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Crise na Unimed Ferj expõe demissões sem garantia de direitos e falhas no atendimento

Foto: Divulgação

A crise na Unimed Ferj ganhou novos contornos com relatos de demissões sem garantia de direitos, ao mesmo tempo em que pacientes afirmam enfrentar dificuldades para conseguir atendimento médico, medicamentos e insumos. A operadora atende cerca de 350 mil beneficiários no estado do Rio de Janeiro e vive um período de instabilidade desde o ano passado.

Um funcionário desligado há cerca de dez dias afirma que houve uma demissão em massa envolvendo diversos setores da empresa, incluindo áreas administrativas, atendimento, enfermagem e segurança. Segundo ele, os desligamentos ocorreram de forma simultânea e sem explicações claras.

“Acredito que mais de 60% dos colaboradores foram demitidos. Isso colocando na conta o pessoal administrativo, o pessoal de atendimento, os enfermeiros e até seguranças”, relata o ex-funcionário.

Ele também afirma que os direitos trabalhistas não estariam sendo respeitados. “E todas as demissões na mesma sistemática, mandando embora, sem explicar nada, e cada um correndo atrás do seu próprio direito e rescisão. O que a lei prevê sendo parcelado e a lei sendo rasgada. Agora a vida tá de ponta-cabeça. Se não se importam com o beneficiário, que dirá com o funcionário, com o ex-funcionário”, desabafa.

Além dos impactos sobre os trabalhadores, beneficiários do plano relatam mudanças drásticas na rede de atendimento. O pronto atendimento do Méier foi fechado, o Hospital Marcos Moraes deixou de receber pacientes oncológicos e o centro de oncologia de Botafogo também foi desativado. Um dos maiores hospitais da operadora, localizado na Barra da Tijuca, estaria sem pacientes internados.

Outras unidades próprias e conveniadas também teriam interrompido o atendimento, segundo relatos de usuários do plano. A paciente Ângela Batalha afirma que chegou a ser cobrada por uma consulta após não encontrar disponibilidade pelo aplicativo.

“Eu clicava no aplicativo para procurar atendimento ambulatorial e dizia ‘não tem na sua região’. Eles falaram que estão há 9 meses sem receber, muitos médicos, e eles pediram pra sair, não querem voltar mais”, contou.

Ela questiona a cobrança adicional. “Se a gente quiser ser atendida agora é para dizer que é da Unimed, a gente vai pagar uma consulta mais barata, mas eu não quero pagar consulta, porque eu já pago R$ 5 mil por mês, eu vou pagar consulta para ser atendida?”, afirmou.

Levantamento feito pela TV Globo indicou que hospitais como a Rede Hospital Casa e a Rede Oncoclínica suspenderam atendimentos a pacientes da operadora. A orientação teria partido da Associação de Hospitais do Rio de Janeiro, que aponta uma dívida bilionária da Unimed Ferj.

Em resposta, a operadora afirmou inicialmente que essa dívida não existia. No entanto, dias depois, reconheceu um passivo de R$ 1,4 bilhão, valor inferior ao estimado pela associação hospitalar.

Em novembro, a Agência Nacional de Saúde Suplementar determinou que a Unimed Brasil assumisse a assistência médica aos beneficiários da Unimed Ferj. Já em dezembro, uma decisão judicial proibiu qualquer redução de cobertura ou limitação de serviços essenciais aos clientes.

A Unimed Brasil informou que assumiu apenas o atendimento aos beneficiários, sem responsabilidade pelas dívidas da cooperativa fluminense. Segundo a entidade, há diálogo permanente com prestadores, usuários e órgãos reguladores, além de acompanhamento contínuo da prestação dos serviços.

Sobre as demissões, a Unimed Ferj declarou que a mudança de perfil após o acordo com a Unimed Brasil exigiu uma readequação da estrutura operacional, com redução proporcional do quadro de colaboradores. A operadora afirma que os desligamentos foram negociados e validados junto ao sindicato da categoria.