Por mais de um século, cientistas e a indústria de alimentos buscam alternativas capazes de reproduzir o sabor do açúcar sem seus efeitos negativos mais conhecidos, como ganho de peso, cáries e aumento do risco de diabetes. Um estudo recente publicado na revista Cell Reports Physical Science indica que esse objetivo pode estar mais próximo de se tornar realidade.
Pesquisadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, desenvolveram um novo método biossintético para produzir a tagatose, um açúcar natural extremamente raro na natureza. A substância tem sabor muito semelhante ao do açúcar de mesa e apresenta potencial para causar menos impactos negativos à saúde, além de possíveis benefícios adicionais.
A tagatose ocorre naturalmente em quantidades mínimas em alguns alimentos, como leite e derivados, além de frutas como maçã, abacaxi e laranja. Em geral, ela representa menos de 0,2% dos açúcares presentes nesses produtos. Essa raridade sempre foi um obstáculo para sua utilização em larga escala, já que os métodos tradicionais de obtenção dependem de processos industriais caros e pouco eficientes.
“Existem processos estabelecidos para produzir tagatose, mas eles são ineficientes e caros”, explicou Nik Nair, professor associado de engenharia química e biológica da Universidade Tufts, em entrevista ao portal Science Daily. Diante desse desafio, os pesquisadores recorreram à engenharia genética como alternativa.
A equipe transformou a bactéria Escherichia coli em uma espécie de “fábrica microscópica”, capaz de produzir a tagatose de forma mais eficiente. Ao modificar geneticamente o microrganismo, os cientistas conseguiram otimizar o processo biossintético, reduzindo custos e aumentando a viabilidade da produção em escala industrial.
Segundo os autores do estudo, o avanço pode abrir caminho para o uso mais amplo da tagatose na indústria alimentícia, especialmente em produtos voltados a consumidores que buscam reduzir o consumo de açúcar sem abrir mão do sabor. Embora ainda sejam necessários novos testes e avaliações antes da aplicação comercial, a descoberta representa um passo importante na busca por adoçantes mais saudáveis e sustentáveis.



