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Biólogos acham planta do Rio não vista há 39 anos e outra também ameaçada de extinção

Por Alan Alves

Biólogos do Rio de Janeiro fizeram importantes descobertas botânicas em 2021 relacionadas a duas plantas exclusivas do estado que estão criticamente ameaçadas de extinção. Um delas, a Chionanthus fluminensis, ou Azeitona da Mata Atlântica, foi localizada esta semana no Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset), em Niterói. Outra espécie, a Pleroma hirsutissimum, pertencente à família das quaresmeiras e que não era vista na natureza desde 1982, foi achada em fevereiro no Parque Estadual da Costa do Sol, Região dos Lagos.

As descobertas são fruto de um projeto que busca proteger espécies ameaçadas e que não contam com instrumentos de conservação.

A Azeitona da Mata Atlântica foi vista no Costão de Itacoatiara por equipes do Plano de Ação Nacional para Conservação da Flora Endêmica (PAN) e da unidade de conservação, administrado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Caracteriza-se como uma árvore ou arbusto de cerca de três metros de altura, com folhas de cabo curto. Suas flores são claras (creme) e o fruto azulado, quase negro. A planta só é vista na cidade do Rio e em Niterói.

Azeitona da Mata Atlântica foi encontrada em parque de Niterói. (Foto: Divulgação/Governo do Rio)

“A espécie pertence à família da azeitona que comemos e só ocorre na Mata Atlântica, o que explica a razão de a batizarmos popularmente de Azeitona da Mata Atlântica. Ainda serão feitos estudos para descobrirmos se o seu fruto é comestível, pois pode ser que tenha alguma propriedade de relevância científica”, explica a consultora coordenadora do PAN para a WWF-Brasil e Seas, Inara Batista.

Para buscar a espécie, as equipes fizeram levantamento em herbários, coleções de plantas identificadas, para identificação das localidades de ocorrência. Descobriu-se que a única unidade de conservação do estado que tem registro da planta é o Parque Estadual da Serra da Tiririca.  Em outubro de 2020, foi realizada uma expedição de campo ao parque administrado pelo Inea, onde um exemplar da planta foi encontrado no final da missão. Depois, novos exemplares foram identificados, desta vez com frutos. As unidades encontradas foram encaminhadas para o Horto Florestal de Guaratiba, do Inea, onde foram iniciados estudos para a produção mudas.

Descoberta após 39 anos

Já espécie Pleroma hirsutissimum, que não era vista há 39 anos, foi achada na unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) na Região dos Lagos. A identidade da espécie, que só ocorre em Cabo Frio, foi confirmada pelo pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio Paulo Guimarães.

A planta pode atingir um metro de comprimento, tem muitos pelos e, quando desabrocha, exibe belas e exuberantes flores roxas. “Este achado é de extrema relevância para a flora do estado do Rio, uma vez que, quando redescobrimos uma planta, podemos promover ações diretas em prol da conservação da espécie”, destaca Inara.

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Estudo gera energia limpa com células solares fabricadas a partir de pétalas e frutos

A fabricação de dispositivos nanotecnológicos com alta sensibilidade em sistema inteligentes de energia de baixo custo e renováveis. Este é o objetivo de um projeto que está sendo tocado pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ).

A nanotecnologia é uma ciência que se dedica ao estudo da manipulação da matéria numa escala atômica e molecular. Pode ser utilizada em diferentes áreas, como a medicina, eletrônica, ciência da computação, física, química, biologia e engenharia dos materiais.

Um dos estudos visa a busca de eficiência em energia limpa com o desenvolvimento de células solares orgânicas, que podem ser fabricadas com corantes naturais extraídos de pétalas da floricultura brasileira como margaridas ou lantana, popularmente conhecidas como camará ou cambará, ou frutos como jabuticaba e o coco.

A pesquisadora Ana Lucia Ferreira de Barros, coordenadora do Laboratório de Física Experimental e Aplicada do Cefet/RJ, diz que essa é uma área bastante desenvolvida em países como Alemanha, mas ainda muito incipiente no Brasil, principalmente devido ao alto custo na transmissão da matriz energética.

As células orgânicas precisam de 20 vezes menos energia que os painéis comuns. Elas são compostas por estruturas semicondutoras sobre as quais é feita a aplicação do corante orgânico, que terá a função de absorver os fótons de luz e, uma vez que o mesmo seja excitado, transferirá elétrons até a superfície condutora, obtendo assim o efeito fotovoltaico.

“No contexto do Estado do Rio de Janeiro, o desenvolvimento de materiais de baixo custo e amigáveis ao ambiente assumem importância crucial, especialmente devido às severas limitações orçamentárias e a crise fiscal dos últimos anos”, ressalta.

Os investimentos da Faperj são ainda para o aperfeiçoamento de supercapacitores com aplicações em diversos áreas industriais como roupas, biosensores e até veículos híbridos. Em 2020, duas dissertações de mestrado e uma tese de doutorado foram defendidas por alunos do Cefet/RJ, sendo duas sobre supercapacitores e outra sobre células solares.

Os Supercapacitores são uma classe de dispositivos de armazenamento de energia que combinam as propriedades de baterias (alta capacidade de armazenamento) com as de capacitores (ultra-rápido carregamento e fornecimento de energia), tolerando grande número de ciclos de carga e descarga.

Os supercapacitores podem ser fabricados com materiais funcionais como azul de metileno, carbono ativado, entre outros, e aplicados como revestimentos em fibras de carbono, tornando-os altamente flexíveis, com boa resistência e baixo custo.

Além dessas atividades, o grupo do Cefet/RJ se dedica também à modelagem matemática em estudos de armazenamento de energia em supercapacitores. Nessa área, estão estudos de algoritmos e modelos estatísticos em computadores com alta performance.

A Faperj é vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. Já as pesquisas do Cefet/RJ contam com parcerias na Dinamarca, Coreia do Sul, Índia, França e Estados Unidos, além de laboratórios nacionais na UFRJ, Uerj e na PUC-Rio.

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Vidigal: mudas da Mata Atlântica são plantadas em área antes usada para descarte de lixo

Uma área que estava sendo usada como ponto de despejo de lixo no Morro do Vidigal, em São Conrado, Zona Sul da capital fluminense, está passado por um reflorestamento. Mudas de espécies da Mata Atlântica estão sendo plantadas no local pela Secretaria de Estado do Ambiente e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), com o apoio do Projeto De Olho no Lixo.

A iniciativa prevê o reflorestamento da região com mais de 300 mudas a serem plantadas na área degradada. O replantio, dizem os biólogos, irá garantir a preservação da Mata Atlântica e também contribuir para o fim desse descarte irregular, a fim de contribuir com o meio ambiente.

A Mata Atlântica abrange cerca de 15% do território nacional, em 17 estados. Dela dependem serviços essenciais como abastecimento de água, regulação do clima, agricultura, pesca, energia elétrica e turismo. Na época do descobrimento do Brasil, a Mata Atlântica era contínua como a Floresta Amazônica e considerada a segunda maior floresta tropical do Brasil, com uma área de cerca de 1.315.460 km². Atualmente, no entanto, restam apenas 12,4% da cobertura original, e a Mata Atlântica é considerada a quinta área mais ameaçada do planeta.

Mudas são plantadas em áreas no Vidigal. (Fotos: Divulgação)

“Estamos muito felizes em poder realizar essa ação e contar com a parceria da Viva Rio e do Projeto De Olho no Lixo. Ações como essa são fundamentais para estimular a consciência ambiental e espalhar boas práticas pelo nosso estado”, afirmou o secretário do Ambiente e Sustentabilidade do Estado, Thiago Pampolha.

A equipe do Projeto De Olho no Lixo – fruto de cooperação técnica entre o Viva Rio, a Secretaria do Ambiente e o Inea – realizou toda limpeza do local que recebeu as mudas. A Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) também deu apoio à iniciativa.

A ação, segundo o governo do estado, foi realizada obedecendo o protocolos de segurança para preservar a saúde dos participantes, como o uso obrigatório de máscara, assepsia das mãos com álcool em gel e o distanciamento entre os participantes.

“Essa é uma área de fundamental importância que fica no coração do Rio de Janeiro. Promover essa ação é garantir o uso público, que se torna possível a partir da limpeza e conservação do local e da Mata Atlântica”, disse Márcia Rolemberg, coordenadora da Área Socioambiental do Viva Rio e geral do projeto De Olho no Lixo.

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Quase 35 milhões vivem sem água potável no Brasil

Na semana em que se comemorou o Dia Mundial da Água, recurso natural básico para a manutenção da vida, um dado divulgado pelo Instituto Trata Brasil aponta uma situação preocupante: quase 35 milhões de pessoas vivem sem água potável no Brasil, sendo 5,5 milhões nas 100 maiores cidades do país.

O Dia Mundial da Água foi criado em 1992 pela ONU e visa à ampliação da discussão sobre esse tema, que é também um dos “17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, um apelo universal à ação para acabar com a pobreza, proteger o planeta e assegurar que todas as pessoas tenham paz e prosperidade. A água limpa e o saneamento são o sexto objetivo da ONU, que chama a atenção para a necessidade de se garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos. Isso, no entanto, parece ainda longe de ser alcançado.

Ainda conforme o Instituto Trata Brasil, 100 milhões ainda não tem acesso à coleta de esgotos (21,7 milhões moram nas 100 maiores cidades).

Dados referentes a 2019, com base em informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, evidenciam que as maiores cidades do país entraram no 1º ano da pandemia, em 2020, com déficits de abastecimento de água e esgotamento sanitário, apesar das recomendações de higiene feitas pelos órgãos de saúde.

O Brasil ainda não trata metade dos esgotos que gera (49%), o que representa jogar na natureza todos os dias 5,3 mil piscinas olímpicas de esgotos sem tratamento. Nas 100 maiores cidades, em 2019, descartou-se volume correspondente a 1,8 mil piscinas olímpicas diárias.

Entre 2012 e 2019, a população do país com acesso à rede de água no país evoluiu timidamente (de 82,7% com acesso para 83,7%). Com relação à coleta de esgoto, o país saiu de 48,3% da população atendida para 54,1%.

As cidades mais bem posicionadas no novo Ranking do Saneamento são Santos (SP), Maringá (PR) e Uberlândia (MG). Já entre as piores cidades estão Macapá (AP), Porto Velho (RO), Ananindeua (PA), São João de Meriti (RJ), Belém (PA) e Santarém (PA).

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Estudantes criam projeto de ecodraga com potencial para limpar lixo da Baía de Guanabara

Três estudantes do ensino técnico da Escola Firjan Senai Sesi São Gonçalo, no Rio, desenvolveram um projeto de ecodraga com potencial para minimizar uma situação crônica vivida pelos cariocas em decorrência do processo de degradação que se intensificou, principalmente nas décadas de 50 e 60, com o elevado crescimento urbano: a poluição da Baía de Guanabara, uma das maiores do litoral brasileiro e que englobando praticamente toda a Região Metropolitana. O projeto foi desenvolvido para limpar o lixo que flutua sobre a água.

Com o auxílio de um engenheiro, os alunos Carlos Eduardo Veras Keller, Daniel Caruso Melo Roquette Couto e Rafaela Pessanha de Freitas desenvolveram o projeto de embarcação usada para recolher o lixo do mar. Diferentemente de embarcações coletoras semelhantes, a ecodraga evitar o vazamento de gasolina na água, já que é movida à energia solar.

A embarcação, com 14 x 7 metros de tamanho, pode navegar por até sete horas em cada operação. Nela ficariam um
reservatório para o lixo e uma esteira na parte frontal, capaz de recolher e armazenar mais de 300 garrafas pets grandes por operação. “Com várias ecodragas em funcionamento, seria possível minimizar o impacto ambiental do descarte de lixo na baía”, diz Keller. Os estudantes já fizeram o protótipo da embarcação e, agora, estão atrás de empresas e de autoridades do governo para tentar tirá-lo do papel.

O projeto está concorrendo a um prêmio: é um dos finalistas da 19ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE 2021). Promovida anualmente pela Escola Poliécnica da USP e realizada pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico- LSI-TEC, a FEBRACE é considerada a maior feira brasileira pré-universitária de Ciências e
Engenharia em abrangência e visibilidade.

Nesse ano, a premiação reúne, ao todo, 345 projetos finalistas, desenvolvidos por 716 estudantes de 295 escolas do ensino fundamental, médio e técnico de todo o País. Conta ainda com a participação de 482 professores. Os projetos serão julgados e premiados pela criatividade e rigor científico. A cerimônia de premiação está marcada para 27 de março, com transmissão pelo canal oficial da Febrace no Youtube.

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Dia Mundial da Água alerta sobre a importância da preservação dos recursos hídricos

O Dia Mundial da Água, recurso natural básico para a manutenção da vida na terra, é comemorado nesta segunda-feira, 22 de março, e é uma data que chama à reflexão sobre o meio ambiente e alerta sobre a importância da preservação dos recursos hídricos.

O Dia Mundial da Água foi criado em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e visa à ampliação da discussão sobre esse tema, que é também um dos “17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, conjunto de objetivos que representam um apelo universal da ONU à ação para acabar com a pobreza, proteger o planeta e assegurar que todas as pessoas tenham paz e prosperidade.

A água limpa e o saneamento são o sexto objetivo da ONU, que chama a atenção para a necessidade de se garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos. Isso, no entanto, parece ainda longe de ser alcançado. Um relatório divulgado nesta segunda pelo Instituto Trata Brasil aponta que 21,7 milhões brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto nas 100 maiores cidades do país e 5,5 milhões, à água potável.

O Dia Mundial da Água visa conscientizar as pessoas sobre o desperdício de recursos hídricos e sobre a importância de poupá-lo, já que cuidar das fontes de água é fundamental para a nossa sobrevivência. O corpo humano, por exemplo, necessita de água para diversos processos, como a manutenção da temperatura corpórea, o transporte de substâncias,  como sais minerais e nutrientes, e eliminação de substâncias para fora do corpo – faz parte, por exemplo, da composição da urina, que garante a eliminação de substâncias tóxicas ou que estão em excesso em nosso organismo.

Em razão de sua importância, recomenda-se a ingestão de cerca de, ao menos, dois litros de água por dia para que o organismo continue funcionando perfeitamente.

Além de estabelecer essa data importante, a ONU divulgou a Declaração Universal dos Direitos da Água, que é ordenada em dez artigos. Veja a seguir alguns trechos dessa declaração:

1- A água faz parte do patrimônio do planeta;

2 – A água é a seiva do nosso planeta;

3 – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados;

4 – O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos;

5 – A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores;

6 – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo;

7 – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada;

8 – A utilização da água implica respeito à lei;

9 – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social;

10 – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

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Moradores se unem para reciclar óleo e mantêm projetos de comunidade com venda do produto

Moradores da associação Fazenda Botafogo, no Rio, se uniram para para evitar o descarte irregular de óleo doméstico, protegendo assim o meio ambiente e evitando inundações da região com a chuva em decorrência de entupimentos da rede de esgoto, e ainda por cima conseguem ganhar dinheiro com o produto. Os moradores fazem a coleta do óleo, armazenam em garrafas pet e o material é vendido a uma empresa. Com o dinheiro, mantêm vivos projetos sociais que beneficiam a comunidade.

A ideia, que surgiu em dezembro, foi do presidente da associação, Aloísio Brandão. Ele diz que o projeto hoje conta com a adesão de cerca de 120 moradores e que, semanalmente, são recolhidos uma média de 100 litros de óleo.

“Tínhamos uma dificuldade muito grande do entupimento das galerias de esgoto. A maior parte, quando a gente ia abrir as galerias, eram placas de gordura, já que as pessoas descartavam na pia, no vaso, diretamente na rede de esgoto. E foi aí que lançamos o projeto do óleo social. Esse óleo hoje é vendido e o valor é utilizado em prol da comunidade”, destaca.

Moradores da Fazenda Botafogo mantêm projetos sociais com venda de óleo. (Foto: Divulgação)

O descarte irregular de óleo contamina o meio ambiente, podendo poluir as águas, o solo e até a atmosfera. Além disso, se retido na rede de esgoto, o óleo dificulta a passagem das águas pluviais, favorecendo as inundações, e atrai pragas que podem causar doenças, como leptospirose, hepatites e esquistossomose.

“Temos o Rio Acari, que passa pela comunidade e que, antes do seu desassoreamento, em 2019, sempre transbordava e alagava as ruas por causa do entupimento das galerias. Em 2013, a água chegou ao segundo andar de muitos apartamentos. Mas hoje, depois do desassoreamento e da conscientização dos moradores, isso nunca mais aconteceu”, destaca.

A intenção agora é ampliar o projeto. “Muitos, sobretudo agora na pandemia, por medo de sair de casa e levar o óleo até a associação, ainda descartam irregularmente. Mas nossa intenção é espalhar o projeto para que todos tenha essa consciência e contribuir com a comunidade e o meio ambiente”.

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Crianças arrecadam R$ 23 mil com vaquinha para restaurar área de Mata Atlântica

Por Alan Alves 

Duas crianças de 8 e 11 anos conseguiram arrecadar R$ 23 mil com uma vaquinha para plantar mudas de árvores em uma área de Mata Atlântica. O Marcello (8) e a Olivia (11) realizaram o financiamento coletivo com a intenção de restaurar uma área equivalente a um campo de futebol em uma antiga fazenda de café em Itu.

Eles conseguiram o suficiente para o plantio de 1.474 mudas e ainda contaram com a ajuda da a Fundação SOS Mata Atlântica, que contribuiu com outras 193 mudas parar atingir a meta de área plantada.

A iniciativa dos dois amigos de escola começou após uma visita à base de restauração florestal da ONG em Itu, em janeiro de 2019. No local, são produzidas mudas de árvores nativas da Mata Atlântica – aproximadamente 450 mil por ano – e usadas nos projetos de restauração florestal.

Vaquinha organizada pelas crianças arrecadou R$ 23 mil. (Foto: Marcelo Ferreli/SOS Mata Atlântica)

Após conhecerem um pouco mais sobre as características da Mata Atlântica e dos riscos da degradação do bioma para o meio ambiente e para a
sociedade, os dois tiveram a ideia de plantar um campo de futebol de árvores.

A leitura de livros na escola também fez criar nos dois o espírito de cooperação com o meio ambiente.

“Tudo começou na minha escola quando eu estava no segundo ano. Li um livro chamado SOS Planet Earth e li algo que me inspirou a levantar
dinheiro para ajudar as florestas tropicais da América do Sul”, disse Marcello.

“No dia da visita à base em Itu, o Marcello perguntou se ele plantasse uma muda ajudaria. Eles disseram que sim e aí tivemos essa ideia”, conta Olivia.

A vaquinha foi lançada em abril de 2019 (Dia da Terra) na plataforma GoFundMe. Nessa época, o Marcello morava no Canadá e a Olívia no Brasil, mas a distância não atrapalhou os planos dos amigos, que divulgaram a
campanha nas redes sociais, colégios e entre colegas e familiares.

Em setembro de 2020, Olivia entregou o cheque simbólico com o valor arrecadado para a Fundação SOS Mata Atlântica e fez o plantio da primeira muda do “Campo dos sonhos” dela e de Marcello, que não pode estar presente, mas que presenciou tudo por videoconferência.

Árvores serão plantadas em área do tamanho de um campo de futebol. (Foto: Marcelo Ferreli/SOS Mata Atlântica)

A propriedade onde as mudas serão plantadas possui mais de 500 hectares, onde acontecem ações de educação ambiental, mobilização, cursos e capacitações. Mais da metade do território da propriedade foi recuperado com o plantio de árvores nativas do bioma, e algumas já alcançam 10 metros de altura.

Na área de restauração em Itu, uma pesquisa identificou 20 espécies nativas de mamíferos que passaram a ocupar o território, sendo que seis encontram-se em algum grau de ameaça de extinção, o que demonstra a importância da área para a conservação da diversidade local e regional.

“Quando conhecemos algo, no caso a Mata Atlântica, e entendemos a sua importância, é um grande passo para que ações como essa aconteçam. Ficamos muito felizes pelo engajamento das crianças em prol da Mata Atlântica, que ainda precisa ser mais conhecida por boa parte da população brasileira”, afirma Kelly De Marchi, coordenadora de Educação Ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica.

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Destaque Diário do Rio Meio Ambiente Notícias do Jornal O Rio que o Carioca Não Conhece

60 anos do Parque da Tijuca: Veja recantos ainda pouco explorados

Por Alan Alves

Encravado no coração do Rio de Janeiro e sob os pés do Cristo Redentor, o Parque Nacional da Tijuca completa 60 anos em 2021. O espaço detém o título de o mais visitado do país, recebendo cerca três milhões de pessoas por ano, mas alguns recantos no meio da floresta seguem ainda pouco explorados por brasileiros e estrangeiros.

O parque foi criado em 1961, inicialmente na área do Maciço da Tijuca (Paineiras, Corcovado, Tijuca, Gávea Pequena, Trapicheiro, Andaraí, Três Rios e Covanca) e depois, em 2004, incorporando também o Parque Lage, a Serra dos Pretos Forros e o Morro da Covanca. Hoje, com mais de 39 km², a unidade de conservação tem opções de diversão para todos os públicos, com áreas para piquenique, churrasco, voo livre, escalada, trilhas e outras atividades.

Parque é rico em cachoeiras. (Foto: Divulgação/ICMBio)

O parque foi implantado na área da Floresta da Tijuca, a primeira replantada do mundo e hoje uma das maiores florestas urbanas do planeta que além da beleza, ajuda no equilíbrio do clima — sua reserva tropical faz a temperatura da cidade ter o clima até 4 graus mais ameno, segundo especialistas — e contribui para a redução do nível de metais pesados no ar, sobretudo os lançados por veículos.

Recantos pouco explorados

O parque é rico em fauna e flora e dividido em três setores de visitação: Floresta, Pedra Bonita/Pedra da Gávea e Serra da Carioca, onde ficam o Corcovado e a estátua do Cristo Redentor, que completa 90 anos em 2021. Há acessos pela zona norte (Tijuca), zona oeste (pela Barra da Tijuca) e da zona sul (pelo Jardim Botânico e Gávea).

Muitas pessoas mal sabem que alguns recantos são tão belos quanto os pontos mais frequentados do parque e deixam de explorar esses espaços. Um deles é o Mirante da Guanabara, que possibilita visão privilegiada da Baía de Guanabara, Serra dos Órgãos, Região Central do Rio e da Ponte Rio-Niterói. O acesso se dá a poucos metros do Centro de Visitantes Paineiras, no Alto da Boa Vista.

Tucano no bico preto é um dos moradores da floresta da Tijuca. (Foto: Divulgação/ICMBio)

Pela Rua Amado Nervo, também no Alto da Boa Vista, é possível chegar a outro ponto de vista panorâmica: a Pedra da Proa. São 633 metros de altitude, com vista da Lagoa Rodrigo de Freitas, das praias da Zona Sul, do Morro Dois Irmãos, do Corcovado e do Pão de Açúcar.

Outra boa opção é o Circuito das Grutas. Sao oito, com formações rochosas provenientes de deslizamentos por movimentos tectônicos. Entre elas está a Gruta dos Morcegos, com 22m de altura e mais de 100m de profundidade.

Para quem quer se refrescar, o parque oferece a tranquilidade da Cascata da Baronesa, que fica próximo ao Circuito das Grutas, e a Cascata do Engenho, com acesso por trilha a partir do Jardim Botânico. Nesse trajeto, também é possível acessar o Poço Temiminó, outro ponto para banho no parque.

Outros pontos a serem explorados sao a Cachoeira das Almas, o Pico da Tijuca, a Pedra do Conde, o Morro do Anhanguera, o Bico do Papagaio e o Lago das Fadas, todos no setor Floresta da Tijuca, a Estrada das Paineiras e a Mesa do Imperador, ambas no Setor Serra da Carioca.

A cuíca-lanosa é outra moradora da floresta. (Foto: Divulgação/ICMBio)

Visitações e restrições

Por causa da pandemia, medidas restritivas foram adotadas pela gestão do parque, entre elas a limitação do número de visitantes. No setor floresta, por exemplo, a capacidade foi reduzida para 1,5 mil pessoas por dia. No site do Parque Nacional da Tijuca, o visitante pode se informar sobre as regras e ainda sobre os horários de funcionamento.

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Meio Ambiente Política Rio

Deputado estadual e secretário discutem soluções para Meio Ambiente no RJ

Gustavo Schmidt e Thiago Pampolha trataram de pautas em comum entre Legislativo e Executivo
O presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, deputado Gustavo Schmidt, encontrou-se nesta segunda-feira (8/2) com o secretário de Estado do Ambiente, Thiago Pampolha, para discutir assuntos em comum, que envolvem tanto as ações do Executivo, quanto trabalhos realizados pelo Legislativo em relação à questão ambiental.

Entre os temas discutidos estão a atual situação da Baía de Guanabara e as lagoas de Itaipu e Piratininga, em Niterói, além do sistema lagunar da Barra, no Rio. A situação da Cedae, envolvendo os recentes problemas de qualidade da água e a questão do saneamento básico na Região Metropolitana e Baixada também foi abordada na reunião.

De acordo com Gustavo Schmidt, a Alerj e o Poder Executivo vivem um momento de união e bom relacionamento que podem ser positivos para a resolução de problemas históricos, incluindo questões ambientais. Comenta Gustavo Schmidt.
Vivemos um momento poucas vezes visto em nosso Estado. Temos, na Alerj, uma quase unanimidade em relação à condução da Casa pelo nosso presidente, André Ceciliano, que acaba de ser reeleito e tem demonstrado uma enorme determinação em dialogar com o governador para auxiliar na solução de questões fundamentais para a população. Por outro lado, o Executivo também demonstra estar de portas abertas para a Assembleia. Precisamos aproveitar essa oportunidade e colocar as coisas em ordem.

O encontro entre Schmidt e Pampolha aconteceu na sede da Secretaria de Estado do Ambiente, no bairro da Saúde, no Rio.