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Deleite Linguístico: A odisseia do termo “QUE”

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Meus caros leitores, depois de assistir ao filme Odisseia, em cartaz em vários cinemas, refleti sobre um termo tão corriqueiro, mas dotado de uma gama de significado. Falo do termo QUE e suas classificações. Aos que ainda desconhecem o significado de “Odisseia” com inicial maiúscula, saibam que esse substantivo se refere ao célebre poema épico da Grécia Antiga atribuído ao poeta Homero, que narra as peripécias e a longa viagem de retorno do herói Odisseu (também conhecido como Ulisses) à sua terra natal, Ítaca, após a Guerra de Tróia. Nesta crônica linguística, aludo à “odisseia” com inicial minúscula cujo significado é “uma viagem longa, cheia de perigos, imprevistos, sofrimentos e aventuras difíceis.”

 Para explicar as muitas facetas do conectivo QUE, busquei, como fonte de referência, um dos muitos exemplares das Gramáticas de meu amado professor Evanildo Bechara, por quem nutro um imensurável amor e respeito, sendo sua fã incondicional! Indico a Moderna Gramática da Língua Portuguesa a quem precisar consultar conteúdos de nossa língua portuguesa! Vamos praticar, fazendo a análise destes períodos em que o QUE é empregado e nos quais ele apresenta diferentes classificações:

1) Que dia! 2) Que lindo! 3) Quero que você seja feliz! 4) O livro que deu origem ao filme também se chama Odisseia. 5)  Gritei tanto que fiquei sem voz. 6) Que horas são? 7) Tenho que estudar para a prova. 8) Sheyla tem um quê de mistério. 9) Nós é que fizemos o trabalho! 10) Quê! Você não gostou do filme, Marcelo?

Preparados para (re)conhecer as classificações do termo QUE? Vamos a elas, seguindo a ordem em que apareceram:

Pronome indefinido, porque está ao lado de um substantivo dia;

Advérbio, porque está intensificando o adjetivo lindo;

Conjunção integrante, porque liga a oração principal “Quero” à oração “que você seja feliz!”, sem fornecer qualquer valor semântico;

Pronome relativo, porque pode ser substituído por “o qual”, a fim de evitar a repetição do substantivo livro;

Conjunção subordinativa adverbial consecutiva, ou seja, apresenta um valor semântico de consequência em relação à oração “Gritei tanto”;

Pronome interrogativo, já que serve para perguntar;

Preposição acidental, uma vez que pode ser trocada pela preposição “de”;

Substantivo, sendo acompanhado do artigo “um”, fato que exigiu o emprego do acento circunflexo;

Palavra expletiva ou de realce, porque pode ser omitida do período, que pode ser reescrito desta forma: Nós fizemos o trabalho;

Interjeição, explicitando um sentimento de surpresa.

Não é o máximo, meus queridos? Perceberam o quanto de possibilidades um pequeno termo carrega? A gama de significados é grande e depende do contexto linguístico em que está inserido. É por tudo isso que eu amo nossa língua materna!

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