Nos últimos 12 meses, o Brasil testemunhou um alarmante aumento na violência contra a mulher. Dados recentes revelam que 21,4 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de agressão nesse período, representando 37,5% das mulheres com 16 anos ou mais. Esse é o maior índice registrado desde o início das medições em 2017.
O feminicídio, expressão máxima dessa violência, também apresentou números preocupantes. Desde a tipificação desse crime em 2015, mais de 11.800 mulheres foram assassinadas no país. Em 2024, foram registrados 1.259 casos, quase o triplo dos 535 de 2015.
Um caso que chocou o país recentemente foi o de Vitória Regina de Sousa, de 17 anos. A jovem desapareceu em 26 de fevereiro, após sair do trabalho em Cajamar, São Paulo. Seu corpo foi encontrado em uma área de mata, apresentando sinais de violência extrema, como cabeça raspada e quase decapitação. As investigações apontam para um possível crime de vingança, envolvendo facções criminosas e o ex-namorado da vítima.
Diante desse cenário, a sororidade emerge como uma ferramenta essencial no combate à violência de gênero. A união e o apoio mútuo entre mulheres fortalecem redes de proteção e incentivam a denúncia de agressões. Além disso, a solidariedade feminina contribui para a conscientização sobre os direitos das mulheres e a importância de políticas públicas eficazes. A violência de gênero é uma questão estrutural que afeta mulheres de diferentes idades, classes sociais e origens. No entanto, muitas vítimas ainda encontram obstáculos para denunciar seus agressores devido ao medo, dependência financeira e carência de suporte social. Nesse contexto, a sororidade desempenha um papel essencial ao oferecer acolhimento, orientação e incentivo para que as mulheres rompam o ciclo da violência. E nunca esquecermos: “mexeu com uma, mexeu com todas!”
A sororidade também se manifesta por meio de iniciativas coletivas, como grupos de acolhimento, campanhas de conscientização e movimentos feministas que pressionam por mudanças legislativas e sociais. Tais ações são fundamentais para ampliar a rede de proteção e garantir que as vítimas tenham acesso a recursos adequados, como abrigos, assistência psicológica e jurídica.
Outro aspecto relevante da sororidade é seu papel na educação e prevenção da violência de gênero. Ao promover diálogos sobre igualdade, respeito e empatia desde a infância, é possível desconstruir estereótipos e fomentar uma cultura de não violência. Assim, a sororidade não apenas fortalece as mulheres que já enfrentam situações de abuso, mas também atua na transformação da sociedade como um todo, contribuindo para um futuro mais justo e seguro para todas.
Garantir que leis de proteção à mulher sejam efetivamente aplicadas e que haja investimentos em serviços de apoio, além de divulgar amplamente canais como Ligue 180, que oferece atendimento gratuito e confidencial 24 horas por dia.
A luta contra a violência de gênero exige um compromisso coletivo. A sororidade, aliada a ações concretas, pode transformar o cenário atual, garantindo que mulheres vivam sem medo e com plena dignidade.