Janeiro chega carregado de promessas. Promessas de mudança, de novos hábitos, de recomeços. Mas para milhares de mulheres brasileiras, o ano não começa com esperança, começa com medo. Medo de falar, de denunciar, de não serem acreditadas.
Abrir o ano falando sobre os direitos da mulher não é escolha editorial. É necessidade social.
O Brasil ainda convive com índices alarmantes de violência doméstica. Todos os dias, mulheres têm sua dignidade ferida dentro de casa, muitas vezes em silêncio, por vergonha, dependência emocional ou financeira. E é justamente esse silêncio que mantém o ciclo da violência vivo.
A Lei Maria da Penha não foi criada apenas para punir, mas para proteger, prevenir e salvar vidas. Poucas sabem que violência não é só agressão física. Palavras que humilham, controle excessivo, ameaças, isolamento de amigos e familiares também são formas de violência e são crimes.
A mulher que sofre violência tem direito a atendimento prioritário, medidas protetivas, afastamento do agressor, proteção policial, acompanhamento psicológico e acesso a programas sociais. Mas direito que não é conhecido não é exercido.
Por isso, nesta primeira semana do ano, o convite é claro: que 2026 seja o ano em que a mulher não normalize o abuso. Que ela entenda que amor não dói, não humilha, não ameaça.
Recomeçar também é romper com padrões que machucam. É sair de relações que ferem. É buscar ajuda sem culpa.
Que este novo ano não seja apenas mais uma virada no calendário, mas uma virada de consciência. Porque quando uma mulher conhece seus direitos, ela não se cala. Ela se levanta. E quando uma mulher se levanta, ela muda a própria história e a história de muitas outras. Por isso não se cale, denuncie 180.





