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Convivência entre gerações no trabalho exige adaptação e pode impulsionar resultados nas empresas

Foto: Divulgação
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Para a gestora de RH e psicóloga corporativa Marcela Viana, compreender essas diferenças é essencial para o sucesso organizacional

O ambiente corporativo brasileiro tem se tornado cada vez mais diverso, não apenas em perfis e competências, mas também em idade. Dados do IBGE apontam para o envelhecimento da população e a permanência mais longa de profissionais no mercado, o que contribui para um cenário onde até quatro gerações convivem simultaneamente nas empresas.

Esse novo contexto traz desafios, mas também abre espaço para inovação e crescimento. Para a gestora de RH e psicóloga corporativa Marcela Viana, compreender essas diferenças é essencial para o sucesso organizacional.

“Não se trata de certo ou errado. São lentes diferentes, construídas por contextos históricos distintos. Enquanto gerações mais experientes valorizam estabilidade, hierarquia e processos estruturados, as mais jovens priorizam propósito, autonomia, flexibilidade e rapidez. Independente da geração em que nos encontramos, é preciso ter humildade para entender que a base do passado é o alicerce para o futuro, e que o futuro é necessário para mover o ser humano à inovação. Ou seja, uma completa a outra”, afirma.

No dia a dia das empresas, essas diferenças se refletem principalmente na comunicação, no ritmo de trabalho, no uso da tecnologia e nas expectativas sobre liderança. Para Marcela, no entanto, muitos conflitos atribuídos às gerações têm outra origem.

“Muitas vezes, o conflito não é geracional em si, mas a falta de alinhamento e empatia entre estilos diferentes, que foram moldados por contextos históricos, avanços tecnológicos e mudanças sociais. Quando não há clareza e intencionalidade na comunicação, surgem ruídos, julgamentos e retrabalho”, explica.

A forma de enxergar carreira também mudou significativamente ao longo do tempo.

Enquanto gerações anteriores buscavam estabilidade e crescimento linear, os profissionais mais jovens priorizam aprendizado contínuo, qualidade de vida e crescimento mais acelerado, o que pode gerar interpretações equivocadas dentro das organizações.

“Se a empresa não se adapta, muitas vezes interpreta esse movimento como falta de comprometimento, quando na verdade estamos falando de uma mudança de mentalidade. Cada geração traz uma contribuição importante: os mais experientes oferecem bagagem e visão estratégica; a geração X tem forte capacidade de resolução de problemas; a geração Y é altamente conectada à tecnologia; e a geração Z traz inovação. Juntas, elas podem levar os ambientes organizacionais a níveis mais altos de criatividade e segurança psicológica”, afirma.

A especialista destaca que a comunicação segue como um dos principais desafios na convivência entre gerações, especialmente diante das diferenças de canais, estilo e velocidade de resposta. Para a especialista, o caminho está na adaptação mútua.

“O principal é que cada geração esteja disposta a desenvolver flexibilidade e cooperação, buscando entender essas diferenças e se adaptar. Liderança hoje é, acima de tudo, gestão da diversidade, inclusive geracional. O líder precisa atuar como um tradutor entre essas gerações, criando acordos claros, promovendo escuta ativa e incentivando ambientes de troca, como a mentoria, que gera resultados muito significativos em engajamento”, aponta.

De acordo com Marcela Viana, quando bem trabalhada, a diversidade geracional deixa de ser um desafio e passa a ser um diferencial competitivo para as empresas, com impactos diretos na inovação, na tomada de decisão e no clima organizacional.

“Equipes diversas pensam melhor e performam melhor, porque uma completa a outra nessa grande engrenagem que são as organizações. O primeiro passo para quem enfrenta dificuldades é substituir julgamento por curiosidade. Perguntar mais, escutar mais e buscar compreender o contexto do outro. Nem tudo é resistência ou falta de comprometimento, muitas vezes é apenas uma forma diferente de ver o mundo. E um ponto essencial: flexibilidade é uma das competências mais importantes no mercado atual”, conclui.