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Ganhadora do Grammy, H.E.R lança campanha em combate a Pandemia

*Por Fabiana Santoro

Atual ganhadora do Grammy, H.E.R se juntou ao Global Citizen – organização internacional de educação e defesa que trabalha para cessar a pobreza extrema – em uma campanha sem fins lucrativos que visa facilitar o acesso a vacina e tratamento da Covid-19. O projeto World Recovery Plan também arrecada fundos para cuidados com meio ambiente, educação e alimentação mundial.

World Recovery Plan. (Foto: Divulgação)

Em abril de 2020, a cantora disponibilizou seu Instagram e criou uma sessão de live´s semanais, intituladas “Girls With Guitars”. Durante a performance, H.E.R se juntou a sua vasta e renomada coleção de guitarras cantando musicas autorais e atendendo pedidos de covers de seus fãs. A ativista também convidou guitarristas mulheres entre elas, Tori Kelly, Lianne La Havas, Kiana Ledé, Chloe x Halle, para se envolver em debates sobre musica e vida. O objetivo das séries era arrecadar dinheiro para famílias de baixa renda no combate a pandemia, nos Estados Unidos. A cada apresentação um patrocinador diferente fazia doações e sorteios.

Abaixo alguns sorteios e doações que foram feitos durante o GWG:

  • Guitarras da coleção da H.E.R. com a Fender para 5 fãs.
  • Curso gratuito de instrumentos de corda para 1 milhão de pessoas durante 3 meses.
  • 5 Mil máscaras para hospitais dos Estados Unidos.
  • 30 MIL dólares para ajudar no combate à pandemia (mil dólares por visualizações na live do dia).
  • Insumos para os médicos que estavam na linha de frente.
  • Vale compras em algumas lojas e brindes personalizados pela H.E.R.

Durante cada live também era disponibilizado um link onde as pessoas poderiam doar dinheiro para ajudar famílias carentes com alimentos, máscaras e álcool em gel.

H.E.R no Grammy 2021. (Foto: Divulgação)

H.E.R se destacou atualmente sendo a primeira mulher negra em mais de uma década a ganhar a estatueta de “Música do ano” no Grammy, uma das categorias mais importantes da premiação. O título da música ganhadora remete as últimas palavras de George Floyd e Eric Garner, dois homens negros e mortos pela brutalidade policial nos Estados Unidos.

Na época de lançamento, a cantora relatou o quanto foi difícil escrever a música: “Essa letra foi muito difícil de escrever, pois veio de uma conversa sobre o que está acontecendo no momento e sobre a mudança que precisamos ver”. Em seu discurso no Grammy, ela agradeceu por poder utilizar sua voz para provocar transformações, e explicou como a musica é poderosa quando se trata de mudança e cura.

*Com supervisão de Alan Alves

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Morre no Rio de Janeiro o jornalista Aloy Jupiara

Da Agência Brasil

Morreu na última segunda-feira (12), vítima de covid-19, o jornalista Aloy Jupiara. Ele tinha 56 anos e estava internado desde 29 de março.

O jornalista estava no CTI do Hospital São Francisco, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Chegou a ter uma melhora, mas não resistiu a uma infecção pulmonar.

Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele iniciou a carreira nos anos 1980 no jornal O Globo ainda como como estagiário e, durante sua trajetória, exerceu diversas funções nas editorias Rio, Política e Nacional.

No início dos anos 2000, se transferiu para a Globo.com e, em seguida, para o site do Globo Online, onde foi editor de conteúdo e editor executivo.

Em 2009, foi convidado para liderar a equipe de criação do site do jornal Extra, também do Grupo Globo.

Em parceria com o jornalista Chico Otávio, Aloy escreveu os livros Os Porões da Contravenção, em 2015, sobre a ligação do jogo do bicho com o poder durante a ditadura militar; e Deus Tenha Misericórdia dessa Nação, uma biografia não autorizada do ex-deputado Eduardo Cunha, em 2019.

Recentemente, participou do documentário Doutor Castor, sobre o bicheiro Castor de Andrade.

Além do jornalismo, Aloy era um apaixonado pelo carnaval carioca. Foi um dos jurados e coordenador do Estandarte de Ouro, criado em 1972 para premiar os melhores do carnaval carioca.

Atualmente, era diretor de redação do jornal O Dia.

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Preso no Rio líder de facção acusado de mais de 30 homicídios em MG

Da Agência Brasil

Uma ação conjunta, entre o Ministério Público do Rio e de Minas Gerais, com apoio do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio, resultou na prisão hoje (10) do líder da facção criminosa Comando Vermelho, Roger Pereira Moizinho, vulgo “Macarrão”. Ele é apontado como chefe de organização criminosa responsável por mais de 30 homicídios nos últimos 26 meses, além de diversas tentativas, em Minas Gerais. Ele foi preso nesta manhã no Morro da Providência, na região central do Rio.

Também foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão expedidos contra Washington Willian Venâncio da Silva (conhecido como ‘Xarope’), que já se encontrava preso no Presídio Elizabeth Sá Rego, em Bangu 5,  no Complexo Penitenciário de Gericinó, zona oeste do Rio.

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Ana Cristina Campelo | Seus Direitos Diário do Rio Notícias Notícias do Jornal Social Sociedade

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Três anos depois da liberação de Auschwitz, nascia a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nasceu da tragédia da 2ª Guerra Mundial, nasceu em decorrência dos regimes totalitários, nasceu da necessidade do homem de resguardar os seus direitos. A declaração delineia os direitos humanos básicos, foi adotada pela ONU em 10 de dezembro de 1948 e escrita principalmente por um canadense, porém contando com a ajuda de várias pessoas de todo mundo.

O objetivo da declaração é propor um ideal comum a ser atingido por todos os povos e nações, com objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta declaração, se esforcem através do ensino e da educação para promover o respeito a esses direitos.

Nos 30 artigos, estão listados os direitos básicos para promoção de uma vida digna para todos, independente de nacionalidade, cor, sexo e orientação sexual, política e religiosa. A declaração é o marco normativo que serve de pressuposto para as condutas estatais e dos cidadãos. Os princípios nela contidos têm a função de inspirar e balizar o comportamento dos indivíduos. E são esses princípios que tanto precisando seguir, adotar, praticar e vivenciar. Vejamos a seguir o que dizem os 10 primeiros artigos da declaração tão fundamental para o direito humano:

Artigo 1: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo 2: Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição; Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo 3: Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4: Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo 5: Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo 6: Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Artigo 7: Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8: Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo 9: Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10: Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Vamos praticar o discurso. Fique de olho!

Ana Cristina Campelo
Advogada e jornalista 
anacristina.campelo@jornaldr1.com.br

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Saúde Sociedade

Acolhimento humanizado e multiprofissional complementa tratamento e preserva qualidade de vida do paciente com câncer

O acompanhamento por uma equipe de profissionais se mostra essencial para fugir de embates com a doença. Mais do que lutar, o paciente oncológico deve viver
Existe hoje um conhecimento coletivo de que o tratamento oncológico depende muito da tecnologia. De fato, houve importantes avanços tecnológicos nas últimas década, que permitem não só o tratamento, mas o diagnóstico precoce do tumor. No entanto, com o desenvolvimento do conhecimento, o câncer caminha para se tornar um problema de saúde crônico, com o qual é possível viver por muitos anos e com qualidade. “Essa mudança de paradigmas reforça a necessidade de ter um olhar completo sobre os cuidados com a saúde do paciente. Dessa forma, é essencial contar com uma equipe multiprofissional que tem como objetivo maior a preservação da autonomia e felicidade do indivíduo com câncer”, explica Dr. Olavo Feher, oncologista clínico do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês. Somente em 2020 o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimou mais de 600 mil novos casos no país.

Enfermagem, psicologia, odontologia, farmácia, nutrição, fisioterapia, consultoria de imagem, além de outras especialidades como a estomatologia e a fonoaudiologia, compõem a equipe multiprofissional. “Nós consideramos esse time de profissionais como o ponto de partida, mas em casos específicos, em que a doença afeta outras funcionalidades, podemos contar com outros especialistas”, esclarece o oncologista. Confira abaixo como a equipe multiprofissional atua e os benefícios que promovem.

Novas forma de cuidar
Ao passo em que oncologistas e o time de profissionais estabelecem novos protocolos de tratamento e cuidado, a ciência busca entender seus impactos na qualidade de vida, condição de saúde, adesão ao tratamento e até no desfecho clínico. A psicologia, por exemplo, é uma das áreas cujos efeitos têm sido amplamente estudados.

Diversos estudos indicam os benefícios que a abordagem multiprofissional pode oferecer ao paciente, bem como o impacto de sua ausência. Os efeitos fisiológicos diretos da doença e do tratamento associados a carga psicológica, por exemplo, afetam o corpo e eventualmente o cérebro, levando a mudanças no sistema neuroendócrino e imunológico com consequências abrangentes na saúde mental e comportamento.

Cerca de 11% dos pacientes oncológicos têm depressão, 10,2% convivem com a ansiedade e 12,5% tem algum transtorno para se ajustar a nova realidade. Essas comorbidades psiquiátricas levam a uma redução significativa na qualidade de vida em pacientes com câncer, e podem ser associadas a um aumento da dor. Estudos sugerem que a terapia de comportamento cognitivo, psicoeducação, hipnose, técnicas de relaxamento, ioga e exercícios podem ser indicados em diferentes estágios da doença pois visam melhorar o enfrentamento e aceitação por meio da modulação de atividades e mudando o foco de atenção.

“A assistência multiprofissional e integrada pode auxiliar no tratamento específico do tumor, seja imunoterapia, quimioterapia, radioterapia ou até a cirurgia. A prevenção e o cuidado com as condições físicas e psicológicas que acompanham o diagnóstico favorecem o fortalecimento do indivíduo, tornando-o mais preparado para lidar com o momento delicado e aumentando a adesão ao protocolo”, finaliza o especialista.
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Colunas Sociedade

O Racismo Estrutural no Brasil

 

Uma mulher vivendo em condições análogas à escravidão, durante 38 anos. Duas meninas assassinadas a tiros de fuzil enquanto brincavam na calçada. Um homem morto pela PM a caminho do trabalho. Três crianças desaparecidas quando jogavam bola. O que todos eles têm em comum? A cor da pele!

Todos estes casos nos informam sobre uma realidade que está longe de ter fim no Brasil e que se desvela cotidianamente nos mais variados campos sociais: o racismo estrutural.

No país com a maior população negra fora da África, onde 56, 10% de sua população se declaram negra (preto ou pardo), o racismo se faz presente na sociedade nas suas mais diversas faces.

Em se tratando da população carcerária, as políticas de encarceramento se voltam, via de regra, contra a população negra. Segundo levantamento realizado pelo DEPEN, entre os presos que ocupam as penitenciarias no Brasil, 65 %  são pretos e pardos.

Quanto à violência, 75% das vítimas de homicídio no Brasil são negras. Estudos do Ipea mostram que a taxa de homicídios de pessoas negras cresceu 33% em uma década. Os negros são também as maiores vítimas de violência policial, somando  75,4%.

No mercado de trabalho, negros enfrentam mais dificuldade de encontrar um emprego do que brancos, mesmo possuindo a mesma qualificação. Quando trabalham, recebem até 31% menos.

E, assim, assumindo ares de “normalidade”, o racismo se faz presente nas relações sociais, políticas, jurídicas e econômicas, fazendo com que a desigualdade racial seja perpetrada.  O que se vê é o racismo como fundamento estruturador das relações sociais.

Após vivenciar três séculos de escravização, a população negra ainda vive sob o jugo dos “capitães do mato” e “senhores do engenho”. Quando o racismo é negado, quando a discriminação é institucionalizada, quando há o massacre da juventude negra, o encarceramento e a demonização dos corpos negros, a intolerância à cultura e religiosidade negras, percebe-se como a lógica colonialista ainda serve como fundamento de dominação.

Carolina Rodrigues Ribeiro

Graduada em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e pós-graduada em Ciência Política pela Universidade Candido Mendes

 

 

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Brasil Sociedade Tecnologia

Saiba como denunciar violações de direitos humanos pelo Disque 100 e Ligue 180

Canais de denúncias do MMFDH foram ampliados em 2020 para melhorar a comunicação entre a população e o Estado
Os tradicionais números telefônicos do Disque 100 e o Ligue 180 ganharam aliados importantes para atender as denúncias de violações de direitos humanos de todo o país. Os canais de denúncias do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) foram ampliados para redes sociais e aplicativos, o que tornou o atendimento mais simples e fácil.

O titular da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), unidade integrante à estrutura organizacional do ministério, Fernando Ferreira, afirma que a ampliação das ferramentas para acesso aos canais tem o objetivo de facilitar a comunicação do cidadão com o Estado para o enfretamento das violações de Direitos Humanos. “Nós queremos atender a quem precisa, da forma mais fácil que pudermos oferecer. Direitos Humanos são para todos”, afirma.

Conheça cada ferramenta disponível para realização de denúncias:

WhatsApp

Desde 29 de outubro do ano passado, o ministério disponibiliza o acesso ao Disque 100 pelo WhatsApp. Para receber atendimento ou fazer denúncias por esta nova via, basta o cidadão enviar mensagem para o número (61) 99656-5008. Após resposta automática, ele será atendido por uma pessoa da equipe da central única dos serviços. Leia mais.

Telegram

Para utilizar o Disque 100, os cidadãos também podem fazer por meio do Telegram. Para isso, basta apenas digitar “Direitoshumanosbrasilbot” na busca do aplicativo. A indicação “bot” é uma regra do Telegram para a criação de contas de serviço. Assim como no WhatsApp, após uma mensagem automática inicial, o cidadão será atendido pela equipe do Disque 100. Saiba mais.

Aplicativo

O serviço também está disponível pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil. Para utilizar basta baixar a ferramenta no celular e realizar o cadastro que pede o nome completo e o CPF do usuário.

Site da Ouvidoria

No site da Ouvidoria, o cidadão também pode ser atendido por meio de um chat. Para iniciar a conversa com a equipe do Disque 100 e do Ligue 180, basta acessar o chat no canto direito da página. É preciso apenas informar o telefone para iniciar o atendimento.

O que acontece com as denúncias?

Os canais cadastram e encaminham as denúncias aos órgãos competentes. Além de denúncias, os serviços recebem reclamações, sugestões e elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento.

Em todas as plataformas, as denúncias são gratuitas, podem ser anônimas e recebem um número de protocolo para que o denunciante possa acompanhar o andamento. Qualquer pessoa pode acionar o serviço, que funciona diariamente, 24h, incluindo sábados, domingos e feriados.

Para dúvidas e mais informações:
ouvidoria@mdh.gov.br

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Destaque Sociedade

Mudança de comportamento humano é chave contra crises

Da Redação

Diante das crises mundiais, um grupo de pesquisadores das ciências humanas e sociais divulgou recentemente o lançamento de uma iniciativa intitulada Painel Internacional de Mudanças no Comportamento (IPBC, na sigla em inglês). O objetivo da iniciativa é ajudar a enfrentar, ao longo do tempo, as crises sociais e ambientais atuais e futuras.

Para o professor Eduardo Bessa, membro da diretoria do IPBC e professor de Comportamento Animal da Universidade de Brasília (UnB), a pandemia da covid-19 está incentivando a sociedade a repensar diversas ações. “Talvez seja o momento de aproveitar para mudar outros tipos de atitude que nos possibilitem um mundo melhor, tanto em termos ambientais quanto sociais”, explica o professor.

A ideia do projeto é obter resultados por meio de relatórios com informações recentes e importantes sobre como aplicar novos hábitos no dia a dia e atualizações sobre gatilhos e obstáculos que podem aparecer durante um processo de mudança de comportamento. “Nos relatórios faremos uma síntese do que se sabe sobre o assunto e desenvolveremos estudos para preencher as lacunas sobre o que ainda não se sabe”, esclarece Bessa.

O painel, que já conta com o apoio de 1.023 pesquisadores de mais de 75 áreas e 76 países, ouvirá a sociedade civil e os tomadores de decisões para produzir os relatórios. Para Eduardo Bessa, o diferencial do projeto é a atuação direta no comportamento das pessoas.

“Existem outros painéis focados em problemas ambientais na Organização das Nações Unidas (ONU), como o IPCC, sobre mudanças climáticas, e o IPBES, sobre biodiversidade. Ambos são excelentes em apontar os problemas e até as mudanças necessárias para reduzi-los, mas para realizar essas mudanças é fundamental atuar nos comportamentos das pessoas. Isso é o que nos propomos a fazer”, acrescenta.

    Membros do IBPC: painel já conta com o apoio de 1.023 pesquisadores (Foto: Divulgação)

Mundo mais sustentável

O Painel Internacional de Mudança de Comportamento é, dessa forma, composto não só pelos cientistas que irão gerar os produtos, mas também por empresas, pela sociedade e associações, que auxiliarão a focar o conteúdo dos produtos de forma que sejam relevantes para todos. Esses grupos não são membros oficialmente dentro do IPBC, mas a eles está delegada a missão importante de expressar o que a sociedade precisa, como educação, saúde, agricultura, etc. “Ter as ferramentas certas para promover isso é o que espero do IPBC”, diz Bessa, que revela também ter grandes expectativas com o projeto contra as crises.

O painel surgiu após o lançamento de um manifesto pela criação de um grupo formado por especialistas em torno da necessidade de mudanças comportamentais para um mundo mais sustentável em âmbito econômico, ambiental e social.

O IBPC, entidade internacional, interdisciplinar, independente e apolítica, hoje é formada por profissionais dos mais diversos campos, como psicologia, neurociências, sociologia, economia, ciência política, comportamento animal, biologia, ciências da saúde, educação, direito, marketing e administração.

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Destaque Notícias do Jornal Sociedade

Criança e adolescente em perigo? Denuncie!

Por Sabrina Campos, advogada

Sabrina Campos (Divulgação)

Inicialmente, recorda-se que, em 2020, alertou-se para a necessidade de protegermos crianças e adolescentes em dois momentos de grande mobilização no país. Quais foram? O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio e instituído pela lei nº 9.970, de 17 de maio de 2000, e, de mesmo modo, o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, celebrado em 4 de junho, data criada pela ONU em 1982.

Constata-se que os índices de violência contra crianças e adolescentes, em especial de cunho sexual, através de crimes de abuso e estupro de vulnerável, têm crescido enormemente ao longo dos anos em razão especialmente da erotização infanto-juvenil e do processo de hipersexualização do menor enquanto indivíduo na sociedade.

A pandemia causada pela covid-19, e seu consequente isolamento, propiciou um aumento considerável de casos em que crianças e adolescentes são vítimas de violência dentro dos seus próprios lares, agredidas por quem deveria lhes defender.

Tem sido comum que muitas pessoas recebam por internet, através de e-mails e grupos em redes sociais, mensagens com conteúdo de mídia de crianças, adolescentes e até bebês como vítimas de agressão.

Com o suposto intuito de ajudar a vítima, que muitas vezes aparece sofrendo torturas físicas, estupro, abusos sexuais explícitos, estimula-se que a mensagem com este conteúdo seja compartilhada pelo maior número de pessoas possível. Sempre instigando aqueles de boa fé a repassarem e divulgarem ao máximo, sob pretexto de que, assim, encontrar-se-á mais facilmente o criminoso em questão.

Verifica-se que em praticamente todas estas mensagens não há nenhum meio de encontrar o agressor de maneira prática, isto é, não há indícios, pistas que identifique quem cometeu, onde ou quando o crime ocorreu. Geralmente, somente a vítima é exposta, bem como a sua humilhação e sofrimento aterradores.

Na verdade, criminosos, criadores deste tipo de material, desejam alcançar outros criminosos, que, por sua vez, pagam por mídias de crianças e adolescentes sofrendo todo o tipo de violência. Nem sempre eles se escondem através da ‘deep web’ ou ‘dark web’: eles usam pessoas como você e a sua boa vontade em ajudar o próximo para esconder os rastros deles enquanto agressores.

Quando uma mensagem de vídeo contendo um bebê sofrendo abusos chega ao seu celular por um grupo de Whatsapp ou outra rede social, por exemplo, logo os membros mais sensíveis a ajudar começam a repassar para todos os seus contatos aquele vídeo terrível, repetindo que quanto mais pessoas compartilharem, maiores são as chances da vítima de obter ajuda e seu agressor ser punido.

Todavia, o que acontece é exatamente o oposto. As pessoas de boa fé acabam por atrapalhar as investigações das autoridades competentes que, de fato, estão em busca dos criminosos. Além disto, estas pessoas, mesmo acreditando estarem fazendo o bem, acabam por cometerem crimes contra estas mesmas vítimas.

Toda vez que um vídeo, foto e mensagem são postados, seja em rede social pelo computador ou celular, há um endereço como caminho definido de sua origem. Mas quem recebe este material e o abre também mantém um endereço de identificação do local onde acessou o arquivo mencionado. Toda vez que as autoridades competentes para investigar crimes, especialmente cibernéticos, buscam esta linha reta entre o criminoso criador do material nocivo e o criminoso receptor deste mesmo material, as pessoas que, solidárias às vítimas, compartilham, divulgam, reenviam estes arquivos a outros inúmeros terceiros na verdade criam uma barreira que age como escudo a proteger essencialmente os criminosos. Portanto, impedem a identificação da origem do arquivo ou o seu real destino, obstruindo e atrapalhando o trabalho policial, cuja operação pode ser completamente perdida após esta intromissão.

Atente para toda vez que receber um vídeo ou foto de algum menor em situação de vítima de algum tipo de violência, especialmente de caráter sexual, para imediatamente entrar em contato com as autoridades competentes a respeito do material recebido.

Jamais compartilhe, divulgue, publique, encaminhe, envie ou reenvie, ou sequer mantenha em sua posse arquivo, vídeo ou foto de menores em situação de vítimas de violência, posto que o Código Penal Brasileiro deixa claro que é crime disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio ─ inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática ─, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia (artigo 218-C).

É preciso esclarecer que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também determina que é crime reproduzir, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente (artigo 240). É crime disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.

Também é crime adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. Comete crime quem disponibiliza, distribui, publica ou divulga por qualquer meio, adquire, possui ou armazena o material produzido na forma do artigo 241-B.

O ECA compreende que a expressão “cena de sexo explícito ou pornográfica” diz respeito a qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais (artigo 241-E).

ONDE DENUNCIAR

Violação de Direitos Humanos
Ligue 100
www.disque100.gov.br
Polícia
Ligue 190
www.dedic.pcivil.rj.gov.br
Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV)
Rua do Lavradio, 155, Centro, Rio de Janeiro
(21) 2332-4442 / 4330 / 4332 / 4468
Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA)
Rua do Lavradio, 155, Centro, Rio de Janeiro
(21) 2334-5104 / 5632 / 5635
Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI)
Av. Dom Hélder Câmara, 2.066, Jacarezinho, Rio de Janeiro
(21) 2202-0277 /0278 / 0281 / 0282 / 0285
Delegacia Legal
Procure a do seu bairro
Disque-Denúncia
(21) 2253-1177

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Afinal, home office é passageiro ou veio para ficar?

Da Redação

Quando o primeiro caso de coronavírus foi confirmado no Brasil, em fevereiro, apenas 25,6% dos trabalhadores do setor de serviços eram adeptos do trabalho remoto. Menos de três meses depois, este número saltou para 76,3%, segundo pesquisa realizada pela consultoria Talenses Group e pela Fundação Dom Cabral junto a 375 companhias do país. E a pesquisa revela ainda que mais de 70% das empresas entrevistadas esperam que as novas práticas de home office permaneçam, integral ou parcialmente, após a crise da covid-19.

Esse formato de trabalho é considerado uma tendência há tempos. Algumas empresas já haviam adotado a prática, que era considerada um grande diferencial na atração e retenção de talentos. Apesar disso, nunca poderíamos imaginar que essa migração aconteceria em tão curto prazo devido ao distanciamento social.

Uma coisa é certa: nem as empresas e nem os funcionários estavam preparados para fazer a transição de um dia para o outro. A maior parte das pessoas nunca havia trabalhado de casa, pelo menos por tanto tempo, todos os dias da semana. Então, o trabalho remoto deixou de ser um benefício para se tornar uma obrigatoriedade. Com esta nova dinâmica, profissionais precisaram desenvolver habilidades e capacidades, e de forma muito rápida, para o home office.

A primeira adaptação que tivemos que passar foi referente à tecnologia: aprendemos na prática a pilotar as ferramentas que facilitam e possibilitam o home office, como as de videoconferência, acesso a sistemas via VPN, sites de planejamento, organização, criação colaborativa, entre outras. Apesar de já existirem há um tempo, nem todo mundo as conhecia, muito menos sabia utilizá-las.

A segunda adaptação está relacionada a comportamentos e atitudes: como se manter produtivo sem perder o contato com a equipe, a visão do todo e o foco. Salvo algumas exceções, as pessoas estão conseguindo superar o caos inicial de combinar a vida doméstica e a profissional e estão se sentindo mais produtivas, focadas e trabalhando ainda mais do que antes.

E daqui pra frente?

Estamos vivendo uma das maiores transições da história na forma como trabalhamos, e isso é um caminho sem volta. Para muitos especialistas, a pandemia será como uma virada de chave para o trabalho remoto. As razões incluem o aumento da demanda dos funcionários, a resistência reduzida dos gerentes e a economia com custos imobiliários.

Nesse mundo do home office, Flavia Gusmão, sócia da Be Flexy, dá uma dica valiosa para a empresa se organizar de maneira mais assertiva: além de analisar se as funções do cargo permitem ou não o trabalho remoto, o perfil do funcionário também deve ser levado em consideração – foco, organização, autonomia, disciplina e flexibilidade compõem perfis essenciais para este momento.

A mesma pesquisa da Talenses e da Fundação Dom Cabral mostra que, em média, 70,3% dos funcionários de todos os setores estão trabalhando de casa. “Nós estamos passando por um processo de transformação de maneira forçada, mas a pesquisa indica que parte da experiência e adaptação vivida agora vai se converter em novas rotinas, que serão adotadas posteriormente pelas empresas”, afirma Luiz Valente, CEO do Talenses Group.

Em um tempo ainda tão incerto, é preciso estar aberto ao novo. Adaptar-se é a palavra-chave para encararmos novos normais ainda tão recentes. E você, já se adaptou à nova rotina?