Pouco documentada pela historiografia, Zeferina foi uma das lideranças do Quilombo do Urubu, comunidade formada por pessoas escravizadas fugitivas na região de Pirajá, em Salvador, na Bahia. De origem angolana, ela teria chegado ao Brasil ainda criança, trazida pela mãe, Amália.
Sua trajetória ficou marcada pela resistência à escravidão e pela organização de ações para libertar outras pessoas escravizadas.Segundo relatos reunidos pela reportagem, Zeferina aprendeu com a mãe conhecimentos espirituais ancestrais e se destacou por sua liderança. Ao lado de outros quilombolas, teria organizado fugas e expedições para resgatar pessoas escravizadas de fazendas próximas.
O Quilombo do Urubu funcionava como uma comunidade organizada, onde seus integrantes cultivavam alimentos e realizavam rituais de candomblé. A atuação dos quilombolas passou a incomodar a elite escravocrata, especialmente pelas ações de resistência e pelos resgates realizados na região.Em dezembro de 1826, tropas enviadas de Salvador atacaram o grupo em Cabula.
Mesmo com armas rudimentares, como arcos, flechas, machados e lanças, os quilombolas conseguiram vencer o primeiro confronto. Dias depois, porém, com a chegada de reforços militares, foram derrotados e o quilombo acabou destruído.Zeferina só foi capturada em 10 de janeiro de 1827.
Segundo registros citados na reportagem, sua prisão não foi fácil. Um soldado relatou que ela resistiu bravamente e lutou utilizando arco e flecha.Durante o período em que esteve presa, Zeferina teria revelado planos para continuar resgatando pessoas escravizadas e também uma tentativa frustrada de organizar uma invasão a Salvador.
Historiadores ressaltam, entretanto, que não havia necessariamente um projeto de tomada do poder, mas uma luta pela conquista da liberdade.O destino de Zeferina após a captura permanece incerto. Há registros de que não se sabe exatamente quando ou onde ela morreu. Uma versão defendida pelo artista Dalton Paula afirma que ela teria sido executada no Forte do Mar, em Salvador.
Apesar das lacunas históricas, Zeferina permanece como símbolo da resistência negra e da luta pela liberdade. Sua história também ganhou destaque na exposição “Histórias Afro-Atlânticas”, realizada pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp) em 2018.Historiadores ressaltam que a trajetória de Zeferina ainda precisa ser mais investigada, principalmente por meio de documentos históricos e da tradição oral. Seu legado, porém, permanece presente na memória afro-brasileira e representa a força de mulheres negras que enfrentaram a escravidão e lutaram pela liberdade.





