já que  procura sempre abordar a temática do racismo em seus trabalhos e há 5 anos  encena  ‘Luiz Gama ─ Uma Voz pela Liberdade’. O espetáculo conta a trajetória do ex-escravo, jornalista, poeta, político, advogado autodidata, que foi responsável pela libertação de mais de 500 escravos. Deo está em cartaz  também com o espetáculo online “Anjo Negro”, baseado no texto de Nelson Rodrigues. Em entrevista ao Diário do Rio, ele fala de como se reinventou na pandemia e o que espera para o país e o mundo em 2021.

Diário do Rio-  Quando iniciou o trabalho com Luiz Gama, imaginava esse estrondoso sucesso e essa longevidade do espetáculo?

Deo Garcez – Não imaginava não. Mas de imediato vimos que a aceitação era muito grande e que iríamos fazer esse espetáculo por um bom tempo. Não que fosse vir até aqui, são 5 anos. Sei que continuará a ser feito. Me vejo velhinho de bengala interpretando Luiz Gama (risos). Porque sempre haverá necessidade de se contar a história dele. A importância dele para o Brasil e para o  mundo.

– Qual a importância de abordar esse tema para o país e os negros?

Deo Garcez – A peça recupera a importância fundamental, na construção desse país, da luta por direitos, da luta em especial pela libertação dos escravos no Brasil. Espetáculos como esse trazem pra hoje e faz ecoar a voz dos nossos ancestrais negros e negras que foram invisiblizados ao longo da história brasileira. História que é sempre manipulada do ponto de visa do opressor, do colonizador, dos poderosos…. Há tantos heróis e heroínas que precisam ser recuperados, como Esperança Garcia, no Piauí; Negro Cosme, no Maranhão…. Líderes que tiveram importância fundamental na luta pela abolição. Quem os conhece? Quase ninguém.

– O racismo é um mal que nunca se acabará?

Deo Garcez – Não sei se acabará. Mas torço que minimize. O mal sempre vai existir, mas nós, do bem, estamos aí para combatê-lo.. Me sinto péssimo diante de tantos acontecimentos relacionados ao racismo.a matança da população negra dentro e fora do país. É traumático ser negro no Brasil porque as mazelas da escravidão continuam até hoje. Cada 23 minutos um jovem brasileiro entre 12 e 19 anos é assassinado. Nos presídios, mais de 70% da população é negra. As muheres negras são duplamente marginalizadas., discriminadas. É urgente que esse genocídio acabe. É preciso que falarmos uma revolução, no melhor dos sentidos, para acabar com essa crueldade que é o racismo.

– Porque decidiu encarnar o “Anjo Negro”? 

Deo Garcez – Decidi encarnar  Ismael porque é uma forma diferente de abordar o racismo, na linguagem de Nelson Rodrigues. Fala do auto- preconceito, é bastante polêmico.  Meu personagem é capitão do mato de si mesmo. Remete as pessoas que, diante de tanta crueldade, se sentem inferiores e renegam sua própria etnia. Sabemos que existem os “Sérgios camargos” (atual presidente da Fundação Palmares) da vida que renegam sua ancestralidade, seus heróis negros. É atual. Nelson bota o dedo na ferida, não tem meias palavras, fala do pior dos sentimentos e da maldade humana.

– Qual a função do artista na sociedade e no Brasil  atual?

Deo Garcez – Além de levar entretenimento, o artista tem uma função educativa muito grande. No sentido de desalienar, politizar as pessoas e a sociedade. No Brasil, além da pandemia e da vulnerabilidade que vivemos, há um momento de negação de direitos, da saúde, da educação, da cultura, das relações exteriores… Nós artistas temos que fomentar esse debate e ver que atitudes políticas  possam ser implementadas para que possamos ter direitos iguais, direito à vida.

– São mais de 40 anos de carreira… Como avalia sua trajetória ?

Deo Garcez – Avalio com orgulho, uma felicidade muito grande por ter realizado meu sonho e ter essa trajetória, essa representatividade. Eu que venho de um subúrbio, negro, com dificuldades, que nunca deixei  que fossem obstáculos para realizar meu sonho. Ser artista não é fácil, ainda mais no Brasil. Sempre  procurei, nos meus trabalhos, abordar a temática afrobrasileira , a luta antiracismo. Isso me dá grande reconhecimento, como a medalha Pedro Ernesto, que recebi na Câmara de Vereadores do Rio, por conta de Luiz Gama.

– Como lidou com a pandemia?  O que reavaliou com tudo que o mundo esta enfrentando?

Deo Garcez – Tenho conseguido produzir de forma  proveitosa, através de leituras, reflexões, experimentações artísticas –  como os dois espetáculos em formato online. Estamos nos adequando a tudo. Nesse momento, chega-se à conclusão que o mundo precisa mudar. Cuidar da natureza, da própria vida, da saúde, sermos menos individualistas, pensarmos no bem comum. Deixar o capitalismo um pouco de lado e pensar no bem coletivo.

– Quais os planos e o que espera para 2021, para você, o nosso país e o mundo?

Deo Garcez – Continuarei Luiz Gama, claro. Anjo Negro continua em janeiro, terceiro ato. Tenho outro texto, que é um monólogo, de Ricardo Torres, diretor de Luiz Gama, para o qual já procuro patrocinador. Fala das minorias, da luta pelos direitos, o preconceito de diversas formas; temática necessária. Tem dois curtas e ainda uma outra peça de cunho histórico…. Muitos planos !( risos). Em janeiro também volta ao ar a novela Salve-se que Puder, em que vivo o médico Emir.

Para o Brasil, espero, que nossos governantes pensem e coloquem em prática políticas públicas que favoreçam aqueles que estão à margem e são uma grandíssima maioria. E também combater o racismo que mata nossa população negra. Que nas nossas escolas se conte a verdadeira História do Brasil, que a Lei 10.639  (que obriga o ensino da história da África e a importância dos negros na formação do Brasil) seja colocada em prática. Que se pense realmente num Brasil para todos, com saúde e educação de qualidade, moradia digna e igualdade de direitos de modo geral.

Foto: Vivian Fernandez