Jornal DR1

Deleite Linguístico: Que tal um rolê com a meninada em uma livraria antes da ida à praia?

Foto: - Beth Santos/Prefeitura dos San

Mês de férias escolares, de sol, de calor intenso. A criançada só quer saber de diversão. Conversando com uma amiga que é contadora de história profissional, minha querida Anamô Soares, nome artístico da professora e diretora da Escola Municipal Barão de Macaúbas, Ana Soares, soube por ela de uma rotina que me parece bem peculiar aos moradores da Zona Sul do Rio, e que espero ser feita em todas as outras regiões. Trata-se de levar filhos e netos a uma livraria para deliciarem-se com uma contação de histórias. Não é o máximo?! Essa atitude contribui para que os estudantes percebam que o momento de férias tem espaço para a cultura. E nada melhor do que um livro sendo apresentado por uma excelente contadora de histórias, como minha amiga supracitada. 

Depois desse deleite linguístico, é hora de todos seguirem felizes em direção à praia. Certamente a história ouvida será revisitada por um comentário, uma reflexão, uma comparação com fatos vistos no momento de lazer praiano.

Como de costume, aproveito para falar da divisão silábica dos termos “livraria” e “praia”. Um pouquinho de gramática nunca é demais, meus caros leitores! A garotada dos anos iniciais precisa dominar esse conteúdo, e nada como uma crônica linguística para transformar a gramática em uma diversão a mais! Amo retirar a língua portuguesa do pedestal e trazê-la para a realidade! Para isso, vamos recordar a definição de hiato e de ditongo? Ao encontro de duas vogais em sílabas diferentes damos o nome de hiato. É o que acontece com “li-vra-ri-a”: i-a (hiato). Já quando falamos do encontro, na mesma sílaba, de uma vogal com uma semivogal ou vice-versa, estamos falando de um ditongo, que pode ser crescente (á-gua, ua: semivogal+vogal), ou decrescente (pai: ai: vogal+semivogal). Diante disso, temos uma situação bastante singular e digna de observação: o fato de a palavra PRAIA apresentar um glide (um deslizamento da semivogal I, que forma com a vogal A um ditongo crescente) na segunda sílaba. Sendo assim, a separação dessa palavra fica desta forma: PRAI-(I)A, tendo um AI (ditongo decrescente) que está seguido de IA (ditongo crescente que ocorre na fala). Podemos explicar aos estudantes em férias que o I exerce um papel duplo, por ser uma semivogal de transição ou ressonância; visto que, assim como é coda (término) da primeira sílaba, inicia a segunda para abri-la com um ditongo crescente IA (o glide). Essa informação pode servir como uma divertida brincadeira que pode-se transformar em um desafio linguístico. Aproveitem para estimular todas crianças e adolescentes a desejar serem frequentadores de livrarias antes do próximo mergulho. Afinal, o aprendizado acontece em diferentes contextos e locais. E, por vezes, uma história é um gancho para uma reflexão sobre conteúdos linguísticos.

Confira também

Nosso canal