Não sei vocês, caros leitores, mas eu não consigo entender o que motivou a ação violenta e desrespeitosa de jovens contra uma adolescente de 17 anos. Precisamos repensar a educação dada às nossas crianças e aos nossos adolescentes, meus caros! Pensando nisso, apropriar-me-ei deste pensamento do filósofo Pitágoras, que dizia o seguinte: “Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”. Concordo com Pitágoras, já que investir na formação ética e moral das crianças, desde cedo, teoricamente reduziria a necessidade de intervenções punitivas na fase da adolescência e, principalmente, quando se chega à maioridade.
Como educadora, sei bem como é complicado apresentar regras a essa garotada, que se vê em uma posição de hegemonia, ditando as regras em seu núcleo familiar e querendo que os professores as sigam na escola. Ao serem confrontados, tudo é possível de acontecer… No caso amplamente veiculado pela mídia, os envolvidos estão colhendo os amargos frutos das “impensadas” atitudes… A vida ensina aos que não querem aprender por amor…
Como de tudo extraio lições de nossa língua portuguesa, volto-me à dificuldade que alguns usuários do Português têm para pronunciar o verbete “estupro”. Quem nunca ouviu alguém proferir “estrupo”? Pois bem. Qual o nome dado a esse processo fonético? Apresento a vocês a “metátese”, que demonstra a troca de posição de fonemas dentro de uma palavra. Essa transposição do fonema, que gera uma reestruturação silábica, é um fenômeno típico da variação linguística popular, indo de encontro (chocando-se) com a norma-padrão de nosso idioma. Posso aqui citar outros exemplos de metátese. Ei-los: “vrido” (vidro); “estauta” (estátua). Segundo estudos variacionistas e fonológicos, o sotaque e o ritmo brasileiros tendem a alterar estruturas de sílabas complexas (consoante+consoante) para torná-las mais fáceis de pronunciar. Eu sinceramente não consigo pronunciar “estrupo”, que, para mim, é mais difícil do que dizer “estupro”, que consta do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Creio que não menos importante seja ensinar aos nossos netos e filhos, desde pequenos, a correta pronúncia das palavras de nosso léxico, a fim de que eles estejam familiarizados com as palavras mais complexas! Assim, tanto a conduta quanto a fala deles serão dignas de elogios!





