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Deleite Linguístico: Subsídio é um entrave linguístico

Foto:  Marcello Casal JrAgência Brasil
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Março chegando, e o Rio de Janeiro celebrará os 461 anos de sua fundação! Infelizmente os moradores do Rio andam sem muitos motivos para comemorar, embora seja incontestável que residimos no local que é um roteiros de viagem prediletos de turistas estrangeiros ou não. Este final de fevereiro, todavia, termina com a notícia de que as passagens de metrô terão novo aumento, um presente indigesto dado aos cariocas que utilizam o metrô. Intrigada pelo porquê de esses aumentos serem constantes em nosso município, resgatei uma matéria de abril de 2024, publicada no site da Associação Nacional dos Transportes de Passageiros sobre Trilhos, e obtive a seguinte explicação, fornecida pelo presidente dessa organização: O metrô da cidade do Rio “é o único que não recebe subsídios de passagens do governo, É pago totalmente pela população.” Essa declaração levou-me a esquecer o aumento (até porque o governador Cláudio Castro anunciou que não irá reajustar a tarifa, mantendo-a no valor de R$7,90.); já que ela foi para mim um achado linguístico digno de ser explorado. Sabem por quê? É simples: embora não seja um texto atual, a pronúncia da palavra “subsídio” é capaz de tirar do sério muita gente, principalmente aqueles que apreciam o emprego da norma-padrão de nossa língua portuguesa. Um deles que coincidentemente é meu amigo é o arquiteto Cesar Vieira. Vocês, meus caros leitores, não tem ideia das vezes em que Cesar me disse o quanto fica incomodado com a pronúncia da palavra “subsídio”. A fim de dirimir essa situação e, quem sabe, eliminá-la, escrevi este texto. 

A dúvida de muitos ao reproduzi-la é a seguinte: o segundo S é pronunciado com som de Z ou de S? Fazendo uma célere consulta a um dicionário, o que pode ser feito pelo próprio celular, chegamos à conclusão de que o S é um fonema consonantal fricativo alveolar surdo. Antes de qualquer protesto acerca dessa classificação, que consta em várias gramáticas prescritivas, ” traduzo-a, dizendo a vocês, caros leitores, que o fonema S deve ser pronunciado como se fosse o S na palavra “sinal”, por exemplo. Se puderem, digam-me se vocês tinham essa informação antes de ler esta crônica linguística. Tal explicação faz com que qualquer usuário da língua portuguesa pronuncie, a partir de hoje, a palavra subsídio com (si) e não mais (zi). Depois dessa aula de fonologia, acredito que o único aumento a ser comemorado por Cesar e por mim é a quantidade de pessoas que pronunciarão corretamente a palavra” subsídio”. Com isso, teremos muitos subsídios para comemorar! Parabéns, Rio de Janeiro! 

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