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Deleite Linguístico: Amor à Carolina ou da Carolina 

amor

No dia 21 de junho, data em que se comemoram os 187 anos de Machado de Assis, o Museu de Arte do Rio (MAR) fez um festival em homenagem ao primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), também conhecida como a Casa de Machado de Assis, fundada em 1897. A ABL na mídia – Pretessencias, trata-se de um Festival Machado de Assis que trouxe o debate racial, além de celebrar a obra e legado do escritor. Nesse evento, a obra e o legado de Machado de Assis ganharam as ruas, os palcos e os espaços de reflexão do centro da cidade do Rio de Janeiro. Que evento! Ao final das apresentações, o microfone ficou aberto e disponível ao público, que pôde declamar poemas do ilustre aniversariante.

 Eu, como uma apaixonada pela obra do Bruxo do Cosme Velho, lembrei-me de sua vida amorosa que teve como centro Carolina, grande amor de Machado. O casamento dos dois durou 35 anos, fato que me faz ser mais fã desse grande escritor, uma vez que sou uma pessoa extremamente romântica. (Só me falta um amor avassalador! Kkkk).

Devaneios à parte, decidi explorar a diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal; usando dois termos “amor à Carolina” e “amor da Carolina”. 

Vamos às explicações: Quando a expressão, iniciada pela preposição, apresenta valor semântico de agente do processo em relação ao termo que está antes da preposição, estamos diante de um adjunto adnominal, sintaticamente falando. Exemplos há que ilustram essa relação. Ei-los: O amor DE MÃE é incondicional. A leitura do estudante foi excelente. Entre “mãe” e ” amor”, “amor” é agente em relação ao termo “amor”, uma vez que a mãe é que tem o amor. No segundo caso, o “estudante” é quem fez a leitura, logo ele é “agente” em relação à “leitura”. Portanto “de mãe” e “do estudante” funcionam como ” adjunto adnominal”.

Em contrapartida, quando o termo iniciado por preposição apresentar valor semântico paciente, estaremos diante de complemento nominal. Exemplos disso: O amor à mãe é essencial. A ajuda ao estudante, em alguns casos, é essencial. Os dois termos em caixa alta funcionam como “complementos nominais”; já que a “mãe” recebe o “amor”, assim como o “estudante” recebeu a ajuda de alguém, ou seja, “mãe” e “estudante” são pacientes nesse processo. 

Agora que entenderam como diferenciar as funções, já é possível definir que em ” amor à Carolina” , temos “Carolina” sendo paciente em relação ao ” amor”. Dessa forma, “à Carolina” funciona como “complemento nominal”. Já em “Amor da Carolina”, “Carolina” é agente do “amor”, porque ela é quem ama alguém, no caso, Machado de Assis.

Por último, deixo este desafio, usando um texto do próprio Machado de Assis. Nesta declaração, deem, meus caros leitores, a classificação do termo preposicionado “de nossa miséria”:

“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”. 

Como sei que acertaram de primeira, estou autorizada a explicitar a linha de raciocínio que usaram. Começando pela análise do termo “miséria”, percebemos ser ele agente em relação ao “legado”. Justamente por “miséria” ser agente, o termo “de nossa miséria”, funciona sintaticamente como “adjunto adnominal”. Não foi fácil? Parabéns, queridos! Viva Machado e todo o seu legado! 

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