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Deleite Linguístico: Zuenir Ventura: um exemplo de afetividade e de competência 

Foto Arquivo Pessoal

Falar de Zuenir Ventura é uma atividade prazerosa e extremamente importante; já que esse além-paraibano era um nobre jornalista e um professor muito querido por seus pares que recorriam ao Mestre Zu (termo carinhoso dado a Zuenir) no momento em que precisavam de algum conselho, de orientação ou de auxílio para a hercúlea tarefa de elaboração de reportagem, títulos, artigos ou matérias. Multifacetado que era, acumulava as profissões de escritor, de acadêmico, de homem público e de intelectual, exercendo cada faceta com a destreza dos grandes nomes. 

Nas posses e nos eventos da Academia Brasileira de Letras em que travei conversas com o acadêmico Zuenir Ventura, fiquei encantada com a energia, a ternura e a inteligência desse imortal que nos deixou no dia 22; justamente na mesma data em que o mestre Bechara partiu! Terá sido mera coincidência? Ou será que a data de meu aniversário, que também é 22, insiste em marcar o nascimento de uns (Godofredo de Oliveira Neto também comemora seu nascimento no dia 22) e a partida de outros (Zuenir Ventura e Evanildo Bechara)? De fato, só temos a certeza de nossa finitude, todavia não somos preparados para ficar órfãos de gênios da literatura! 

A obra de Zuenir Ventura mais marcante para mim é intitulada “Crônicas para ler na escola”, cuja data de publicação é o dia 24 de setembro de 2012. Seria outra coincidência do destino desse além-paraibano falecer há dois dias do mesmo mês do lançamento desse livro? 

Antes que me indaguem o porquê de eu citá-la, saibam que ela se transforma em mais um livro indispensável em meu ofício de estimular a leitura de grandes autores nas aulas de língua portuguesa. E por que escolher o cronista Zuenir Ventura? Primeiramente porque ele produziu suas crônicas em formato de conversa, que são mais palatáveis aos adolescentes. Depois porque é pensada para ser lida no ambiente escolar. Em seguida, pelo fato de ter um formato leve e de fácil compreensão. Ademais, nesses 44 textos que compõem o livro, o autor contemplou os mínimos detalhes do cotidiano com o intuito de levar os leitores à reflexão de delicados, mas cruciais temas para os que estão na fase de transição da adolescência para a vida adulta. Estes são os eixos temáticos: o imediatismo dos celulares, dos computadores e das redes sociais em confronto com os hábitos dos mais velhos: as conversas nas calçadas e o uso das cartas pessoais manuscritas; episódios de discriminação racial, de racismo estrutural e de falta de empatia; a burocracia do dia a dia, a obsessão pela juventude eterna, o comportamento das pessoas na praia carioca e as pequenas neuroses da vida moderna. Preciso explicitar maiores detalhes da importância de os responsáveis e professores apresentarem à meninada um exemplar desse livro? Quem sabe seja o momento mais apropriado para enaltecer a memória de um homem cujas produções lhe renderam uma legião de admiradores, dentre os quais me incluo? Zuenir, muito obrigada por dar a mim a possibilidade de adubar o terreno dos futuros jornalistas e escritores que certamente se lembrarão de seus textos, lidos na fase escolar! Descanse em paz, meu querido!

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